Distúrbios do sono em pediatria

Setembro 13, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Texto Cristina Maria Alves Dias, com a colaboração de Augusta Gonçalves e Carla Moreira publicado no http://www.educare.pt/ de 8 de agosto de 2017.

Porque é importante dormir? O sono é um processo fisiológico ativo, muito importante nas crianças e adolescentes, com impacto na sua saúde e no seu desenvolvimento. Há cada vez mais estudos, que mostram uma relação entre problemas no sono e o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. Por isso, é importante identificar precocemente os distúrbios do sono. Cerca de 20%-25% das crianças e adolescentes têm algum distúrbio do sono.

O sono tem fases?
O sono divide-se em sono REM (rapid eye movement) e NREM (non rapid eye movement) – fase profunda, que são essenciais na maturação adequada do sistema nervoso central. O padrão de sono das crianças altera-se à medida que crescem.

Os recém-nascidos dormem mais horas (16 a 18 horas de sono/24 horas), têm uma duração dos ciclos de sono mais curta (50-60 minutos) e passam cerca de 50% do tempo em sono NREM. As crianças mais velhas dormem menos horas (10 a 12 horas de sono/24 horas), têm maior duração de sono REM no final da noite, o sono NREM ocupa cerca de 75% da duração total do sono e a alternância de sono REM e NREM tem períodos mais longos de 90 a 100 minutos.

Os adolescentes têm alteração fisiológica da hora do sono para mais tarde, com uma diminuição da duração média do sono, apesar da necessidade relativamente constante de 9 horas de sono, e têm maiores irregularidades no padrão vigília-sono (discrepância entre padrão semanal e fim de semana).

Não dormir faz mal? As alterações no sono trazem consequências adversas ao desenvolvimento, como dificuldades de aprendizagem ou memorização com mau rendimento escolar, défice de atenção e hiperatividade, comportamentos de risco, baixa autoestima, ansiedade e, por vezes, depressão. Também se associam a instabilidade familiar e discussões. Por vezes ocorrem distúrbios nas fases do sono, o que pode condicionar as alterações referidas. O que são parassónias?

As parassónias ocorrem durante o sono, em estádios específicos ou na transição sono-vigília.

A insónia ou sonolência excessiva são incomuns, apesar de ocorrer disrupção sobre o sono.

A maioria afeta crianças e adolescentes saudáveis e geralmente desaparecem ao longo da adolescência (fenómenos transitórios de desenvolvimento). As crianças com parassónias têm taxas mais altas de inatividade matinal, despertares noturnos, resistência para ir dormir e redução da duração do sono.

Uma parassónia comum nas crianças é o sonambulismo que ocorre no sono profundo. Sabe-se que cerca de 40% crianças terão pelo menos um episódio na sua vida. O pico de incidência é aos 4-8 anos, mas adolescentes e adultos também podem ter. Duram aproximadamente 10 – 20 minutos e tendem a resolver com o passar do tempo.

Os terrores noturnos ou do sono ocorrem em 3% das crianças, dos 4-12 anos. Existe uma elevada predisposição genética, portanto os pais costumam referir ter tido estes terrores quando eram pequenos. Dá-se uma ativação significativa do sistema nervoso da criança, com hipersudorese, dilatação pupilar, taquicardia e gritos durante o ciclo de sono profundo. As crianças acordam sem memória para o evento ou têm imagens isoladas, sem o enredo típico dos pesadelos. Podem acordar parcialmente do sono, confusas e desorientadas.

Os pesadelos são situações também comuns e 10% a 50% das crianças entre os 3-5 anos têm pesadelos de intensidade suficiente para preocupar os pais. Têm uma provável relação com a ansiedade ou após algum evento traumático para a criança e ocorrem durante o sono REM (fase mais tardia do sono).

Quais os sinais de alarme das parassónias?
Os pais devem estar alerta se o seu filho apresenta sonolência excessiva durante o dia, falta de atenção ou irritabilidade, se ressona durante a noite ou se desperta muitas vezes.

É preciso realizar algum tratamento?
A ocorrência de parassónias uma ou duas vezes por mês raramente necessita de tratamento, pois são situações benignas e autolimitadas, que tendem a desaparecer até aos 10 anos. É importante manter e criar bons hábitos de sono, desde tenra idade, como por exemplo manter o quarto calmo, escuro e confortável, evitar a ingestão de alimentos ou bebidas em quantidades abundantes até 3 horas antes de dormir, reservar o quarto apenas para o sono, remover distrações como a televisão, os jogos ou livros, considerar a inclusão de auxiliares do sono (ex. animal de estimação, peluche), manter um horário de sono e a hora de ir dormir constantes, tomar um banho quente ou beber uma bebida morna (ex. copo de leite) antes de deitar e ter em atenção a segurança ambiental (ex. camas muito elevadas, tapetes escorregadios, berçários).

Cristina Maria Alves Dias, com a colaboração de Augusta Gonçalves e Carla Moreira, Pediatras da área de Pneumologia do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga. Este espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).

Anúncios

TrackBack URI


Entries e comentários feeds.

%d bloggers like this: