Alguma vez falou (a sério) sobre drogas com o seu filho?

Julho 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://lifestyle.sapo.pt/

O tema deve ser abordado em casa, sem tabus, defende o pediatra Mário Cordeiro que, em entrevista à Prevenir, ensina como o podemos fazer para a mensagem sair reforçada.

Pais, é um facto. Facilmente, os adolescentes podem cruzar-se com drogas. Cerca de 25% dos jovens têm contacto com o álcool, tabaco ou substâncias ilícitas, revela o «Relatório Europeu sobre Drogas 2016: Tendências e Evoluções». Os dados indicam que a sociedade e, em particular, os educadores não devem menosprezar o facto de poder haver consumo, mesmo que seja uma experiência fugaz, sublinha Mário Cordeiro, pediatra.

«Temos de abordar o tema com frontalidade, para melhor se aprender e ensinar a lidar com esta questão. Mesmo não se tornando toxicodependentes, os jovens que usam este tipo de substâncias podem vir a ter problemas na gestão da sua vida quotidiana, na escola, no seu círculo de amizades e em família», alerta o especialista.

«Quando a droga passa a ser refúgio, entramos numa dimensão diferente, mais preocupante», sublinha. «As drogas iludem a realidade, dão uma falsa e curta noção de bem-estar e esse imediatismo tem consequências terríveis», afirma também. «Os jovens desconhecem os efeitos das drogas», alerta ainda o pediatra, autor do livro «Os Nossos Adolescentes e a Droga – Realidades, Mitos, Verdades e Estratégias», publicado pela editora A Esfera dos Livros.

O que o levou a escrever este livro?

Tenho acompanhado, sobretudo como representante de uma associação de pais de um agrupamento, casos preocupantes que me levam a pensar que ainda existe muito desconhecimento sobre o assunto. O tema das drogas tem sido muito debatido e têm-se conseguido avanços, nomeadamente no que toca à despenalização das drogas leves, mas a abordagem não tem sido a melhor.

Para se conseguir um discurso eficaz não basta dizer «Não à droga!». É essencial trabalhar a mensagem e, claro, conhecer os destinatários pois os adolescentes estão numa fase da vida que tem características  e preocupações muito vincadas. O problema da toxicodependência na adolescência é importantíssimo para a sociedade.

A minha intenção, com este livro, foi aliar informação geral a esclarecimentos científicos e dar voz a testemunhos, aos factos deste flagelo. Moveu-me a vontade de dar ferramentas aos pais para conseguirem abordar o tema, explicando os tipos de drogas que existem e quais os seus efeitos e malefícios.

O que leva hoje um adolescente a experimentar drogas?

A adolescência é uma fase de novas competências e experiências, onde se desenvolve a autonomia e a identidade. O jovem sente-se pronto para experimentar o menu da vida, evitando o controlo dos pais, sendo a escola (e a pressão dos rituais de grupo) o cenário ideal para aceder a novas perspetivas, nas quais se incluem substâncias como o álcool, o tabaco e as drogas. É aqui que entra um fator decisivo. A informação. Essa é uma ferramenta essencial para fazer a triagem entre o que interessa ou não.

Por norma, em que idades acontece o primeiro contacto?

Por volta dos 13, 14 anos, os jovens sentem-se preparados para tudo, refugiam-se numa hipotética invencibilidade, têm uma curiosidade inata para quase tudo e o álcool, o tabaco e as drogas são temas apelativos.

Que drogas são mais usadas?

A ingestão de álcool ou o consumo de canábis são os vícios mais frequentes e podem causar sérios problemas de fígado, gastrites e lesões cerebrais. O alcoolismo continua a ser a forma de toxicodependência por excelência e existe uma espécie de tolerância errada, face, por exemplo, aos efeitos na saúde provocados pela canábis. A nível comportamental, podem provocar comportamentos agressivos e perda do autocontrolo.

Há um extremo desconhecimento entre os jovens sobre estas substâncias, apesar da facilidade de acesso a tanta informação. No caso do álcool, esse desconhecimento é gritante, para mais tratando-se de uma substância legal. Aos 14, 15, 18 anos, pensa-se que se sabe muito, mas não se viveu o suficiente para tal.

O álcool representa um perigo semelhante a outras substâncias, mas está mascarado pela legalidade. O seu consumo pode servir de isco para o uso de outras substâncias e levar a uma habituação face a essa forma de vencer problemas ou por mera diversão.

Quais são as substâncias mais perigosas?

Sobretudo a cocaína, o crack e o ecstasy, ainda que o álcool, o tabaco e a canábis sejam também muitíssimo perigosas. Convém reforçar que a questão da dependência não tem apenas que ver com a droga mas também com o seu utilizador ou a razão que  o levou a fazer. Se o objetivo é fugir da realidade, a dependência vai ser cada vez maior pois os jovens encaram-na como uma forma de facilitar a vida.

Muitas das substâncias promovem elevados graus de extroversão e levam a descuidos nas relações sexuais, como a rejeição de proteção e, mais tarde, invariavelmente, arrependimento. Outras das consequências graves são a sensação de vazio sentido depois de passado o efeito ou a angústia de não se lembrar do que aconteceu.

Como devem os pais lidar com este tema?

Tornar o assunto um tabu é um erro. Dizer apenas que «É mau porque sim» é uma má abordagem, uma atitude pouco sensata, assim como fazer uso de um discurso moralista ou preconceituoso, associando o estatuto de drogado a perfis marginais (tipo arrumadores ou pessoas sem-abrigo). Devemos, sim, explicar o que é a droga, que ninguém está imune aos seus efeitos, antes de dizer «Filho, não te metas nisto!».

É preciso transmitir aos jovens que ninguém precisa destas substâncias para viver ou para ultrapassar alguma situação menos boa. Eles têm de aprender que a vida tem momentos bons e maus e que é o ensinamento que deles retiramos que nos torna pessoas melhores, mais humanas.

A que sinais, que indicam que os jovens podem estar a consumir drogas, devem os pais estar atentos?

O facto de o jovem parecer estar alheado da vida, isolar-se, tornar-se indiferente em relação a algo por que demonstrava um interesse assinalável, registar alterações do padrão de sono ou desleixo com a aparência são alguns alertas. A rispidez comportamental e a perda do controlo emocional, por vezes associada à violência, são outros sinais.

Como reagir se a hipótese se confirmar?

Deve evitar-se um interrogatório agressivo, ainda que convenha confrontar o jovem com a situação, e, no caso de existirem evidências fortes do consumo, não as ignorar. Enquanto pais, temos a obrigação de interferir, de perceber o que se passa e de zelar pela saúde do jovem.  Num primeiro plano, o assunto deverá ser tratado no âmbito familiar e com recurso a ajuda médica.

Mas sempre deixando explícito o nosso amor pelo jovem e que é esse sentimento que nos leva a preocupar-nos, a tentar ajudar. Deve também evitar-se fazer julgamento da questão e concentrar as atenções na própria ajuda, reforçando que, quer queiram quer não, os pais são os responsáveis pelas suas vidas e a experiência que possuem pode ajudar a resolver situações e prevenir cenários que hoje parecem positivos, mas que vão tornar-se pesadelos.

A escola deve ter algum papel neste processo?

Principalmente a nível da prevenção e informação. Deveria existir um programa mais organizado ainda que seja completamente contra disciplinas específicas sobre drogas, à semelhança da educação sexual. Defendo que, por exemplo, a partir do sétimo ano, se utilize as disciplinas já existentes pois conferem a oportunidade de falar sobre drogas, algo que atinge a sociedade.

Por exemplo, na matemática, por via das estatísticas de exposição e consumo. Em história, explicando os conflitos que surgiram devido ao tráfico. Na geografia, ao elucidar as rotas do tráfico. Em química, por referência às suas fórmulas. Nas ciências, ao indiciar os danos cerebrais provocados…

Como abordar o tema

Siga este guião, inspirado em dados fornecidos por Mário Cordeiro, pediatra:

– A preparação

Antes de ensinar é importante aprender. Prepare-se antes de abordar o tema com o seu filho, recolhendo dados de fontes fidedignas que ofereçam dados científicos.

– O contexto

Um bom pretexto para falar sobre o tema pode ser, por exemplo, uma notícia sobre o tema associado a artistas ou desportistas.

– O tom e o conteúdo

Fale com o seu filho sem medos. Seja frontal. Não esconda o facto de ser possível que eles possam vir a ter contacto com essa realidade na escola, numa festa ou reunião de amigos. O excesso de informação pode ser contraproducente. O mais importante é que o adolescente entenda os perigos associados ao consumo.

– A reação

Mesmo que o adolescente reaja à conversa com um encolher de ombros, esse gesto não significa necessariamente desinteresse. Enquanto pais, somos erradamente levados a crer que os nossos filhos já não nos ouvem ou amam. Isso é falso, continuam a fazê-lo, mas de outra forma, com outro distanciamento, e aquilo que dizemos vai ser interiorizado e sentido.

Sinais de alarme

O comportamento do seu filho pode dar-lhe pistas importantes sobre a possibilidade de estar a consumir drogas:

– Alheamento da vida e isolamento

– Alterações do padrão de sono

– Indiferença em relação a algo por que demonstrava um interesse assinalável

– Desleixo com a aparência

– Rispidez comportamental

– Perda do controlo emocional, por vezes associada à violência

Texto: Carlos Eugénio Augusto

 

 

Filhos de mães fumadoras com maior risco de ter tensão alta

Julho 7, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 13 de junho de 2017.

Efeito é visível desde bem cedo, logo aos quatro anos de idade

As mães que fumam agravam o risco de pressão (ou tensão) arterial alta nos filhos. Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluiu que este efeito é logo visível aos quatro anos de idade.

Os autores do estudo, publicado na revista “Nicotine & Tobacco Research”, defendem que as mulheres devem deixar de fumar antes de engravidarem. Ao mesmo tempo, lembram que a pressão arterial sistólica alta está associada ao risco de doenças cardiovasculares, a principal causa de morte no nosso país.

A investigação envolveu 4.295 crianças nascidas em cinco maternidades da Área Metropolitana do Porto, pertencentes à coorte Geração 21 (projeto de investigação que acompanha mais oito mil crianças da cidade do Porto, desde o nascimento).

Num país como Portugal, onde a hipertensão é um problema major, onde muitas pessoas morrem de AVC [Acidente Vascular Cerebral] e muitas grávidas continuam a fumar durante a gravidez, estes resultados demonstram que começa bem cedo a programação da doença [hipertensão arterial] nas crianças. Portanto, a prevenção tem que começar antes”, alerta Henrique Barros, responsável do estudo.

Em análise, esteve a associação entre o tabagismo materno (antes da gravidez, durante a gravidez e quatro anos após o parto) e a pressão arterial das crianças, que foram avaliadas à nascença e aos quatro anos.

A conclusão fala por si: observou-se que os filhos de mães que fumavam apresentavam níveis de pressão arterial sistólica mais elevados, com um um percentil da pressão arterial sistólica superior. Mais de 22% têm já aos quatro anos uma pressão arterial sistólica considerada elevada.

O estudo designado “Maternal smoking: a life course blood pressure determinant?”  tem como principal autora Maria Cabral e é também assinado por Maria João Fonseca, Camila González-Beiras, Ana Cristina Santos e Liane Correia-Costa.

Maternal smoking: a life course blood pressure determinant?

 

 

Férias de verão – oficinas dos 6 aos 12 anos no Museu do Oriente

Julho 7, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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26 Junho a 18 Agosto Música, colagem, ilustração e ópera prometem um Verão animado no  Museu do Oriente. Inspirando-se nas suas colecções, criámos um programa multidisciplinar de oficinas de férias que se estende do final de Junho até meados de Agosto. Para crianças dos 6 aos 12 anos, as propostas são diversas, unidas pelo elo comum do Oriente e pelo forte estímulo criativo e artístico.

10 a 14 Julho | Segunda a sexta

9.30 às 12.30 | SILÊNCIO, O ESPECTÁCULO VAI COMEÇAR!

Crianças dos 6 aos 10 anos

14.30 às 17.30 | WORKSHOP INTENSIVO PARA QUEM NUNCA TOCOU VIOLINO!

Crianças dos 7 aos 12 anos

14.30 às 17.30 | OFICINA DE COLAGEM

Crianças dos 6 aos 10 anos

17 a 21 Julho | Segunda a sexta

9.30 às 12.30 | REPORTAGEM PELO ORIENTE

Crianças dos 6 aos 10 anos

14.30 às 17.30 | OFICINA DE COLAGEM

24 a 28 Julho | Segunda a sexta 

9.30 às 12.30 | OFICINA ENTRE PALAVRAS E CARAS

Crianças dos 6 aos 10 anos

14.30 às 17.30 | WORKSHOP INTENSIVO PARA QUEM NUNCA TOCOU VIOLINO!

Crianças dos 7 aos 12 anos

31 Julho a 4 Agosto | Segunda a sexta 

9.30 às 12.30 | SHOU, DAN, SHENG OU JING? QUAL DELES SERÁS TU?

Crianças dos 6 aos 10 anos

14.30 às 17.30 | WORKSHOP INTENSIVO PARA QUEM NUNCA TOCOU VIOLINO!

Crianças dos 7 aos 12 anos

14.30 às 17.30 | OFICINA DE COLAGEM

Crianças dos 6 aos 10 anos

7 a 11 Agosto | Segunda a sexta

9.30 às 12.30 | SILÊNCIO, O ESPECTÁCULO VAI COMEÇAR!

Crianças dos 6 aos 10 anos

14.30 às 17.30 | OFICINA DE COLAGEM

14 a 18 Agosto | Segunda a sexta

9.30 às 12.30 | REPORTAGEM PELO ORIENTE

Crianças dos 6 aos 10 anos

14.30 às 17.30 | OFICINA DE COLAGEM

 

 

Um quarto das famílias portuguesas com crianças tem dificuldade no acesso a alimentos

Julho 7, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/de 4 de julho de 2017.

A Unicef estima que, no mundo inteiro, 688 milhões de crianças são afectadas pela insegurança alimentar. Em Portugal, esta realidade afecta 25% das famílias com crianças menores de 15 anos.

Beatriz Silva Pinto

Com base nos dados da sondagem da Gallup World Poll, a Unicef quis avaliar como estão os agregados familiares com crianças com menos de 15 anos, focando a insegurança alimentar. Alguns resultados do relatório divulgado nesta segunda-feira: estima-se que 45% das crianças com menos de 15 anos, de 147 países e quatro territórios analisados, vivem com alguém que reporta que, nos 12 meses anteriores ao inquérito, houve alturas em que não teve dinheiro para comprar comida. Na União Europeia esta taxa foi de 20%. Em Portugal é maior: 25%.

A vizinha Espanha alcança um valor inferior, com 13,17%. Entre os países europeus com o menor valor deste indicador encontram-se Suécia (3,42%), Noruega (5,65%), Luxemburgo (5,99%), Alemanha (7,27%), Croácia (7,33%), Dinamarca (7,64%), Suíça (7,94%) e Finlândia (8,61%), os únicos que registam valores inferiores a 10%.

O mesmo relatório sublinha que em Portugal 2% das crianças, com idades entre 1 e 15 anos, não comem três refeições por dia e que o rácio de pobreza na população menor de 18 anos é de 18% – dados de 2009 retirados do relatório Estatísticas do rendimento e das condições de vida na União Europeia. Refira-se ainda que a percentagem da insegurança alimentar nos agregados familiares com pelo menos uma criança com menos de 15 anos é maior (24,96%) do que na generalidade de agregados familiares portugueses (19,04%).

À volta do mundo, são 688 milhões de crianças menores de 15 anos que vivem num agregado familiar em que não houve dinheiro suficiente para comprar comida durante o ano anterior ao inquérito de 2014/2015. São os territórios de África que apresentam maior percentagem neste indicador, sendo que na África Oriental e Meridional, o valor atinge os 66%. África Ocidental e Central registam 60% e o Corno de África 57%. No Médio Oriente e no Norte de África, a percentagem é inferior: 34%. A América Central fica nos 55%, a América do Sul nos 37% e a América do Norte nos 27%. Por sua vez, o Sudoeste Asiático regista uma percentagem de 45% e o Sul Asiático de 38%. A Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que envolve onze repúblicas que pertenciam à antiga União Soviética, chega aos 28% e a União Europeia (sem a CEI) fica-se pelos 20%. Com um valor inferior ao de Europa está a Ásia Oriental, que apresenta a menor percentagem: 15%.

O aumento global da insegurança alimentar

Pode ainda observar-se que a segurança alimentar (factor traduzido na expressão “teve dinheiro suficiente para comprar alimentos nos últimos 12 meses”) tem vindo a diminuir globalmente desde 2006 (ano em que 84% dos agregados, com ou sem crianças com idade inferior a 15 anos, diziam que tinham conseguido comprar os alimentos necessários), tendo sofrido uma descida acentuada de 2007 (80%) para 2008 (71%), fase correspondente ao início da crise financeira. Desde 2013 até 2015, a taxa manteve-se nos 69%. O estudo revela, ainda, que, em todos países da amostra, é possível concluir que a segurança alimentar é mais sensível ao rendimento nos agregados familiares com crianças com idades inferiores a 15 anos do que na população entre os 15 e 24 anos.

No entanto, a Unicef alerta: visto que não foram incluídos países para os quais não havia dados suficientes, a estimativa de insegurança alimentar nos agregados familiares pode estar subestimada a nível global.

O relatório não deixa de ressalvar, por fim, que é “indubitavelmente” diferente falar-se de insegurança alimentar em regiões como a África subsariana e a Europa, por exemplo.

Texto editado por Pedro Sales Dias

 

 

 


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