Seguir o peso corporal dos adolescentes deu um prémio

Dezembro 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 11 de dezembro de 2017.

Flutuações de gordura corporal ao longo da adolescência influenciam o aparecimento de factores de risco de doença na idade adulta – um estudo português agora reconhecido com um prémio de 20 mil euros.

Raquel Dias da Silva

Uma equipa de investigadores do Instituto de Saúde Pública e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto estudou a forma como as flutuações de gordura corporal ao longo da adolescência influenciam o aparecimento de factores de risco de doenças na idade adulta. Concluiu-se que, além da quantidade, também a duração do excesso de gordura tem impacto no aumento dos riscos associados à obesidade. E, esta segunda-feira, os autores do trabalho receberam um prémio de 20 mil euros, atribuído pela Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa (SCML) e pela empresa farmacêutica Merck Sharp & Dohme (MSD).

Foram usados dados de 2253 participantes do projecto Epidemiological Health Investigation of Teenagers in Porto (Epiteen), um estudo longitudinal, iniciado em 2003, que pretendia compreender de que forma os hábitos e os comportamentos adquiridos na adolescência se reflectem na saúde do adulto (e que tem agora continuidade no Epiteen24). Os jovens, na altura a frequentar escolas no Porto, foram avaliados aos 13, 17, 21 e 24 anos de idade em vários parâmetros (peso, altura, pressão arterial e resultados de análises ao sangue).

“Pretendemos avaliar o efeito da duração e do grau de adiposidade, desde a adolescência até ao início da idade adulta, na pressão sanguínea e na resistência à insulina aos 24 anos”, afirmam os investigadores no artigo científico, publicado este ano na revista International Journal of Obesity. E que lhes valeu o Prémio SCML/MDS em Saúde Pública e Epidemiologia Clínica, entregue esta segunda-feira no Palácio da Bemposta em Lisboa. “O que distingue claramente este trabalho é o tempo de seguimento que nos permite perceber a evolução e não é fácil medir os mesmos indivíduos durante dez anos. Os heróis são os participantes que se têm mantido sempre disponíveis”, afirma ao PÚBLICO a especialista em saúde pública Elisabete Ramos, co-coordenadora da equipa.

E os resultados confirmaram o esperado, de acordo com a investigadora. Quanto maior o índice de massa corporal, maior o risco de doenças cardiovasculares, por exemplo enfartes, e também de diabetes. Para além disso, além da quantidade, também a duração do excesso de gordura corporal é relevante. Concluiu-se, então, que os indivíduos que apresentam maior adiposidade durante a adolescência têm valores superiores de pressão arterial e de resistência à insulina na idade adulta, neste caso aos 24 anos. “Foi nosso objectivo mostrar como o que acontece durante a adolescência tem repercussões na idade adulta”, afirma Elisabete Ramos. “O problema não começa só quando começa a doença. É importante promover trajectórias de crescimento mais saudáveis.”

O artigo citado na notícia é o seguinte:

Duration and degree of adiposity: effect on cardiovascular risk factors at early adulthood

 

 

Bons pais fazem asneiras de 8h em 8h

Dezembro 22, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Laurinda Alves publicado no http://observador.pt/ de 12 de dezembro de 2017.

Acrescentar a família com mais filhos sim, mas sem pensar demais, sem perder muito tempo, para não perder também a oportunidade e, sobretudo, para não ceder a argumentos acessórios, longe do essencial

“Considero que os bons pais são aqueles que fazem pelo menos uma asneira de 8h em 8h, como as tomas dos antibióticos” disse Eduardo Sá no encontro Mais Família. Moderei o painel desta conversa e ouvi testemunhos interpeladores de todos os oradores. As partilhas e reflexões de cada um continuam a fazer eco e merecem ser revistas e amplificadas.

“Os bons pais amam loucamente os seus filhos e comovem-se perdidamente com coisas inacreditáveis que dizem e fazem, mas respiram fundo quando podem estar sem eles algum tempo”. Eduardo Sá dá voz a muitos pais que se culpabilizam por sentimentos naturais, tais como adorar os filhos e o tempo que passam juntos, mas também gostarem de ter tempo só para si. Gostar muito dos filhos quando estão acordados é comum, mas todos nós, pais e mães, sabemos que mal adormecem ou se distanciam de nós, esse amor parece que aumenta exponencialmente. Faz parte e não há que ter medo de sentir isso ou falar disso.

Eduardo Sá quebra algumas regras e desfaz muitos tabus. Também não alimenta mitos e questiona as causas das coisas que atravessam a esmagadora maioria das famílias, sejam elas convencionais, refeitas, monoparentais ou de alguma forma alternativas. Faz, por vezes, de advogado do diabo (salvo seja!) e dá largura e comprimento à discussão.

Cada filho que nasce faz-nos pais de novo e “desarruma-nos da cabeça aos pés. Quando achamos que estamos preparados para lidar até com as birras mais sofisticadas, eles dão-nos lições e grandes doses de humildade”. Os filhos obrigam-nos a crescer e se alguém pensa que somos apenas nós, pais, que os ajudamos a crescer, desengane-se! “Crescer com os filhos é o nosso maior desafio!”

Eduardo Sá fala das famílias como “reserva natural das imperfeições humanas, com tudo o que isso tem de privilegiado no nosso crescimento. A família (ou a falta dela!) é o que nos faz crescer mais e promove mais dores”, mas é com as dores e os conflitos que nos fortalecemos e tornamos quem somos. Também não há que temer. Todos temos direito à nossa quota de sofrimentos. A diversidade e a realidade de cada família, sobretudo das mais adversas, não dá margem para idealismos, mas ainda bem pois não há vidas cor-de-rosa nem famílias de uma cor só.

Neste encontro sobre a importância da família estiveram 3 mulheres e 3 homens – nenhum deles em casal – todos casados ou recasados, e todos com filhos biológicos, mais os de anteriores casamentos ou adoptados. Ao todo juntaram-se ali pais de 28 filhos. Vinte e oito, num país que está na cauda da Europa e do mundo quando se olha para as estatísticas de natalidade. A conjugação destas seis pessoas, com personalidades, vocações e profissões tão distintas, acabou por se revelar um hino ao amor e à família, pois o testemunho de cada um foi extraordinariamente tocante.

Raul Galamba, director emérito da McKinsey, pai biológico de 4 filhos, acaba de adoptar mais 3. Três irmãos que viveram muitos anos num orfanato e, no fim de um processo que durou 4 anos, lhe foram agora confiados a si e à sua mulher, como filhos adoptivos. Três crianças que chegaram a casa neste Verão e, de um minuto para o outro, passaram a chamar pai e mãe aos novos pais. A maneira leve e feliz como Raul Galamba fala desta chegada a casa, deste acerto familiar e desta nova família de 7 filhos faz com que tudo pareça infinitamente mais fácil e, acima de tudo, possível.

Durante uma hora ouvi (ouvimos, pois a conversa foi integralmente transmitida em directo) partilhas e testemunhos incríveis que mostram que afinal não há impossíveis. É certo que no cinema existem guiões perfeitos para famílias felizes e a família Von Trapp ainda povoa o imaginário de muitas gerações, mas na vida real as coisas são muito diferentes e passar de 4 filhos para 7, só é praticável contando com os próprios filhos para acolherem novos irmãos, e esperando que avós, tios e primos também ajudem a adoptar estas mesmas crianças. Foi o que aconteceu, mas impressiona sempre ouvir alguém dizer que se não tivessem tido o apoio do resto da família adoptavam à mesma estes 3 irmãos.

João Miguel Tavares, pai de 4 filhos, jornalista, colunista, ex-blogger e membro do Governo Sombra, mostrou-se particularmente interessado pela experiência de Raul Galamba, fez perguntas estratégicas e arriscou dizer que a sua própria mulher gostaria muito de adoptar crianças. Falou da sua realidade familiar quotidiana com muito amor e humor e declarou que os pais que aceitam ter muitos filhos são radicais. “Nós, os que temos uma catrefada de filhos, somos os novos radicais. Se houvesse um novo Maio de 68, nós eramos os mais radicais”.

Vera Pereira, Directora Geral da Fox, mãe de 2 filhos e há sete anos com mais 4 filhos em casa, fruto de segundo casamento, representava de certa forma as famílias refeitas, mas também as famílias monoparentais, pois entre casamentos viveu sozinha com os seus dois filhos. Vera falou com a mesma leveza e naturalidade com que falaram todos os outros e partilhou a sua experiência de profissional de sucesso, conjugando ao mesmo tempo novos filhos e novos irmãos que, na verdade, não escolheram ser família e começam por ser todos grandes desconhecidos.

“Hoje em dia sinto que podemos dizer com muito orgulho que somos uma família, mas tem sido um grande desafio. Penso que é mais difícil para nós, pais, do que para os filhos pois eles são muito mais simples. Nós temos sempre sentimentos de culpa”. Vera diz que a maior lição que todos aprenderam foi saber negociar uns com os outros. “Negociar a atenção, o tempo e o espaço, não apenas as bolachas!” Falou da importância de existir sempre abertura para falar da mãe e do pai biológicos, dando aos ‘filhos do outro’ toda a liberdade para se sentirem em casa sem terem que esconder relações ou fingir que esses laços não são vitais para eles. Mãe é mãe e pai é pai. Importa perceber que as crianças e jovens precisam de ser valorizados nessa relação primordial, fundamental, que os constrói e continua a ser uma referência maior, mesmo se não é ideal ou quando a relação entre progenitores se desfez.

Rita Mendes Correia, mãe de 6 filhos, advogada a tempo inteiro e presidente da Associação das Famílias Numerosas, enunciou algums competências extra que mães e pais adquirem nas famílias e se refletem no trabalho. E vice-versa. “É interessante olhar para estudos recentes e ver que os homens e mulheres que são pais conseguem reforçar em casa, com os seus filhos, as suas competências de liderança e de trabalho em equipa”.

Conceitos como a entre-ajuda e o team-building, ou ser solidário, partilhar, ouvir, conciliar, ajudar, negociar, compreender, lidar com o erro e o falhanço, e por aí adiante deixam de ser uma abstração, ou uma racionalização, porque se tornam prática diária nas famílias com várias pessoas a morar na mesma casa, e acabam por ser uma aprendizagem fortíssima com impacto no mundo do trabalho. Mas não só.

“Quando compramos um chocolate os meus filhos já estão a vê-lo dividido em seis” disse Rita Mendes Correia, querendo com isso sublinhar que esta partilha se torna natural em casa, na escola e em todos os ambientes frequentados pelas famílias numerosas.

Uma das frases mais repetidas por todos os oradores foi ‘porque não?’, aplicada à possibilidade de acrescentar a família com mais filhos biológicos ou adoptados. Outra expressão em que todos convergiram com extraordinária facilidade foi ‘sem pensar muito nisso’. Ou seja, acrescentar a família sim, mas sem pensar demais, sem perder demasiado tempo, para não perder também a oportunidade e, sobretudo, para não ceder a argumentos acessórios que distorcem a percepção daquilo que é essencial.

Raul Galamba saiu mais cedo por ter a festa de Natal de um dos 7 filhos e nada o fazer perder essa festa, mas antes de sair resumiu toda a conversa de forma alegre e iluminante. “Uma família com mais um é sempre uma família muito mais rica!”. Se um enriquece, que dizer de dois ou mais?

 

Bullying online pode obrigar redes sociais a pagarem multas pesadas

Dezembro 22, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://tek.sapo.pt/ de 11 de dezembro de 2017.

As empresas de tecnologia vão ser obrigadas, no Reino Unido, a publicar um relatório anual onde explicam como tratam o cyberbullying nas suas plataformas. O não cumprimento pode valer multas até 20 milhões de libras.

As redes sociais, como o Facebook e o Twitter, deverão esclarecer quais as medidas usadas para moderar o bullying e conteúdos ofensivos, noticia o The Sun.

De acordo com Matt Hancock, atual ministro responsável pelo panorama digital britânico, esta reforma vai exigir que “sejam incorporadas proteções personalizadas para crianças com menos de 16 anos nos sites e aplicações”.

“Todos queremos regras para que as crianças possam estar seguras e protegidas online, o que não está a acontecer neste momento”, explicou o governante.

Os gigantes tecnológicos que não respeitarem a adaptação das suas plataformas aos utilizadores mais novos podem enfrentar multas até 20 milhões de libras.

Para a ministra da Cultura, Media e Desporto do Reino Unido, Karen Bradley, é necessária uma abordagem na internet que “nos proteja a todos” porque “ o comportamento que é inaceitável na vida real é inaceitável num ecrã de computador”.

A campanha faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para forçar as empresas de tecnologia a aceitar uma maior responsabilidade por seu conteúdo.

Recorde-se que, no verão, um conjunto de novas leis veio conceder aos cidadãos do Reino Unido o direito de obrigar as redes sociais, como o Facebook, a apagarem definitivamente os seus dados pessoais.

No caso das plataformas não acatarem as ordens dadas pelos titulares das contas, a autoridade nacional para a proteção de dados poderá passar multas de até 17 milhões de libras (ou 4% do volume global de negócios).

 

 

 


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