Jovens consomem muitas bebidas energéticas, apesar dos efeitos adversos

Junho 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 5 de junho de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Bebidas Energéticas: Qual a Realidade na Adolescência? / Liliana Branco… [et al].- Acta Pediátrica Portuguesa, v. 48, n. 2 (2017), p. 109-117

A obtenção de mais energia e de diversão por toda a noite foram os principais objectivos mencionados para o consumo de bebidas energéticas.

Lusa

Um estudo que envolveu centenas de adolescentes portugueses detectou uma elevada ingestão de bebidas energéticas, isolada ou associada ao álcool, apesar de este consumo não ser recomendado para esta idade devido aos seus potenciais efeitos adversos.

Publicado na edição de Abril/Junho da Acta Pediátrica Portuguesa, a revista oficial da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), o estudo Bebidas Energéticas: Qual a realidade na adolescência? foi elaborado por pediatras do Hospital da Senhora da Oliveira (Guimarães) e do Centro Hospitalar de São João (Porto).

Com base em respostas de 704 adolescentes, com idades compreendidas entre os 14 e os 19 anos, o estudo apurou que 76% já tinham experimentado bebidas energéticas, tendo a primeira ingestão ocorrido entre os 12 e os 15 anos em 85% dos casos.

Estas bebidas pertencem a um grupo de bebidas não alcoólicas com um elevado teor de cafeína e às quais são adicionadas outras substâncias, nomeadamente hidratos de carbono (glucoronolactona, dextrose, sacarose), aminoácidos (taurina), vitaminas (B riboflavina, piridoxina, L-carnitina) e extractos de plantas (ginseng, guaraná).

Entre os vários efeitos adversos destas bebidas estão a taquicardia, agitação, cefaleia, insónia, desidratação, tonturas, ansiedade, irritabilidade, tremores, aumento da tensão arterial e distúrbios gastrointestinais.

Alerta da OMS

Com o aumento da dose, os sintomas podem ter maior gravidade: convulsões, hemorragias, arritmias ou alucinações, “podendo mesmo levar à morte”, lê-se no artigo que cita vários artigos científicos já publicados sobre esta matéria. A crescente popularidade destas bebidas entre os adolescentes levou mesmo algumas organizações, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) a alertar para os seus efeitos prejudiciais e a recomendar que estas não sejam consumidas por crianças e adolescentes.

Em Portugal, existem poucos estudos relativos a esta temática que evidenciem a verdadeira realidade do consumo de bebidas energéticas na população dos adolescentes, pelo que este trabalho pretende caracterizar o seu padrão de consumo.

As respostas obtidas neste inquérito permitiram apurar que 63% dos adolescentes inquiridos ingeriram pelo menos uma bebida energética no último ano e que 74% as ingeriram durante as noites de fim-de-semana, com um consumo foi mais elevado por parte do género masculino.

A obtenção de mais energia (44%) e de diversão por toda a noite (34%) foram os principais objectivos mencionados para o consumo de bebidas energéticas, os quais mudam consoante o género. Os rapazes pretendem obter mais energia e melhorar o desempenho físico e as raparigas são movidas pela curiosidade.

A maioria (53%) não referiu qualquer efeito após o consumo de bebidas energéticas e, dos que referiram efeitos, os mais frequentes foram a obtenção de mais energia (21%) e o aumento da concentração (9%) no género masculino e a sensação de alegria (11%) no género feminino. Nenhum adolescente teve necessidade de recorrer a cuidados médicos. Em 59% dos consumidores foi observado o consumo associado de bebidas energéticas com álcool. A maioria (85%) associou esta bebida a vodka.

“Os objectivos predominantes para este tipo de consumo foram melhorar o sabor das bebidas alcoólicas (76%) e prolongar a diversão (37%), não se tendo verificado diferenças entre os géneros em nenhum dos objectivos”, lê-se no artigo.

Os autores do estudo apontam o grande marketing imposto pelas diversas empresas em áreas atractivas para os adolescentes, que tem como principal público-alvo os jovens do género masculino como “uma das prováveis razões para esta maior ingestão” de bebidas energéticas. Por outro lado, prosseguem, “a falta de regulamentação relativamente à comercialização das bebidas energéticas torna-as de fácil acesso, sem restrições legais à sua venda, tal como foi observado neste estudo, em que a maioria dos consumidores referiu já ter alguma vez comprado uma bebida energética”.

Perante “a elevada ingestão de bebidas energéticas detectada nos adolescentes deste estudo”, os autores consideram essencial “aumentar a consciencialização das crianças, adolescentes, encarregados de educação, professores e sociedade no geral para este tipo de consumo e os seus riscos”.

 

 

 

Bullying na Primeira Pessoa – 9 de junho Auditório do ISMAT em Portimão

Junho 7, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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https://www.facebook.com/aeismat/

http://www.ismat.pt/pt/

Uma em cada dez crianças já foi vítima de cyberbullying

Junho 7, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Um em cada 10 alunos portugueses já foi vítima de cyberbullying. Os números constam de um estudo da investigadora Luzia Pinheiro da Universidade do Minho, que se baseou em cerca de 200 inquéritos. O cyberbullying caracteriza-se pelo ataque através de insultos, difamação, intimidação, ameaça ou perseguição intencional e sistemática na Internet e não acontece apenas entre jovens.

Veja AQUI o vídeo.

A cadela Mel vai à escola ajudar crianças com autismo

Junho 7, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do https://www.publico.pt/de 19 de maio de 2017.

A Mel é uma cadela golden retriever de 18 meses treinada para ajudar crianças com dificuldades Nelson Garrido

Projecto de terapia com cães em contexto escolar está em fase-piloto em Coimbra. Sessões ajudam a desenvolver a comunicação, a concentração e as competências sociais das crianças.

Camilo Soldado Paulo tem um autocolante vermelho na mão direita e outro azul na esquerda. Ana Barbosa Ribeiro, a técnica de terapia assistida, aponta para Mel – que tem também autocolantes coloridos iguais nas patas – e vai perguntando a Paulo, com seis e a frequentar o 1.º ano, (a pedido da escola não o identificamos pelo seu verdadeiro nome) qual corresponde a qual. A Mel é uma cadela golden retriever de 18 meses especialmente treinada para ajudar crianças com dificuldades.

Estas sessões de cinoterapia fazem parte de um projecto implementado na Escola Básica do Tovim, em Coimbra, pelo Centro de Apoio Social de Pais e Amigos da Escola (CASPAE), uma Instituição Particulares de Solidariedade Social, e envolve actualmente quatro crianças com autismo. O projecto funciona em contexto escolar. Além da cadela Mel e da técnica de terapia assistida Ana Ribeiro, fazem parte do projecto uma psicóloga e especialistas do estabelecimento do Agrupamento de Escolas Eugénio de Castro, que tem uma unidade de ensino estruturado para autistas.

A psicóloga Cátia Rodrigues, coordenadora do projecto de cinoterapia, explica que, depois de feito o diagnóstico das crianças, o plano de intervenção é desenhado de acordo com a necessidade de cada uma. Mel ajuda as crianças a treinar a capacidade de concentração, as competências sociais e de comunicação. Um dos objectivos é que “aprendam a ter comportamentos nos momentos adequados, como um bom dia, uma boa tarde, [a fazer] contacto visual com o outro ou a ter uma postura corporal adequada ao que está a sentir na altura”. Outro dos aspectos trabalhados é a psicomotricidade, como a diferença entre esquerda e direita, em exercícios como os que Paulo faz com os autocolantes.

O cão também tem horário

“As crianças com autismo têm hipersensibilidade a estímulos”, afirma Cátia Rodrigues, pelo que o simples toque no pêlo do cão já “é extraordinário para eles”. Olhar para a Mel é também terapia. “Por norma, uma criança com autismo não olha nos olhos de um adulto.” Mas se lhe pedem para descrever o focinho da cadela, a criança “vai indicar-nos os olhos e mantém-se ali a olhar”.

As sessões acontecem duas vezes por semana, podem ser em grupo ou individuais, e os exercícios dependem do plano de intervenção de cada criança. Para além das horas com a cadela, as crianças estão integradas em turmas com os restantes alunos. A terapia “influencia a interacção com os próprios colegas”, garante Carmen Cruz, coordenadora da Escola Básica do Tovim.

No sentido contrário, o facto de estes alunos frequentarem este espaço também tem efeito nas outras crianças da escola do Tovim. A responsável explica que ter contacto desde tão cedo com condições diferentes faz com que as restantes crianças lidem com a diferença e apreendam valores como “o altruísmo e a empatia”. Que “se coloquem no lugar do outro”, sintetiza.

O projecto está na fase-piloto e arrancou no final do ano lectivo passado. A presidente do CASPAE, Emília Bigotte, explica que há a possibilidade de alargá-lo a mais crianças, mas teria que envolver mais equipas e mais animais, o que está dependente de financiamento. “O cão também tem o seu horário de trabalho”, lembra a responsável, acrescentando que Mel e Ana Barbosa Ribeiro trabalham em regime de voluntariado.

Ultrapassar a fobia

Gaspar (nome fictício), também com seis anos e perito em puzzles, está ver um vídeo de desenhos animados com cães projectado numa tela da sala da escola onde anda no 1.º ano, enquanto Mel espera pacientemente sentada numa cadeira ao lado. Ver os episódios da Patrulha Pata, refere Cátia Rodrigues, é um dos métodos para combater a fobia a cães, caso de Gaspar que tem medo deles.

Márcia Sarapicos é a mãe da Matilde, uma das crianças que participa nas sessões de terapia com a Mel. Conta que aceitou que a filha, de 10 anos, participasse no programa porque ela “entrava em pânico quando via um cão na rua”. Matilde, a frequentar o 4.º ano, gosta de animais, mas tem medo. Agora, depois de um ano de terapia, já se notam progressos. “Já vai fazer festas”, diz Márcia Sarapicos. E “mesmo na parte da comunicação, também teve alguma evolução”.

É esta vertente que Cátia Rodrigues também está a estudar. Ao longo da fase-piloto, a psicóloga tem vindo a avaliar a eficácia do tratamento, com atenção à parte cognitiva, a comportamentos sociais e à parte comunicacional, tendo igualmente em conta o contexto sociodemográfico destas crianças. No próximo mês já deve ter resultados.

Apesar de o projecto ainda estar numa fase inicial e de ainda não haver resultados científicos, o impacto que as sessões têm nas crianças é observável, diz. A satisfação de Paulo está patente no rasgado sorriso que ostenta enquanto leva Mel pela trela a percorrer uma linha recta. O sorriso de Paulo é também descritível através de uma reacção química. Cátia Rodrigues refere que o contacto com o animal activa uma parte superfrontal do cérebro, num processo em que este vai produzir um neurotransmissor chamado oxitocina, que está associado à sensação de bem-estar. No sentido contrário, a produção da oxitocina vai diminuir outros neurotransmissores como o cortisol, “que aumenta o stress e a ansiedade”. “Daí as crianças terem uma melhor interacção com o cão do que connosco.”

Esse contacto com o animal leva a outros pequenos passos. Cátia Rodrigues conta que uma das crianças que frequentaram o programa tinha mutismo selectivo, perturbação na infância ligada à ansiedade ou fobia sociais. Não falava com os elementos do projecto nem com professores que não conhecia. “Ela saiu do projecto a dizer bom dia. São pequenas vitórias, mas que são grandes vitórias.”

Quase 2000 em unidades para o autismo

No presente ano lectivo, 903 crianças do 1.º ciclo estão a frequentar unidades de ensino viradas para a educação de alunos com perturbações do espectro do autismo, que se destinam aos casos mais severos. No conjunto do ensino básico, este número sobe para 1783. Já no ensino secundário desce para 161, o que mostra que muitos destes alunos não chegam a este nível de ensino, apesar de estar incluído na escolaridade obrigatória.

Os alunos com espectro do autismo podem requerer condições especiais para realizar as provas de aferição ou os exames. No ano passado, no conjunto do ensino básico, houve 530 alunos que, por essa razão, pediram a realização de provas adaptadas. Destes, 139 estavam no 2.º ano de escolaridade, em que a idade média de frequência ronda os sete anos. O maior grupo, com 218 alunos, frequentava o 9.º ano de escolaridade. C.V.

 

Como superar um trauma de infância?

Junho 7, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Traumas normalmente estão sempre associados ao mal-estar por uma experiência percebida como “péssima”, sentida como negativa, vivenciado como dor física ou emocional ou sensação de grande e forte susto. Nem sempre a realidade é igual à interpretação dada por cada um e por isso, mais do que o fato em si, o que determinar o trauma é como a pessoa foi capaz de lidar com essa vivência, como associou e registou essa memória ruim.

O mais falado e que que parece o mais famoso dos traumas é o chamado “trauma de infância”, justamente, pela imaturidade e fragilidade emocional e física da idade. As crianças, normalmente, não têm uma estrutura já formada para lidar com o impacto de algo pesado, doloroso ou profundamente negativo.

Como uma experiência pode se tornar um trauma de infância?

O trauma emocional é a consequência de algum tipo de mal-estar, dano ou lesão emocional proveniente de algum tipo de situação, fato ou acontecimento vivido. Aquilo que foi vivido e concebido como negativo tem impacto direto nas emoções de:

  • Medo
  • Insegurança
  • Fragilidade.

Isso tudo acaba gerando grande estresse e como consequência uma grande exacerbação do sistema interno de autoproteção (fuga ou ataque). O cérebro passa a trabalhar em alerta o que gera profundo desgaste e problemas gerais, tais como: aumento significativo de ansiedade e/ou sintomas de depressão.

Os fatos que mais marcaram e seguem como de maior problema em casos de traumas de infância, e em outras épocas também, são:

  • Violência
  • Maus-tratos
  • Doenças
  • Perdas de pessoas próximas
  • Abandono
  • Mudanças significativas de maneira de viver a vida.

Situações assim podem ser traumáticas para qualquer um em qualquer idade. Na infância, esse tipo de experiência negativa pode mesmo ser algo ainda maior, mais sério e marcante. Com isso, aquilo vivido há anos atrás de forma traumática poderá ter desdobramentos mais importantes ao longo da vida.
Todo evento se torna um trauma de infância?

Nem sempre! Há quem tenha vivido algo negativo mais foi capaz de se superar e seguir em frente. É muito difícil imaginar uma vida “blindada” e sem problemas. O mais comum é conseguir ser resiliente e ser capaz de superar o passado com foco no presente e objetivos maiores para o futuro.

Por outro lado, quem viveu um terrível trauma na infância pode não se lembrar dele – existe um mecanismo de proteção interno de negação, não aceitar que algo aconteceu, e com isso, o “esquecimento” -, como habitualmente as crianças não registram vários fatos da infância, nem positivos, nem negativos. Mas esse tipo de situação é pouco comum, no sentido que normalmente os pais, escolas ou responsáveis estão por perto e estão atentos e costumam ter algumas referências sobre a vida dessa criança.

Como os traumas de infância são tratados?

Existem tratamentos específicos para cura e resgate de memórias adormecidas, porém, há um “romantismo” e uma distorção de como a mente humana realmente funciona. É errado achar a cura é algo passivo. Fantasia-se muito que que há um ponto ?escuro? no passado de alguém e que através de técnicas como hipnose (essa técnica é ótima, mas há um mito de como deve ser usada), por exemplo, o acesso a esse passado vai acontecer quase que por si só e isso seria já a cura efetiva e zero de trabalho ou ação desse paciente para o bem-estar duradouro.

Quando há um problema na infância, como um trauma, podemos pensar em alguns pontos:

  • O fato em si, o que houve
  • Como a pessoa foi capaz de lidar com esse problema, se ela foi capaz de superar e de seguir em frente
  • Quais escolhas ela fez algo longo da vida
  • Se as ações posteriores foram de cura e bem estar ou opções que pioram gritantemente o problema inicial.

Os maiores problemas costumam estar no presente e na forma com as pessoas lidam com suas vidas. É claro, sem dúvida alguma, que traumas merecem atenção e tratamento. Eu mesma sou especialistas em várias técnicas de cura de traumas, pois acredito mesmo no poder de cura nesse modelo. Porém, vejo com grande preocupação a simplificação do processo, como se o passado fosse maior do que as escolhas no presente. Vejo constantemente pessoas no meu consultório perdidas na ideias de superar o passado sem nem olhar o que estão fazendo no presente, as consequências de suas escolhas e ações ou mesmo que tipo de objetivos vão criar para o futuro.

Podemos compreender que a cura é maior que o trauma passado. A cura vai além do que já foi. É também a estruturação do presente e futuro. É um trabalho de fortalecimento e desenvolvimento de habilidades e emoções. A vida pode ser leve e plena. Estruture suas ideias para cura. Sucesso naquilo que busca e até breve.

Por Adriana de Araujo para o site psicologiasdobrasil.com.br


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