Memória a curto prazo – José Luís Peixoto

Setembro 1, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de José Luís Peixoto publicado no site http://www.joseluispeixoto.net de 20 de agosto de 2016.

Perdemos a capacidade de explicar às gerações mais novas como era antes. Podemos iniciar essa tentativa mas, ao fim de minutos, ou nos confundimos e começamos a divergir, ou eles se desinteressam e começam a escutar música de elevador dentro da cabeça, ou talvez escutem aquele ruído estático de quando os canais de televisão não emitiam programas durante vinte e quatro horas por dia, aquela imagem de grão cinzento que quase esquecemos também.

É normal que os mais jovens deixem de nos prestar atenção, é sempre assim quando alguém começa a falar uma língua que não entendemos. Raramente nos sentimos tão sozinhos como num jantar de polacos. Também é normal que nos falte coerência e articulação, fomos soterrados pelo tempo.

Parecia controlável, era incontrolável.

Hoje, os telemóveis são pequenas extensões do mundo ou, com mais probabilidade, de nós próprios. Há realidades e paisagens que apenas existem na internet, mergulhamos nelas. Com o telemóvel na mão, de repente, deixamos de ser um corpo com vontade e propósito, passamos a ser um objecto que está ali, um obstáculo com volume e textura, mas cuja existência está noutro lugar qualquer. Há muito que deixou de ser notícia a imagem de toda a gente nos transportes públicos a ver o telemóvel, toda a gente na sala de espera a ver o telemóvel.

Num esforço da memória, admiramo-nos com o tamanho dos primeiros aparelhos, com o gesto que tínhamos de fazer para puxar a antena quando recebíamos uma chamada, com aquele toque irritante da Nokia. Estas lembranças impressionam-nos, sobrepomo-las a tudo o que sabemos agora. Levamos no telemóvel a internet: a possibilidade de contactar todos com quem já nos cruzámos, um escritório inteiro e distrações para todos os gostos, para todos os likes.

Agora, a esta distância, olho com uma certa ternura para aqueles que, nos anos noventa, juravam que nunca iriam ter telemóvel. Insurgiam-se contra a obrigação de estarem sempre contactáveis, achavam (com razão) que perdiam liberdade. Hoje, essa ideia desapareceu. Agora, ninguém quer estar incontactável. Preocupamo-nos de morte quando sabemos que algum amigo nosso está incontactável. Sem pensarmos muito nisso, sem debate, damos por garantido que os telemóveis salvam vidas. Hoje, se alguém garante que ficou sem rede ou sem bateria, pensamos: mentiroso, adúltero.

Aqueles que juravam que nunca iam ter telemóvel são como os romanos que permaneceram na Península Ibérica depois da chegada dos árabes, são como os árabes que se deixaram ficar após a chamada “reconquista cristã”. Ou, com mais precisão, são como os cristãos-novos, os judeus que, no século XV, foram obrigados a converter-se ao cristianismo.

De nada vale dizer-lhes: eu bem te avisei. Com mais certeza, se não tiverem esquecido completamente quem eram, serão eles a dizer-nos essa mesma frase.

Ao contrário do que se costuma afirmar, a internet não é para sempre. Em poucos lugares os assuntos envelhecem tão depressa. Ao fim de algumas semanas, já ninguém quer ver a sex-tape da estrela do maior reality show do momento; ao fim de alguns meses, já ninguém sabe quem essa pessoa é.

Seguramente que a memória não ficará salvaguardada nas redes sociais. As redes sociais são feitas de presente. Nelas, o passado desaparece da forma mais absoluta de todas: perde significado.

Os adolescentes passam as reuniões de família a olhar para o telemóvel. Um dia, estes adolescentes serão pais em reuniões de família. Para onde irão olhar os adolescentes do futuro?

José Luís Peixoto, in GQ, Maio de 2016

 

 

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Declaração da ACNUR no segundo aniversário da morte de Alan Kurdi

Setembro 1, 2017 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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illustration of Alan Kurdi by Yante Ismail © UNHCR/Yante Ismail

Texto da ACNUR de 31 de agosto de 2017.

Statement by the UN Refugee Agency on two-year anniversary of death of Alan Kurdi

Nearly two years after the lifeless body of three-year-old Syrian toddler Alan Kurdi was found on a Turkish beach, UNHCR, the UN Refugee Agency, urges the international community to take robust action to prevent more tragedies.

Although the number of arrivals in Europe has drastically decreased since Alan’s death, people continue to attempt the journey and many have lost their lives in the process. Since 2 September 2015, at least 8,500 refugees and migrants have died or gone missing trying to cross the Mediterranean alone. Many others have died in the desert.

Many of the children trying to reach Europe travel on their own, making the journey even more terrifying and perilous. This was the case for 92 per cent of the 13,700 children who arrived to Italy by sea in the first seven months of 2017.

The urgent need for solutions for these children and others on the move remains – if people see no hope and live in fear, then they will continue to gamble their lives making desperate journeys.

UNHCR is encouraged by the commitments made at the Paris meeting on migration and asylum on Monday that address some of these issues, but much more needs to be done to protect and save lives.

Political leaders need to work together to develop safer alternatives, to better inform those considering making the journey of the dangers they face, and most importantly to tackle the root causes of these movements, by resolving conflicts and creating real opportunities in countries of origin.

ENDS

To read the full statement by the High Commissioner on the Paris meeting, please click here:

Click here to read the report on arrivals to Europe for the first half of 2017.

For more information please contact:

In Geneva, Cecile Pouilly, pouilly@unhcr.org, +41 79 108 26 25

In London, Matthew Saltmarsh, saltmars@unhcr.org, +44 7880 230 985

 

Eurodisney pede desculpa por proibir rapaz de participar em actividade de princesas

Setembro 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 31 de agosto de 2017.

Disneylândia Paris garante que foi “um caso isolado” e que a resposta de um funcionário “não reflecte as políticas” do resort.

Desde a princesa Jasmine à destemida guerreira Mulan, muitas crianças desejam ser como as princesas da Disney, com os seus cabelos brilhantes e sapatos de cristal. Um dos mais recentes filmes da empresa norte-americana Frozen: O mundo do Gelo deixou crianças de várias idades agarradas ao ecrã, a cantar em uníssono com Elsa, uma das personagens principais.

É o caso de Noah, um rapaz de três anos, que gosta de se vestir como a princesa do gelo. Assim, a mãe do jovem, Hayley McLean-Glass, decidiu inscrevê-lo na experiência “Princesa por um dia” – em que as crianças são transformadas nas suas princesas preferidas.

Porém, a Eurodisney não autorizou a inscrição de Noah, alegando que “não é possível inscrever um rapaz”. Na terça-feira, depois de ver o seu pedido rejeitado, Hayley McLean-Glass partilhou um texto na Internet, expondo a situação que considera “ridícula”.

“O meu filho, que se apaixonou pelo conceito das princesas da Disney, não está autorizado a participar nas mesmas experiências que uma menina apenas porque é rapaz?”, questionou a mãe do rapaz de três anos.

“Ninguém iria ver mal nenhum se fosse o Jack Sparrow ou o Homem Aranha. Ou mesmo se Noah fosse uma rapariga. Mas como ele é um rapaz e a Elsa é uma princesa já ‘não é permitido’”, queixou-se.

Hayley McLean-Glass questiona ainda se a mesma regra se aplicaria caso as raparigas quisessem participar em actividades para rapazes. “Se uma menina quiser ser um super herói, ela pode sê-lo. Se ela quer ser o Jedi, ela pode sê-lo. Ela pode ser o que ela quiser”, lê-se no texto partilhado no seu Facebook e no seu blogue.

“Se o consegues sonhar então consegues concretizá-lo”, acrescentou numa alusão à mítica frase de Walt Disney, o criador da empresa norte-americana.

A Eurodisney já apresentou as suas “sinceras desculpas” pelo sucedido, dizendo que este é “um caso isolado”. “A resposta de um membro não reflecte as políticas ou crenças da Disneylândia Paris”, afirmou um porta-voz da empresa à ITV News, assegurando: “Vamos garantir que isto não volta a acontecer”.

“A diversidade é algo querido para nós e queremos garantir que todos os nossos visitantes apreciem a visita ao nosso resort”, explica salvaguardando: “Claro que tanto os rapazes como as raparigas podem aproveitar a nossa experiência de ‘Princesa por um dia'”.

Em resposta ao diário britânico The Guardian, a empresa afirma ainda que “a experiência está disponível para crianças de todas as idades, entre os três e os 12 anos”.

Nas redes sociais várias pessoas criticaram a acção da empresa, dizendo que foi uma atitude “chocante” e apelando ainda para que deixem Noah sonhar e ser quem ele deseja.

 

Era uma vez um corpo: eu, tu, nós – Workshop de Dança Contemporânea para crianças – 6 de setembro Biblioteca de Marvila

Setembro 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Entrada gratuita, mediante inscrição prévia numa das BLX.
+ INFO: Tel.: 218 173 000 | bib.marvila@cm-lisboa.pt

mais informações:

https://www.facebook.com/events/255396891637543/?acontext=%7B%22ref%22%3A%223%22%2C%22ref_newsfeed_story_type%22%3A%22regular%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D


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