O papel importante dos tios na vida das crianças

Junho 18, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 31 de maio de 2017.

Monica Leftwich

O papel de tio carinhoso na vida de uma criança deve ser valorizado e, mais importante do que isso, deve ser necessário.

No último ano, o meu cunhado e eu revezámo-nos a tomar conta dos filhos um do outro quase todos os fins-de-semana. Quer seja eu a ficar com os meus sobrinhos ou as minhas filhas a irem para casa dele, temos feito um bom trabalho em fazer com que os primos fiquem muito chegados.

É sempre uma balbúrdia elegante quando os miúdos estão juntos. Sim, no fim de uma semana com eles, a minha casa parece uma zona de catástrofe. O chão da minha cozinha está decorado com caixas de pizza abandonada e a quantidade de roupa suja duplicou. Mas posso criar laços com eles, especialmente com o meu sobrinho mais velho, de uma forma especial que não tenho com os meus filhos. Ele confessa-me as suas preocupações com a escola, as amizades em crise e outros temas sensíveis que pode não querer partilhar com outras pessoas. Por exemplo, ele não estava a ter bons resultados na disciplina de Inglês e estava demasiado assustado para contar logo aos pais, por isso desabafou comigo sobre a sua irritação enquanto jantávamos comida chinesa.

Tudo isto com a convicção de uma confiança verdadeira que ele vê em mim. Não como se eu fosse a “Tia Moni”, como me chama carinhosamente. Mas como se fosse uma boa amiga; uma amiga que escuta sem os juízos de valor e o sermão imediato que os pais dão quando recebem notícias desagradáveis sobre os filhos.

O mais bonito é que os papéis de tia (a figura de autoridade maternal que deve ser respeitada) e sobrinho (o jovem em crescimento com os seus próprios ideais e visão da vida) continuam a ser reconhecidos e cumpridos.

O papel de tio carinhoso na vida de uma criança deve ser valorizado e, mais importante do que isso, é necessário. Então, porque é que parece que os tios são algo subvalorizados na construção da “aldeia” que é necessária para criar uma família?

Melanie Notkin, fundadora do site SavvyAuntie.com, disse à Forbes que isto acontece porque “ao contrário dos pais, não há uma obrigação de ser tio: quando temos um filho, temos uma obrigação legal.” Os tios só têm de se envolver quando decidem envolver-se. Mas nunca se está a dar demasiado amor a uma criança. De facto, Notkin defende que quanto mais tios uma criança tem na sua vida, mais influências positivas pode vir a ter no resto da vida.

Os tios também podem ser os amigos adultos de que uma criança precisa. Por exemplo, uma criança pode sentir-se demasiado nervosa para falar com os pais sobre a paixoneta que tem na turma de Matemática ou sobre o rufia do recreio. Com certeza que querem abordar estes assuntos com alguém, mas podem sentir que os pais vão ficar desinteressados ou zangados em relação àquilo que os está a perturbar. Então, entra em cena o “tio fixe” que ouve sem as atitudes de juízos de valor e de presunção que os pais podem mostrar quando abordam temas sensíveis com os filhos. Os tios podem ter uma abordagem mais descontraída com os sobrinhos, oferecendo-lhes soluções diferentes e mais encorajadoras para os seus problemas. Têm mais probabilidade de contar aos sobrinhos histórias embaraçosas sobre os pais deles. Estas conversas (e outras mais divertidas) podem ajudar a solidificar uma relação poderosa de confiança entre os tios e os sobrinhos durante muitos anos.

Os tios não têm necessariamente de ser da família para serem influentes. Durante anos, assumi o papel de “tia” de várias crianças que não são da minha família. Quando converso com elas, estas meninas lindas lembram-se dos momentos divertidos que passaram com a “Miss Monica”. Por exemplo, levei a filha da minha amiga à praia pela primeira vez quando ela tinha oito anos. Agora, ela tem 14 e pede-me para a levar a nadar antes de pedir à mãe.

Então, como é que os tios que querem envolver-se mais nas vidas dos sobrinhos podem tornar-se exemplos positivos? Segundo Amy Goyer, uma perita familiar que trabalha com a associação AARP, ser mais aberto, escutar mais e não fazer juízos de valor ajuda a construir uma base de conforto e de confiança com uma criança. O contacto habitual com a criança através de SMS ou das redes sociais ajuda-os a reconhecer que se preocupa com eles e que tem um interesse genuíno no que se passa com eles. Goyer recomenda aos tios que estejam disponíveis para actividades de atletismo ou concertos dos sobrinhos ou para tomar conta deles ao fim-de-semana. Isto pode ajudar a criança a identificá-los como uma figura de confiança nas suas vidas, que vai estar sempre lá para os apoiar.

Desempenhar o papel do tio respeitado mas fixe e divertido pode incutir inspirações mais livres e imaginativas numa criança, lado-a-lado com os genes estruturados e habituais mais previsíveis, que eles recebem dos pais. Acima de tudo, os tios são capazes de fornecer a uma criança um tipo único de amor e influência que vai permanecer com eles no futuro.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post

Leftwich é uma escritora freelance que escreve sobre ser pai/mãe solteira, finanças e saúde da mulher. Encontre-a em monicaleftwich.com ou no Twitter em @moleftwich.

 

 

 

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