Há mais jovens com problemas psíquicos nos centros educativos

Julho 10, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 10 de junho de 2017.

Comissão diz que mais actividades deveriam ser desenvolvidas na comunidade e menos dentro do centro educativo ADRIANO MIRANDA / PUBLICO

Jovens com estas patologias já são 73,5% do total dos internados. Comissão de fiscalização diz que a situação é grave e que alguns “nunca deveriam ter sido encaminhados para o sistema tutelar educativo”, mas para o sistema de saúde.

Ana Dias Cordeiro

O quadro traçado pela comissão de acompanhamento dos seis centros educativos no país é semelhante ao descrito há dois anos. Mas um aspecto sobressai no mais recente relatório: as situações de jovens internados com patologias psíquicas aumentaram, e esse é, para a comissão, um dos sinais de que o sistema tutelar educativo está a falhar apesar do “esforço positivo” no sentido de humanizar as instalações destes centros onde crianças e jovens cumprem medidas de internamento crimes praticados antes da idade de responsabilização criminal, os 16 anos.

Os jovens com problemas de saúde mental já representam 73,5% do total de rapazes e raparigas, alvo destas medidas entre os 12 e os 16 anos, que estão internados nos centros educativos. Passaram a ser 100 entre os 136 que cumprem a medida de internamento. No relatório de 2015, entregue à Assembleia da República no início de 2016, eram 82 num conjunto de 186 (44%). Importa salientar que, no global, os centros têm agora menos 50 jovens internados (136) do que há dois anos quando tinham 186.

Da análise destes números, conclui-se que antes os problemas de saúde mental afectavam menos de metade dos jovens a cumprir medidas e passaram a afectar mais de dois terços. Mesmo assim, alerta a Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos (CAFCE) no seu relatório deste ano, este cenário pode estar abaixo da realidade já que “incompreensivelmente nem todos [os jovens] têm diagnóstico efectuado”.

Os dados são de Abril de 2017, e constam do relatório que esta comissão entregou à Assembleia da República na semana passada, e que descrevem, com base em visitas e entrevistas às equipas e aos responsáveis, a situação dos centros educativos a funcionar nos distritos de Lisboa, Coimbra, Guarda e Porto – de quem lá vive e de quem lá trabalha, em 2016 e nos primeiros meses de 2017.

Situação “muito grave”

A comissão, coordenada pela procuradora-geral adjunta do Tribunal da Relação de Lisboa, Maria do Carmo Peralta, designada pelo Conselho Superior do Ministério Público, é composta por profissionais de organizações não governamentais da área da protecção de crianças, duas deputadas (uma do PS e uma do PSD), um representante do Governo, designado pelo ministro da Justiça, e uma juíza escolhida pelo Conselho Superior da Magistratura.

Na parte do relatório relativa à saúde mental, a situação descrita é de “um quadro muito pesado que condiciona, objectivamente, a intervenção educativa dos centros e que está muito para além do necessário e imprescindível acompanhamento psicológico” destes jovens.

O relatório é mais sucinto mas também mais crítico do sistema do que o anterior (de 2015 e divulgado em 2016) ao qualificar de “muito grave a situação em que se encontram os centros”. Acrescenta ainda sobre os jovens com problemas psíquicos: “Gravíssima é a situação de clara violação dos direitos destes jovens, que não encontram no sistema a resposta que necessitam para superar os seus problemas e necessidades.”

E vai mais longe quando refere que “há um número residual de jovens a quem foram diagnosticadas situações mentais graves e definidos níveis cognitivos baixos, que nunca deveriam ter sido encaminhados para o sistema tutelar educativo, antes sim para uma adequada intervenção por parte do sistema de saúde”.

A Lei Tutelar Educativa foi aprovada em 1999 e ao longo dos anos a falta de respostas para os jovens com perturbações mentais tem estado sempre presente. “Já passaram 18 anos e nada foi feito ao nível da saúde mental a não ser por iniciativa dos centros educativos que proporcionam psicólogos em cada centro e a ida a consultas externas de pedopsiquiatria do Serviço Nacional de Saúde”, diz Maria do Carmo Peralta.

“Para miúdos, que são simultaneamente inimputáveis por via da idade ou por problemas mentais, não existem respostas” enquanto para adultos inimputáveis por problemas mentais elas existem, aponta a magistrada.

A comissão lamenta que a “importante iniciativa da Direcção-Geral da Reinserção e Serviços Prisionais” para definir “linhas possíveis de intervenção” não tenha tido consequências e considera que não pode continuar a ser “adiada a intervenção ajustada” junto destes jovens. Mas a procuradora Maria do Carmo Peralta diz também que “quem tem que fornecer apoio para os que são inimputáveis penais, pela idade, e inimputáveis por via da sua condição psíquica, são os serviços de saúde mental e não os centros educativos.”

Modelo securitário

A comissão de peritos conclui por outro lado, como concluíra no relatório entregue à Assembleia em 2015, que os centros educativos estão fechados sobre si próprios, num modelo que deve ser reformatado para permitir que os jovens desenvolvam o seu percurso escolar e de actividades na comunidade. “Isso acontece por uma questão de filosofia, de querer que tudo se passe dentro do centro educativo” – desde as aulas, a formação profissional à ocupação de tempos livres, diz Maria do Carmo Peralta.

A procuradora diz mesmo que “existe um predomínio do modelo securitário”. Não atribui este “fechamento do sistema” à falta de recursos a não ser no sentido em que “a falta de recursos humanos impede a vigilância necessária para que estes jovens possam ter as actividades nos equipamentos da comunidade” e isso era “o que seria desejável”, reforça. Mas esse ideal só seria possível como uma capacidade de vigilância inexistente.

 

Aprender todas as disciplinas com um projeto e um ‘tablet’

Julho 10, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/ de 14 de junho de 2017.

Ana Bela Ferreira

Em Vendas Novas (Alentejo) está a nascer uma nova geração de escolas. No agrupamento desta cidade, duas turmas aprendem a matéria através de projetos interdisciplinares. Cumprem o programa mas de forma diferente. Estão no 5.º ano e começaram a trabalhar desta forma no 3.º. Fazem parte das Comunidades Escolares de Aprendizagem Gulbenkian XXI e entram na série de reportagens que o DN está a publicar até sábado sobre as escolas que se destacam no país

Daniel, de tablet na mão, apresenta os cuquedos dos colegas, desenhos expostos na parede da sala do 5.º D. Mas quando se aponta a câmara do aparelho para o medo, surge um vídeo com o poema que cada um fez sobre o que mais o assusta. A completar o trabalho há uma máquina – um aspirador com uma varinha mágica – que transforma os medos em cores. Noutra sala, a máquina é uma ventoinha, ligada a um telemóvel, uns fones e um funil, que põem os meninos a portarem-se bem, evitando que o professor se zangue. O processo é explicado num vídeo criado pelos alunos do grupo interdisciplinar.

Com este projeto, os alunos trabalharam o texto poético da disciplina de Português, as várias técnicas de desenho, pintura e recorte de Educação Visual, a construção de um objeto de Tecnológica, e usaram as várias aplicações do tablet – um patrocínio da Samsung – para os vídeos e slideshow, inseridas na disciplina de Programação. Noutra turma, os alunos já estavam a fazer um projeto que juntava Ciências e Educação Visual e Tecnológica.

 

 

 

 

Sol e crianças – que cuidados a ter?

Julho 10, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 27 de junho de 2017.

Hugo Rodrigues

O que fazer para poder usufruir adequadamente das vantagens do Sol

A exposição ao Sol tem muitos benefícios, nomeadamente a produção de vitamina D e a estimulação da produção de algumas hormonais responsáveis pela sensação de bem-estar. No entanto, há alguns cuidados a ter para se poder usufruir adequadamente dessas vantagens e que são sempre importante de reforçar nesta altura do ano, particularmente quando se trata de crianças.

  1. A partir de que idade é que as crianças se podem expor ao Sol?

A pele dos bebés é muito sensível aos efeitos da radiação ultravioleta e, actualmente, as recomendações das principais sociedades científicas são unânimes: a exposição solar directa deve ser evitada em bebés com menos de 12 meses de idade.

Isto não significa que devam ficar em casa até essa idade, bem pelo contrário. As actividades exteriores são altamente recomendadas e os passeios ao ar livre devem ser incentivados desde “sempre”. No entanto, deve-se evitar exposições directas ao Sol por períodos prolongados, como por exemplo as idas à praia. Esta recomendação prende-se com o facto de na praia existir muita radiação difícil de controlar, que reflecte na água e na areia clara. Assim, mesmo estando à sombra, há sempre radiação que tem um comportamento mais errático e que se torna praticamente impossível de evitar. Este é o motivo pelo qual se defende que as crianças só devem ir à praia a partir do primeiro ano, embora possam e devam passear na rua sempre que possível.

  1. Qual o protector solar mais indicado?

Esta é uma pergunta frequente e que importa esclarecer. Até aos 2-3 anos, deve-se tentar escolher um protector solar que não seja absorvido pela pele, de forma a evitar algum tipo de reacção. Claro que isso vai implicar que o protector seja menos agradável do ponto de vista cosmético, pois se não é absorvido vai fazer com que a pele fique mais “empastada”, mas acaba por ser mais inócuo e, portanto, melhor para os bebés.

A opção mais clássica são os protectores com filtros exclusivamente físicos ou minerais. Recentemente têm surgido alternativas que podem também ser uma boa escolha e que incluem filtros orgânicos e minerais. A grande vantagem é que os filtros orgânicos são mais fáceis de espalhar, o que facilita a aplicação do protector. Nem todos estão aprovados para bebés pequenos, mas já há alguns aprovados a partir dos seis meses, o que faz com que possam ser usados com segurança.

A partir dos 2-3 anos já se podem utilizar protectores que contenham filtros químicos, tendo apenas em atenção que se deve sempre optar por protectores para crianças, com índices de protecção 50+.

Estes conselhos são para a maioria das crianças, desde que tenham uma pele saudável. No entanto, quando estamos perante uma pele atópica, a escolha deve sempre recair por protectores especificamente desenvolvidos para essas situações e que acabam por ser semelhantes aos descritos para os bebés mais pequenos (com filtros que não são absorvidos pela pele).

  1. Quais os cuidados a ter?

Os principais conselhos para as crianças poderem aproveitar o Sol com segurança são semelhantes aos dos adultos e incluem os seguintes:

– Evitar as horas de maior intensidade de radiação ultravioleta, nomeadamente o intervalo entre as 11:00 e as 16:00

– Se a exposição solar for mais prolongada ou se a criança for pequena deve-se mantê-la com uma t-shirt, de forma a ter alguma protecção física

– Usar sempre chapéu (de preferência com abas para proteger as orelhas) e, se possível, óculos de sol

– Aplicar o protector solar adequadamente, antes da exposição solar e renová-lo a cada duas horas ou após contacto com água

– Aplica o protector solar em todas as áreas expostas, não esquecendo as orelhas, pescoço e pés (se a criança estiver descalça, de chinelos ou sandálias)

– Dar de beber muita água para evitar a desidratação

Assim, em jeito de conclusão pode-se afirmar que o Sol é óptimo e deve ser aproveitado por todos, crianças e adultos. No entanto, pode condicionar alguns efeitos nocivos na pele, pelo que importa cumprir algumas regras de segurança para se poder usufruir dos seus benefícios sem se expor aos seus (possíveis) prejuízos.

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue “Pediatria para Todos” e do livro “Pediatra para todos”

 

 

 


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