Excessiva empatia emocional impede crianças autistas de comunicar

Abril 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 1 de abril de 2017.

© Jorge Lopez / Reuters

Uma excessiva empatia emocional impede as crianças com autismo de comunicarem com o mundo, segundo um estudo, o que representa uma mudança de paradigma na compreensão deste transtorno.

O Grupo de Investigação de Perinatalogia do Instituto de Investigação Sanitária de La Fe, em Valência, Espanha, avaliou a reação de crianças com e sem perturbação do espetro do Autismo perante expressões faciais de diferentes emoções e concluiu que o autismo não se caracteriza por falta de empatia, mas sim por um excesso de sensibilidade perante as emoções dos outros.

Com os dados e experiencias analisados na investigação, chega-se à conclusão de que o retraimento e o ensimesmamento das crianças com autismo é uma maneira de se protegerem perante um ambiente emocionalmente esmagador.

Segundo explicaram à EFE fontes do hospital, esta descoberta dignifica as perturbações do espetro do autismo – cujo dia mundial se assinala no domingo -, já que se caracterizam por um excesso de sensibilidade face às emoções e não por um defeito.

Os transtornos do espetro do autismo são considerados alterações do neurodesenvolvimento que podem provocar problemas de interação social, comunicacionais e comportamentais significativos.

Até ao momento, sempre se procurou modificar os comportamentos sociais atípicos das crianças com autismo, cuja origem se acreditava ser a falta de empatia.

Contudo, este estudo demonstra o contrário: que as crianças com autismo têm uma excessiva empatia quando atentam às emoções dos outros e é, precisamente, essa experiência avassaladora que os leva a retraírem-se e os impede de comunicar.

O artigo “Communication deficits and avoidance of angry faces in children with autism spectrum disorder” é da autoria da doutorada em psicologia clínica Ana García-Blanco e foi publicado na revista científica “Research in Developmental Disabilities”.

Com uma equipa do Grupo de Investigação de Perinatalogia e do serviço de psiquiatria de La Fe, Ana García-Blando avaliou 30 rapazes e raparigas autistas, com idades entre os seis e os 18 anos, e outros 30 sem a perturbação.

Foram apresentadas a todas estas crianças expressões faciais de tristeza, alegria, zanga e neutras e avaliou-se o modo como reagiam a esses rostos.

Os resultados mostraram que os rostos com carga emocional captavam a atenção de todas as crianças, independentemente de apresentarem ou não perturbação do autismo.

No entanto, quando as crianças autistas se mostraram capazes de exercer controlo sobre a sua atenção, preferiam evitar os rostos irritados, porque lhes causavam grade mal-estar, o que estará relacionado com os problemas de comunicação social que estas crianças apresentam.

As emoções captam a atenção das crianças com perturbação do autismo de maneira semelhante à das crianças sem o transtorno, mas, tão rapidamente como identificam uma emoção stressante, os autistas tendem a evitá-la, para acalmar o mal-estar que sentem.

Estas peculiaridades no processamento das emoções poderão ser um mecanismo subjacente aos problemas de comunicação social que estas crianças apresentam e contradizem a habitual tese que considera que o comportamento e os problemas cognitivos é que são os obstáculos que dificultam a sua comunicação.

Lusa

 

 

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8º Congresso Nacional de Medicina do Adolescente – 17, 18 e 19 maio em Leiria com a participação de Ana Perdigão do IAC

Abril 13, 2017 às 11:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Ana Perdigão – Coordenadora do Serviço Jurídico do instituto de Apoio à Criança, irá apresentar a comunicação “Maus tratos na adolescência – o adolescente como vítima e como agente” no dia 18 de maio pelas 11.30 m.

mais informações:

https://www.facebook.com/events/1803225879925780/

http://www.asic.pt/index.php/congressos-asic

Together in the EU – Promoting the participation of migrants and their descendants – novo relatório da FRA – European Union Agency for Fundamental Rights

Abril 13, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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descarregar o relatório no link:

http://fra.europa.eu/en/publication/2017/migrant-participation

relatório Portugal:

http://fra.europa.eu/sites/default/files/fra_uploads/social-inclusion-and-migrant-participation-society_pt.pdf

 

 

 


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