6 respostas emocionalmente apropriadas para dar às crianças

Maio 31, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.psicologiasdobrasil.com.br/ de 10 de abril de 2017.

Sejam como forem as crianças, é muito importante dar-lhes respostas emocionalmente apropriadas diante dos comentários negativos que fazem sobre si mesmas. Principalmente quando falam delas mesmas na primeira pessoa, costumam deixar entrever que nível de autoconfiança percebida elas têm.

Significa dizer que não podemos achar que comentários cotidianos do tipo “não posso”, “vou fazer tudo errado”, “não tem sentido” ou “vou passar vergonha”, “não tem nada de interessante para fazer”, não têm um pano de fundo importante que pode ser reflexo de uma baixa autoestima.

Saber resolver estas situações nos ajuda a construir um afeto saudável e uma habilidade de reflexão que se torna prioritária desde a mais tenra infância. Então, considerando a importância de não negar nunca um sentimento, podemos usar uma série de respostas que as façam repensar esse tipo de afirmações tão prejudiciais. Vejamos alguns exemplos:

 

Respostas emocionalmente apropriadas para crianças

 

1. “Não consigo fazer isso”, a joia da coroa

 

Consideramos que “não consigo fazer isso” é a joia da coroa porque a grande maioria das pessoas têm isso incorporado no seu diálogo interior (às vezes até mesmo exterior) desde pequenos.

Esta é uma frase coringa que denota cansaço, falta de energia, apatia e pouca confiança em si mesmo. Costumamos responder com um “sim você pode”, às vezes acompanhado de reforços horríveis como “não diga bobagem”, ou “não seja preguiçoso”.

Como podemos ajudá-las a questionar esse pensamento e essa atitude? Em primeiro lugar, cabe destacar que muitas vezes a melhor forma de fazer isso é responder com perguntas do tipo:

O que significa “não consigo”?

Que provas você tem de que realmente não consegue?

Como você sabe que não consegue se você não tentar o bastante?

Você acha que dizer “não consigo” ajuda você ou prejudica? Não diga “não consigo”, diga “é difícil mas eu consigo”.

 

2.“Não tenho vontade, não vou fazer isso”

 

A preguiça e o desinteresse diante de certas tarefas se apresentam como a norma em determinados momentos. Pode ser desesperador, mas as crianças precisam entender que existem atividades que precisam realizar para o seu próprio bem.

A forma de permitir que se questionem é mandando-lhes a seguinte mensagem: não diga “não tenho vontade, eu não vou fazer isso”, diga “eu vou fazer isso, mesmo que eu não tenha vontade de fazê-lo agora”.

No fim das contas trata-se de propor perguntas como “O que aconteceria se todos fizéssemos somente o que temos vontade o tempo todo? Será que nunca temos que fazer nada que não temos vontade? Você já imaginou um mundo onde ninguém se esforçasse por nada? Você já imaginou se um motorista cansasse de respeitar as regras de trânsito? Ou que um médico se cansasse de curar os outros?”

Este tipo de perguntas as ajudam a refletir sobre a sua falta de vontade e as incentivam a mudar a sua atitude.

 

3.“Não quero fazer isso, sinto vergonha”

 

Rir da vergonha alheia é uma coisa bastante cruel. Longe de aliviar o assunto, o incentivamos. Se rimos diante de um sentimento que implica um certo grau de sofrimento, estamos zombando de uma nudez emocional. Precisamos transmitir uma mensagem de segurança que deixe claro que não é melhor que ninguém perceba, mas que as pessoas o ajudarão e sentirão empatia como regra comum.

 

4.“Estou cansado/ triste/ chateado”

 

Negar seus sentimentos e suas reações emocionais é um grave erro que a grande maioria de nós comete normalmente. Não é de estranhar, pois desde pequenos, diante do nosso choro, diziam pra nós “não chore, não é nada”. Existem expressões emocionais que se tornam desconfortáveis para a maioria da sociedade, mas negar isso é apagar uma parte importantíssima tanto das crianças como dos adultos.

 

5.Não rotule a criança de “desajeitado”, “burro”, “bobo”

 

Isto não ajuda em nada a desenvolver uma autoestima saudável. Quando a criança fizer alguma coisa de errado, existem muitas formas de dizer isso a ela: “não é certo você bater nos seus irmãos, você não tem que quebrar os brinquedos, você precisa se esforçar um pouco mais para estudar matemática.”

 

6.Mas também não diga que é “esperto”, “bonzinho” ou “inteligente”

 

O menino ou menina não compreenderá em que está fundamentada a sua afirmação se referindo a ele ou ela dessa forma. Em vez disso, você pode dizer: “você fez a tarefa muito bem, você recolheu tudo direito, adoro ver você pintar.” Isto é, podemos julgar seus comportamentos, mas não devemos julgar a criança.

Lembremos que se quisermos chegar a elas, nossas palavras precisam ter um tom apropriado, e nunca representar um ataque. Falar com elas com carinho e com um tom compreensivo é a base de uma boa criação e dos grandes aprendizados. Lembre-se de que é em você que eles têm a referência psicológica e buscam respostas, e assuma as rédeas da sua educação da forma mais responsável possível.

Imagem de capa: Shutterstock/Sapunkele

TEXTO ORIGINAL DE A MENTE E MARAVILHOSA

 

 

Dia Mundial da Criança na Livraria Lello

Maio 31, 2017 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Dia Mundial da Criança

No Dia Mundial da Criança, a Livraria Lello sai de portas para uma sessão especial do “Conto de magia” no Hospital Pediátrico Integrado do Centro Hospitalar de São João, no Porto. A sessão terá início pelas 9h30, a cargo da “Fada da Livraria Lello” que irá ler o livro Na livraria mais bonita do mundo, uma edição da própria livraria, a 40 crianças. Esta ação tem o apoio da Fundação Millennium BCP. Na Livraria Lello, recebemos grupos de crianças de várias instituições de ensino. Neste dia, todos os menores de 12 anos têm entrada livre na Livraria Lello, desde que acompanhados por encarregados de educação.

https://www.facebook.com/LivrariaLello/

 

Meros “observadores”? Reconhecer a violência sexual desde a escola

Maio 31, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 22 de maio de 2017.

Uma adolescente ouve um comentário obsceno de um colega por causa da mini-saia. O director de turma diz-lhe que deve ter percebido mal, ou que o colega não percebeu que ficou chateada. E talvez devesse vestir-se de forma mais discreta. Situações semelhantes a esta acontecem no quotidiano das escolas portuguesas. Alunos, professores e funcionários têm dificuldade em lidar com casos de assédio sexual em contexto escolar — e a culpa recai muitas vezes sobre as próprias vítimas.

“É preciso que a direcção da escola não coloque em igualdade de circunstância o comportamento da vítima e o do agressor”, alerta Maria José Magalhães, docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto e presidente UMAR — União de Mulheres Alternativa e Resposta. “Se alguém vai fazer queixinhas, então… Será que está a dizer a verdade? Suspeita-se das vítimas e das pessoas que vão apresentar a situação que viram. É uma cultura que temos que mudar.”

Maria José Magalhães lidera o Bystanders: desenvolver respostas ao assédio sexual, um projecto europeu que procura caminhos para aumentar a consciência e trabalhar as possíveis respostas a estes casos nas escolas. O Bystanders (“observadores”, em tradução livre) foca-se no assédio sexual — a atenção sexual indesejada, física ou verbal, online ou offline — em contexto escolar. “Quando um jovem vê uma colega a ser vítima de assédio, tem primeiro que saber identificar que é assédio, saber que é violência. Depois, se é uma situação em que pode intervir, [fazê-lo] tendo em conta a segurança da vítima e a sua própria segurança”, descreve Maria José Magalhães.

Os jovens têm dificuldade em identificar este tipo de violência? “Sim e não”, refere Tatiana Mendes, técnica da UMAR no projecto Art’hemis+, que actua em cerca de 25 escolas de Braga, Porto, Coimbra e Lisboa. “Apesar de reconhecerem as situações de assédio sexual, as raparigas, que vivem isto de forma rotineira e desde cedo, também as naturalizam”, explica ao PÚBLICO.

O problema, lamenta, é que “não há um reconhecimento social desta violência”. “Compreende-se que as mulheres não denunciem, porque isso implica por vezes consequências muito piores para elas do que se mantiverem a situação em segredo”, prossegue.

O projecto Art’hemis trabalha há mais de dois anos com comunidades escolares, do jardim de infância ao ensino secundário, para prevenir a violência de género. “O processo de socialização vai acontecendo desde cedo, com modelos diferentes associados a homens e mulheres, por exemplo, de agressividade e submissão. Daí ser importante actuarmos o mais precocemente possível.”

 

 

 

5 ideias para pôr o seu filho a falar português

Maio 31, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://portcast.net/ de 5 de maio de 2017.

por Catarina Stichini

Enquanto professora de Português Língua de Herança e mãe de uma criança bilingue que vive fora de Portugal, sou frequentemente confrontada com a dificuldade dos pais em pôr os filhos a falar português. Promover a competência comunicativa de crianças bilingues faz parte do meu dia-a-dia e, muito provavelmente, do seu.

Como havemos então de ajudar os nossos filhos neste fabuloso processo? Apesar de acreditar que há muito que fazemos bem, de forma instintiva, parece-me importante estar a par dos estudos realizados no campo do bilinguismo.

Bilinguismo

Atualmente, as vantagens do bilinguismo pertencem quase ao âmbito do senso comum no que diz respeito tanto ao nível socioeconómico (com benefícios óbvios num mundo globalizado) como ao nível cognitivo, uma vez que os indivíduos que crescem recorrendo a duas línguas revelam maior capacidade de concentração, planificação e resolução de problemas, e maior flexibilidade mental. No estudo The impact of bilingualism on brain reserve and metabolic connectivity in Alzheimer’s dementia, de Perani et al. (2016), foram ainda estabelecidas relações entre um elevado nível de bilinguismo e a resistência à demência e à doença de Alzheimer.

É neste contexto, e para facilitar o contacto com a família, que, na minha opinião, cresce nos pais o interesse em desenvolver as competências linguísticas dos filhos residentes no estrangeiro. No entanto, muitos são os pais que ficam frustrados e desistem quando os filhos respondem constantemente na língua mais forte, do país onde moram, e se recusam a falar português. Se esse é o seu caso, aqui fica o meu conselho: não desista, nunca!

Num estudo realizado em 2012 com crianças de 18, 30 e 42 meses, Meredith Rowe, da Harvard Graduate School of Education, concluiu serem determinantes para a competência e variedade lexical das crianças fatores como:

a quantidade de vocabulário a que tinham sido expostas um ano antes;

a utilização de vocabulário diversificado e sofisticado com crianças com idades compreendidas entre um e três anos;

o contar de estórias a crianças em idade pré-escolar.

A exposição à língua é, pois, fundamental para a sua aquisição e aprendizagem e, mesmo que os seus filhos pareçam indiferentes aos seus esforços, a verdade é que estão a ouvir e a assimilar tudo o que lhes diz. Sugiro, assim, que sempre que possível transforme o uso da língua num jogo divertido e variado, que constitua um desafio e que os leve a falar sem dar por isso.

5 ideias para falar português

Aqui ficam 5 estratégias que uso em casa para pôr o meu filho de seis anos a falar português:

  1. Jogo de pistas

Num passeio pelo bairro, proponho uma série de tarefas ao meu filho (por vezes acompanhado por amigos) como, por exemplo, encontrar a estátua de uma mulher sentada, percorrer uma determinada distância ao pé-coxinho, dizer-me com quantos gelados ficamos se tivermos seis e os dividirmos entre nós, ou levar-me a uma loja onde posso comprar jornais. Após a resolução de cada tarefa, as crianças recebem uma letra, devendo utilizá-las no fim para construir uma palavra. Desenvolve a competência leitora, a curiosidade, a motricidade grossa e a relação com o meio.

  1. Um papagaio português

Mais simples não podia ser: sempre que o meu filho fala em sueco comigo, repito em português o que me disse, geralmente em forma de pergunta, como se quisesse confirmar que o entendi bem. Por vezes, introduzo informação errada, propositadamente, para provocar uma reação. Quanto mais tonta for a sugestão, melhor! Mesmo que ele não mude automaticamente para o português, assim exponho-o à língua de uma forma contrastiva e contextualizada, que faz sentido para ele, e vou introduzindo expressões novas no seu vocabulário. Desenvolve a compreensão e a expressão orais, a pronúncia e o léxico.

  1. Lista de compras

Faço listas de compras em português e leio-as no supermercado, pedindo ao meu filho que encontre os produtos mencionados. Por cada cinco produtos identificados corretamente, pode acrescentar outro à sua escolha (o tipo de produtos pode ser decidido anteriormente, em conjunto). Desenvolve a competência leitora, o léxico e a autonomia.

  1. Quem sabe mais palavras?

Com este jogo tentamos ver quem consegue traduzir mais palavras ou expressões, no nosso caso, do português para o sueco e vice-versa. Quando era pequena, passava horas assim entretida com um primo, na altura desafiávamo-nos mutuamente em inglês, e agora promovo-o com a família, quando vamos passear ou durante as refeições. Desenvolve o léxico, a pronúncia e atos de fala.

 

  1. E agora, o que achas que vai acontecer a seguir?

As estórias são um ensaio, uma preparação para a vida, e devem assumir tantos formatos quanto possível. Cá em casa, fazem parte do nosso quotidiano. Eis algumas das formas como as uso para desenvolver a competência linguística do meu filho:

No sofá da sala – Muitas vezes, quando o meu filho diz que não quer ler, sento-me na sala e leio alto. Passado pouco tempo, tenho-o ao meu lado a seguir a estória e a fazer perguntas.

Na biblioteca – Ir à biblioteca é uma ocasião especial em que vemos as novidades, lemos alguns livros e trazemos outros para casa. Tentamos ir uma vez por mês e toda a visita, do princípio ao fim, é quase como uma festa, um banquete de estórias.

Em viagem – Quando temos pela frente uma viagem de carro ou comboio mais longa, ouvimos audiolivros. Também ouvimos, cantamos e discutimos música em português.

Ao deitar – Todas as noites, lemos 15 minutos em português e 15 minutos em sueco, na cama. São raras as vezes em que o meu filho não nos pede para lermos só mais uma estória ou só mais uma página. Quando acabamos, gosta de ouvir música ou podcasts até adormecer.

Trataremos em posts futuros diferentes estratégias para trabalhar a leitura. Para já: leia, ouça e discuta diversos tipos de textos e livros que interessem aos seus filhos. Não se limite àquilo que gostaria que lessem. Além de contos infantis ou tradicionais, aventuras e Banda Desenhada, tenha também ao seu alcance, por exemplo, livros mais fatuais e informativos, guias de viagem, compilações de anedotas, jornais e revistas.

Desenvolve tudo e mais alguma coisa! O léxico, a compreensão e expressão orais e escritas, a curiosidade, a imaginação, o gosto pela leitura, o raciocínio lógico e a capacidade argumentativa.

Resumindo…

Estas são apenas algumas ideias que resultam bem cá em casa. O importante é variar e adaptar as estratégias ao contexto em que se encontra, e de acordo com a idade e os interesses das crianças que estão consigo.

Divirta-se, insista, e vai ver que os seus filhos, não tarda, falam português!

E, já agora, diga-nos que estratégias usa aí em casa!

Sugerimos também:

 

Créditos

Imagem de destaque: Catarina Bandeira

Catarina Stichini é professora há mais de vinte anos, tendo já lecionado do ensino infantil ao universitário. Em 2014, foi nomeada para o Prémio de Melhor Professor da Universidade de Estocolmo, na Suécia, país onde é atualmente professora de Português Língua de Herança. Dedica parte do seu tempo ao www.portcast.net, uma plataforma para a aprendizagem de português através de podcasts. Tem um filho luso-sueco com 6 anos.

Catarina Bandeira é desde muito cedo apaixonada por Fotografia, tendo concluído a Licenciatura na Universidade Lusófona, em 2015. Após estágio na Agenda Cultural de Lisboa, entrou, ainda nesse ano, ao serviço do Estúdio Fotográfico Studio8A. Aqui realizou trabalho de estúdio, fotografou eventos e orientou workshops de fotografia e Photoshop. É fotógrafa independente.

 

 

 


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