Solidão ou gosto pelo risco: o que leva os jovens a jogar

Maio 2, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 30 de abril de 2017.

Orlando Almeida /Global Imagens

 

Joana Capucho

Em Portugal, há registo de dois incidentes relacionados com as ordens dadas pelos “curadores” do desafio online

“À partida estamos a falar de jovens em profunda solidão e desespero. Qualquer jovem que tenha um comportamento de auto lesão não está emocionalmente estável”. Para Álvaro de Carvalho, diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde, um jovem que arrisca a vida na Baleia Azul, jogo que tem sido responsabilizado por várias tentativas de suicídio, estará numa situação “desesperante”.

Uma opinião semelhante é partilhada por João Faria, psicólogo que se dedica à intervenção no uso da internet e das telecomunicações: “É uma experiência que vai ao encontro de muitas características da adolescência: testar limites, necessidade de pertença. Mas atinge sobretudo os grupos mais vulneráveis, os jovens deprimidos”.

Os alvos da baleia azul são adolescentes e jovens, que recebem uma intimação para participar no desafio através das redes sociais. No decorrer do jogo, os “curadores” enviam 50 ordens, que passam por atos de auto-lesão e terminam no suicídio. Se os “jogadores” não cumprirem, é-lhes dito que algo de muito mau vai acontecer. Uma ideia que terá partido de Filipp Budeykin, um jovem russo de 21 anos, que aguarda julgamento num hospital psiquiátrico.

Margarida Gaspar de Matos, psicóloga e coordenadora do estudo Health Behaviour in School-Aged Children, diz que há dois perfis -“os miúdos que fazem do risco profissão e os miúdos isolados, poucas competências sociais” – e recusa-se a falar num jogo, pois “trata-se de uma coação”, onde os adolescentes são “manipulados e ameaçados”.

Em Portugal, foram conhecidas até agora duas vítimas: uma jovem que, numa tentativa de suicídio, se atirou para a linha férrea e um rapaz, que “desenhou” uma baleia no braço com um objeto cortante. Mas existirão outros. Ao consultório de Nuno Lobo Antunes, neuropediatra, chegou recentemente uma adolescente que se corta e, embora negue que seja por causa do jogo, a mãe diz que há essa possibilidade. “Não temos a certeza. Há muitos miúdos que já se cortavam antes de o jogo aparecer”, frisa o médico.

A psicóloga Bárbara Ramos Dias acompanha há algum tempo um rapaz, de 11 anos, e uma rapariga, de 12, que entraram na experiência na semana passada, sem saber onde se estavam a meter. “O primeiro desafio era tatuar uma baleia no braço com uma faca. Disseram-lhes que, se não fizessem, os pais eram mortos. Ficaram aterrorizados”, conta ao DN.

Fonte da PSP confirmou que as autoridades estão atentas ao fenómeno mas admitiu que, por ser relativamente novo, ainda se estuda a forma de lidar com o caso. À TSF, uma fonte da PSP “a fazer um plano para abordar o problema”, ou seja, “nas escolas, junto das crianças e jovens, através do programa escola segura”.

Um pouco por todo o mundo, o Baleia Azul está a preocupar as autoridades. Reino Unido, França, Espanha e Brasil têm utilizado as redes sociais para alertar os pais para os perigos do jogo. No Brasil, tal como o DN noticiou, há investigações a decorrer em vários estados.

 

 

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