Um terço das crianças vivem só com um dos pais

Julho 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 1 de julho de 2017.

Foram sinalizados 8695 casos de violência doméstica | Rui Manuel Ferreira/Global Imagens

Ana Bela Ferreira

No ano passado foram acompanhados 71 016 crianças e jovens pelas comissões de proteção de menores

Mais de um terço das crianças acompanhadas, no ano passado, pelas comissões de proteção de menores viviam com apenas um dos pais. Embora não sejam a maioria dos casos – em 41,3% das situações são em famílias nucleares -, o relatório de avaliação da atividade das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) sublinha que em relação ao total de famílias monoparentais na população residente, representam mais do dobro.

Embora sem querer fazer ligações de causa/efeito, o documento salienta que “uma percentagem significativa de jovens acompanhados pelas CPCJ esteve associada a fatores de vulnerabilidade como a pertença a famílias monoparentais ou a dependência das respetivas famílias de rendimentos como o RSI e outros subsídios”.

O relatório, agora divulgado e que foi entregue na Assembleia da República, faz a análise do trabalho das comissões ao longo do último ano, onde foram acompanhadas 71 016 crianças e jovens. Num total de 72 177 processos, resultantes da transferência entre comissões de 1161 casos.

Do número global, apenas 39 194 dizem respeito a problemas sinalizados em 2016, os restantes transitaram do ano anterior. Entre os novos processos, a situação de perigo mais comum é a exposição a comportamentos que possam comprometer o bem-estar e o desenvolvimento da criança (32,8% do total). E dois terços destas situações são exposição dos menores a violência doméstica. “Foram sinalizados às CPCJ 8695 casos de violência doméstica, o que representou 22,2% do total de sinalizações em 2016, ultrapassando, a categoria Negligência, que representou 19,5% do total”, pode ler-se no relatório.

Considerando que desde 2011 tem vindo a aumentar o número de processos iniciados (a soma de instaurados e reabertos, menos as transferências) é também analisado no documento. O entendimento da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) é de este fenómeno se deve não só aos “possíveis efeitos da crise económica, que se iniciou em 2008, com reflexo direto nos índices de pobreza infantil, mas também traduz uma maior amplitude na intervenção das CPCJ e uma maior sensibilidade coletiva a problemas como a violência doméstica, o bullying ou o abandono escolar precoce”.

Ao longo do ano foram reabertos 8352 processos e arquivados 38 845. Considerando esta tendência de aumento dos processos reabertos, a comissão reconhece que ser necessária “uma análise aprofundada”, não excluindo uma “eventual correlação com o volume dos arquivamentos.

mais informações no Relatório de Avaliação da Atividade das CPCJ – 2016

 

O que fazer com miúdos obesos? Um menu semanal saudável para uma criança

Julho 25, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://expresso.sapo.pt/ de 18 de maio de 2017.

Portugal já é um dos cinco países da União Europeia com maior percentagem de adolescentes obesos, segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde revelado esta quarta-feira. Um em cada dez rapazes portugueses de 11 anos tem obesidade. Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, faz serviço público nesta edição do Expresso Diário: partilha um menu semanal saudável para uma criança de 11 anos

Texto Alexandra Bento, bastonária do Ordem dos nutricionistas

 

 

“Deixem as crianças ser crianças!!

Julho 25, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 5 de julho de 2017.

As crianças têm cada vez menos tempo para brincar. E passam menos tempo ao ar livre que os reclusos. Isto pode ter consequências sérias no  seu desenvolvimento. É urgente refletir. “Precisamos de deixar as crianças ser crianças”. A brincadeira, fundamental no desenvolvimento da criança aos mais variados níveis, está “ameaçada” e exige uma atenção especial (e uma mudança radical) por parte de pais e educadores. Caso contrário, e a continuarmos assim, a (falta) de brincadeira vai ter consequências desastrosas no futuro das nossas crianças. O alerta foi lançado no seminário “Revisitar o valor do Brincar”, uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Esposende, em colaboração com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e com o Centro de Intervenção Psicológica e Terapêutica, que pretendeu promover a reflexão sobre a importância do Brincar no desenvolvimento infantil. “Para a criança se desenvolver precisa de brincar”, começou por lembrar o pediatra Hugo Rodrigues, citando estudos que comprovam como “brincar é fundamental para construir o bem-estar cognitivo, físico, social e emocional”, sendo evidentes as vantagens ao nível da criatividade, do desenvolvimento motor, do equilíbrio emocional e da capacidade de resiliência. Vantagens que, como notou, se acabam por estender aos cuidadores, seja no “reforço das relações” ou porque, ao brincar, “conseguem ver o mundo pelo olhar das crianças” e “entender muito melhor os filhos”. A este propósito, o pediatra defendeu que a brincadeira deve envolver os adultos, seja participando ou, simplesmente, “estar presente”, ou seja, por vezes “estar lá, basta ver, observar…”. Mas atenção, alertou, nesses momentos há que dar-lhes “uma atenção genuína”: “Quando estiverem com as crianças, desliguem do mundo!”

Por outro lado, alertou, “temos que dar-lhes tempo livre” e deixar as crianças brincar de forma criativa, genuína” e “sem regras”, deixando-as inventar as suas próprias brincadeiras. “O brincar não deve castrar a criatividade e a imaginação”. Uma ideia que seria mais tarde reforçada por Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), para quem as crianças “precisam de brincar na rua, de correr riscos e viver situações ousadas”. No fundo, “têm que se tornar mais selvagens”. E como? Tirando-as de casa, deixando-as inventar as suas próprias brincadeiras, ouvindo-as e deixando-as ter voz ativa. Uma tarefa aparentemente simples mas, nos tempos que correm, cada vez mais desafiante. Na verdade, “é mais difícil brincar que educar”, reconheceu, em jeito de crítica, o pediatra Hugo Rodrigues, deixando um alerta a pais e educadores: “Não se constroem super-crianças!”. Além de que, avisou, “as crianças têm muitos anos para ser adultos e poucos para ser crianças…” Sem tempo para crescer

As críticas acabariam por ser partilhadas pelo psicólogo Eduardo Sá, que não se cansou de denunciar os atropelos de que são vítimas as crianças no seu direito à brincadeira. “As crianças deviam brincar pelo menos duas horas por dia”, disse, lembrando que “nos últimos 20 anos, as crianças portuguesas perderam oito horas semanais de brincadeira”. E isto é muito grave. “Precisamos de deixar as crianças ser crianças”, disse, garantindo que “é mentira que quem cresce depressa, cresce melhor”. Acérrimo defensor da brincadeira no jardim de infância, o psicanalista não perdeu a oportunidade de, mais uma vez, criticar os estabelecimentos onde se prefere ensinar a criança a ler ou a escrever e se esquecem as vantagens de outras atividades lúdicas mais enriquecedoras nestas idades tão precoces. “Melhor educação musical significa melhor matemática”, exemplificou, lembrando também que “a educação visual significa melhores competências para o português e a matemática” ou que “quanto mais histórias, mais crianças pensantes”.

Mais. “Uma criança que não é capaz de brincar com o corpo não é saudável”, disse, para sublinhar a importância de explorar o corpo enquanto brinca ou, inclusive, de “andar à bulha”. No fundo, rematou, é a brincar que as crianças “ganham alma”, defendendo a infância como “património da humanidade “ e criticando ainda o excesso de tecnologia e os “maus exemplos” dados pelos pais. Por tudo isto, o psicólogo infantil antevê, com alguma preocupação, um futuro pouco risonho para as nossas crianças. “Estamos a criar os adolescentes mais autistas que a humanidade já viu!”. Uma preocupação que acabaria por ser partilhada por Carlos Neto, que considerou estarmos a viver uma “decadência da infância” o que, concluiu, faz com que estejamos a viver “momentos de grande preocupação”, onde “ninguém sabe muito bem o que vai acontecer” . Fica o aviso.

Refetir e experimentar

A importância do brincar no desenvolvimento da criança e do adulto, a utilização educativa e terapêutica da brincadeira e as novas formas de brincar foram alguns dos temas que estiveram em destaque no seminário “Revisitar o Valor do Brincar”. “Brincar é o melhor remédio!” foi o nome da intervenção de Hugo Rodrigues, pediatra na Unidade Local de Saúde do Alto Minho, e docente na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho e na Escola de Tecnologias da Saúde do Instituto Politécnico do Porto, a que seguiu a palestra “Brincar como património da humanidade” por Eduardo Sá, psicólogo, psicanalista e professor na Universidade de Coimbra e no ISPA. Os “Grupos Aprender, Brincar, Crescer” foram apresentados por Joana de Freitas-Luís, Coordenadora nacional da implementação deste projeto-piloto e “Crianças carentes de Vitamina B” foi o mote da comunicação de Maria José Araújo, professora adjunta da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto e Investigadora do CIPEM-INET-md e do INED.

Já da parte da tarde, João Amado, professor associado com agregação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, falou sobre “Brincar e modos de ser criança na charneira dos séculos XIX e XX em Portugal”, seguindo-se a mensagem vídeo “Libertem as crianças: Mais autonomia, risco e participação” de Carlos Neto, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana e, por fim, a intervenção de Helena Sacadura Botte, técnica de Segurança Infantil e Secretária-Geral da APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil, sobre “A liberdade para brincar em segurança. A terminar, Ana Isabel Veloso, professora no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro e membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos, mostrou como “Jogar  não tem idade”, Nuno Feixa Rodrigues, professor coordenador na Escola Superior de Tecnologia do IPCA – Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, abordou o tema “Criatividade, ensino e jogos digitais”, a que se seguiu “O brincar virtual e desenvolvimento de competências neurocognitivas e psicossociais”, por Carlos Fernandes da Silva, Professor Catedrático no Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro e Membro da CPCJ de Mira.

Organizado pela Câmara Municipal de Esposende, em colaboração com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e com o Centro de Intervenção Psicológica e Terapêutica, o seminário “Revisitar o Valor do Brincar” fez parte da iniciativa “Brincar é Coisa Séria!”, que integrou ainda uma Feira do Brincar do Brinquedo. Destinada a refletir sobre a importância do BRINCAR no desenvolvimento infantil e no seu futuro, a iniciativa pretendeu ainda contribuir para a promoção de formas mais saudáveis de BRINCAR, aliando o referido processo reflexivo à possibilidade de as famílias, e a comunidade em geral, experienciarem diversas atividades lúdicas que foram dinamizadas para esse efeito.

 

 

 

O tipo de postura das crianças afeta as propriedades físicas dos seus ossos

Julho 25, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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notícia do http://ispup.up.pt/ de 3 de julho de 2017.

Um estudo assinado por investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) descobriu, pela primeira vez, que existe uma associação entre as propriedades físicas do osso e o desenvolvimento de diferentes tipos de postura.

“Apesar de haver uma potencial relação biomecânica entre osso e postura, ela nunca foi demonstrada, pelo que este é o primeiro trabalho em que isso é feito”, refere Fábio Araújo, primeiro autor da investigação, coordenada por Raquel Lucas, e publicada na revista “The Spine Journal”. Ana Martins, Nuno Alegrete e Laura Howe, são os investigadores que integram também este estudo.

Sabe-se que as propriedades físicas do osso podem fazer com que as vértebras da coluna alterem a sua orientação, o que pode condicionar as diferentes posturas. Assim, os investigadores definiram o objetivo de analisar a relação entre as propriedades físicas do osso e os diferentes tipos de postura em crianças com 7 anos de idade, procurando também compreender o papel das quantidades de gordura e de músculo corporais nessa relação.

Para tal, analisaram 1.138 raparigas e 1.260 rapazes, com 7 anos de idade, pertencentes à Geração XXIcoorte iniciada em 2005, que acompanha o crescimento e o desenvolvimento de mais de 8.000 crianças nascidas em hospitais públicos da Área Metropolitana do Porto.

Conseguiu-se, antes de mais, mostrar que existe um perfil antropométrico variável (relação peso, altura, índice de massa corporal) e de composição corporal (gordura e músculo) em função dos diferentes tipos de posturas.

Assim, as crianças que apresentam um padrão postural retificado (coluna reta) são mais leves, mais baixas, têm menor índice de massa corporal e têm menor quantidade de gordura e de músculo. Já as crianças com um padrão postural de curvaturas aumentadas (o oposto) são mais pesadas, mais altas, têm maior índice de massa corporal, maior quantidade de massa gorda e também mais músculo.

“Assim, conseguimos demonstrar, pela primeira vez, que a gordura e o músculo também influenciam grandemente o tipo de postura demonstrada, para além das questões antropométricas”, avança Fábio Araújo.

Os investigadores mostraram, ainda, que as crianças com o padrão postural retificado apresentam um esqueleto menos resistente – menor conteúdo mineral e menor densidade mineral óssea – mas isso deve-se às suas características antropométricas e de composição corporal. Já as crianças com o padrão postural de curvaturas aumentadas possuem maior massa e densidade mineral ósseas, mas, aqui, estas características não são completamente explicadas pelas diferenças verificadas no peso, altura, índice de massa corporal e massa gorda ou massa livre de gordura.

“No perfil postural de curvaturas aumentadas, existe uma relação particularmente forte entre a postura e as propriedades físicas do osso. Existe, na verdade, uma potenciação destas duas vertentes através de mecanismos de sustentação da posição de pé. Isto é: como as crianças têm mais peso, necessitam de fazer mais força para o suportar contra a gravidade, o que faz com que as vértebras sejam comprimidas. Este stress mecânico promove a formação de mais tecido ósseo, traduzindo-se em alterações da orientação vertebral no sentido de promoção de uma postura com curvaturas aumentadas”, continua o investigador.

Concluindo, “existe uma relação entre o osso e a postura. Sabemos agora que, se afetarmos o osso, afetamos também a postura, a qual está relacionada com problemas músculo-esqueléticos, como o desenvolvimento de dores nas costas. Por outro lado, se alterarmos a postura, poderemos conseguir influenciar a forma como o osso se desenvolve, o que pode ser importante para tratar problemas como a osteoporose”, remata.

Imagem: Pixabay

O estudo citado na notícia é o seguinte:

A shared biomechanical environment for bone and posture development in children

 

 


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