A geração “floco de neve”: pessoas sensíveis que se ofendem por tudo

Dezembro 8, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.revistapazes.com/ de 7 de novembro de 2017.

Quando imaginamos um floco de neve, nós o associamos à beleza e singularidade, mas também à sua enorme vulnerabilidade e fragilidade. Estas são precisamente duas das características que definem as pessoas que atingiram a idade adulta na década de 2010. Afirma-se que a geração “floco de neve” seja formada por pessoas extremamente sensíveis aos pontos de vista que desafiam sua visão do mundo e que respondem com uma suscetibilidade excessiva às menores queixas, com pouca resiliência.

A voz de alarme, por assim dizer, foi dada por alguns professores de universidades como Yale, Oxford e Cambridge, que notaram que a nova geração de alunos que frequentavam suas aulas era particularmente suscetível, não tolerante à frustração e particularmente inclinados fazerem uma tempestade em um copo de água.

Cada geração reflete a sociedade que eles viveram

Dizem que as crianças saem mais ao padrão da sua geração que aos pais. Não há dúvida de que, para entender a personalidade e o comportamento de alguém, é impossível abstrair do relacionamento que estabeleceu com seus pais durante a infância e a adolescência, mas também é verdade que os padrões e expectativas sociais também desempenham um papel importante no estilo educacional e moldam algumas características de personalidade. Em resumo, podemos dizer que a sociedade é a terra onde a semente é plantada e crescida e os pais são os jardineiros que são responsáveis por fazer crescer.

Isso não significa que todas as pessoas de uma geração respondam ao mesmo padrão, felizmente há sempre diferenças individuais. No entanto, não se pode negar que as diferentes gerações têm metas, sonhos e formas de comportamento característico que são o resultado das circunstâncias que tiveram que viver e, em alguns casos, tornam-se inimagináveis em outras gerações.
Claro, o mais importante é não colocar rótulos, mas analisemos para entender o que está na base desse fenômeno, para não repetir os erros e para que possamos dar a devida importância a habidades de vida tão importantes quanto a Inteligência Emocional e a resiliência.

3 erros educacionais colossais que criaram a geração “floco de neve”

  1. Sobreprotecção. A extrema vulnerabilidade e escassa resiliência desta geração têm suas origens na educação. Estes são, geralmente, crianças que foram criadas por pais superprotetores, dispostos a pavimentar o caminho e resolver o menor problema. Como resultado, essas crianças não teve a oportunidade de enfrentar as dificuldades e conflitos do mundo real e desenvolver tolerância à frustração, ou resiliência. Não devemos esquecer que uma dose de proteção é necessária para que as crianças cresçam em um ambiente seguro, mas quando impede que explorem o mundo e limite seu potencial, essa proteção se torna prejudicial.
  2. Sentido exagerado de “eu”. Outra característica que define a educação recebida pelas pessoas da geração “floco de neve” é que seus pais os fizeram sentir muito especiais e únicos. Claro, somos todos únicos, e não é ruim estar ciente disso, mas também devemos lembrar que essa singularidade não nos dá direitos especiais sobre os outros, já que somos todos tão únicos quanto os outros. O sentido exagerado de “eu” pode dar origem ao egocentrismo e à crença de que não é necessário tentar muito, uma vez que, afinal, somos especiais e garantimos o sucesso. Quando percebemos que este não é o caso e que temos que trabalhar muito para conseguir o que queremos, perdemos os pontos de referência que nos guiaram até esse momento. Então começamos a ver o mundo hostil e ameaçador, assumindo uma atitude de vitimização.
  3. Insegurança e catástrofe. Uma das características mais distintivas da geração do floco de neve é que eles exigem a criação de “espaços seguros”. No entanto, é curioso que essas pessoas tenham crescido em um ambiente social particularmente estável e seguro, em comparação com seus pais e avós, mas em vez de se sentir confiante e confiante, temem. Esse medo é causado pela falta de habilidades para enfrentar o mundo, pela educação excessivamente superprotetiva que receberam e que os ensinou a ver possíveis abusos em qualquer ação e a superestimar eventos negativos transformando-os em catástrofes. Isso os leva a desejarem se bloquear em uma bolha de vidro, para criar uma zona de conforto limitado onde eles se sintam seguros.

Para entender melhor como a educação recebida afeta uma criança, é importante ter em mente que as crianças procuram pontos de referência em adultos para processar muitas das experiências que experimentam. Isso significa que uma cultura paranóica, que vê abusos e traumas por trás de qualquer ato e responde com sobreproteção, gerará efetivamente crianças traumatizadas. A forma como os adultos enfrentam uma situação particularmente delicada para a criança, como um caso de abuso escolar, pode fazer a diferença, levando a uma criança que consegue superar e se torna resiliente ou uma criança que fica com medo e torna-se uma criança vítima

Qual é o resultado?

O resultado de um estilo de parentesco superprotetivo, que vê o perigo em todos os lugares e promove um sentido exagerado de “eu”, são pessoas que não possuem as habilidades necessárias para enfrentar o mundo real.

Essas pessoas não desenvolveram tolerância suficiente à frustração, então o menor obstáculo os desencoraja. Nem desenvolveu uma Inteligência emocional adequada, então eles não sabem como lidar com as emoções negativas que certas situações suscitam.

Como resultado, eles se tornam mais rígidos, se sentem ofendidos por diferentes opiniões e preferem criar “espaços seguros”, onde tudo coincide com suas expectativas. Essas pessoas são hipersensíveis à crítica e, em geral, a todas as coisas que não se encaixam na visão do mundo.

Também são mais propensos a adotar o papel das vítimas, considerando que estão todos contra ou equivocados. Desta forma, eles desenvolvem um local de controle externo, colocando a responsabilidade sobre os outros, em vez de se encarregar de suas vidas e mudar o que podem mudar.

O resultado também é que essas pessoas são muito mais vulneráveis ao desenvolvimento de transtornos psicológicos, do estresse pós-traumático à ansiedade e à depressão. Na verdade, não é estranho que o número de transtornos de humor aumente ano após ano.

Fonte:
Mistler, BJ et. Al. (2012) The Association for University and College Counseling Center Directors Annual Survey Reporting. Pesquisa do AUCCCD ; 1-188

Este artigo foi publicado originariamente no site Rincón Psicología e fora livremente adaptado pela equipe da Revista Pazes.

Créditos da foto de capa: Andrew Robles
@andrewroblesphoto/unsplash.com

 

 

 

PUDIM | O Rebento – Companhia Cepa Torta – Teatro infanto-juvenil na Malaposta – 10 dezembro

Dezembro 8, 2017 às 6:07 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.malaposta.pt/2017/12_dezembro/teatro_pudim.html

https://www.facebook.com/events/140404666719647/

 

Sexo, drogas e noitadas: sabe o que anda a fazer o seu filho adolescente?

Dezembro 8, 2017 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O filme O Fim da Inocência mostra explicitamente como raparigas e rapazes de colégio entram numa espiral de sexo, álcool e drogas sem os pais saberem. Tudo isto logo a partir dos 15 ou 16 anos.

Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 22 de novembro de 2017.

Texto Rui Pedro Tendinha | Fotografias Gustavo Bom/Global Imagens

O Fim da Inocência conta a história, baseada em factos reais, de um grupo de adolescentes que experimenta na noite tudo o que os pais mais temem. A adaptação ao cinema do livro de Francisco Salgueiro – o último projeto de Nicolau Breyner mas que acabou por ser realizado por Joaquim Leitão – chega esta semana às salas e consegue mostrar o que muitos nem querem imaginar: uma vida paralela de sexo casual e consumo de drogas nas noitadas.

O que é que os adolescentes de boas famílias fazem na noite a partir das três, quatro da manhã? Muitos pais preferem nem imaginar. Mas, em O Fim da Inocência, de Joaquim Leitão, a adaptação do romance homónimo de Francisco Salgueiro, vemos um caso que pode fazer incidir a luz sobre o flagelo que atinge cada vez mais jovens.

O filme e o livro (talvez mais o livro) mostram explicitamente como raparigas e rapazes de colégio entram numa espiral de sexo, álcool e drogas sem os pais saberem. Tudo isto logo a partir dos 15 ou 16 anos.

E, segundo o autor, tudo é verdade: as festas, as orgias, as pastilhas, os riscos de cocaína e uma dissimulação que engana os pais mais distraídos. O livro [ed. Oficina do Livro, 2010] e, por consequência, o filme, relatam factos verdadeiros de uma adolescente que, depois de ser levada a perder a virgindade aos 15 anos, adota um estilo de vida noctívago repleto de drogas e álcool.

Espelho de uma certa geração com pressa de experimentar tudo mais cedo e com ganas de viver a vida sem pensar no amanhã. Os jovens que não pensam nas consequências e encontramos nos bares de Santos, em Lisboa, ou nas Galerias da Baixa do Porto e que, depois, acabam por ser os mais populares no liceu.

Se esta história que Salgueiro descobriu pode ser um testemunho de uma tendência cada vez mais globalizante, é também uma oportunidade para um exame de como muitos pais podiam – deviam? – ter outra perceção acerca da vida social dos filhos.

O Fim da Inocência chega aos cinemas numa altura em que o cinema de grande público em Portugal tem tido tempos duros, com fracassos atrás de fracassos. Mas o novo filme de Joaquim Leitão (que este ano já viu no final de agosto o seu Índice Médio de Felicidade ser ignorado nas bilheteiras) terá um dos maiores lançamentos do ano e uma campanha forte para chamar adolescentes e pais aos cinemas, sobretudo a pensar no fenómeno que o livro conseguiu – mais de quarenta mil exemplares.

Trata-se de um relato de um grupo de adolescentes abastados de Cascais que reflete uma vida paralela de comportamentos sexuais irresponsáveis, dependência de álcool e droga sem controlo – muito para além dos charros, neste filme circula MDMA, cocaína e ectasy.
Francisco Salgueiro, sem filhos, especialista em livros destinados a jovens, supervisionou a produção do filme.

«Este é o primeiro filme português que atinge um target que não vê filmes portugueses», diz o autor. «O Fim da Inocência é para quem não gosta mesmo de cinema português, o mesmo que aconteceu com o livro, que era para um target dos que nunca liam. Os autores e os realizadores portugueses têm a mania de ser muito mais velhos do que aquilo que são.»

O escritor de 45 anos não foi o responsável pelo argumento (Roberto Pereira, de A Mãe é que Sabe foi o escolhido), mas teve um papel ativo no casting, cuja primeira fase contou ainda com Nicolau Breyner, que esteve para realizar o filme. O Fim da Inocência foi a obra que a morte não deixou que fosse de Nico.

Oksana Tkash, Rodrigo Paganelli, Joana Barradas, Francisco Fernandez, Raquel Franco e Joana Aguiar são estrelas para um público juvenil depois de participações televisivas em séries e telenovelas. Ficaram famosos sobretudo nesta altura em que as redes sociais e as suas gestões criam casos de culto que passam ao lado da imprensa. Para já, têm uma habilidade tremenda: na câmara de Leitão parecem mesmo adolescentes (Raquel tem 26 anos, Joana e Francisco 19).

Juntos, estes atores mostram um entrosamento grande. A maior parte já se conhecia de trabalhos na televisão e conseguiram uma boa química durante as filmagens, em agosto. Garantem que nunca se portaram como as personagens em perdição deste caso verídico, mas são os primeiros a dizer que nada do que se passa aqui é fantasia. «Há aquele lema agora de que o pessoal quer fazer tudo num só dia, não deixar nada para amanhã», diz Francisco Fernandez, com 19 anos, o mais novo dos rapazes, mas a opinião é partilhada por todos.

Raquel Aguiar, 26 anos, comunga dessa ideia de que a geração que veio a seguir à sua quer tudo mais rápido. «As situações que vemos no filme existem e há que falar e expô-las, mesmo que não possamos generalizar. Existe e não é só no Porto e em Lisboa. Trata-se de um fenómeno generalizado.» Um fenómeno que os pais desses adolescentes nem imaginam. Ou não querem, lembra Francisco Salgueiro.

Rodrigo Paganelli, que interpreta um dos «maus rapazes» disposto a experimentar tudo, fala da pressão de uma sexualidade imposta. «O filme trata muito bem da pressão de ter de fazer muito mais do que a vontade deles. Todos falam de sexo e se não tiveres assunto aí sentes-te fora das conversas. Há uma obrigação cada vez mais cedo e não acho normal miúdos e miúdas de doze anos perderem a virgindade. Não me cabe na cabeça!»

O grande risco deste elenco estará, eventualmente, na protagonista, Oksan Tksah, uma jovem de 20 anos de origem ucraniana descoberta no mundo da moda. De todos, é quem tem menos experiência e consegue dar vida à Inês, a rapariga inocente arrastada para uma vertigem de sexo e drogas ainda antes dos 16 anos.

«Cresci no Alentejo e a dada altura tive de cuidar sozinha do meu irmão. Nunca estive perto desse mundo que o filme mostra. Não tenho mesmo nada a ver com a Inês nem nunca saí muito à noite. Quando me vi no trailer pela primeira vez apanhei um choque! Tenho receio de como as pessoas me vão julgar como atriz.»

Oksana nem sequer sabe se quer voltar a representar, agora que está a tirar Ciências Políticas na Universidade Católica. E tem também uma inquietação: «vejo o meu irmão, que agora tem dez anos, e fico espantada como as crianças têm acesso a tudo com uma velocidade enorme. Aliás, ao longo do filme percebi que sou super conservadora!»

O que Francisco Salgueiro descreve não se trata apenas de um pesadelo de uma certa camada social. Estes jovens podem ser betinhos de Cascais, mas quem sai à noite num after-hours percebe que «essa juventude perdida» inclui todas as classes.

É como se houvesse um desígnio comum de hedonismo automático, de querer pisar os limites ou querer seguir uma moda de mau comportamento. E não deixa de ser curioso o filme chegar na altura em que se discute também o problema da segurança na noite com o caso da discoteca Urban Beach.

mais fotos no link:

https://www.noticiasmagazine.pt/2017/sexo-drogas-e-noitadas-filho-adolescente/

 

 

UMinho adapta brinquedos para crianças com paralisia cerebral

Dezembro 8, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.rtp.pt/ de 6 de dezembro de 2017.

Um grupo de estudantes da Universidade do Minho está a adaptar brinquedos doados às necessidades de crianças com paralisia cerebral, um “gesto de solidariedade e gratidão” que se repete há 11 anos, embora haja cada vez menos doações.

Hoje, a Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, transformou-se numa oficina do Pai Natal em que os duendes são alunos de Engenharia Eletrónica e Computadores da Universidade do Minho que, com a magia aprendida no curso, e um “simples adaptador”, estão a tornar brinquedos eletrónicos “normais” em brinquedos funcionais para crianças com necessidades especiais “mas sem custarem 200 euros”.

Há guitarras cor-de-rosa, cãezinhos de peluche, um urso contador de histórias, carrinhos, uma retroescavadora, e uma boneca que diz `I Love You` quando lhe carregam na barriga. Um gesto básico para uns, mas impossível para algumas crianças.

“As crianças [com paralisia cerebral] não têm a sensibilidade para carregar nestes botões, muitas não conseguem mexer as mãos. Nós, por menos de um euro, conseguimos acionar um interruptor que pode ser acionado com o pé, com o pescoço, ou com o braço e que faz o brinquedo funcionar”, explicou à Lusa o Pai Natal improvisado, coordenador da iniciativa e professor da academia minhota, Fernando Ribeiro.

“A adaptação fica barata, os brinquedos adaptados custam 200 euros porque tem que ser certificado, tem que ser isto, tem que ser aquilo”, apontou.

Os primeiros brinquedos foram adaptados em 2006: “Nos primeiros anos tínhamos empresas que nos ofereciam os brinquedos, agora fazemos uma campanha de recolha de brinquedos usados. Costumávamos adaptar entre 60 a 70 brinquedos, mas agora são menos porque tem havido poucas doações”, explicou, lamentando a falta de matéria-prima, Fernando Ribeiro.

Naquela oficina, os duendes trabalham de graça e por prazer. “Aplicamos o que damos no curso e ajudar estas crianças que não têm possibilidades para ter brinquedos é um fator de solidariedade e gratidão”, justificou Inês Garcia, finalista do curso de Eletrónica e Computadores, enquanto está às voltas com um cãozinho enroscado que teima em não respirar quando lhe carregam no interruptor.

Ao lado, uma boneca de trapos repousa. O que faz essa boneca, é a pergunta a que Inês responde: “Quando se lhe carrega na barriga diz `I love you`. O que vou fazer é colocar-lhe um adaptador que pode ser acionado com o pé ou o pescoço em vez de se necessário carregar-lhe na barriga”, explicou.

E o amor de uma simples boneca fica mais acessível. E o daquelas crianças também.

“No início, não éramos nós que entregávamos os brinquedos, depois pediram-nos para sermos nós porque as crianças perguntavam quem era o Pai Natal. Agora vamos nós, entregamos o brinquedo, ficamos lá a brincar e a experiência é única, não para eles, mas para nós”, disse o professor.

Finalmente, e perante o olhar de alívio de Inês, o cãozinho respirou.

Além da componente solidária, Fernando Ribeiro atribuiu à campanha de adaptação de brinquedos alguma pedagogia: “Os alunos apercebem-se que o mundo real não é aquele a que estão habituados”, salientou.

A recolha de brinquedos ainda não acabou, decorre até 15 de dezembro, tendo como pontos de entrega os Complexos Desportivos Universitários de Gualtar (Braga) e Azurém (Guimarães) e a Sociedade Martins Sarmento (situada no centro de Guimarães).

“Oferece e faz uma criança feliz”, chama-se a campanha.

mais informações:

A evolução da linguagem dos 2 aos 6 anos

Dezembro 8, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/

A evolução da linguagem dos 2 aos 6 anos

Enquanto pais queremos perceber se o nosso filho se encontra dentro do que é expectável na sua faixa etária e como podemos estimulá-lo. São frequentes preocupações como o meu filho troca muitas sílabas/sons nas palavras, as outras pessoas não o conseguem perceber… Pois bem, é certo que cada criança tem o seu ritmo de desenvolvimento que deve ser respeitado, no entanto podemos e devemos estar atentos, conhecer mais sobre o percurso normal de desenvolvimento e saber como estimular da melhor forma em cada etapa.
Se houver dúvidas, fale com o seu médico de família, com o seu pediatra e não deixe de consultar um terapeuta da fala, estes são os profissionais a quem deve recorrer para que sejam efetuados os despistes necessários e para que, em caso de necessidade, a intervenção seja o mais precoce possível.

2 – 3 anos

Características

• Brinca ao faz de conta, por exemplo dar de comer a um boneco.
• “Idade dos porquês”.
• Diz o nome e a idade.
• Canta músicas simples e faz os gestos.
• Grande expansão de vocabulário.
• Nomeia e diz para que servem objetos comuns.
• Identifica imagens de ações.
• Responde a perguntas simples Quem? Onde? O quê?
• Identifica grande, pequeno e muito.
• Produz frases com 4 palavras (ex.: Eu quero um gato!; Hoje vou à escola!; Eu gosto de gelado!) e já começa a produzir frases coordenadas (ex.: “Eu quero um gato e um cão.”).
• Utiliza predominantemente substantivos mas também já utiliza verbos, adjetivos, determinantes, pronomes pessoais, alguns advérbios e preposições.
• Já começa a fazer a variação em género e número.

Atividades

  • Reserve tempo para ouvir a criança e responder-lhe.
    • Expanda os seus enunciados, por exemplo se a criança disser “comer”, diga “Vamos comer a sopa”.
    • Envolva a criança nas atividades do dia-a-dia.
    • Explore os brinquedos e os objetos do dia-a-dia com a criança: nome, características, para que servem.
    • Explore livros.
    • Façam jogos em que cada um joga na sua vez (lotos de imagens, de identificação de sons, de associação de pares, cores…)
    • Se a criança ainda usa o biberão e/ou a chupeta, encoraje-a a deixar de usar!

Sinais de Alerta

  • Só produz palavras simples.
    • Não junta 2 palavras em frases simples (ex.: “dá pão”).
    • Não responde a perguntas fechadas sim/não.
    • Não aponta para partes do corpo a pedido.
    • Não executa uma ordem simples.

3 – 4 Anos

Características

  • Utiliza habitualmente uma linguagem compreensível para desconhecidos.
    • Diz “eu” quando se refere a si.
    • Compreende perguntas com os pronomes Porquê? Quanto? Como?
    • Compreende os locativos: à frente, atrás, dentro, fora.
    • Descreve acontecimentos do dia-a-dia.
    • Conta pequenas histórias com apoio de imagens.

Atividades

  • Converse diariamente com a criança.
    • Deixe-a realizar atividades adequadas à sua idade e que desenvolvam a sua independência.
    • Leia histórias em conjunto, deixe-a ajudar a contar a história e peça no final que conte a história para si.
    Sinais de Alerta
    • Utiliza um discurso ininteligível para estranhos.
    • Utiliza mais os gestos que as palavras.
    • Não executa ordens de duas ideias.
    • Não responde a perguntas: O que é? Onde?
    • Não faz trocas de turnos num diálogo.
    • Fala só sobre um tópico específico.

4 – 5 Anos

Características

  • Exprime-se de forma fluente.
    • Pergunta o significado das palavras.
    • Cumprimenta e pede desculpa.
    • Fala sobre os seus sentimentos.
    • Compreende ordens complexas.
    • Usa frases completas.
    • Começa a produzir frases subordinadas.
    • Fala do passado e do futuro.
    • Articula corretamente quase todos os sons.
    • Identifica sílabas de palavras di e trissilábicas.
    • Faz rimas.

Atividades

  • Estimule a imaginação (ex.: teatro de fantoches).
    • Cante canções.
    • Brinque com a divisão silábica (ex.: dividir as palavras em bocadinhos – sílabas com recurso a palmas).

Sinais de Alerta

  • Não comunica com estranhos.
    • Não faz diálogos.
    • Não descreve acontecimentos do dia-a-dia.
    • Não responde a perguntas: O que é? Porquê? Como?
    • Omite consoantes finais.
    • Troca o /g/ por /d / (ex.: “dato” em vez de “gato”) ou o /k/ por /t/ (ex.: “tão” em vez de “cão”).

5 – 6 Anos

Características

  • Participa em discussões de grupo e espera a sua vez para falar.
    • Percebe críticas e comentários sobre si.
    • Conta histórias complexas.
    • Compreende perguntas complexas.
    • Compreende os opostos.
    • Articula de forma correta praticamente todos os sons da sua língua, pode ter dificuldade em articular palavras com grupos consonânticos.

Atividades

  • Explore rimas, lengalengas, trava-línguas em canções e livros.
    • Pergunte as sílabas inicias das palavras que aparecem durante um jogo.

Sinais de Alerta

  • Não conta histórias nem descreve o seu dia.
    • Utiliza frases mal estruturadas.
    • Exprime-se de forma pouco fluente.
    • Pronuncia mal as palavras.

Não se esqueça que a criança precisa de crescer e aprender e os adultos são o modelo, só através deles aprenderá a usar a linguagem adequadamente.

Por Terapeuta da Fala Rita Costa

 

 


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