O seu filho tem amigos imaginários? É normal

Setembro 11, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 19 de agosto de 2017.

Mergulham no reino da fantasia, criam amigos no seu próprio mundo, e, por vezes, não gostam de os partilhar com os pais – e, por isso, há pais que sentem ciúmes. Os amigos imaginários das crianças dos três aos seis anos são sinal de desenvolvimento saudável. A menos que se isolem.

Os amigos imaginários são sinal de desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças entre os três e os seis anos. Os pais não devem ter ciúmes, devem superar esses sentimentos de se sentirem à margem, e perceberem que a imaginação é fundamental na vida dos mais pequenos.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia de Shutterstock

Pode parecer estranho, mas é normal. Habitualmente as crianças entre os três e os seis anos têm amigos imaginários. Não existem na vida real, existem nas suas cabeças. Podem ser bonecos, animais, objetos, ou nem sequer ter existência física. É uma forma de os mais pequenos descobrirem gradualmente a sua identidade, experimentarem todas as facetas da sua personalidade, serem quem quiserem, comandarem o seu mundo.

É um sinal de desenvolvimento emocional e cognitivo saudável e que a imaginação está a fazer o seu caminho. A menos que se fechem demasiado nesse mundo e não queiram brincar com outras crianças. Nesse caso, há motivos para preocupações.

«A capacidade de construir um mundo imaginário e pessoas imaginárias, de dar vida a um boneco querido, é um indício de que ela está a desenvolver rapidamente a capacidade de testar os limites do seu mundo. Isto torna-se uma maneira de afastar os demónios que a cercam – o ódio, a inveja, a mentira, o egoísmo e a falta de seriedade», escreveu o norte-americano T. Berry Brazelton, pediatra durante mais de 40 anos, no seu mítico livro O Grande Livro da Criança.

Os amigos imaginários devem ser respeitados. Há, no entanto, pais que podem sentir ciúmes ao perceberem que há mais gente na vida do seu filho. Há pais que se assustam por não haver fronteiras entre a realidade e a fantasia. Há irmãos mais velhos que podem fazer troça dessa imaginação e destruir a liberdade de explorar esse mundo de fantasia do irmão mais novo.

Mas essa fase da vida das crianças, que lhe proporcionam momentos de descoberta, é normal e deve ser digerida como uma etapa do crescimento dos mais pequenos. Os amigos imaginários podem ser um ensaio para amizades futuras.

Mas nem tudo é normal. Se a criança se isola, há razões para preocupação. Se não consegue largar os amigos imaginários para brincar com os amigos de carne e osso, é preciso conversar. A socialização com colegas da sua idade é muito importante.

«Se não conseguir pôr de lado os seus amigos imaginários para estar com os verdadeiros, isso é motivo para preocupação. Se se alhear de uma participação ativa na escola e nas brincadeiras, os amigos imaginários podem representar um sintoma de demasiado isolamento e de uma criança muito solitária», alertou Brazelton no seu livro.

Por isso, convém estar atento. Os pais não devem ter ciúmes dos amigos que não existem, devem perceber o papel que os imaginários têm no reino da fantasia, e estimular as brincadeiras com os amigos reais.

E outra coisa: desligar a televisão ou as tecnologias durante a maior parte do dia. Se uma criança passa o tempo colada ao ecrã não terá tempo para explorar as suas próprias fantasias. E isso não é aconselhável. A televisão ou o tablet pode impor «um mundo artificial de violência e de bem e mal inatingíveis» e entorpecer as aventuras imaginárias dos mais novos.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

 

 

 

 

 

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Os meus pais não percebem nada

Setembro 11, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Crónica de José Manuel Diogo publicado no dia 24 de agosto de 2017 no http://www.noticiasmagazine.pt/

Crónica de José Manuel Diogo

Um dos maiores desafios para os pais deste milénio é conhecer e compreender a forma como os nossos filhos atingem e gerem o conhecimento. No centro desse desafio estão as redes sociais. No século xx – nesse distante «nosso tempo» –, os instrumentos de comunicação eram lineares e de fácil compreensão, mas hoje tudo é diferente. Antes «uma coisa» era sempre consequência «de outra»; e essa coisa estava quase sempre perto e era conhecida por todos. Não havia surpresa nas novidades.

Antigamente, os filhos aprendiam dos pais porque tinham menor acesso à informação. Hoje não é assim. Os nossos filhos, porque são mais novos, menos ocupados e mais digitais, têm acesso a mais e melhor informação do que os pais. O desafio dos mais velhos é hoje muito maior. Se antes o problema era saber que informação se devia proibir, hoje é preciso saber que mundo devemos conhecer. E neste «jogo» os mais novos levam grande vantagem.

As redes sociais são por excelência o território onde esta batalha se trava. Porque são mais imediatas, rápidas e expõem os nossos filhos a um mundo que nos é desconhecido; mas também porque, paradoxalmente, são o local onde nos encontramos com eles na internet. Por exemplo, o Google é muito mais perigoso do que o Facebook, mas os adultos preocupam-se menos com ele. Talvez porque as hipóteses de encontrar um filho ou uma filha num motor de busca é nula. Já nas redes sociais a coisa não é assim…

Quem tem filhos adolescentes preocupa-se. Perguntamo-nos se eles conseguem ter uma vida normal passando tanto tempo ligados aos amigos. Mas será que são eles que estão viciados na rede, ou seremos nós mais viciados do que eles? Se formos pelo que diz o dicionário – «vício é um efeito pelo qual uma pessoa se afasta do tipo considerado normal» – não parece que as redes sociais preencham o requisito. Antes pelo contrário. Se virmos com atenção, vício aplica-se mais aos adultos que as usam menos para adquirir ou partilhar conhecimentos e amizade e se dedicam a elas como instrumentos de vaidade e fervor voyeurístico.

Os mais novos sabem exatamente para que serve cada uma das redes sociais, como se «mantêm vivas», e qual a recompensa que existe em cada uma. A Kika, de 14 anos, sabe que o que mantém vivo o Snapchat (a rede mais utilizada pelos adolescentes nos EUA) é a regularidade com que contacta cada pessoa – é a rede da Amizade. Que no Instagram o objetivo são os gostos em cada fotografia – é a rede da Vaidade.

Já o Twitter é diferente e «muito fixe» e «serve para encontrar coisas interessantes» – é a rede da Informação. Os adolescentes estão a abandonar o Facebook. Têm-se transferido para o Snapchat e para o Instagram, deixando a rede criada por Mark Zuckerberg para a mais tradicional forma de comunicação: as mensagens de texto.

O nosso maior medo – como educadores – de que os nossos filhos possam estar a falar com um pedófilo, em vez do aparente amigo ou amiga digitais, rapidamente vai perdendo sentido. Eles sabem mais sobre o assunto do que nós, e as próprias redes sociais onde verdadeiramente se conhecem são elas próprias uma cadeia de segurança.

É verdade que as redes sociais são um assunto difícil de compreender, sobretudo pelos adultos, que gostam das coisas organizadas e hierarquizadas, porque nelas tudo está em mudança constante. Mas o que há de novo? Não foi sempre assim quando a tecnologia mudou a vida das pessoas? É tão difícil, hoje, aceitar as redes sociais como no fim do século xviii foi compreender o caminho-de-ferro. Há 160 anos, quando o comboio chegou a Portugal, houve quem dissesse, e escrevesse, que viajar à espantosa velocidade de 40 km/h até podia causar descolamento da retina.

Leia a reportagem sobre o crescimento do Instragram aqui.

José Manuel Diogo, autor e colunista, Especialista em media intelligence, informação e comunicação, é autor de uma biografia de Steve Jobs, iMe, a Vida de Steve Jobs. Escreve no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra.

 

 

Filhos teimosos? Nem sabe a sorte que tem

Setembro 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Açoriano Oriental de 27 de agosto de 2017.

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