“Os pais estão a deixar-se tiranizar pelos filhos”

Abril 28, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://expresso.sapo.pt/  a Sílvia Portugal no dia 15 de abril de 2017.

Carolina Reis

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Rui Duarte Silva

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O modelo familiar atual prefere os afetos e centra-se nas crianças e nos jovens, o que torna mais difícil impor a autoridade. Para a socióloga Sílvia Portugal, é essa a razão que justifica a desculpabilização que os pais fizeram dos incidentes durante a viagem de finalistas ao sul de Espanha .

O que nos revela a reação desculpabilizante dos pais?

Tem muito a ver como é hoje exercida a autoridade e a disciplina na família. A autoridade é uma questão central. E o que se entende que os jovens devem ser ou fazer. Os pais não querem aquilo que tiveram: a autoridade patriarcal, o poder da disciplina, as sanções físicas, que era o modelo educativo da geração dos pais destes jovens. Vêm de uma geração em que a autoridade era inquestionável e não havia espaço para liberdade. Não querem para os filhos o que eles tiveram. As mudanças foram muito rápidas e as pessoas não encontraram ainda o seu lugar de pais na família.

Que modelo de família temos hoje?

É mais democrática. Substituímos o modelo de autoridade patriarcal por um mais democrático, no qual as mulheres e as crianças ganharam voz. Hoje, as crianças são o centro. E os pais não sabem muito bem o que querem ou, pelo menos, não sabem como fazer. Não sabem como conciliar uma família onde todos têm voz e é dominada pelo afeto com uma família que integre modelos de autoridade e disciplina. Não são passados modelos muito claros do que deve e do que não deve ser. Porque olhamos de fora e é muito claro que o que aconteceu foi um ato de vandalismo. Não é desculpável e, no entanto, os pais desculpam-nas.

Ainda é possível haver autoridade?

Claro. E tem de haver. E tem de haver disciplina. E isso pode ser compatibilizado com uma família mais democrática e com uma família de afetos. As pessoas não conseguem encontrar esse modelo que concilie dois modelos que, à partida, parecem inconciliáveis. Chegamos ao caricato de vermos livros de autoajuda para pais — escritos por psicólogos — que aconselham a dizer não aos filhos. É algo que soa estranho, os pais que têm que ler estes livros passaram a infância e juventude a ouvir dizer não, e agora têm muita dificuldade em dizer não aos filhos.

Isto é reflexo da tão falada crise de valores?

Não é uma questão de crise, mas sim de mudanças. Uma série de mudanças, muito rápidas, que aconteceram na família e na sociedade como um todo. Há aqui uma mudança de valores e representações acerca do que deve ser a família. Contudo, vemos que ao longo da história a família esteve sempre em crise. Mas resiste e adapta-se.

Os pais têm menos condições para exercer a parentalidade?

Sim. A nível do emprego, da precariedade, das longas jornadas de trabalho. Isto implica muito menos tempo para a família. O trabalho tomou conta da vida das pessoas. No pouco tempo que têm evitam o conflito. E exercer autoridade implica conflito. É necessário para marcar as diferenças de papéis, para dizer que os pais são pais e não são amigos.

Já chegámos ao ponto em que os filhos mandam nos pais?

Temos uma geração de progenitores que foi tiranizada pelos seus pais e agora se deixa tiranizar pelos seus filhos. Tem de lidar com situações muito adversas, suas e dos seus filhos. Tivemos uma realidade, sobretudo depois do 25 de Abril, em que as gerações tiveram sempre uma vida melhor do que as anteriores. Ora, estes pais e estes jovens não têm esta expectativa. É a primeira vez que enfrentamos um momento em que as gerações a seguir podem ter condições de vida piores do que a anterior. E isto é muito angustiante, cria muita incerteza. E os pais tentam compensar os filhos.

Nos últimos dias, também vimos outro fenómeno. Pais a dizer que nunca tiveram comportamentos daqueles e que os seus filhos jamais o fariam. É uma hipocrisia?

É um clássico, são sempre os filhos dos outros. Isto acontece muito nos discursos sobre a família: descoincidência entre aquilo que as pessoas acham que devia ser e, na prática, fazem exatamente o contrário. Não lhe chamaria hipocrisia. Tem a ver com estas tensões que são quotidianas e estruturais.

 

 

 

 

 

Baleia azul. Os conselhos da PSP sobre o jogo fatal

Abril 28, 2017 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do https://ionline.sapo.pt/ de 27 de abril de 2017.

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Carlos Diogo Santos

O jogo que levou ao suicídio várias crianças e adolescentes em países como o Brasil e a Rússia já chegou às escolas portuguesas. Como o i noticia na edição de hoje, há links a circular por sms e whatsapp e mensagens a advertir para os riscos de entrar no desafio da baleia azul.

O i pediu à PSP alguns conselhos para que pais e filhos saibam o que fazer em caso de se sentirem ameaçados pelo “jogo”:

– Aconselha-se os pais a manterem-se informados relativamente ao jogo e a alertar as crianças e jovens para as suas implicações;

– Deve existir uma maior supervisão e monitorização das atividades dos filhos na internet e das redes sociais;

– Importa ainda que os pais alertem as crianças sobre os riscos de adicionar desconhecidos e recomendem que apenas a família, amigos e pessoas da escola façam parte da lista de amizades nas redes sociais;

– A PSP recomenda ainda o bom uso dos meios digitais e informa que não há necessidade de proibir o acesso aos mesmos;

– Ressalva-se que o mais importante é incentivar o diálogo e o debate no seio familiar sobre os assuntos relacionados com a segurança, perigos e privacidade na internet de forma a promover um maior conhecimento por parte das crianças e jovens;

– Sempre que os pais suspeitem que as crianças ou jovens estejam a ser alvo de violência psicológica ou intimidação devem dirigir-se à Esquadra da PSP mais próxima e efetuar uma denúncia relatando todos os factos.

 

 

 

“Automutilações são um flagelo entre os jovens”

Abril 28, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Jorge Humberto Costa ao https://ionline.sapo.pt/ de 26 de abril de 2017.

Marta Reis

Jogo que está a causar alarme incentiva os jovens a cortarem-se. Psicólogo escolar alerta que este comportamento tem vindo a aumentar entre os adolescentes portugueses. Jovens instáveis emocionalmente são os mais vulneráveis mas outros fazem-no por imitação ou para se integrarem no grupo.

Entre os 50 desafios do jogo Baleia Azul, a maioria visa levar os jovens a cortarem-se ou usarem objetos com lâmina para escrever na pele. Embora este jogo só agora comece a causar preocupação por cá, o fenómeno das automutilações entre adolescentes tem vindo a ser estudado e os últimos dados nacionais sugerem que dois em cada dez jovens do 8.º ano e 10.º ano já se magoaram de propósito, a maioria quando se sentia triste e “farta”. Jorge Humberto Costa, psicólogo escolar no Agrupamento de Escolas de Valongo e membro de um grupo informal que junta peritos nesta área, a plataforma Psi Escolas, diz ao i que as automutilações são um flagelo nas escolas que importa despistar precocemente e defende que pais e professores devem estar alerta.

Já tinha conhecimento deste jogo?

Não, mas o que sabemos de há uns anos para cá é que há alunos que participam neste tipo de jogos para experimentar diferentes estágios de dor. Tivemos relatos há dois ou três anos de um jogo em que o culminar era os alunos ficarem suspensos, agarrados pela pele, por exemplo com anzóis. São fenómenos que começam nas redes sociais e em que o problema é acontecerem fora das escolas.

E até que ponto as escolas estão preparadas para despistar estes casos?

Como as automutilações no geral, acaba por ser complicado a deteção porque os alunos tendem a fazê-lo em zonas do corpo que não são visíveis, como o tornozelo ou a coxa. Mas a partir do momento em que as situações são sinalizadas, é fácil iniciar o trabalho com os alunos e envolver as famílias. O ponto que nos preocupa sempre mais é a identificação deste tipo de comportamento.

Como se poderia melhorar o despiste? A falta de psicólogos nas escolas é um problema?

Claro que a falta de psicólogos é sempre um problema. Hoje continuamos a ter um rácio de um psicólogo por vezes para mais de 2000 alunos com a dificuldade de os agrupamentos escolares serem muito distendidos, com escolas longe umas das outras. O que tentamos fazer é ter um trabalho estreito com os professores de Educação Física, que são quem vê os alunos com menos roupa, com o fato de treino ou o calção.

E já existe essa sensibilização? Há orientações da tutela?

Creio que existe sensibilização dos professores. Mesmo que não haja por parte do ministério orientações claras sobre isto, os psicólogos que trabalham no terreno já fazem esse trabalho de forma insistente e reúnem-se regularmente com colegas. Por outro lado, por exemplo no meu agrupamento temos já academias de pais, em que falamos com os encarregados de educação. O ministério pode sempre ter uma maior intervenção, mas isso não justifica inércia porque provavelmente não iria trazer nada de novo. Nesse aspeto o que faltava era aproximarmo-nos de um rácio de um psicólogo por mil alunos e termos pelo menos dois psicólogos nos agrupamentos maiores e também equipas multidisciplinares onde a intervenção dos assistentes sociais fosse valorizada.

O PCP apresentou recentemente um projeto de lei para que seja definido o regime jurídico da psicologia em contexto escolar e denuncia que o último concurso para a admissão nesta carreira é de 1997.

Vamos também nas próximas semanas voltar a dinamizar o grupo Psi Escolas que tem funcionado mais no Facebook para promover esse reforço da psicologia nas escolas.

Como o atual rácio, como funciona a intervenção? Chegam apenas aos casos mais graves?

Acabamos por dedicar-nos aos casos mais graves, ainda que em termos de prevenção existam estes dois grandes vetores de preocupação que são bullying e as automutilações.

Os últimos dados para Portugal do inquérito Health Behaviour in School-aged Children” (HBSC) revelaram que, em 2014, 20,3% dos jovens tinham-se magoado pelo menos uma vez a si próprios nos 12 meses anteriores.

Penso que é um número que até pecará por defeito. É um flagelo que temos nas escolas.

O que leva os jovens a ter estes comportamentos?

Podemos dividi-los em dois patamares. Temos por um lado os alunos que usam a dor física para suportar a dor emocional e depois temos outros alunos que o fazem por imitação. Como os primeiros o fizeram e deram um feedback positivo, os segundos que teoricamente não iriam ter esse comportamento acabam por fazê-lo também.

Acontece mais em que faixas etárias?

Na casa dos 13 e 4 anos.

Os dados nacionais indicam que é um comportamento mais recorrente nas raparigas.

Sim, ainda que os rapazes também o façam.

Não sendo um comportamento saudável, colocam a vida em risco?

Na maioria das situações não existe essa intenção, só por descuido ou erro de cálculo. Mas o problema é que é um comportamento progressivo e como percecionam bem-estar acabam por ir fazendo com mais frequência. O perigo é mais por aí, até porque depois acaba por ser a primeira resposta que têm quando são confrontados com uma situação problemática. É quase uma resposta primária.

E é algo que associem a algum tipo de aluno, mais isolado, com piores notas?

É um comportamento transversal e daí o problema da imitação. Se um aluno líder tiver esses comportamentos, há maior probabilidade de mais alunos serem seguidores.

Quando detetam uma situação e os pais são chamados, há surpresa?

Sim, muitos deles não fazem mesmo ideia. Claro que depois reconhecem que havia um afastamento emocional dos filhos e isso é um fator de risco importante.

Uma das jovens com quem falámos sobre o jogo Baleia Azul dizia-nos ter receio de não ser forte o suficiente para resistir à pressão psicológica. Mesmo jovens mais maduros podem ser vulneráveis neste tipo de situações?

O problema é que não conseguimos saber, em determinados alunos, até que ponto a força do grupo tem poder suficiente ou não. Se a grande maioria dos colegas tiver um determinado comportamento, vão-se sentir afastados do grupo e na adolescência esse afastamento é doloroso. Eles referem-nos muitas vezes aquela ideia de não conseguirem fazer parte das conversas. Se a automutilação ou qualquer outro comportamento for um tema de participação e conversa, podem sentir que não aderir é um fator para a rejeição. Ou saem do grupo ou por vezes o sentimento de pertença obriga-os a determinados rituais. Nesse sentido ninguém está imune.

Que mensagem passaria aos pais?

O melhor que podemos dizer aos pais é para desligarem a televisão na hora das refeições e conversarem. Se percebem que os miúdos têm alguma alteração do comportamento por exemplo ao nível do sono ou da própria alimentação devem tentar perceber. Outra preocupação pode ser verificar com alguma frequência quando saem do banho se há alguma marca nos braços ou nos antebraços.

Não é uma recomendação alarmista?

Às vezes é preferível sermos um bocadinho mais alarmistas e identificar os problemas do que facilitarmos e vermo-nos com uma situação mais difícil de resolver. Numa frase, diria que os pais devem procurar estar emocionalmente próximos dos filhos e pensarem na sua disponibilidade e como às vezes tentam comprar emocionalmente os filhos. Nota-se a diferença nas crianças que têm os pais presentes.

Esse afastamento dos pais é algo que tem notado?

Trabalho nas escolas há 18 anos e sempre houve situações de automutilação. Sentimos que está a aumentar da mesma forma que tudo tende a aumentar, a partilha das gratificações na redes sociais é muito mais rápida. Por outro lado, os jovens estão emocionalmente mais instáveis. Temos uma sociedade cada vez consumista e eles sentem-se mais frustrados, o que se nota também nas dificuldades vocacionais. Sabemos que hoje em dia a parte social e monetária e os pais para terem mais dinheiro têm de estar mais tempo fora e acabam por compensar os alunos de forma mais material do que emocional.

 

 

 

Baleia Azul. O jogo que mata os mais novos e já assusta em Portugal

Abril 28, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://sol.sapo.pt/ de 26 de abril de 2017.

Carlos Diogo Santos

O desafio mortal que tem feito vítimas em vários países, entre os quais no Brasil e na Rússia, já pôs a PSP em alerta. O i falou com Sara, uma adolescente que garante existir já medo na sua escola e na dos amigos. No Brasil, Mariana explica como conseguiu sair: “A morte é o que eu mais queria”

Sara tem 16 anos, sente-se mais madura do que a maioria dos seus colegas, mas também vive as crises da adolescência, os medos e as desilusões. Tem medo de morrer e nem entende os adolescentes que entram num jogo como o da Baleia Azul, onde o objetivo final é o suicídio. Não sabe porque muitos procuram estes desafios fatais, mas receia ser apanhada pela teia.

Grande parte das notícias sobre o jogo da Baleia Azul vêm da Rússia e do Brasil – onde até já houve registos de mortes – , mas as mensagens do outro lado do Atlântico já circulam em escolas nacionais, públicas e privadas. Depois de entrarem no jogo, os jovens são convencidos de que já não há volta a dar e que têm de seguir todos os passos – 50 desafios diários – debaixo de uma forte pressão psicológica, inclusivamente com ameaças de que algo acontecerá às famílias se desistirem. É isso que tem levado muitos a mutilarem-se e a correr grandes perigos. O último passo, que também é determinado pelo “curador” é o do suicídio.

“A primeira vez que vi uma mensagem a dizer para não abrir o link do jogo foi no InstaSnap de uma amiga. Eu acredito nestas coisas, eles podem fazer pressão e nós podemos não ser fortes o suficiente para resistir”, diz Sara ao i, explicando que tem muitas amigas que andam assustadas. “Há colegas que têm medo de seguir as regras até ao fim, uns de certeza que iam ignorar, mas outros iam fazer tudo até ao fim e iam guardar para si, há amigas minhas que de certeza que nem iam dizer nada aos pais para se resguardarem”.

E se foi rápido a atravessar o oceano, aqui também não tem demorado a expandir-se. Sara, que anda numa escola privada na Estrela, diz que ela e os seus colegas tiveram contacto com o jogo através de mensagens enviadas por amigos que andam em outras escolas. As autoridades já estão a analisar os casos conhecidos até ao momento. Fonte oficial da PSP diz que “tem conhecimento e que se encontra a monitorizar este fenómeno, que pode afetar crianças e jovens em território nacional”.

A delegada brasileira Fernanda Fernandes, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, não põe de parte que a estrutura montada no Brasil possa capturar vítimas portuguesas, uma vez que partilhamos a mesma língua – ainda que até ao momento não tenha conhecimento de qualquer evidência nesse sentido.

Ao i, a investigadora explica que estão a ser feitos trabalhos com vista a identificar as vítimas naquele país, enquanto que está a ser levado a cabo uma investigação sigilosa para identificar todos os “curadores”, ou seja, administradores do jogo. “Essa linha de investigação corre atualmente em sigilo para não prejudicar os trabalhos”, contou, lembrando que houve já jovens brasileiros a aceitar o último desafio – o do suicídio.

“A morte é o que eu mais procurei”

Mariana é brasileira (nome fictício) e tem menos um ano que Sara. Em entrevista ao jornal “O Globo” conta que “confiava no jogo”: “Eu acreditava que aquilo ali ia me fazer ter coragem de me suicidar”.

Uma das alterações no seu comportamento foi o de achar que a sua mãe já não gostava de si e isso fazia-a ficar ainda mais dependente do que o “curador” lhe pedia. E foi esse afastamento que mais alertou a família, que conseguiu evitar um fim trágico.

“A morte é o que eu mais procurei. É o que eu mais queria”, revelou àquele jornal brasileiro a jovem, adiantando que mesmo depois de ter estado internada e deixar o jogo já tentara o suicídio novamente. Mariana decidiu parar após um novo tratamento, quando percebeu o sofrimento em que tinha mergulhado a família.

“Se eu fosse [as pessoas], não entraria [no desafio da Baleia Azul]. Só vai causar coisas ruins. Ao invés de parar sua tristeza, só vai aumentar. E vai acumular, acumular. Quando você vir, já vai estar vazio por dentro e por fora. Eu pediria para poder apostar uma única chance numa coisa que se gosta. Talvez, sei lá, uma música boa que essas pessoas ouviram na rádio e de que gostem. Talvez possam escutar aquilo e se sentir melhor. Porque eu sei o quanto que dói, mas não vai ser um jogo que vai fazer você parar de sentir dor. Nem a morte”. Mariana sabe do que fala, sente todos os dias as consequências do caminho que escolheu, ou melhor que a induziram a escolher, para fugir a uma depressão. Em vez de fugir ainda se afundou mais.

No Brasil foram já detetados suicídios de jovens em diversos estados que podem estar relacionados com os desafios que são impostos pelos administradores. Isto porque os alvos, segundo a delegada Fernanda Fernandes, são jovens entre os 12 e os 14 anos com problemas de isolamento e ou depressão, que têm dificuldades em abandonar o jogo por medo de que as ameaças feitas pelos administradores aconteçam mesmo.

Sempre que os mais novos cedem a mais um desafio, o mesmo tem de ser enviado por vídeo ou por fotografia – o corte, no caso de ser uma mutilação – para o “curador”.

Naquele país, os crimes que estão em causa na investigação que foi aberta em 2016 são: “associação criminosa, ameaça, lesão corporal (em relação às automutilações praticadas pelos participantes) e homicídio tentado ou consumado”.

Na Rússia, onde o jogo foi notícia pela primeira vez, duas jovens com 15 e 16 anos decidiram por fim às suas vidas em fevereiro, atirando-se de um prédio com 14 andares, em Irkutsk. Uma delas partilhou no Facebook uma fotografia de uma baleia azul.

 

 

 

I Seminário da Rede Regional do Norte de Apoio e Proteção a Vítimas de Tráfico de Seres Humanos – 8 maio no Porto

Abril 28, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A participação é gratuita mas sujeita a inscrição (número limitado de lugares), através do link:

 https://goo.gl/forms/uQutSytrnhrhVV3q1

 


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