Os seus filhos ainda sabem brincar?

Agosto 1, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 5 de julho de 2017.

Combine um dia por semana ou um número de horas sem acesso a dispositivos eletrónicos e use esse tempo para fazerem atividades em família

«E agora, mãe, a que é que eu brinco?» A pergunta é frequente e surge quando não há uma atividade planeada para os mais pequenos ou brinquedos à disposição – seja na sala de espera do consultório, na casa da prima que não tem filhos ou no jardim público onde não há um parque infantil. Mas… Desde quando é que as crianças precisam de orientação para brincar?

Texto Leonor Ribeiro /CADIn* Ilustração Filipa Viana/WHO

A investigação tem revelado que o número de horas que as crianças passam em atividades desportivas organizadas duplicou nos últimos anos e que o número de minutos dedicados a atividades de lazer passivas quintuplicou. Resultado: nas últimas duas décadas, as crianças perderam cerca de 12 horas de brincadeira livre por semana.

Quando o brincar existia em todas as ruas, pracetas, jardins e pátios de escola, não era tema de conversa… era natural, acontecia… Mas agora que todos os tempos das crianças estão ocupados com atividades enriquecedoras e jogos (jogos, não brincadeira livre ativa e espontânea), surge o alerta!

Seja nos jornais ou em conferências de profissionais da área da saúde e da educação, brincar é um tema na ordem do dia. David Elkind, um investigador norte-americano desta temática, alerta que eliminar a brincadeira livre ou programar a vida das crianças com atividades organizadas leva a elevados riscos futuros para a sua saúde, sucesso e felicidade.

Pensemos no Gaspar, um menino de olhos que brilham de vida, ele fervilha de energia quando sai da escola. Chega a casa, toma um lanche rápido e salta para a rua para brincar, correr, andar de bicicleta e ter aventuras com os amigos do bairro. Muitas vezes não leva os trabalhos de casa feitos para a escola, não é o melhor aluno, mas a sua alegria, destreza motora e autonomia são evidentes.

Já o Tiago, que sabemos ter um olhar cheio de energia também, embora nem sempre o consigamos ver, quando sai da escola vai para a explicação e aos fins de semana tem algum reforço para se preparar para os testes. A seguir tem de continuar a estudar mais um pouco, para praticar e compensar as dificuldades que sente. Às vezes também não leva os trabalhos de casa feitos para a escola, porque os esconde. Não é o melhor aluno e diz que o que mais desejava era poder passar os dias a correr e a brincar.

As famílias, quando tomam a decisão de deixar os filhos agir mais de uma maneira ou de outra, estão claramente a pensar no melhor para os seus filhos. No entanto, qualquer das posições pode ser alvo fácil de crítica, pela pressão social entre pais. Nos últimos anos, a sociedade passou a prescrever que atividades organizadas, como o desporto, são essenciais para a criança aprender competências sociais e motoras, e que as atividades mais ligadas às artes são fundamentais para o desenvolvimento da criatividade e da expressão pessoal.

Existem ainda as explicações, terapias, etc. Pior: se não dermos aos nossos filhos a oportunidade de praticar pelo menos um deste tipo de atividades, sentimos que não estamos a investir no seu futuro. Quando ainda resta algum tempo para a brincadeira, pode surgir a preocupação com o bem-estar físico, levando a uma supervisão constante e alertas para o risco das brincadeiras, das pessoas e espaços.

Transpomos o nosso medo para os nossos filhos de tal forma que lhes privamos a oportunidade de inovarem, arriscarem, experimentarem e aprenderem por si. É raro vermos crianças, como o Gaspar, com oportunidade de viverem as suas aventuras. Por outro lado, esta ansiedade pelo bem-estar físico contrasta com o fácil acesso a conteúdos que podem afetar a inocência psicológica das crianças, seja através da televisão, internet ou jogos, consumidos sem qualquer controlo.

Não se deve compreender o brincar como um luxo, mas sim como uma atividade dinâmica crucial para a saúde física, intelectual, social e emocional em todas as idades. A nível socioemocional, promove a capacidade de saber lidar e interagir com os outros e com o mundo, a lidar com sentimentos, a comunicar, a tornarem-se crianças mais resilientes e com maior capacidade de autorregulação.

A nível cognitivo, brincar cria diversas oportunidades para potenciar a capacidade de resolução de problemas, de tomada de decisões, de planeamento, organização e flexibilidade. Ao nível físico, além dos óbvios benefícios para a saúde, também promove o desenvolvimento de competências motoras.

Tentem recordar-se dos melhores momentos que viveram na infância, das experiências mais relevantes e positivas. Quais são? É provável que tenham sido ao ar livre, com amigos e sem adultos por perto, certo?

Não há soluções perfeitas, mas talvez esteja na hora de tornar a brincadeira uma rotina! Pode-se brincar nas situações quotidianas, com palavras, com contos e histórias, com pedrinhas e paus, connosco, com música. Pode-se brincar sozinho ou acompanhado.

Pode-se brincar por brincar ou brincar para aprender… o brincar tem um poder extraordinário e adapta-se a todas as situações, todas elas de extrema importância para o desenvolvimento harmonioso.

* Parceria com o CADIn (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil), onde Leonor Ribeiro é técnica superior de educação especial e reabilitação.

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Viagem pelo desenvolvimento da linguagem

Agosto 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 16 de julho de 2017.

A linguagem é um contínuo, que começa antes das palavras, se estende ao longo de toda a vida e é essencial às futuras aprendizagens da leitura e da escrita.

Ana Rita Gonzalez

No nosso dia-a-dia, como pais e como terapeutas da fala, somos constantemente questionados relativamente aos timings das primeiras palavras e outros aspetos relativos à linguagem, como as primeiras frases e as primeiras conversas.

É importante que, enquanto pai ou mãe, se tenha em mente que antes de surgirem as primeiras palavras, as crianças têm um longo caminho de competências de comunicação a adquirir e dominar: ouvir, estar atento, ser recíproco e, sobretudo, compreender o que lhes é dito. Um bebé, quando nasce, vem, à partida, equipado com tudo o que é necessário para ouvir e falar. Um sistema auditivo para escutar e percecionar sons e um sistema fonador capaz de produzir sons de fala, com níveis de desempenho que se vão aprimorando ao longo do crescimento.

Muito antes de dizer as primeiras palavras, o bebé já descobriu que os sons que faz, sejam risos, choros ou outros, têm um impacto ou provocam alguma reação em quem o rodeia. Descobre o enorme potencial da comunicação!

Dentro da barriga da mãe, o bebé já está exposto a uma imensidão de sons, ruídos do ambiente, conversas e até mesmo a fala dos pais que, ao longo de nove meses, lhe é dirigida de forma intencional. Quando nasce, começa então a identificação do que são ou não sons de fala, e a capacidade de extrair significado das sequências de sons que ouve. É por isso que, com dias de vida, os bebés vão dando progressivamente mais atenção aos estímulos sonoros. Estão a aprimorar a capacidade de discriminação dos sons de fala.

Entre os dois e os quatro meses, os bebés já fazem alguma distinção entre vozes. Não é ao acaso que se acalmam e reconfortam quando ouvem vozes familiares, nomeadamente da mãe e do pai, e se desorganizam na ausência delas.

A capacidade de percecionar sons de fala é um pilar essencial à compreensão da linguagem. O desenvolvimento dos sons (fonologia) tem início com o choro e termina na articulação de sons de fala. Com cerca de 2 meses, no palrar do bebé, identificamos sons gorgolejantes como “arrrrrr” e “ggggg”, seguem-se repetições de sílabas, que se combinam em palavras, entre os nove e os 14 meses.

Com cerca de nove meses, até perto dos 13 meses, a criança já atribui significado às sequências sonoras que ouve, aprende que palavras não são coisas, não são os objetos, são sim representações dos objetos. É o início do desenvolvimento lexical, o vocabulário (semântica), que começa antes da produção das primeiras palavras e se desenvolve ao longo de toda a vida.

Depois dos 18 meses, a criança começa a juntar palavras, surgem os primórdios das frases. Das primeiras palavras às frases complexas há um longo mas rápido caminho, que começa no domínio do padrão de ordem básico das palavras na frase, passa pelos processos de concordância, acordo de género, número e flexão verbal até chegar às combinações de frases (morfossintaxe).

No entanto, não basta dizer palavras bem ditas e frases bem estruturadas para se ser um bom falante, é preciso saber usá-las numa conversa de forma eficaz. O sucesso do desempenho conversacional depende da adequação do que a criança diz, como diz e a quem diz. Desenvolvem-se competências como pedir, negociar, seduzir, mentir, entre outras, que transformam a criança num comunicador exímio. Chama-se “pragmática”, e o seu desenvolvimento tem início antes da produção de qualquer palavra, na troca, na interação e na reciprocidade de sons entre pais e bebé.

A linguagem é um contínuo, que começa antes das palavras, se estende ao longo de toda a vida e é essencial às futuras aprendizagens da leitura e da escrita. Por isso, os pais precisam de informação útil, sistematizada e organizada sobre o que é esperado em cada fase do desenvolvimento e de que forma podem ajudar os seus filhos a atingir de forma plena o domínio das competências necessárias.

Perante dúvidas e preocupações dos pais, procurar a opinião de um terapeuta da fala é sempre a melhor forma de resolver o problema.

Ana Rita Gonzalez, Terapeuta da Fala do CADIn – Neurodesenvolvimento e Inclusão. A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico.

A rubrica Estar Bem encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO

 

 

 

Programa de reutilização de manuais escolares precisa de mais livros

Agosto 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 16 de julho de 2017.

A Book in Loop proporcionou 300 mil euros de poupança em 2016 NUNO FERREIRA SANTOS

Plataforma Book in Loop diz que a procura é dez vezes superior à oferta.

Lusa

Setenta mil famílias podem este ano poupar um total de três de milhões de euros em manuais escolares usados, com a plataforma Book in Loop, mas é indispensável haver mais entregas de livros utilizados para satisfazer todas as exigências. De acordo com os responsáveis da empresa criada em Coimbra no Instituto Pedro Nunes, a procura é dez vezes superior à oferta.

No ano passado, a empresa teve 19 mil famílias registadas na plataforma e movimentou 30 mil livros, proporcionando 300 mil euros de poupança. Para este ano, João Bernardo Parreira, daquela empresa, estima movimentar 100 mil manuais e que o número de famílias registadas atinja as 70 mil.

Em 2016, a empresa Book in Loop criou um sistema de partilha de livros escolares cómodo, eficiente e com garantia de qualidade pedagógica que, num ano, cresceu substancialmente. No entanto, o director executivo, João Bernardo Parreira, lamentou à agência Lusa que haja “muito mais gente a reservar do que a entregar”. “É preciso que as famílias retirem os livros antigos das prateleiras, onde estão a ganhar pó, e os entreguem nos mais de 150 pontos de recolha que possuímos”, sublinhou.

A plataforma online de compra e venda de manuais usados do 5.º ao 12.º ano permite descontos de 60% nos livros adquiridos pelas famílias e o recebimento de 20% do valor dos manuais entregues, o que representa uma poupança significativa.

João Bernardo Parreira salienta que “quem entregar todos os manuais de que não precise e só adquirir livros usados poderá poupar 80% dos 216 euros que, em média, se gastam por ano com um filho no início das aulas”. “Há cada vez mais famílias à procura de livros usados, mas muitas ainda mantêm os manuais de que não precisa em casa, o que gera um desequilíbrio para suprir as necessidades”, referiu o responsável.

A entrega tem de obedecer a critérios definidos por uma equipa de Pedagogia da Universidade de Aveiro – não podem ter capa rasgada, nem estar sublinhados a tinta, nem ter etiquetas permanentes – caso contrário vão para a reciclagem.

A Book in Loop pretende, até ao fim do ano em curso, permitir a “poupança de três milhões de euros” às famílias portuguesas “e evitar a emissão de 300 toneladas de CO2” para a atmosfera. “Ao juntar quem tem livros de que já não necessita aos que precisam de os comprar, estamos a promover a sustentabilidade ambiental, económica e familiar”, afirma João Bernardo Parreira.

As famílias interessadas em aderir à plataforma devem registar-se em bookinloop.com e a recolha e entrega de livros pode ser feita em toda rede dos supermercados Continente, Bom Dia, Modelo ou Note, no âmbito de uma parceria com a Sonae para a campanha de 2017, que começou a 15 de Junho e termina a 6 de Agosto.

A empresa lançou também o Programa SPIN, orientado para as autarquias, com o objectivo de as famílias usarem um serviço de reutilização profissional de manuais escolares de forma gratuita.

A iniciativa da empresa de Coimbra integra já 11 municípios – Coimbra, Santarém, Guarda, Castelo Branco, Figueira da Foz, Famalicão, Fundão, Gouveia, Mação, Pinhel e Sertã – e a Junta de Freguesia da Estrela, em Lisboa. O programa nestes concelhos envolve 70 escolas e 50 mil alunos, que vão reutilizar manuais escolares no próximo ano lectivo.

A empresa Book in Loop, sediada no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, foi criada em 2016 por três empreendedores e, neste momento, já conta com 24 trabalhadores.

 

https://www.bookinloop.com/

 


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