Pais Sem Pressa? Sim, é possível

Junho 28, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 8 de junho de 2017.

A psicóloga Inês Marques dá alguns conselhos aos pais para uma vida mais calma em família: criar um momento de atenção plena à criança todos os dias. Uma brincadeira escolhida por ela em que o que interessa é estar em interação e sintonia emocional com o pai, a mãe ou ambos. Tudo o resto pode esperar. Percorra a galeria para conhecer os outros.

Mais tempo em família, menos tecnologia, brincar até fartar, são algumas bases do movimento norte-americano Slow Parenting [Pais Sem Pressa]. Por cá, as ideias fazem eco. Há pais que tentam desacelerar a vida dos filhos, esticar o tempo para estarem juntos, viver mais devagar. Pais sem pressa? É complicado, mas não impossível.

Texto Sara Dias Oliveira

De um lado para o outro e o tempo não estica. Tentar chegar a horas. Casa, escola, trabalho, escola, casa e sempre a correr. O movimento Slow Parentig, Pais sem Pressa em português, tem raízes nos Estados Unidos e defende que é possível abrandar a rotina dos pais para desacelerar a dos filhos. Em nome do equilíbrio. Em nome da felicidade. A ideia não passa despercebida em Portugal. Não há um movimento organizado, mas há famílias que pensam no assunto. E que fazem o que podem.

Helena Gonçalves Rocha, terapeuta familiar, licenciada em Educação Especial e Reabilitação, é mãe do Guilherme de 17 anos e da Mariana de 12. Quando os filhos eram mais pequenos, fazia questão de não preencher os horários com atividades extra. No final do dia, chegavam a casa, punham a música bem alto e dançavam como se ninguém estivesse a vê-los.

E os banhos eram aproveitados para brincar e ouvir o que os filhos tinham para contar. «Ainda hoje um dos programas preferidos que nos ajuda a reforçar lados e a aprender são os passeios na natureza, observando as pequenas alterações, os animais que se movimentam, quanto tempo passámos nós a ver as formigas a trabalhar», conta.

filhos cresceram, as estratégias foram sendo afinadas. Uma vez por ano, vão para um sítio sem telemóveis, fazem campismo, apreciam um belo nascer do sol. «Temos o cuidado de construir memórias», diz. E como moram ao pé da praia, na margem sul do Tejo, com o mar à porta, e o marido, Rui Rocha, tem uma escola de surf na Costa de Caparica, miúdos e pai praticam surf. Helena fica na areia a tirar fotos das acrobacias no mar.

Descomplicar não é assim tão difícil e, na sua perspetiva, é importante. Usufruir das relações, das emoções, saber esperar e apreciar as pequenas coisas. É certo que os relógios não param e as rotinas têm horas marcadas. «Hoje em dia a pressão da perfeição faz que os pais queiram preparar os seus filhos o melhor possível. Preenchem os seus horários com todas as atividades possíveis para serem os melhores», diz.

Mas para a terapeuta familiar, que conhece o conceito dos Pais sem Pressa, não é difícil eliminar elementos de stress e criar momentos de maior prazer. «Os miúdos são muito mais simples e muito menos exigentes do que possamos pensar. Eles querem o adulto efetivamente com eles, sem hora marcada, sem tecnologia no meio, apenas apreciando.» E fica um conselho. «Experimentem a riqueza de se deitarem na relva e ver as nuvens correrem, parece simples, mas para os mais pequenos é todo um mundo.»

A felicidade é um pilar importante do movimento Pais sem Pressa. Aproveitar os pequenos prazeres da vida e passar o máximo de tempo em família também. Há pormenores que ajudam a desacelerar a rotina. Menos tecnologia e mais tempo em família, incentivar os filhos a fazer novas amizades, saber ouvir e saber observar, brincar até fartar, aprender sem compromissos e de forma espontânea, estabelecer limites e saber dizer não, encontrar tempo para esvaziar a mente, dar tempo aos filhos. Menos às vezes é mais.

Rebelo tem três filhos. Maria de 17 anos, Tomás de 15 e Matilde de 12. Criou o blogue «A Mãe da Maria» e foi aí que partilhou algumas considerações sobre o Slow Parenting. «Penso muitas vezes em como seria bom ter menos pressa quando estou com os meus filhos. Gostaria de ter o tempo suficiente, para não estar sempre a puxar por eles. Ou porque temos de sair a correr para o colégio, ou porque temos de ir jantar, que já é tarde, ou porque têm de ir dormir, que já passou a hora», escreveu no blogue.

Há 17 anos, quando a Maria nasceu, com uma deficiência única no mundo, a vida foi virada do avesso. Ana percebeu que não valia a pena fazer grandes planos, que o tempo é para ser vivido e aproveitado gota a gota. Teve mais dois filhos e, sempre que possível, tenta abrandar as rotinas mesmo com horários preenchidos. Maria anda na hipoterapia, Matilde no voleibol, Tomás deixou o judo e quer experimentar outro desporto.

Ana, que se diz uma «mãe cheia de pressa», executiva de profissão, que está a liderar a criação do Dia Nacional da Inclusão, em análise na Assembleia da República e lançou o livro A Mãe da Maria no ano passado, valoriza o tempo em família. Todos à mesa ao jantar, conversas durante a refeição, menos tempo com os olhos nas tecnologias. Quer que as suas crianças sejam felizes. «Olhar para eles com calma e serenidade, cada um tem o seu ritmo de desenvolvimento, a sua forma de estar na vida. Queremos estar mais tempo com eles e fazer aquilo de que gostam.»

O dia começa pouco antes das sete da manhã, à noite estão todos em casa pelas 19h30. Os textos e as fotografias para o blogue são, por vezes, tema de conversa às refeições. O que há para fazer e o que se quer fazer é sempre colocado à consideração da família. «A agenda é posta em avaliação e eles já sabem que a última decisão é dos pais», revela.

Tomás só teve permissão para ter Facebook no dia em que fez 14 anos. O mesmo acontecerá com Matilde. No entanto, há realidades que se impregnam, que fazem parte do sistema. «Os pedidos que as escolas fazem hoje em dia são inacreditáveis. Exigem mais horas de trabalho. Há aquela pressão para serem os melhores alunos e as escolas esquecem-se de lhes lembrar que têm de ser felizes», comenta.

sem pressa? Tentamos ser, mas é difícil, é quase como remar contra a maré», observa Ana, professora na Universidade de Aveiro. Ana, Brian, o marido inglês e professor na mesma universidade, e a filha Sara, de 13 anos, no 8º ano no ensino articulado, que toca harpa e pratica remo, levantam-se e deitam-se cedo – hábito importado do país de Brian. Jantam sempre juntos, não veem muita televisão.

«Tentamos não ter pressa de manhã, comer devagarinho, não ir a correr para a escola», conta. Mas Ana sabe que isso não acontece em muitas casas. «É muito fácil os miúdos não terem nenhum contacto com os pais durante a semana. De repente, não se conversou sobre nada. É preciso ter um bocadinho de tempo para estar e começar a falar», diz.

O tempo em família é fundamental. Vão ao cinema de vez em quando, a espetáculos culturais em Aveiro e no Porto, a feiras de antiguidades aos domingos perto de casa, passeiam a pé, andam muito de bicicleta. Os horários de professores universitários ajudam nesta desaceleração. «Temos um emprego que nos dá uma certa flexibilidade. Não temos de trabalhar das 09h00 às 19h00, como a maioria dos pais», comenta Brian.

Quando a Sara estava na creche, iam buscá-la o mais cedo possível, e desde pequena, até terminar a escola primária, liam livros de poesia depois do jantar. Em português e em inglês. E, enquanto a Sara ainda não sabia ler, faziam teatros para acompanhar os poemas. «Temos experiência de outra realidade que não é a portuguesa. Temos de descomplicar a vida», diz Brian.

Sara faz agora remo, depois de ter praticado natação durante vários anos. O regime de competição e os treinos que passaram a ser diários pesavam no horário e Sara saiu. «Devia haver uma articulação entre as escolas e as atividades extracurriculares, nomeadamente no desporto», comenta Brian. Como acontece no seu país.

No ano passado, viveram os três um ano em Cambridge. Ana e Brian focados nas suas investigações académicas, Sara na escola que começava às 08h30 e terminava às 15h30 todos os dias. Sobrava-lhe tempo para teatro e coro dentro da escola, atividades gratuitas. E ainda tocava harpa em algumas orquestras. Sara gostou desse ano em Cambridge.

«A minha vida não é muito agitada. Em Inglaterra, era mais tranquila», adianta. Ana nunca tinha ouvido falar no Movimento Pais sem Pressa e não tardou a pesquisar. «É uma ideia maravilhosa», comenta. «Todos os pais fazem o melhor que podem dentro dos parâmetros que têm», acrescenta Brian.

A opinião dos especialistas

O pediatra Mário Cordeiro está a escrever um livro sobre o assunto que se chamará precisamente Pais sem Pressa e será publicado em setembro, depois das férias escolares e antes da lufa-lufa do próximo ano letivo. Um livro com conselhos para os pais alterarem pequenas coisas que têm um enorme impacto na criação de momentos tranquilos, felizes, e mais adequados aos ritmos próprios da condição humana.

«Esta questão é fundamental atualmente. O problema desta desaceleração e agitação constante em tudo, designadamente na vida dos pais e das crianças, gera um enorme stress e, consequentemente, mal-estar psicológico, social e físico», diz o pediatra. Os dias dos mais pequenos são um grande exemplo. «No caso das crianças, desde que se levantam até que se deitam, atrevia-me a dizer que na maioria dos casos a pressão é enorme e constante. Na escola, onde chegam cansadas porque já tiveram horas de stress, de transportes, de arenga dos pais, o sistema de ensino-aprendizagem é cada vez mais desfasado do que deveria ser e mais ineficaz no sentido de desenvolver pessoas assertivas, competentes, solidárias, com inteligência emocional desenvolvida e felizes», diz Mário Cordeiro.

No entanto, não é possível reinventar a vida de um momento para o outro. O busílis da questão está nos estilos de vida, nas exigências no trabalho e na escola, nas condicionantes dos transportes e da habitação. Na própria organização social. «Muitas famílias têm uma vida infeliz e isso não tem que ver apenas com questões financeiras. É tempo de parar para pensar, para refletir, para questionar o que é que desejamos desta sociedade, e até que ponto a parentalidade não está a ser devorada pelo “mais do mesmo” ou pelo “gerir a crise”.»

«As tecnologias, ecrãs e internet, que são tão preciosos, dão-nos facilidade e tempo. Usar esse tempo para continuar numa parafernália vivencial, num redemoinho constante, numa exigência de “mais e mais”, é um autêntico tiro no pé, que se pagará muito caro – já se está a pagar – em termos de saúde física, mental e social», realça o pediatra.

Inês Afonso Marques, psicóloga clínica da Oficina de Psicologia, concorda que o tempo anda depressa de mais para as famílias. As crianças vivem a uma grande velocidade, com pouco tempo para sonharem, serem crianças, estarem sintonizadas com os pais. Na sua opinião, é fundamental desligar o piloto automático das rotinas semanais, entre escola, atividades extracurriculares, explicações, festas de aniversário.

«Exigir que as crianças vivam agendas apertadas como as dos pais é potenciar ansiedade. É, muitas vezes, exigir-lhes competências para as quais não estão, à partida, preparadas. Apressar as crianças é, muitas vezes, impossibilitá-las de sonhar. É tirar-lhes tempo para as verdadeiras brincadeiras da infância. E principalmente é fortalecer o distanciamento emocional», diz.

E é preciso não esquecer que a infância é uma espécie de tubo de ensaio em que se absorve tudo, experimenta-se, treinam-se competências e recursos essenciais ao longo da vida. «Viver em correria permanente é não ter possibilidade de assimilar experiências. É apressar sem se respeitar a individualidade.» E o movimento Pais sem Pressa defende exatamente uma educação com momentos de pausa, propícios à reflexão e à descoberta. O caminho é por aí.

 

 

Anúncios

VI Encontro da CPCJ da Amadora – “A Escola, a Criança e a Família: que caminhos?” com a participação de Isabel Porto do IAC

Junho 28, 2017 às 11:18 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

A Drª Isabel Porto do Projecto Rua do Instituto de Apoio à Criança irá participar com a comunicação “A intervenção com crianças e jovens multidesafiadores”.

mais informações:

http://www.cm-amadora.pt/1330-5-julho-a-escola-como-parceiro-fulcral-na-defesa-dos-direitos-das-criancas.html

 

Say No! – A campaign against online sexual coercion and extortion of children – Vídeo legendado em português

Junho 28, 2017 às 9:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

mais informações:

https://www.europol.europa.eu/activities-services/public-awareness-and-prevention-guides/online-sexual-coercion-and-extortion-crime

 

A brincar se seduz, manipula e convence. É a base da educação

Junho 28, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Texto do http://www.dn.pt/ de 28 de maio de 2017.

Tony Dias/Global Imagens

Desde o primeiro momento que a ligação entre pais e filhos se faz pelo brincar, é a receita para a felicidade e já tem um dia mundial

Leonor é a médica e a sala de brincar o consultório. Este é o espaço que dá acesso ao mundo da fantasia, aquele onde tudo é possível. Leonor abre a mala de médico – oferecida pelo avô -, veste a bata branca e coloca o estetoscópio ao pescoço. “Foi a melhor prenda da vida dela”, diz a mãe, Margarida Cerveira. No consultório está tudo a postos para a doutora de cinco anos começar a cuidar da borbulha da irmã Sofia, de 1 ano e meio. Usa um pouco de creme, que, como explica ao DN, “é para tirar as dores”. Enquanto isso, Frederico, de 7 anos, o mais velho dos três irmãos, diverte-se a montar legos com o amigo David. Não há tempo a perder, a hora de almoço está quase a acabar.

Duas vezes por semana, Margarida, psicóloga, e o marido, Artur Figueiredo, agente cultural, unem esforços para passar a hora de almoço com os filhos. Uma forma de tentar contrariar a correria do dia-a-dia. E sempre que possível brincam. “A base da educação parental é o brincar. É a linguagem que as crianças melhor entendem”, diz–nos a mãe. Mudaram de casa há pouco tempo e ainda não há televisão. “Não temos uma cultura televisiva”, explica. Ao fim de semana, Frederico dedica meia hora por dia aos jogos de computador. Não há tablets, nem o vício de mexer nos smartphones dos pais, que não se consideram extremistas, mas ressalvam que os preocupa que “os miúdos fiquem muito dependentes das máquinas”.

É no quarto de brincar que os três irmãos se divertem, soltam a imaginação. Da estante de livros tiram as histórias que querem ouvir à noite. Sofia sabe onde estão os seus, na prateleira de baixo. As bonecas, os puzzles, os jogos, as peças da Playmobil convivem com alguns brinquedos do tempo dos pais. A ideia é deixá-los brincar. E, sempre que possível, ao ar livre, no quintal, num parque ou na quinta dos avós. “A profissão deles é brincar”, frisa Margarida. “E gostam que brinquemos com eles”, acrescenta Artur. Para o casal, “devia ser obrigatório ter meia hora por dia para brincar com as crianças”.

A ideia de que as brincadeiras estão na base da educação é partilhada por Beatriz Pereira, investigadora do Centro de Investigação em Estudos da Criança, da Universidade do Minho, que falou com o DN a propósito do Dia Mundial do Brincar, que hoje se comemora: “É absolutamente indispensável que os pais brinquem com os filhos. Todas as famílias com crianças pequenas deviam ter acesso a condições que lhes permitissem fazê-lo, porque é preciso tempo.” Os primeiros contactos com o bebé e as formas de comunicação são lúdicas. “É através do jogo que são feitas as aprendizagens de cooperação, partilha, das regras”, prossegue a investigadora. Mesmo antes de nascer, o bebé já brinca. “Brinca na barriga da mãe e sabe-se, por registos ecográficos e outros estudos, que se entretém. Brinca e utiliza o seu próprio corpo para isso”, explica o pediatra Mário Cordeiro. Além de ouvirem, “os bebés veem desde muito cedo e apercebem-se de alguma luminosidade que chega através da parede abdominal da mãe”. Se calhar, “veem sombras chinesas e devem divertir-se a vê-las”, argumenta.

O pediatra diz: “O brincar com o seu corpo, com o dos pais e com os brinquedos ou com qualquer coisa que passe ou que esteja ao seu alcance é importante e uma brincadeira.” Só que os adultos estão tão ocupados que, por vezes, nem reparam em “como magníficas são as crianças a brincar… e a manipular, seduzir e convencer”.

Brincar pode parecer simples, mas é uma das atividades mais elaboradas. Mário Cordeiro diz que “desenvolve a criatividade, o imaginário, a imaginação, a alternância, o sentido figurativo e representativo, e a organização dos gestos, das falas e dos cenários”. E não exige brinquedos. “Os bebés servem-se do próprio corpo e brincam com as mãos e com os pés. Os mais velhos agarram em dois ou três objetos e fazem deles o que querem, inventam histórias e ações.”

Brincar, a receita da felicidade

Beatriz Pereira avisa que “uma criança que não brinca é infeliz”. “A vida das crianças estará em risco se não tiverem espaço e tempo para brincar.” A investigadora defende que “é absolutamente necessário que, até aos 6 anos, as crianças tenham grandes períodos para brincar livremente, sem orientação dos professores, e se possível ao ar livre”. Além de estar associado a estilos de vida ativos e saudáveis, brincar é “essencial para o desenvolvimento integral, onde se destaca o desenvolvimento motor, social, emocional e cognitivo”.

Quanto mais pequenas são as crianças, maior a necessidade de brincar. “É preciso que não tenham a agenda muito preenchida com atividades.” Outro entrave são, muitas vezes, as tecnologias. “Aparecem muitas vezes para dar lugar à falta de tempo dos pais para levar as crianças para espaços ao ar livre”, lamenta a investigadora da Universidade do Minho. Não se pode impedir que tenham contacto com a tecnologia, “mas é essencial brincar ao ar livre, o brincar espontâneo, sujar-se, esmurrar-se”. Para aprender os limites, a criança tem de saber até onde pode ir.

Cultura do “quero tudo, já”

Brincar é também aprender a lidar com sentimentos menos bons. “As brincadeiras reais, fantasistas, permitem à criança, desde muito cedo, sublimar algumas frustrações e aprender a gerir o stress e a contrariedade, o que é fundamental nos nossos dias, já que, na nossa sociedade, gravitamos muito à volta do “quero tudo, já!”, e qualquer obstáculo ou dificuldade é sentida como uma agressão do outro, levando a sentimentos de raiva, violência ou vitimização”, afirma Mário Cordeiro. Muitas vezes, a própria brincadeira serve para “ar- quitetar situações em que a criança pretende, afinal, exprimir as suas angústias, revelar o que vai na alma e dar sinal dos problemas que a atormentam”.

Através da brincadeira, defende o pediatra, “devemos fazer que se promova, nos nossos pequenos ecossistemas, culturas de segurança, de afetos, de gestão pacífica de conflitos e, antes de mais, uma cultura lúdica, de prazer e de brincadeira”. Dentro do Homo sapiens é preciso recuperar “o Homo ludens, ou seja, durante toda a vida, é preciso manter a parte da brincadeira e da criatividade (e de expressão de sentimentos) para que a vida seja mais longa, mais tranquila e com mais momentos de felicidade”.

 

 


Entries e comentários feeds.