“Os filhos fechados em casa não estão mais seguros” Entrevista de Manuel Coutinho do IAC ao JN

Maio 5, 2017 às 4:50 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) ao Jornal de Notícias de 30 de abril de 2017.

 

Manuela Eanes pressiona PGR a bloquear Baleia Azul

Maio 5, 2017 às 3:30 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 5 de maio de 2017.

Manuela Eanes | Ângelo Lucas / Global Imagens

Presidente honorária do Instituto de Apoio à Criança está a reunir apoios para convencer Joana Marques Vidal a bloquear links

“O desafio Baleia Azul é um assunto tão grave que não pode esperar uma semana nem um dia. Temos que atuar já, antes que morra algum jovem”. O alerta foi dado por Manuela Ramalho Eanes, a presidente honorária do Instituto de Apoio à Criança (IAC), que durante o dia de ontem reuniu apoios de alguns nomes conhecidos na defesa dos direitos dos menores para tentar sensibilizar a procuradora–geral da República, Joana Marques Vidal, a “acelerar o bloqueio de links” como o caminho mais curto para prevenir o risco.

Em declarações ao DN, à margem do quarto Fórum Abrigo, que decorreu no Montijo, Manuela Ramalho Eanes sustentou estar em causa “um crime”, pelo que, diz: “Aqui não se pode falar em liberdade. Não podemos esperar que um menor se automutile ou se suicide e não fazermos nada para o evitar. O perigo está iminente”, insistiu, acrescentando que a procuradora “é uma a pessoa muito sensível e vai perceber como é inaceitável que se esteja à espera para agir”.

A presidente honorária do IAC lamentava os quatro casos já conhecidos no país, de jovens que, alegadamente, se automutilaram no desafio da Baleia Azul – um “jogo” que terá origem numa rede social da Rússia, onde mais de cem jovens já se suicidaram – numa altura em que o Ministério Público já abriu quatro inquéritos e a PJ investiga, em contacto com os inspetores da Unidade Nacional do Crime Informático, para tentar seguir o rasto dos curadores do jogo e perceber se há portugueses envolvidos ou se as ordens vêm todas de fora do país. O JN escreveu que a adolescente de Matosinhos, internada no Porto, recebia ordens de um brasileiro, que lhe ligava de madrugada.

“Temos uma unidade de cibercrime que funciona muito bem na PGR, mas os links têm de ser bloqueados por ordem do Ministério Público, porque estão em causa vidas humanas e há que prevenir”, alertou Manuela Eanes.

Ao seu lado nesta causa já tem nomes como Laborinho Lúcio, juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça jubilado, Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, e Luís Villas-Boas, diretor do Refúgio Aboim Ascensão.

Armando Leandro admitiu estar atento ao fenómeno. “Iremos atuar, caso haja jovens com menos de 18 anos envolvidos no jogo”, disse. Já Laborinho Lúcio aponta o dedo ao fácil acesso dos menores à internet, perante o distanciamento dos pais.

“Os educadores têm cada vez menos tempo para estarem com as crianças e elas acabam por ser libertadas para uma vontade imediata”, sublinhou, destacando que é neste quadro que se inscreve a apetência dos jovens por desafios como a Baleia Azul. “Nós deixámos instalar na sociedade uma grande violência e hoje os jovens têm uma expressão muito violenta na sua relação. Isso passa para as crianças”, referiu.

Luís Villas-Boas também defendeu a necessidade “urgente” de bloquear os links suspeitos, admitindo que os jovens, entre 12 e 18 anos, em situação de “maior fragilidade emocional” serão “mais facilmente convencidos” a aderir. E deixa um recado para os adultos: “Este tipo de propaganda só acontece em certos grupos de jovens em que não haja pais ou amigos por perto capazes de impedir.”

 

 

Pelo menos oito vítimas do desafio Baleia Azul identificadas em Portugal

Maio 5, 2017 às 2:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 4 de maio de 2017.

Além das quatro vítimas já conhecidas, pelo menos outras quatro deram entrada ontem nas urgências de pedopsiquiatria do Porto

Já serão pelo menos oito as vítimas do desafio Baleia Azul identificadas em Portugal. Ontem, quarta-feira, uma adolescente de Matosinhos foi internada no Hospital de S. João, no Porto, com sinais de automutilação – seria o quarto caso desde que se soube que o jogo já fazia vítimas em Portugal, estando as anteriores sinalizadas em Setúbal, Portalegre e Faro – mas, segundo a RTP, pelo menos mais quatro adolescentes deram entrada também na quarta-feira nas urgências de pedopsiquiatria do Porto.

De acordo com as informações adiantadas pela estação, nenhum dos adolescentes ficou internado, mas todos foram reencaminhados para a consulta de comportamentos autolesivos do Hospital de Magalhães Lemos.

À RTP, a responsável pela consulta, Otília Queiroz, não quis falar de casos particulares, mas não escondeu preocupação com o “caráter predatório” do jogo que coloca desafios aos participantes, sendo o objetivo final levá-los ao suicídio. Os alvos são, normalmente, jovens mais fragilizados, e a forma como o jogo da Baleia Azul tem sido divulgado nas escolas poderá potenciar o número de vítimas. “Temos perfeita noção de que é um fenómeno viral”, referiu.

O Ministério Público abriu entretanto quatro inquéritos relacionados com o jogo online e a a PJ está já a investigar, em contacto com os inspetores da Unidade Nacional do Crime Informático (unc3t), para tentar seguir o rasto dos curadores do jogo e perceber se há portugueses envolvidos ou se as ordens vêm todas de fora do país – esta quinta-feira, o JN escreve que a adolescente de Matosinhos internada no Porto recebia ordens de um cidadão brasileiro, que lhe ligava para o telemóvel de madrugada.

A PJ, conforme o DN adianta na edição de hoje, está “muito preocupada” com a propagação do jogo na internet.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu ainda o DN de que nos quatro inquéritos abertos os responsáveis que forem encontrados – curadores ou administradores do jogo – incorrem no crime de incitamento ou ajuda ao suicídio, punível até 5 anos se a vítima for menor e atentar contra a própria vida e até 3 anos se a vítima for adulta.

Desafio da Baleia Azul fez mais duas vítimas

Maio 5, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 4 de maio de 2017.

 

Baleia Azul: a história de uma notícia falsa que se tornou um verdadeiro problema

Maio 5, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site http://tek.sapo.pt/ de 3 de maio de 2017.

As notícias que surgiram nos últimos dias relacionadas com um jogo que desafiava os jovens a comportamentos de automutilação está a preocupar pais e educadores. O Centro Internet Segura Portugal ajudou o TeK a contextualizar o problema.

Suicídios, automutilações e notícias de jovens apanhados numa rede de onde não conseguem escapar, com perseguições e ameaças, têm-se propagado nos últimos dias pela imprensa internacional e mesmo em Portugal, onde as informações de cariz sensacionalista também atingiram grandes proporções. O Centro Internet Segura Portugal, que tem a missão de desenvolver actividades de sensibilização para a segurança online e integra a rede europeia InSafe, aconselha porém alguma ponderação em relação ao carácter alarmista das notícias, num fenómeno que passou rapidamente de uma fição para uma ameaça real.

Sofia Rasgado, coordenadora do Centro Internet Segura Portugal explica ao TeK que a equipa portuguesa tem estado em contacto estreito com os parceiros internacionais e também com os parceiros nacionais, que incluem diversos tipos de organizações, incluindo a PSP e a PJ, para investigar e acompanhar a evolução do Desafio da Baleia Azul e explica a história que está por detrás do fenómeno que terá tido origem na Rússia.

“Há quase um ano atrás, em maio de 2016, a rede de Televisão Russa “Russia Today”, exibiu uma reportagem sobre grupos pró-suicídio na rede social VKontakte. Alegadamente, uma adolescente suicidou-se após juntar-se a um destes grupos que aliciavam adolescentes com vídeos de cariz enigmático, recorrendo a códigos e símbolos. A rede explicou que estava a ocorrer um fenómeno de massificação destes grupos designando-o por ‘Cyber Suicide Industrial Complex’“, explica a coordenadora do Centro Internet Segura Portugal.

Depois disso uma agência noticiosa russa, a Novaya Gazeta, reportou 130 suicídios e “uma história com as primeiras referências específicas ao desafio designado por “Baleia Azul” onde um moderador/administrador anónimo atribui aos participantes um conjunto de desafios que devem completar diariamente, perfazendo um total de 50 desafios que giravam à volta de comportamentos de automutilação”.

O nome “Baleia Azul” que foi atribuído ao fenómeno referia-se a um comportamento das baleias que propositadamente dão à costa, onde acabam por morrer.

Os relatos que são recolhidos indicam que quando os utilizadores não cumprem os desafios são ameaçados de diferentes formas, passando pela humilhação, sobre-exposição ou revelação de algum segredo da vítima, ou mesmo a agressão do próprio ou dos seus familiares e amigos.

Em novembro de 2016, o website de notícias russo RBTH relatou que um jovem foi detido por ser um administrador de um grupo pró-suicídio na rede social VKontakte. Embora este caso não estivesse diretamente associado ao caso do jogo “Baleia Azul”, existia uma forte convicção no poder deste grupo, que se estabeleceu com a prisão efetiva deste jovem.

Já no início deste ano, entre fevereiro e março os tablóides britânicos pegaram na história e replicaram a informação das alegadas 130 mortes na Rússia, com o Daily Express, Daily Mail e Sun a partilharem fotografias de raparigas adolescentes que morreram depois de, supostamente, terem participado nos desafios a completar diariamente, com comportamentos de automutilação.

Sofia Rasgado admite que todas as investigações que se seguiram não provaram a existência destes desafios, nem de casos comprovados, o que indica que a informação não é fidedigna. “Uma investigação realizada pela Radio Free Europe envolveu a criação de perfis “isco”. Esta investigação não teve resultados e tudo aponta para que, nem os suicídios, nem a prisão do jovem, estejam ligadas ao desafio. A história foi dada como “unproven” (não comprovada) pelo website Snopes, que se especializa na validação e desmistificação de vários rumores online”, refere.

Entretanto, no website “NetFamilyNews.org”, Anne Collier, assume que estes artigos não são fidedignos e tratam-se de uma manipulação que pode “afetar pais e crianças vulneráveis”, citando um dos membros do Centro Internet Segura Búlgaro, Georgi Apostolov.

A Polícia Britânica acabou por emitir um aviso sobre o jogo, uma ação que foi replicada por autoridades noutros países, mas a iniciativa foi criticada por estar a dar visibilidade a um hoax, uma informação falsa para enganar um grupo de pessoas, fazendo-as acreditar numa informação que não é real.

Da autoridades policiais o caso dos avisos também escalou a outras organizações. Na Europa, uma das “Linhas Ajuda” da rede “Insafe” reportou que o Ministro da Educação do seu país enviou avisos para todas as escolas, referindo sugestões genéricas sobre jogos online serem perigosos e viciantes, mas sem nenhuma informação que sugerisse que o jogo “Baleia Azul” fosse falso. Na Roménia, já este ano, e após os vários relatos de jovens que ficaram feridos ao participarem nestes desafios, o Ministério dos Assuntos Internos atribuiu à polícia nacional a tarefa de realizar um conjunto de campanhas de sensibilização em escolas, a informar sobre os riscos deste desafio.

“Numa reunião recente dos Centros Internet Segura Europeus, tornou-se claro que embora o jogo “Baleia Azul” possa ter sido inicialmente uma notícia falsa, está a atingir proporções problemáticas com consequências muito graves, baseadas na certeza que alguns jovens e adultos podem estar a explorar o medo em torno deste fenómeno para incentivar outras pessoas a ter práticas de automutilação, e a partilharem os resultados destes comportamentos online”, explica Sofia Rasgado.

Mesmo sem ter sido encontrada nenhuma prova que estabeleça uma ligação entre qualquer suicídio ou morte e este desafio da Baleia Azul, a “Linha Ajuda” do Centro Internet Segura Francês já reconheceu que estes desafios estão a atrair crianças e jovens, em particular os que se sentem deprimidos ou se sentem mais suscetíveis ou predispostos a adotar práticas de automutilação.

Sofia Rasgado lembra porém que “o medo que se prende com o conceito dos cultos suicidas adolescentes online não é recente”. Em 2001, um filme de terror japonês chamado “Suicide Club” explorou esse medo, ao retratar um conjunto de mortes estranhas, envolvendo 54 estudantes que se atiraram para uma linha de comboio. Durante a investigação, os polícias são conduzidos a um website repleto de códigos e símbolos, que está a prever as mortes. Mas alerta para o facto de “o fenómeno da Baleia Azul torna-se mais “apelativo” e mediático, considerando que ocorre numa rede social que a grande maioria das pessoas, incluindo jovens, utilizam”.

O TeK vai continuar a desenvolver com o Centro Internet Segura Portugal uma série de artigos nos quais pretende abordar de forma mais aprofundada as questões relacionadas com este fenómeno. No próximo artigo vamos falar das verdadeiras vítimas deste jogo que já se tornou um verdadeiro problema com contornos criminais.

 

 

 

Adolescentes portugueses sentem-se mal quando não têm Internet por perto

Maio 5, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2017.

Mais informações na notícia da OECD:

Most teenagers happy with their lives but schoolwork anxiety and bullying an issue

A satisfação com a vida, a relação com os pais e com a escola também foram avaliadas joana bourgard

Estudo da OCDE diz que jovens que têm um uso extremo da Internet mostram-se menos satisfeitos com a vida e têm também desempenhos académicos piores.

Clara Viana

Portugal é dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde existe uma maior percentagem de jovens de 15 anos a afirmar que se sentem mal quando não têm disponível uma ligação à Internet. São mais de 77% os que o afirmam, quando a média na OCDE é de 54%.

Acompanham Portugal naquele pelotão a França, Grécia, Suécia e Taipé, segundo revelam os resultados dos inquéritos efectuados aos alunos que realizaram os testes PISA em 2015, divulgados nesta quarta-feira de manhã num relatório da OCDE sobre o bem-estar dos jovens.

Os testes PISA, que são promovidos pela OCDE, realizam-se de três em três anos para a aferir a literacia a leitura, matemática e ciências dos alunos com 15 anos de idade.

Apesar da aparente dependência dos alunos portugueses face à Internet, o tempo em que estes dizem estar online durante os dias da semana (140 minutos) está ligeiramente abaixo da média da OCDE (146). Ao fim de semana a situação inverte-se: os alunos portugueses passam 190 minutos na Net contra uma média de 184 minutos na OCDE.

Margarida Gaspar de Matos, coordenadora em Portugal do grande estudo sobre a adolescência promovido, de quatro em quatro anos, pela Organização Mundial de Saúde (Health Behaviour in School-Aged Children), confirma que Portugal se tem “evidenciado” no uso da Internet, desde 2010, mas alerta que não se deve confundir “o abuso do uso” com “dependência”.

“A dependência da Internet tem um critério clínico de diagnóstico que transcende as horas passadas” online, adianta. Mas o abuso tem também consequências “uma vez que traz associado problemas de saúde física, nomeadamente higiene do sono, problemas sensoriais, de alimentação, de sedentarismo e psico-sociais”, alerta.

A investigadora salienta, contudo, que não se deve esquecer que “o acesso e uso da Internet é um avanço civilizacional que inclui acesso à informação, gestão do trabalho, comunicação e recreação”.

“São três realidades diferentes e baralhá-las não ajuda a compreender a situação. Deve-se aproveitar os pontos positivos, que são muitos, e tentar limitar os problemas”, conclui.

Quase 90% dos jovens inquiridos na OCDE concordam que a Internet “é um óptimo recurso para obter informação” e 84% consideraram que as redes sociais “são muito úteis”. Na generalidade, a primeira afirmação foi mais apontada por estudantes de meios socioeconómico favorecidos do que pela dos oriundos de meios carenciados. Mas Portugal tem, também aqui, um lugar de destaque: o fosso entre os dois grupos não chega aos cinco pontos percentuais. Há poucas diferenças entre ambos. Dinamarca, Islândia e Macau alinham com Portugal neste grupo. Já no México a diferença entre os dois grupos é de 20 pontos percentuais.

No geral, o uso da Internet “pode aumentar a satisfação com a vida por propiciar entretenimento e retirar obstáculos à socialização”, mas também pode ser uma fonte de riscos ao bem-estar dos jovens, alerta-se no relatório. Por exemplo, os jovens que têm um uso extremo da Internet mostram-se menos satisfeitos com a vida e têm também desempenhos académicos piores.

Satisfeitos com a vida

Saber se os estudantes estão satisfeitos com a sua vida foi um dos objectivos do inquérito realizado. Numa escala de 0 a 10, em que 0 corresponde à pior vida possível e 10 à melhor, em média os alunos da OCDE apontaram para um valor de 7,3.

Em Portugal o lugar nesta escala é de 7,36. No valor mais alto da escala, estão 31% dos alunos portugueses, que dizem estar muito satisfeitos com a vida (34,1% na OCDE) e na posição oposto existem 8,9%, cerca de três pontos percentuais abaixo da média.

Mas a satisfação com a vida está também marcada pelo género: no conjunto dos países da OCDE, existem 39% de rapazes de 15 anos que se dizem muito satisfeitos com a vida, um valor que baixa para os 29% quando são as raparigas a falar. Em Portugal o fosso entre os dois grupos é idêntico (35,6% para os rapazes e 26,3% para as raparigas).

Uma das conclusões a que a OCDE chegou é a de que a relação entre satisfação com vida e o desempenho escolar é fraca. Já o ambiente em que os estudantes aprendem e se desenvolvem têm peso na satisfação com a vida. E aqui, frisa-se, os professores têm um “papel particularmente importante”: “Os estudantes mais felizes tendem a dar conta de uma relação positiva com os seus professores.”

Também os pais têm aqui um papel a desempenhar. Os estudantes cujos pais passam tempo a falar com eles, que comem uma refeição em conjunto ou debatem o modo como o filho se está a sair da escola têm uma probabilidade maior de terem maiores níveis de satisfação com a vida.

Portugal aparece, também aqui, em destaque com 90% dos alunos a dizerem que comem pelo menos uma refeição em conjunto com os pais contra uma média de 82% na OCDE. E 92% dos alunos portugueses também dizem que os pais têm o hábito de falar com eles depois da escola, um valor igualmente superior à média da OCDE (86,1%).

Ir mais longe

A motivação dos alunos em ir mais longe é outro factor preditor de uma maior satisfação com a vida, frisa a OCDE. Aos 15 anos, 44% dos alunos da organização dizem querer completar um curso universitário. Em Portugal são menos: 39,9%.

Em todos os países, os estudantes mais carenciados tendem a ter expectativas mais baixas do que os seus colegas de meios favorecidos no que toca à conclusão do ensino superior. Mas há países piores do que outros e Portugal sai-se mal do retrato, com um fosso de 50 pontos percentuais a separar as expectativas dos dois grupos. Na OCDE este valor ronda os 40 pontos percentuais.

Se o sentimento de pertença à escola é nestas idades um dos factores que mais conta para se estar satisfeito com a vida, e a maioria está nesta situação, também se podem viver ali experiências devastadoras. O bullying é uma delas.

No conjunto dos países da OCDE, cerca de 11% dos estudantes diz-se alvo de gozo, 7% afirmam que são postos à parte e 8% contam que são objecto de boatos maldosos.

A violência física repetida é reportada por 4% dos alunos. No conjunto, 18,7% dizem-se vítimas de um qualquer acto de bullying, um valor que em Portugal desce para 11,8%.

Os resultados dos inquéritos mostram que os rapazes têm maior probabilidade de serem vítimas do que as raparigas, embora estas tenham maior peso se o que está em causa é ser posto de parte ou ser objecto de boatos maldosos. Por outro lado, os estudantes com piores desempenhos estão mais expostos a agressões verbais físicas e psicológicas do que os seus colegas mais bem-sucedidos.

 

 

 


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