16 sugestões para ocupar as férias de verão dos miúdos

Julho 9, 2017 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do http://observador.pt/ de 21 de junho de 2017.

Raquel Salgueira Póvoas

Pais, está tudo controlado. Vestir a bata e ser cientista, aprender a jogar padel, andar à vela ou fazer teatro são só algumas das atividades que podem entreter os seus filhos nas férias grandes.

As férias dos adultos parecem quase sempre curtas. Já as dos mais novos são sinónimo de muito tempo livre e, claro está, muita energia para gerir também. Para facilitar a vida dos pais, reunimos sugestões para ocupar os tempos livres de norte a sul do país.

O público alvo é exigente, bem sabemos, por isso há atividades para os que preferem o desporto, para os que querem aprender línguas, para os que gostam de estar em contacto com a natureza e até para os que estão viciados em fidget spinners.

NORTE

Estimular a curiosidade e a criatividade das crianças entre os quatro e os 12 anos tendo como ponto de partida o contacto com o museu e o parque é o objetivo da Fundação Serralves para estas férias de verão. Para isso, as atividades preparadas vão desde trabalhar com barro e gesso, semear e tratar de plantas, construir livros, preparar receitas saudáveis ou até descobrir por que razão a fotografia e o desenho são “BFFs” (melhores amigos para sempre, pais distraídos). No total, são 29 as atividades pensadas para as diferentes faixas etárias. Todas as informações sobre o processo de inscrição e respetivos preços podem ser consultadas aqui.

E se a opção for passar um “Verão à Vela”, como o Centro de Vela do Sport Club do Porto sugere? Aprender a velejar vai ser possível, se decidir que é aqui que os seus filhos devem passar parte das férias de verão. Esta atividade acontece em duas semanas do mês de julho, a primeira de 2 a 6, a segunda de 9 a 13, das 9h às 17h30. O custo de cada semana é de 120€ por participante, com almoço incluído. Existem descontos para sócios e para quem se inscrever com um ou mais irmãos.

Desenho, escrita criativa, vídeo, dança e até filosofia. Estas são algumas das áreas abrangidas pelas oficinas de verão do Serviço Educativo da Oficina Vila Flor. Para que serve um museu? É preciso pensar ou o corpo sabe dançar sozinho? O que é manifestar? E como é que isso se faz? São perguntas que vão ter resposta neste programa, de 26 de junho a 14 de julho, em Guimarães. As inscrições podem ser diárias ou contemplar as três semanas. Os preços vão dos 7€ (um dia, sem almoço) aos 135€ (três semanas, com almoço). Todas as informações estão disponíveis aqui.

Longe de computadores, smartphones, televisões, perto da natureza e de aventuras em grupo. Assim são os campos de férias do Parque Aventura Diver Lanhoso, que permitem que os participantes experimentam atividades tais como salto de pêndulo, rappel, slide, caminhadas aquáticas, entre outras. Os campos de férias acontecem de junho a setembro, com programas de sete ou 14 dias.

A escola Edurumos preparou um verão digital para os seus filhos. Longe das redes sociais, numa vertente educativa, há aulas sobre fotografia, junior coder, webdesign, apresentações em prezi, entre outras. O programa de atividades destina-se aos jovens dos sete aos 16 anos e acontece de 3 de julho a 1 de setembro. Cada semana tem o custo de 175€. Todas as inscrições devem ser feitas aqui, até uma semana antes do início de cada curso. Para além do Porto, há uma escola Edurumos em Lisboa.

CENTRO

Aprender inglês não é sinónimo de estar sentado numa secretária, de caderno e lápis na mão, a ouvir a professora — pode ser mais dinâmico que isso. Como? Nos Centros de Ensino de Inglês Helen Doron English aprende-se esta língua através de histórias, música, dança, surf e visitas pedagógicas. Desta forma, junta-se o útil ao agradável: umas férias repletas de atividades divertidas com a continuação do aperfeiçoamento da língua inglesa. As atividades são destinadas a crianças e jovens dos quatro aos 16 anos. Os preços variam entre os 40€ por semana com atividades apenas da parte da manhã, e os 175€ para atividades de uma semana durante todo o dia. Em Coimbra estes campos de férias realizam-se de 3 a 28 de julho. Mas há mais centros: 24 ao todo, de norte a sul do país, que pode encontrar aqui.

Nos campos de férias da Science4You vai ser possível vestir a bata, colocar os óculos e as luvas e ser cientista. Do sistema solar aos vulcões, passando pelas cores, a ilha jurássica e as bolas de sabão gigantes, o entusiasmo será grande a cada descoberta. Os campos de férias científicos da marca portuguesa acontecem de junho a setembro, em diferentes zonas do país. As inscrições podem ser feitas apenas para um dia ou para períodos maiores. Se o seu filho tem entre seis e 13 anos, esta é a oportunidade de o deixar explorar a ciência de forma divertida. Mais informações sobre o programa aqui.

Fidget Spinners. Estão na moda, sim, e provavelmente tem algum aí por casa. E se os seus filhos percebessem como são construídos e qual a mecânica que o suporta? Nos campos de férias de verão The Inventors, esta é apenas uma das atividades em que as crianças têm contacto com a tecnologia, compreendendo-a. Disciplinas como eletrónica, mecânica, programação e animação, e atividades como a programação de arduinos e a construção de pontes, fazem parte do programa. Um dos ateliers acontece em Leiria, mas há outras zonas do país a receber este campo de férias (pode consultar essa informação aqui). Cada semana custa 145€, sendo que os valores variam consoante a opção de refeições incluídas.

SUL

Dentro de portas também há muito para fazer. E se for dentro de museus? Esta é a proposta da COOLture Tours: visitar, jogar, participar em teatros e em quizes em museus e palácios de Lisboa, Cascais e Sintra. Esta é uma das formas que pode encontrar para que os seus filhos conheçam mais sobre a História de Portugal e, desta forma, permitir que viajem no tempo. No Museu Nacional dos Coches, por exemplo, uma rainha leva-as a passear pelo espaço para que conheçam os coches que transportaram reis, príncipes e princesas. É nesse espaço também que se dão casamentos do século XVIII, tendo como protagonistas desta encenação teatral as crianças, claro. Para inscrições e mais informações sobre estas visitas, deve contactar os responsáveis através do Facebook, ou através do e-mail coolturetours@gmail.com.

Também o Serviço Educativo do Museu da Carris preparou atividades para receber os jovens este verão. As profissões e os serviços são os temas deste ano. Assim sendo, haverá uma atividade que faz jus aos transportes públicos da cidade de Lisboa – “O pequeno motorista” -, e as que abordam profissões como enfermeiro, barbeiro, carpinteiro e engenheiro. No fim, há um mini passeio de elétrico e a certificação de “Motorista do ano”. O programa decorre durante o mês de julho, os preços vão desde os 40€ aos 65€. Os horários e inscrições estão disponíveis no site do museu.

Nos diferentes espaços da Fundação Calouste Gulbenkian há, para crianças dos cinco aos 15 anos, atividades de verão de 26 de junho a 8 de setembro, das 10h às 17h30, de segunda a sexta-feira. Aqui, as atividades são variadas. Há as que juntam a arte e a natureza, as que combinam movimento, a performance, o desenho e a voz, as que abordam o mundo da fotografia e até as que incentivam a “refletir e a propor novas maneiras de ver e viver o mundo à nossa volta”. As oficinas são semanais e têm o custo de 95€ (há a opção com almoço, a que acresce 15€ semanais). Mais informações aqui.

Em Monsanto, a escola de equitação Todos a Galope desafia os mais novos a interagir com os cavalos. Para além dos passeios, a escola pretende abordar formas de interação com estes animais que permitam ao participante adquirir competências tais como a responsabilidade de cuidar, saber observar, comunicar, respeitar o outro e trabalhar em equipa, desenvolver a auto-estima, a confiança e a empatia. As atividades começam em junho e terminam em setembro, e têm o custo de 120€ por semana.

Para que o seu filho comece a ir aos fins de semana jogar padel com o pai ou em família, pode optar por proporcionar-lhe aulas no Indoor Padel Center, em Carnaxide. Aqui, com uma equipa de professores e monitores credenciados, os participantes aprendem a jogar ou a aperfeiçoar a modalidade de padel, mas não só. No programa há ainda atividades tais como voleibol, jogos tradicionais, pilates e uma aula de culinária. As atividades para as férias já começaram e prolongam-se até ao fim do mês de julho. Inscrições aqui.

Na Quinta do Pomarinho, em Évora, as atividades com animais e as preocupações ecológicas imperam. E porque tratar de uma quinta tem muito que se lhe diga, todos os participantes vão ajudar nas tarefas diárias: tratar dos animais, da horta e das plantas. Para além disso, há atividades relacionadas com a culinária e as artes plásticas, e há uma piscina. A Quinta do Pomarinho tem também atividades preparadas para crianças com deficiências. Informações aqui.

Fotografia digital, desenhos animados, banda desenhada, webdesign, videojogos, YouTube, cinema digital, animação 3D são algumas das temáticas disponíveis na Flag, para jovens dos sete aos 16 anos. A escola irá transmitir conhecimentos sobre estas temáticas, de forma dinâmica, aos participantes. Cada curso tem a duração de uma semana. As inscrições, bem como o pedido de mais informações, podem ser feitas aqui.

Para crianças dos cinco aos 12 anos, o Mini Hangar propõe atividades artísticas. Tela, papel, terra, barro, fotografia e vídeo são as ferramentas que o seu filho vai ter à mão para se tornar um verdadeiro artista. “Em cada dia uma obra acontece!” . No fim de cada atelier, há uma apresentação final para a família. O valor semanal é de 80€ por criança (com refeição, acresce 25€). O programa completo encontra-se disponível no site HANGAR, Centro de Investigação artística.

fotografias e vídeos do texto no link:

http://observador.pt/2017/06/21/16-sugestoes-para-ocupar-as-ferias-de-verao-dos-miudos/

 

 

 

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“Existem formas mais inteligentes de elaborar as turmas”

Julho 9, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 26 de junho de 2017.

Estudo conclui que os bons resultados dependem mais de fatores individuais dos alunos do que do tamanho das turmas. E que, por isso, existem combinações de alunos que são mais eficazes do que outras se a intenção é promover o sucesso educativo de todos.

Andreia Lobo

Aspetos relacionados com a composição da turma têm mais influência no desempenho escolar do que o número de alunos que a compõem. Fatores relacionados com a condição socioeconómica das famílias e as características individuais dos estudantes continuam a ser determinantes no sucesso ou insucesso na sala de aula. O estudo inédito, realizado por investigadores da Nova School of Business and Economics, analisou a dimensão das turmas que no ano letivo de 2011-2012 frequentavam o 6.º e o 9.º ano em escolas públicas, mas também a sua composição. Como? Através de indicadores relacionados com a idade e o sexo dos alunos, o escalão de apoios sociais escolares, a escolaridade da mãe, o nível de rendimento e o acesso a Internet em casa.
Uma das conclusões é que “o tamanho da turma não produz efeitos significativos nos resultados escolares”, sendo estes medidos através das notas obtidas nos exames nacionais a Matemática e a Português. O mesmo não se pode dizer dos fatores que têm a ver com a própria composição da turma, pois estes “acabam por ter mais influência relativamente ao seu tamanho”.

A investigação foi apresentada no Fórum Estatístico da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência. Ao EDUCARE.PT, Luís Catela Nunes, um dos autores deste estudo, explica qual o alcance dos resultados que mostram que certas combinações de alunos produzem efeitos positivos ou negativos sobre o desempenho escolar: “Significa que quando as escolas elaboram as turmas, há aspetos relacionados com os estudantes que devem ser tidos em conta”.

Só grandes reduções produzem efeito

Importa ou não reduzir o tamanho das turmas? A resposta é simples: “Não se vê nenhuma vantagem em fazer uma redução dentro do intervalo da dimensão de turmas que temos em Portugal”, assegura Catela Nunes. Vários estudos internacionais que tentam encontrar correlação entre sucesso ou insucesso e número de alunos por turma dizem que o impacto da turma é maior para idades mais pequenas. Ou seja, quanto mais novos forem os alunos mais importância tem o tamanho da turma.

No caso português, explica o investigador, o estudo versou os alunos do 6.º e do 9.º anos, “níveis em que o impacto da turma já não é tão importante”. Além disso, recorda o investigador, só em casos de grande diminuição do número de alunos se encontra uma causa-efeito no sucesso educativo: “Há um estudo do Quénia em que se compara passar de 80 alunos para 40 alunos e como são variações muito extremas encontram-se resultados muito grandes. Mas para outros estudos de dimensões parecidos com o tamanho de turma que temos em Portugal, os resultados que se encontram são ou muito pequenos ou nenhuns.”

Em Portugal, utilizando a base de dados das escolas públicas, os investigadores verificaram que a dimensão média de uma turma de 6.º e 9.º ano oscila entre 22 e 28 alunos. Pode haver turmas com mais de 28 ou com apenas 14 alunos, em regiões onde demograficamente existem menos jovens em idade escolar. Catela Nunes esclarece que “só abaixo de 20, ou menos, alunos é que os estudos se encontram alguns benefícios com as reduções, mas para turmas muito mais pequenas”.

Com estas conclusões, o investigador acredita que o debate em torno da redução do número de alunos nas escolas portuguesas deve ser repensado. “Há outros fatores nas escolas, menos estudados, que acabam por ter alguma influência no sucesso escolar. Vemos ao olhar para os dados que a composição das turmas em algumas das escolas não é perfeitamente aleatória, mas de certa maneira feita à medida.”

Concentrar os piores, dividir os carenciados
Cabe à escola decidir como elaborar as turmas. A lei prevê essa competência. Que critérios? Um estudo do Conselho Nacional de Educação de 2016 faz um resumo das leis que existem sobre a dimensão e a composição da turma. Mas fazer turmas de melhores e de piores alunos continua a ser usual nas escolas.

Para Catela Nunes, esta prática de separar bons e maus alunos “pode ser justificada do ponto de vista pedagógico”. É, precisamente isso que mostra o estudo “Composição das turmas e desempenho dos alunos em Portugal”, desenvolvido em conjunto com os investigadores João Firmino, Ana Balcão Reis e Carmo Seabra: “Encontramos muitas dimensões em que a composição da turma pode ter efeitos positivos ou negativos”. Se umas dimensões sugerem a criação de turmas o mais homogéneas possível, distribuir, por exemplo, alunos de um tipo pelas turmas todas, outras ditam precisamente o contrário.

O estudo mostra, por exemplo, que os alunos conseguem melhores resultados se a turma for mais homogénea em termos de idade de referência para esse nível de escolaridade. “É mais difícil dar aulas a alunos com grande diversidade de conhecimentos, uns mais avançados outros menos, do que dar aulas a alunos que estão todos ao mesmo nível.”

O investigador recomenda “algum cuidado” na forma como se distribuem os alunos com idade mais avançada. Ou seja, alunos que já reprovaram. Sobretudo, porque nalgumas circunstâncias os alunos repetentes saem mais beneficiados – em termos de sucesso escolar – se estiverem com colegas nas mesmas condições. E saem prejudicados quando integram turmas onde a maioria dos alunos nunca reprovou. O mesmo acontece com os não repetentes, que beneficiam com a integração em turmas sem repetentes.

Uma das razões para esta separação, por idades, resultar, avança Catela Nunes, “pode ser porque o professor tendo uma turma mais homogénea – com repetentes ou não repetentes – consegue de forma mais eficiente adaptar os próprios métodos de ensino a esses alunos. Assim, os repetentes conseguem melhorar. Os nossos resultados mostram, nesta dimensão, que pode haver vantagem em separar os alunos”.

Ao contrário do que acontece com a idade de referência, os investigadores verificaram que os alunos mais carenciados obtêm melhores resultados quando estão dispersos equitativamente por todas as turmas. Quando se trata de analisar os resultados dos alunos consoante os rendimentos das suas famílias – através do indicador ser ou não beneficiário de apoios escolares – a concentração destes alunos em turmas homogéneas produz um efeito negativo sobre o seu desempenho escolar.

Criar a turma ideal

Qual a composição de turma ideal para que todos os alunos possam ter sucesso? É talvez a pergunta que importa fazer. “Não há uma receita que seja única para todas as escolas, porque ao querermos melhorar numa direção, podemos piorar noutra”, constata Luís Catela Nunes. “Há muitas dimensões que podem ser tidas em conta e nesse ponto as escolas têm um papel importante, que é o de conhecer o que pode funcionar melhor ou pior”, acrescenta.

Alguns diretores de escola já se interessam por conhecer o que os estudos dizem sobre composição de turmas. Para quem nunca leu nada sobre o tema, Catela Nunes salienta a importância de olhar para histórico de reprovações e para a condição económica dos alunos.

“Tem de haver um equilíbrio e cada escola tem a informação necessária para conseguir chegar a um equilíbrio mais vantajoso do ponto de vista da equidade que seja bom para os alunos como um todo.” Nunca esquecendo, alerta o investigador, que “existem formas mais inteligentes de elaborar as turmas, mas que a turma ideal pode ter uma composição diferente consoante a escola.”

Composição das turmas e desempenho dos alunos em Portugal

 


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