“Não há uma idade certa para se falar da IVG nas escolas”

Julho 20, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ de 9 de julho de 2017 a Margarida Gaspar de Matos.

“A descontinuidade das políticas públicas é trágica”, afirma Margarida Gaspar de Matos.

Ana Dias Cordeiro

O que aconteceu para os jovens deixarem de gostar da escola nestes últimos 30 anos?

Os [nossos] estudos desde 1998 mostravam que os miúdos tinham a percepção de serem os piores da Europa inteira, mas ao mesmo tempo gostavam muito da escola — dos recreios, de conviver com os colegas, de algumas actividades e de alguns professores. Em 2014, baixou o gosto pela escola em geral, incluindo pelos recreios.

Por que motivo?

Houve um grande desinvestimento nas áreas curriculares não disciplinares, em que os miúdos podiam construíam projectos de escola com os professores. Saiu da escola toda essa componente relacional e de cidadania e a escola passou a centrar-se unicamente nas aprendizagens, com aquele foco imenso na Matemática e no Português. Nós não queremos crânios a Matemática e a Português para depois irem tomar medicação psicotrópica.

As políticas do ensino levaram a essa situação?

Eu não posso dizer isso assim, mas aconteceu tudo ao mesmo tempo: uma mudança do clima da escola, das políticas educativas e das expectativas sobre o futuro que, aparentemente, tiraram o gosto por tudo o que tenha a ver com a escola. Neste momento, há todo um ambiente economicista que não favorece envolvimento dos professores. Além disso, as políticas públicas têm que ter uma continuidade. A descontinuidade é trágica.

Como vê esta nova experiência do Ministério da Educação (ME) para flexibilizar currículos (dar margem às escolas para juntar ou criar novas disciplinas)?

É uma boa ideia os jovens e os próprios professores serem chamados a reflectir sobre os currículos, porque há matéria a mais para o tempo disponível, e os professores e os alunos são os melhores para fazer essa análise. Mas uma coisa é a lei e a outra é o que vai acontecer.

Se for bem feito, é bom. É isso?

Se for feito realmente com propriedade. A gestão das escolas, às vezes, define o que pode ser feito entre o excelente e o péssimo. O Ministério tem que monitorizar para, pelo menos, o médio acontecer nas escolas todas.

Qual a sua opinião acerca do recente projecto do ME de “referencial de educação para a saúde” (orientações às escolas) em que se propunha abordar com os alunos do 2.º ciclo a questão da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG)?

Eu estou contra um professor chegar a uma aula com um power point e falar de IVG como se fosse matéria. A questão nunca se pôs assim. A questão é se, nalgumas condições, será lícito falar disso.

Deve ser falado com alunos do 2.º ciclo que têm entre 10 e 12 anos?

O referencial é um referencial, não é um programa. E eu estou a ver vários cenários. Se aparecer um caso, o professor bem informado pode explicar em que circunstâncias essas coisas acontecem. Quando os meninos perguntam, as coisas têm que ser esclarecidas, porque, se não são, vão inventar coisas ainda piores.

O ME fez bem em recuar e propor introduzir esse tema no 3.º ciclo?

Foi um ajuste do ME relativamente à sensibilidade do país. No 3.º ciclo acontece exactamente a mesma coisa. Eu não acharia nada interessante que, alguma vez, a pílula do dia seguinte ou a IVG viessem no capítulo Métodos Contraceptivos. Isso seria uma barbaridade em termos de saúde pública.

Não há uma idade certa para falar do tema?

Não há uma idade, há uma relevância desenvolvimental. Toda a educação para a saúde deve ser assim.

 

 

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“Desinvestiu-se na droga e na sida”. Ambas “aumentam entre os jovens”

Julho 20, 2017 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ de 9 de julho de 2017 a Margarida Gaspar de Matos.

Nos 30 anos do seu projecto Aventura Social, Margarida Gaspar de Matos, psicóloga e professora catedrática da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, olha para o que foi então o projecto – e para o que seria, se fosse lançado hoje.

Ana Dias Cordeiro

Se fosse lançado hoje, em vez de há três décadas, o projecto Aventura Social, acredita Margarida Gaspar Neto, em vez dos problemas comportamentais e da droga, teria os novos desequilíbrios que se começam a notar entre géneros e as novas tecnologias da informação a assumir o protagonismo.

O que é o Projecto Aventura Social?

Quando vim para a universidade, vinha do Ministério da Educação onde trabalhava junto das escolas com jovens com problemas de comportamento. Já naquela altura, final dos anos oitenta, esse era o grande problema das escolas. Não criámos um núcleo formal. Para conseguirmos ultrapassar a necessidade de autorização, demos-lhe um nome que não era nada do que costumava ser: Aventura Social. Não era uma instância com existência legal. Hoje tem mais de 20 investigadores. E foram criados três grandes grupos: um deles é o dos estudos à população — temos redes ligadas à União Europeia, redes ligadas à OMS — em matéria da saúde, da qualidade de vida, e de outros. Outro — a que chamámos Aventura Social na Comunidade — tem a ver com o trabalho de intervenção universal como a rede que criámos para envolver os jovens na reflexão dos temas que lhes dizem respeito. Com este projecto dos Dream Teens, o objectivo é trabalhar as partes positivas. As nossas estatísticas dizem que 20% dos miúdos têm problemas e 80% não têm. Vamos ver porque é que esses 80% não têm [problemas]. Vamos ver, quando as coisas correm bem, por que é que correm bem, e vamos tentar providenciar essas coisas boas, e que sejam os próprios jovens a lutar por elas.

Além do problema de comportamento nas escolas, havia outros?

Na altura, associados aos problemas de comportamento, havia os problemas de consumos de droga, a questão da Sida, logo ali nos anos 80. Mais tarde passámos pelo bullying e depois pela questão da obesidade.

Se o projecto fosse lançado agora, qual seriam os problemas a analisar de forma prioritária?

Um deles é a desesperança dos jovens relativamente ao seu futuro. Os miúdos dizem coisas estranhas como “Tanto faz ter 10 como ter 20” [nas notas]. Esta desesperança dos jovens afecta-me mais do que o facto de eles serem insuportáveis na escola, como se nem energia tivessem para serem insuportáveis. Há três anos, quando ia às escolas, muitos jovens diziam que o que aprendiam na escola era o que servia para emigrar: ou inglês ou culinária, para serem chefs. Agora eu penso que, com ou sem razão, as pessoas estão a começar a ficar animadas com o suposto fim da crise. Além dessa desesperança, também vejo a família, que vai começar a ter alguns desequilíbrios, e as novas tecnologias como os outros grandes desafios de agora.

Que tipo de desequilíbrios?

Por exemplo, vamos ter em breve casais em que as mulheres são doutoradas e os homens trabalham na construção civil. Isso não tem nada de mal em si, a questão é o choque cultural que acontece nas nossas casas, do ponto de vista dos interesses pela sociedade.

Os rapazes não apostam tanto na parte académica?

Não apostam, primeiro porque há essa desesperança, e depois porque eles acham que, se aprenderem a arranjar um cano, ou a arranjar computadores, encontram um emprego já e a ganhar mais, e isso é verdade. Mas cria um desequilíbrio entre os casais naquilo que diz respeito à intimidade conceptual e filosófica, sobre as questões da vida.

Já vê sinais evidentes de que isso acontece?

Sim, vejo sinais disso na estatística, porque os dados mostram-nos que, até ao 9.º ano, há tantos homens como mulheres e depois os homens desaparecem e não voltam a aparecer.

Dizia que o terceiro desafio é a questão das novas tecnologias.

Sim, porque vai mudar as relações humanas. As tecnologias têm coisas fantásticas, as pessoas circulam muito pelo mundo e as tecnologias mantêm-nas muito em contacto. Isso é muito importante. Agora tem que haver outras alternativas. A Internet pode ser utilizada para aumentar o convívio pessoal ou para o limitar, e esse é que é o desafio.

A obesidade e os problemas comportamentais já não são prioritários?

Isto são fluxos. A droga foi um daqueles problemas dos anos oitenta. Agora em 2018 — espero estar enganada — penso que os dados dos consumos de droga vão aumentar outra vez. E vão aumentar pela primeira vez desde 2002. A partir desse ano, os jovens em Portugal e na Europa toda têm ficado com melhores indicadores de saúde. Mas isso vai mudar. Nesta altura da crise os indicadores não pioraram. Não melhoraram mas também não pioraram a não ser aquele mal-estar, a desesperança e a falta de expectativas. Não houve ainda problemas do ponto de vista físico, mas eu acho que vamos ter. Eu ainda não tenho dados, mas tenho a percepção.

Que tipo de consumos?

O ectasy, e todas aquelas drogas sintéticas, que estão muito ligadas à cultura dos festivais. Há muito consumo desses produtos também porque os jovens acham que aquilo não faz assim muito mal, porque arranjam uma teoria, que é muito frequente, e dizem isto que há coisas que fazem mal mas que aquilo que eles consomem não faz mal nenhum. Além disso, as pessoas, envolvidas nestes negócios milionários, não vão deixar que o consumo baixe.

Por que aumenta agora e não aumentou antes, neste intervalo entre 2002 e 2018?

Não aumentou antes porque houve um grande investimento nas políticas da saúde, na promoção da saúde nas escolas. Depois desinvestiu-se na droga como se desinvestiu na Sida. Achamos que a Sida desapareceu, mas não desapareceu, continua a aumentar, nomeadamente, nestes jovens adolescentes.

 

 

Três vezes mais casos de Baleia Azul nas mãos da justiça

Julho 20, 2017 às 10:36 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 20 de julho de 2017.

Três vezes mais casos de Baleia Azul nas mãos da justiça

 

 

Dá p’ra Aproveitar! reutilização de manuais escolares, do 5º ao 12º ano – Entregue-os na Biblioteca Municipal D. Dinis (Odivelas)

Julho 20, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Dá p’ra Aproveitar – 2017

A Biblioteca Municipal D.Dinis leva mais uma vez a cabo o projeto Dá p’ra Aproveitar! promovendo uma campanha de sensibilização para a reutilização de manuais escolares, do 5º ao 12º ano.

Pretende-se com este projeto facilitar a todos o acesso gratuito aos manuais escolares, reutilizá-los, reduzindo o impacto ambiental que a indústria livreira acarreta e incentivar a comunidade local a abraçar esta causa.

Não serão aceites manuais com edições anteriores a 2015.

Horário de entrega/levantamento de Manuais Escolares:
De terça-feira a sexta-feira: 9h30 às 12h00 e das14h00 às 17h00
De 15 a 31 de Agosto de 2014 a BMDD, Pólo da Pontinha e o Pólo de Caneças encontram-se encerrados.

Biblioteca Municipal D. Dinis – CM Odivelas


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