15.º Encontro Eterna Biblioteca – 24-25 novembro em Sintra

Novembro 15, 2017 às 10:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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https://linhadeleitura.wordpress.com/2017/11/13/15-o-encontro-eterna-biblioteca/

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O que precisa de saber antes de discutir com um adolescente

Novembro 15, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 15 de outubro de 2017.

Ana Cristina Marques

Não são crianças nem adultos. A adolescência é um processo de afirmação que gera sucessivos conflitos entre pais e filhos. Antes da próxima discussão, eis o que precisa de saber sobre o seu filho.

“O que se passa na cabeça do meu adolescente?” não é só o título do mais recente livro da psicóloga Cristina Valente (já antes entrevistada pelo Observador), como a pergunta na ponta da língua de qualquer pai que tenha um adolescente em casa. Na obra que agora chega às livrarias, a autora tenta explicar o que pode estar por detrás de determinados comportamentos dos mais novos e como os pais podem ou devem reagir a essas situações.

A pensar nisso, perguntámos à autora o que é que os pais devem ter em mente na hora de trocar argumentos com os filhos. Ao Observador, Cristina Valente explica que o desenvolvimento neuronal interfere com decisões e atitudes dos adolescentes e explica porque é que estes precisam de estar numa constante luta com os pais. Antes de prosseguirmos, fica a nota: as dicas não servem para desculpar os comportamentos dos mais novos, mas para ajudar a explicá-los.

É tudo (ou quase tudo) uma questão de desenvolvimento neuronal

Adolescência. É esta a fase em que os futuros adultos começam a desenvolver a autoregulação, o pensamento abstrato (como noções de justiça e honestidade) e os valores em si. “Os adolescentes passam, agora, a ter uma maior consciência crítica de si próprios e também dos outros. Quando isso acontece, começam a ver incongruências no mundo dos adultos e é muitas vezes aí que começam os confrontos”, esclarece Cristina Valente. A tendência é para questionar e até negar tudo o que chegou antes deles. Diz a psicóloga e mãe de dois adolescentes que isto se deve ao amadurecimento das suas capacidades cognitivas, mas também ao processo de afirmação de identidade dos mais novos. “O adolescente gosta de poder examinar [como quem diz questionar] os sistemas de crenças com que foi educado ou aqueles que dominam a sociedade. Daí ser respondão”, assegura Valente, reforçando a ideia de que os pais devem olhar para esta situação como um aspeto positivo. É bom sinal (e natural).

Quando o adolescente começa a entrar naquela que é a idade da razão, os pais tendem a olhar para os confrontos enquanto lutas intelectuais. “Basicamente, os pais comportam-se como crianças, no sentido em que não conseguem sair do seu umbigo, não conseguem dissociar as coisas e envolvem-se emocionalmente. Na base deste comportamento está o medo”, assegura a autora do livro, para quem as respostas negativas ou não produtivas, regra geral, estão diretamente relacionadas com o sentimento de medo que gera inevitavelmente uma necessidade de controlo. Se na primeira década de vida de um filho tudo o que os pais fazem tem um resultado visível — damos de comer e ficam saciados, zangamo-nos com eles e amuam connosco, etc. –, chega a adolescência e os pais já não sabem lidar com os filhos. Os resultados “não só não são visíveis como os investimentos não são imediatos”.

Numa luta pela independência, como adiante veremos, o aumento do controlo significa quase automaticamente o piorar de uma relação entre pais e filhos. “O controlo é uma ilusão. Usamo-lo como educação, mas o que funciona mesmo é a inspiração”. Nesse sentido, o importante é evitar as perguntas de curto prazo — por exemplo: como faço com que ele me obedeça?” — e fazer as de longo prazo: “Como é que eu faço com que ele se sinta integrado cá em casa?”. “Muitas vezes, os pais reagem ao comportamento visível do filho sem descobrirem o motivo que está por trás. O mau comportamento do adolescente é sempre um pedido de ajuda.”

A luta é pela independência

O movimento de independência já começou e o que importa agora é balizá-lo. “Embora o adolescente tenha alguma racionalidade, ainda não consegue ter uma visão de longo prazo e não se apercebe das consequências de algumas ações”, assegura Cristina Valente. Dar liberdade e limites é um jogo de diplomacia, de cintura se quisermos. A negociação e a comunicação são essenciais, mesmo considerando que, segundo a opinião da autora, “comunicamos muito mal, de forma pouca eficaz”. É nesse sentido que Cristina Valente introduz algumas dicas que, por esta altura, já deveriam ser consideradas verdades universais: há uma clara diferença entre escutar (processo cognitivo) e ouvir, sendo que os pais deveriam ter em primeiro plano o cuidado de escutar sem julgamentos, tentando sempre perceber o que é que o adolescente quer.

“Muito do comportamento do adolescente é repetitivo, pelo que podemos ir treinando as nossas respostas. Escutar é a chave do sucesso. A maior parte dos adolescentes desiste de falar com os pais porque sabem que eles não os ouvem”, continua a psicóloga. Em causa está o facto de os pais quererem que os filhos se rejam pelos valores com que foram educados. Mas a noção de contrariar valores faz parte do processo de crescimento, não fosse esta a fase em que o adolescente sente necessidade de dizer ao mundo que pensa pela própria cabeça. “A forma mais fácil de o fazer é agindo exatamente ao contrário daquilo em que os pais acreditam.”

Desafiar os pais faz parte

Os adolescentes precisam da luta constante, quase diária, com os pais. Sendo a adolescência um processo de individualização, é também uma fase de grandes inseguranças e não é difícil de perceber o porquê: à falta de estatuto corporal (no sentido em que existe um crescimento físico repentino) acrescenta-se a falta de estatuto social — os adolescentes já não são crianças mas também não são adultos. “A sociedade confunde-os. Por um lado, podem matar ou ir à guerra; por outro, são tratados como crianças em muitas situações.” Desafiar os pais acaba por fazer parte da tentativa dos mais novos de encontrar referências próprias.

Existe também uma maior necessidade de emoções fortes e até de experiências radicais. De um momento para o outro já não basta ouvir música, mas sim pôr o volume no máximo; já não basta deslocar-se, é preciso ir a grandes velocidades. “O cérebro tem, nesta fase, uma capacidade de aprendizagem enorme. Praticar um desporto e ter uma experiência radical acabam por ser aprendizagens”, diz Cristina Valente, confirmando ainda que, neste período, a avaliação real de risco está muito pouco ativa. A solução passa por promover experiências intensas — mas saudáveis — para os adolescentes.

“O adulto aqui somos nós”

Já aqui escrevemos que um dos maiores “erros” dos pais é não escutar. É normal que isso suceda: quando iniciamos uma discussão temos necessidade de falar porque isso gera segurança, no sentido em que queremos aconselhar o outro o melhor possível. E se escutar é importante, o mesmo se pode dizer de aceitar o ponto de vista de um adolescente. “Em primeiro lugar é preciso entendê-los e só depois esperar que eles nos entendam. Porque o adulto aqui somos nós. É preciso que nos coloquemos no lugar dos outros e isso é coisa que os pais têm muita dificuldade em fazer.

Uma alternativa pode passar pela aplicação do método socrático (não referente ao ex-primeiro-ministro português). Ir perguntando “porquê” ao longo de uma conversa pode ajudar o adolescente a abrir-se mais e a explicar-se melhor. “Ele não sabe responder logo porque está habituado a não ser ouvido. Mas isto só funciona se estivermos genuinamente interessados no ponto de vista dele.” Sendo este um processo de aprendizagem, para miúdos e graúdos, é preciso acrescentar que os pais devem expressar emoções no decorrer de uma conversa e, ao mesmo tempo, dominar sentimentos (e isto inclui controlar os eventuais acessos de raiva).

 

As crianças portuguesas são felizes, mas só as mais pequenas

Novembro 15, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 8 de novembro de 2017.

Inquérito a 1131 pais revela que oito em cada dez preocupa-se com a felicidade futura dos filhos.

Bárbara Wong

As crianças portuguesas são felizes mas, à medida que vão crescendo, a percentagem de infelicidade aumenta, revela um inquérito promovido pela Imaginarium sobre “A felicidade e a infância”, conhecido nesta quarta-feira, em Lisboa. Também a Ikea lançou o seu “Play Report 2017” para o qual entrevistou mais de 350 crianças e adultos na Alemanha, China e EUA para compreender o papel da brincadeira na vida das pessoas.

Segundo o inquérito levado a cabo pela Imaginarium a 1131 pais, oito em cada dez preocupam-se com a felicidade futura dos filhos. Aliás, mostram-se mesmo “muito preocupados” e a maioria acredita que os filhos são “felizes” (20,2%) ou “muito felizes” (51,6%), há mesmo um quinto que diz que o seu filho “é a criança mais feliz do mundo”, apenas 8,8% diz que é “normal, às vezes feliz e outras não” e só 0,1% confessa que o filho é “muito triste”.

Contudo, os níveis de felicidade das crianças varia conforme a idade e os dados mostram que à medida que crescem vão tornando-se mais infelizes. As faixas etárias analisadas foram dos 0 aos 2, dos 3 aos 4, dos 5 aos 6 e dos 7 aos 8 anos. São estes últimos que são mais infelizes (15,2%) – a percentagem de infelicidade vai decrescendo com a idade situando-se nos 6,4% nas crianças entre os 0 e os 2 anos.

Para Rui Lima, pedagogo e convidado pela Imaginarium para comentar o estudo, é imposta uma “crescente pressão” às crianças, quer pelos pais quer pelos professores, onde “o desempenho académico, a competição entre pares e a necessidade de alcançar a perfeição em todas as actividades realizadas são uma constante”, logo, têm um “impacto negativo na felicidade das crianças”, defende num comunicado enviado às redacções.

E o que faz os meninos portugueses infelizes? Não passar tempo suficiente com os pais (26,3%), não ter tempo suficiente para brincar (21,3%) ou ficar de castigo (16,4%), respondem os pais inquiridos. As crianças serão mais felizes se se desenvolverem num ambiente escolar e familiar em que se sintam valorizadas e queridas (45,2%), se passarem mais tempo em família (34,8%) e se os pais as deixarem “explorar o mundo através da brincadeira (17%), respondem ainda os pais.

Falta mais tempo para a família

Praticamente todos os pais (99,8%) respondem que a felicidade dos filhos passa pelo tempo de qualidade partilhado em família, mas pouco mais de metade (51%) sente que passa pouco tempo de qualidade com os filhos e seis em cada dez pais acreditam que os filhos sentem a sua falta. Aliás, a maioria (89,8%) reconhece que tem dificuldade em conciliar a vida profissional com a pessoal e acredita que um horário laboral mais flexível lhes permitiria aumentar o tempo de qualidade e brincar com os filhos.

Quando questionados sobre como contribuem para a felicidade dos filhos, os pais respondem que é ouvindo-os e fazendo-os sentir-se queridos (33,4%) e passando mais tempo com eles (28,1%). Para 14,3% a felicidade passa por elogios e incentivos para que os filhos façam as coisas bem.

Durante a semana, o tempo mais feliz que pais e filhos compartilham é o de antes de ir deitar e, ao fim-de-semana, são os passeios que fazem as delicias dos mais novos. Este inquérito, que a Imaginarium defende representar o todo nacional, conclui que as crianças portuguesas são “extremamente familiares” porque gostam de fazer planos com os pais e passar tempo com os mesmos.

A Imaginarium pergunta ainda aos pais que tipo de brinquedo faz os filhos mais felizes e as bicicletas e veiculos com rodas (38%) surgem à cabeça, seguido da música, arte e trabalhos manuais (35,2%), os jogos de construção e lógica (30,8%) e as cozinhas e profissões (30,6%). Os ecrãs, televisões, Ipad, vídeojogos e telemóveis (19,4%) surgem na oitava posição.

“Os brinquedos devem apelar ao desenvolvimento de diferentes competências, tanto ao nível físico como intelectual. Desenvolvendo essas competências, a criança será capaz de relacionar-se melhor consigo mesma, com os outros e com o mundo. Daí a importância de brinquedos que estimulem os sentidos nos primeiros anos de vida”, defende Rui Lima no comunicado.

Também a marca sueca Ikea fez o seu terceiro relatório – depois de 2010 e 2015 – sobre o brincar com o objectivo de perceber melhor o papel desta actividade no desenvolvimento das crinças e na vida em casa. Para isso, entrevistou mais de 350 pessoas na Alemanha (Berlim), China (Pequim) e Nova Jérsia (EUA), entre os 2 e os 90 anos, e propõe cinco definições para brincar: “brincar para reparar”, ou seja, para recuperar do stress do dia-a-dia e as sugestões passam por actividades que promovam o bem-estar das pessoas como o ioga ou o tai-chi, mas também a jardinagem ou um passeio.

“Brincar para conectar” é a segunda definição. Num tempo em que o trabalho interfere por vezes na vida pessoal, o brincar proporciona a possibilidade de abrandar e de as pessoas se aproximarem da família ou dos amigos. As sugestões passam por ir a um bar fazer karaoke ou fazer jogos tradicionais como os de tabuleiro ou as cartas, o que permite que as pessoas estejam ligadas sem ser pela tecnologia, propõe o relatório.

As pessoas precisam de momentos de libertar, por isso, “brincar para libertar” é a terceira conclusão da marca, que sugere uma ida ao teatro ou a um parque temático. “Brincar para explorar” é a quarta proposta, explorar mundos reais ou imaginários, viajar ou brincar ao “faz-de-conta”. Por fim, “brincar para expressar” que aposta na criatividade e nas artes, da pintura à música.

“Brincar começará a aparecer, cada vez mais, em todos os aspectos das nossas vidas. Desde o local de trabalho ao ginásio, as pessoas irão procurar brincar em espaços e momentos onde tradicionalmente não o fariam”, conclui o comunicado da Ikea.

Ikea Play Report 2017

 

“É preciso recuperar a disciplina e a autoridade na escola”

Novembro 15, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://brasil.elpais.com/ de 13 de julho de 2017 a Inger Enkvist

Ana Torres Menárguez

Ex-assessora de educação do Governo sueco se posiciona contra as novas metodologias educacionais.

Não é fácil encontrar uma opinião como a de Inger Enkvist (Värmland, 1947). Enquanto a maioria dos gurus educacionais defende acabar com as fileiras de carteiras escolares e os formatos convencionais de aula e dar mais liberdade aos alunos dentro da classe, Enkvist, ex-assessora do Ministério de Educação da Suécia, acredita que é preciso recuperar a disciplina e a autoridade dos docentes na sala de aula. “As crianças têm que desenvolver hábitos sistemáticos de trabalho e para isso necessitam que um adulto as orientem. Aprender requer esforço e, quando se deixa os alunos escolherem, simplesmente não acontece.”

Catedrática de Espanhol na Univesidade Lund (Suécia), Enkvist começou sua carreira na educação como professora do ensino secundário e durante mais de trinta anos se dedicou a estudar e comparar os sistemas educacionais de diferentes países. Além da publicação de livros como Repensar a Educação (Bunker Editorial, 2014), escreveu mais de 250 artigos sobre educação.

Enkvist compareceu em março à Comissão de Educação do Congresso dos Deputados da Espanha para apresentar sua visão sobre o modelo educacional espanhol, no qual aponta falta de motivação por parte do professorado e a necessidade de reformulação dos graus de professor em Educação Infantil e Primário – correspondente aos anos de ensino fundamental no Brasil – para tentar atrair os melhores estudantes.

Pergunta. As novas correntes de inovação educacional reivindicam um papel mais ativo por parte dos alunos. Acabar com as aulas expositivas e criar metodologias que impliquem ação por parte do estudante. Por que você se opõe a esse modelo?

Resposta. A nova pedagogia promove a antiescola. As escolas foram criadas com o objetivo de que os alunos aprendessem o que a sociedade havia decidido que era útil. Qual é o propósito da escola se o estudante decide o que quer fazer? Essas correntes querem enfatizar ao máximo a liberdade do aluno, quando o que ele necessita é de um ensino sistemático e bem estruturado, sobretudo se levamos em conta os problemas de distração das crianças. Se não se aprende a ser organizado e a aceitar a autoridade do professor no ensino fundamental, é difícil que se consiga isso mais tarde. O aluno nem sempre vai estar motivado para aprender. É preciso esforço.

P. Em seu livro a senhora questiona a crença de que todas as crianças querem aprender e, portanto, é uma boa opção deixar que tomem a iniciativa e aprendam sozinhos. Quais são seus argumentos contra isso?

R. Nunca foi assim. É uma ideia romântica que vem de Rousseau: dar como certo que o ser humano é inocente, bem-intencionado e bom. Uma criança pode concentrar-se em uma tarefa por iniciativa própria, mas normalmente será numa brincadeira. Aprender a ler e escrever ou matemática básica requer trabalho e ninguém se sente chamado a dedicar um esforço tão grande a assimilar uma matéria tão complicada. É preciso haver apoio, estímulo e algum tipo de recompensa, como o sorriso de um professor ou os cumprimentos dos pais.

P. O que se deveria recuperar do antigo modelo de educação?

R. Ter claro que o professor organiza o trabalho da classe. Se os alunos planejam seu próprio trabalho, é muito complicado que obtenham bons resultados, e isso desmotiva o professor, que não quer responsabilizar-se por algo que não funciona. Essas metodologias estão distanciando das salas de aula os professores mais competentes. Já não se considera benéfico que o adulto transmita seus conhecimentos aos alunos e se fomenta que os jovens se interessem pelas matérias seguindo seu próprio ritmo. Em um ambiente assim não é possível ensinar porque não existe a confiança necessária na figura do professor. Viver no imediato sem exigências é bem o contrário da boa educação.

P. A senhora qualificou a autoaprendizagem como contraproducente. Mas uma vez terminada a formação obrigatória, e que os estudantes consigam um trabalho, o mercado de trabalho muda rápido e eles podem se ver obrigados a se reciclar e mudar de profissão. Não acha que é uma boa ideia lhes ensinar desde pequenos a tomar a iniciativa na aprendizagem?

R. Essa é a grande falácia da nova pedagogia. As crianças têm que aprender conteúdos, e não o chamado aprender a aprender. Não basta dizer aos alunos que devem tomar decisões. Não vão saber como fazer isso. Dou um exemplo. O Governo sueco oferece cursos de formação para adultos e é um desespero quando só se apresentam cidadãos com um perfil educacional elevado. Eles se interessam e acham útil, e por isso têm entusiasmo para começar. Se uma pessoa aprende um conteúdo, considera que é capaz e que no futuro poderá voltar a fazer isso. Quem é mais adaptável e mais flexível ao perder um emprego? Aquele que já tem uma base de conhecimentos, que conta com mais recursos internos, e isso é a educação que lhe proporciona. Quanto mais autodisciplina, mais possibilidades você tem pela frente e menos desesperado se sentirá diante de uma situação limite.

P. Há um grande debate quanto à utilidade dos exames. Alguns especialistas defendem que na vida adulta não ocorra esse tipo de prova e que o importante é ter desenvolvido habilidades para adaptar-se a diferentes entornos.

R. Essa é a visão de alguém que não sabe como funciona o mundo das crianças. Na vida adulta, todos temos prazos, momentos de entregar um texto, e isto se aprende na escola. Com os exames a criança aprende a se responsabilizar e entende que não comparecer a uma prova tem consequências: não será repetida para ele. Se não cumprimos nossas obrigações na vida adulta, logo nos veremos descartados dos ambientes profissionais. Os exames ajudam a desenvolver hábitos sistemáticos de trabalho.

P. Por que você considera que o momento atual da escola não permite que ninguém se destaque?

R. A escola não é neutra, nem todos vão aprender do mesmo modo. Nas classes há desequilíbrios enormes em um mesmo grupo, pode haver até seis anos de diferença intelectual entre os alunos. A escola deveria manter as crianças com diferentes capacidades juntas até os onze anos e, a partir daí, oferecer diferentes níveis para as matérias mais complexas. Isso é feito em algumas escolas públicas da Alemanha. Para os que não entendem, dou um exemplo. Imagine colocar em uma mesma classe 30 adultos com níveis socioculturais e interesses totalmente díspares e pretender que aprendam juntos. Isso é o que estamos pedindo a nossos filhos. Em menos de uma semana haveria uma rebelião.

P. A escola mata a criatividade, segundo o pedagogo britânico Ken Robinson.

R. O mais simples é pensar em um músico de jazz. Parece que está improvisando, brincando. Como pode fazer isso? Sabe 500 melodias de memória e usa pedaços dessas peças de forma elegante. Repetiu isso tantas vezes que parece que o faz sem esforço. A teoria é necessária para que surja a criatividade.

P. Quanto aos conteúdos que se aprende na escola, acha que seria necessário modernizá-los?

R. Uma professora espanhola me contou que um de seus alunos lhe disse na sala de aula: para que serviria estudar Unamuno? Que aplicação prática poderia ter? Precisamos conhecer a situação de nosso país, saber de onde viemos. Com Unamuno se aprende um modelo de reação, que não há motivo para ser adotado, mas conhecê-lo te ajuda a elaborar a sua própria forma de ver o mundo.

 

 

 

Jovens que agrediram menor junto a escola na Amora vão ficar internadas por ordem do tribunal

Novembro 15, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://ionline.sapo.pt/ de 9 de novembro de 2017.

Imagens das agressões passaram em todos os canais de televisão.

As duas menores que filmaram e agrediram jovem junto a uma escola na Amora vão cumprir nove e seis meses de internamento em regime semiaberto, respetivamente.

As medidas foram determinadas no âmbito do Processo Tutelar Educativo do Juízo de Família e Menores do Seixal.

Em causa estão as agressões a uma jovem de 13 anos, ocorridas a 15 de fevereiro deste ano, junto à Escola Secundária da Amora, cometidas por duas menores, com idade inferior a 16 anos.

O episódio de violência foi filmado e publicado nas redes sociais e as imagens acabaram por ser amplamente emitidas nas televisões nacionais.

“A uma menor foi aplicada a medida de internamento em regime semiaberto, por 9 meses, sendo que decorridos três meses de internamento a menor passará para um período de supervisão intensiva, por ter praticado factos típicos e ilícitos qualificados como dois crimes de sequestro (um agravado e um simples), um crime de ofensa à integridade física simples e um crime de coação”, explicou a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, citada pelo Jornal de Notícias.

A outra menor ficou sujeita ao “internamento em regime semiaberto, por 6 meses, por ter praticado factos típicos e ilícitos qualificados como dois crimes de sequestro (um agravado e um simples), um crime de ofensa à integridade física simples e dois crimes de furto”.

Texto da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa

Criminalidade juvenil. Imagens difundidas através das redes sociais. Acórdão. Medidas de Internamento. Juízo de Família e Menores do Seixal/Comarca de Lisboa.
09-11-2017
No âmbito do Processo Tutelar Educativo do Juízo de Família e Menores do Seixal, no qual se se julgaram a prática de factos qualificados como crimes de ofensa à integridade física, sequestro, coacção e furto, ocorridos no dia 15 de Fevereiro de 2017, junto à Escola Secundária da Amora, por duas das três menores (com idades inferiores a 16 anos), e cujas filmagens foram amplamente emitidas nas televisões nacionais, foi proferido acórdão, a 03.11.2017, no qual se decidiu aplicar às menores as seguintes medidas:
A uma menor, por ter praticado factos típicos e ilícitos qualificados como dois crimes de sequestro (um agravado e um simples), um crime de ofensa à integridade física simples e um crime de coacção, foi aplicada a medida de internamento em regime semiaberto, por 9 meses. Esta medida será revista a 18.01.2018 e após essa data a cada três meses.
À outra menor foi aplicada a medida de internamento em regime semiaberto, por 6 meses, por ter praticado factos típicos e ilícitos qualificados como dois crimes de sequestro (um agravado e um simples), um crime de ofensa à integridade física simples e dois crimes de furto.
A decisão ainda não transitou em julgado

 


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