“SuperNanny”: uma família quer impedir programa de ir para o ar

Janeiro 19, 2018 às 11:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Notícia do site https://nit.pt/ de 18 de janeiro de 2018.

texto
Andreia Costa

Depois da polémica da estreia, contactaram a CNPDPCJ a pedir ajuda. Têm medo da exposição e não reconhecem filhos nas imagens.

s famílias envolvidas em “SuperNanny”, que estreou na SIC no domingo, 14 de janeiro, estão preocupadas com a exposição do programa. Uma delas, de um episódio futuro, já contactou a CNPDPCJ (Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens) para pedir ajuda.

“Apesar de terem sido cedidos os direitos de imagem, as pessoas não imaginavam que a emissão seria assim. Querem saber o que podem fazer”, conta à NiT Rosário Farmhouse, presidente da CNPDPCJ.

As famílias “não reconhecem os filhos naqueles comportamentos”, garante ainda a responsável pela entidade que foi a primeira a denunciar os “efeitos nefastos” nos miúdos logo após a exibição do primeiro programa.

A CNPDPCJ mostrou a sua preocupação junto da SIC, mandou à ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) um pedido de análise e encaminha os casos de que vai tendo conhecimento para as CPCJ (Comissão de Proteção de Crianças e Jovens) locais.

O objetivo é evitar a transmissão de novos episódios de “SuperNanny” mas Rosário Farmhouse admite que é uma “luta contra o relógio”.

“Nós gostaríamos que não existissem programas que expusessem crianças desta maneira. Mantendo-se esta linha [na produção da SIC], e tudo leva a crer que se mantenha, é verdade que gostávamos que fosse travado.

Para já, a entidade está focada em perceber de que forma foi afetada a família Antunes — mãe e filha foram as primeiras visitadas pela psicóloga Teresa Paula Marques — e Rosário Farmhouse confirma à NiT que os pais da menor foram ouvidos em Loures, área de residência.

“Não posso dizer nada sobre a criança mas os pais estão colaborantes [quando assim não é, os casos são encaminhados para o Ministério Público]. Aqui houve uma exposição mediática sem precedentes e a CPCJ de Loures tem estado muito empenhada. Contrariamente ao mito de se querer tirar as crianças às famílias, a primeira decisão é sempre ajudar a que os menores fiquem bem com as suas respetivas famílias.”

Além da CNPDPCJ, muitas organizações já condenaram “SuperNanny” e a ERC tem recebido inúmeras queixas. A NiT resume-lhe o que aconteceu de mais relevante desde a estreia.

Pais ouvidos na CPCJ de Loures

Ao início da tarde de segunda-feira, 15, Patrícia Antunes, a mãe que aparece no primeiro programa, começou por dizer à NiT que não podia prestar declarações enquanto a CNPDPCJ estivesse envolvida. De facto, ao final do dia, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do Concelho de Loures ouviu a mãe e o pai (que não surge no formato) da criança. Ambos estão a colaborar.

As medidas da ERC

Também na segunda-feira, 15, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, foi confrontada com algumas queixas e resolveu emitir um comunicado confirmando a receção de “participações/preocupações subscritas por diferentes cidadãos”.

“Os textos versam essencialmente sobre uma alegada violação de direitos fundamentais e serão oportunamente apreciados pelo Conselho da ERC”, pode ainda ler-se na nota.

Para já, o organismo não revela o número de denúncias recebidas. Está a reunir o material antes de se pronunciar novamente sobre o caso.

A posição da SIC

Em comunicado, o canal começa por enumerar as várias versões de “SuperNanny” em França, Alemanha, Espanha, entre outros, e garante que “são exemplos de países onde os padrões de proteção dos direitos dos menores não se revelam menos exigentes do que os existentes em Portugal”.

Assim sendo, “a experiência acumulada nesses países tem demonstrado que o ‘SuperNanny’ não gera efeitos negativos ou de censura em ambiente escolar e social, antes contribuindo para uma melhoria significativa da qualidade de vida familiar”, pode ainda ler-se na nota enviada às redações.

A emissão do formato é para continuar, uma vez que “foi produzido e é exibido na SIC no estrito cumprimento da lei aplicável, tendo sido obtidas as necessárias autorizações para o efeito”.

UNICEF condena programa

A UNICEF foi apenas mais um dos organismos a denunciar a violação dos direitos das crianças em “SuperNanny”, “nomeadamente o direito da criança a ser protegida contra intromissão na sua vida privada”. O texto foi publicado pela “Notícias Magazine” e refere ainda que “a exposição pública, nomeadamente dos comportamentos violentos retratados, poderá colocar em causa do bem-estar da criança e o seu desenvolvimento atual e futuro”.

Instituto de Apoio à Criança

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) foi “alertado por diversas associações e personalidades” e pronunciou-se sobre o assunto, igualmente através de um comunicado. “Assistimos ontem [domingo, dia 14] a situações de conflito entre uma criança e sua mãe, ocorridas em contexto privado, as quais foram exibidas em horário nobre num canal televisivo de grande audiência, o que decerto causará prejuízos à imagem da criança vítima da exposição pública.”

Além disso, o IAC condenou o “aconselhamento dito psicológico num contexto que deveria ocorrer no recato de um gabinete ou de um consultório (de psicologia ou de pedopsiquiatria) e jamais perante câmaras”.

 

 

TrackBack URI


Entries e comentários feeds.

%d bloggers like this: