Simona Ciraolo: “Qualquer tema pode ser bom para um livro infantil”

Março 9, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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texto publicado no http://observador.pt/ no dia 20 de fevereiro de 2017.

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Ana Dias Ferreira

Ao terceiro livro, Simona Ciraolo escolhe olhar para “O Rosto da Avó” e escrever sobre envelhecimento, mesmo para crianças. Conversa com a autora que pinta magistralmente as relações familiares.

Cada ruga tem uma memória e é uma linha na história desta mulher. Uma ruga remete para a noite em que conheceu o marido, na montanha-russa, outra para o melhor piquenique que fez à beira-mar, com as amigas, outra ainda para uma manhã de primavera em que fez uma grande descoberta e viu uma gata a dar à luz. O mais recente livro da italiana Simona Ciraolo faz zoom no rosto de uma avó para contar uma história ternurenta sobre o envelhecimento. Depois de Quero um Abraço (2015) e O Que Aconteceu à Minha Irmã? (2016), O Rosto da Avó é o terceiro livro da também ilustradora publicado em Portugal. Pretexto para uma entrevista por e-mail entre Londres, Lisboa e Nova Iorque onde se tenta perceber como nasce a motivação para escrever livros para crianças.

Na dedicatória do seu primeiro livro Quero um Abraço escreveu: “Para a Pam e para o Martin, que me fizeram deitar mãos à obra”. Quem são eles e de que forma influenciaram o seu trabalho?

A Pam e o Martin são os maravilhosos professores que tiveram de testemunhar as minha lutas durante o mestrado [em ilustração de literatura infantil]. Sempre que tive crises de confiança eles souberam fazer-me sair da minha própria cabeça e ver as coisas sob outra perspetiva. Souberam sempre quando eu precisava de um bom pontapé no rabo, metaforicamente falando! Sem essa energia e sentido de humor tenho a certeza que teria perdido uma quantidade ridícula de tempo com pensamentos que não interessavam nada.

Li que se mudou para Londres depois da licenciatura em cinema de animação e que trabalhou em filmes e publicidade antes de estudar ilustração em Cambridge. Como é que começou a escrever livros para crianças?

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Adorei esses primeiros anos em animação, é uma indústria maravilhosa para se trabalhar por causa das pessoas que se conhecem. Por outro lado, os livros ilustrados são o amor da minha vida. Já os colecionava nessa altura e olhava para eles como a arte narrativa mais perfeita de todas. Nunca tinha sentido a necessidade absoluta de contar uma história usando a animação, ao passo que o formato de livro ilustrado fazia todo o sentido para as histórias que tinha na cabeça, e de forma muito natural. Daí ter decidido embarcar nessa aventura.

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Como é que se lembrou de ter um cato como protagonista do seu primeiro livro?

Quero um Abraço é a história de alguém muito sensível e com um grande coração que é profundamente mal interpretado e visto como defensivo. Enquanto estava a pensar nestas caraterísticas, a ideia de um cato surgiu-me e instantaneamente soube que ele ia ser perfeito para a história que eu queria contar.

Mesmo com uma planta, Quero um Abraço é uma história sobre família e amizade. Tendo em conta os seus dois outros livros publicados em Portugal, O Que Aconteceu à Minha Irmã? e O Rosto da Avó, podemos dizer que escreve sobretudo sobre relações humanas e familiares?

Sim, até agora os meus livros têm mostrado sobretudo os temas comuns às relações e às dinâmicas familiares. Gosto muito de observar a forma como as pessoas interagem umas com as outras, especialmente dentro das fronteiras de uma casa particular, onde todas as suas idiossincrasias são sublinhadas. Suponho que este interesse influencia inevitavelmente as minhas histórias.

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Primeiro um livro sobre uma irmã mais velha, depois outro sobre uma avó inspiradora. Estas histórias são autobiográficas? Qual foi a ideia por trás de cada uma delas?

Os meus livros não são autobiográficos, mas escrevo sempre sobre sentimentos e emoções com os quais me consigo relacionar, direta ou indiretamente. Gosto de imaginar uma personagem numa situação específica e como é que isso a faria sentir. O que quer que a motiva parece-me tão real, tão tangível, que acabo por gostar das personagens como se fossem entes queridos.

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Normalmente como é que identifica um bom tema? É a história que surge primeiro ou o universo visual?

Uma ideia que vale a pena perseguir é uma que me envolva de forma profunda. Normalmente tenho um “pressentimento” em relação à história que quero contar e, apesar de todo o trabalho envolvido entre o primeiro rascunho e a obra acabada, consigo sempre reconhecer esse primeiro “pressentimento” no livro final. A narrativa vem sempre primeiro, enquanto a imagética nasce em resposta aos requisitos da história.

Como é que gostava que as pessoas lessem os seus livros?

Espero que os leitores os achem honestos e que as personagens pareçam humanas, credíveis. Para além disso, espero que cada leitor encontre a sua própria forma de se relacionar com estas histórias e as experiências que são narradas. Acho que os meus livros podem ser lidos de formas muito diferentes, consoante se seja criança ou adulto, mas há pessoas da mesma faixa etária que parecem dar ênfase a aspetos diferentes de uma história e já recebi interpretações bastante pessoais do mesmo livro. Adoro ver como as minhas histórias são filtradas através das experiências de outra pessoa.

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Envelhecer, ou a passagem do tempo, não são assuntos fáceis. Teve sempre confiança que dariam um bom livro para crianças?

Lembro-me de ter noção da passagem do tempo quando ainda era bastante pequena. Muitas vezes pensava nisso com impaciência, mas por vezes invadia-me uma sensação de perda eminente. À partida (espero), a maioria das crianças não tem tanta noção disto como eu tinha e se calhar, para algumas delas, O Rosto da Avó vai ser a primeira oportunidade de pensar neste conceito e irão reconhecer uma abordagem positiva do assunto. Talvez alguns miúdos não estejam preparados e regressem ao livro mais tarde. Acredito que qualquer tema pode ser bom para um livro infantil, mas a criança tem de encontrá-lo no tempo certo para ela.

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Falando da ilustração, como é que descreve o seu universo e a sua técnica?

Acredito que as ilustrações de um livro têm de servir a narrativa: afinal de contas, uma boa parte da história é contada através dos desenhos. Quando estou à procura da melhor abordagem a adotar para um livro em particular, procuro indicações no tom do texto mas também nas coisas que o texto não diz mas que estão implícitas — essas coisas têm de passar através das ilustrações. Por outro lado, se o texto nos está a dizer como é que uma personagem se está a sentir, posso querer usar as cores no desenho para dizer aos leitores que vai ficar tudo bem, ou seja, para tranquilizá-lo. A cor é apenas um exemplo: todos os elementos num desenho transportam uma qualidade expressiva, por isso quando estou a desenhar uma página tento explorar a força das marcas do lápis, o espaço livre à volta de uma figura, até o branco no papel, para me ajudar a atingir não só um efeito estético agradável mas também transmitir a atmosfera emocional certa.

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No novo livro, por exemplo, é muito bonita a maneira como faz zoom na cara da avó ou como transforma as suas memórias em desenhos tão coloridos e cheios que quase saem das páginas.

Para este livro funcionar eu tinha de criar duas dimensões temporais separadas e precisava que esta distinção fosse inequívoca. O espaço em que a menina está com a avó tinha de parecer íntimo, enquanto eu pretendia que o reino das memórias se destacasse pela sua riqueza, por estar cheio de vida e carregado com estas emoções todas. Encontrei esta solução muito cedo na história e apesar de não ter a certeza se seria capaz de desenhar o rosto da avó com a graciosidade que tinha em mente, sabia que era um desafio a ultrapassar para poder criar um livro que celebra verdadeiramente a idade e a experiência.

 

 

 

Musical “O Pátio das Cantigas” 16 de março, no Auditório dos Oceanos, com a presença de Manuela Eanes do IAC

Março 9, 2017 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Músicas & Musicais do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, em colaboração com o Casino de Lisboa, convidam-no a estar presente no próximo dia 16 de março, pelas 17:00 H, no Auditório dos Oceanos, no Musical “O Pátio das Cantigas”.

Veja aqui o cartaz.

 

Teresa Bombas: “Ainda é um indicador de pobreza do país”

Março 9, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Teresa Bombas ao http://www.dn.pt/ no dia 6 de março de 2017.

Teresa Bombas é especialista em ginecologia e obstetrícia

Teresa Bombas é especialista em ginecologia e obstetrícia

Diz que é preciso assumir que a gravidez na adolescência é um indicador de pobreza. Para minimizar ainda mais o problema, é necessário melhorar as condições de vida das famílias.

Teresa Bombas, presidente da Sociedade Portuguesa da Contraceção, considera que a nova geração tem mais informação e mais expectativas, ou, pelo menos, expectativas que não passam por ter filhos em idade precoce.

Como vê a descida do número de mães adolescentes em Portugal nos últimos anos?

Este é um indicador favorável da evolução do país. A gravidez na adolescência, e mais especificamente o número de adolescentes que são mães, é um dos indicadores de pobreza de um país. Basta olhar para o resto do mundo. O diminuir deste número é o resultado de várias condições: a natalidade baixou globalmente, a literacia aumentou, o número de anos da escolaridade obrigatória também, há acesso a uma educação e informação diferentes. Houve um aumento da riqueza das famílias, o que, de alguma maneira, permite que os filhos tenham expectativas diferentes dos pais. Obviamente, houve também maior divulgação e acessibilidade à contraceção.

Um dado positivo é que esta quebra não foi acompanhada de um aumento da interrupção voluntária da gravidez nestas faixas etárias…

O início da atividade sexual acontece em idades mais jovens, o número de gravidezes e partos em adolescentes baixa sem que tenha aumentado o número de interrupções neste grupo etário. Também sabemos que passaram a usar mais contraceção. Digamos que, globalmente, a nova geração está mais bem informada e parece tender a ter mais expectativas ou expectativas individuais diferentes que não passam por serem pais em idades em que ainda devem ser filhos.

Apesar desta quebra, continuamos a ter uma média de seis adolescentes mães por dia. O que está a falhar?

Continuamos a ter um problema social grave. Continua a haver gravidez na adolescência em grupos sociais carenciados, maioritariamente onde a gravidez na adolescência não é um novo acontecimento, mas sim um acontecimento de repetição. O que falha: melhorar as condições de vida da população. Há menos gravidez na adolescência, mas continuam a verificar-se situações sociais muito graves e estas, infelizmente, não diminuíram. É nas famílias mais carenciadas que este acontecimento se continua a verificar. O número de adolescentes institucionalizadas com filhos proporcionalmente não diminui, o número de famílias a receber rendimento de inserção social também não, o número de jovens com situações sob orientação da proteção de menores também não diminui proporcionalmente.

O que é que é preciso fazer para evitar a gravidez na adolescência?

Melhorar a vida da população. É preciso investir na melhoria da exclusão social e assumir definitivamente que este é um indicador de pobreza. Se uma jovem de 15 ou 16 anos, sabendo que existe contraceção, sabendo que se engravidar pode interromper a gravidez e decide (consciente ou inconscientemente) engravidar e continuar a gravidez, assumindo este como o único projeto de vida que tem, alguma coisa está a correr mal… No rendimento da família, que não consegue ter padrões de identificação que permitam aos seus filhos “sonhar diferente” para si.

Como é que isso se altera?

É preciso continuar a trabalhar educação sexual e tornar a contraceção acessível para todos. Temos de melhorar o nível de educação e sobretudo o rendimento das famílias. Não vou dizer que são só os com mais dificuldade e menos literacia que são pais na adolescência, mas sobretudo estes e ainda são muitos…

 

 

Mães antes do tempo. Seis adolescentes dão à luz todos os dias em Portugal

Março 9, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ 6 de março de 2017.

Belany tem 16 anos e um filho de um ano. Vive na casa da Associação de Humanidades, em Lisboa, mas diz que sempre teve o apoio da família   |  Pedro Rocha / Global Imagens

Belany tem 16 anos e um filho de um ano. Vive na casa da Associação de Humanidades, em Lisboa, mas diz que sempre teve o apoio da família
| Pedro Rocha / Global Imagens

O número está a descer, mas, em 2015, ainda houve 2295 nascimentos de mães entre os 11 e os 19 anos. Em 1980, eram quase 18 mil

“Quando descobri que estava grávida de dois meses tinha 16 anos. Falaram-me no aborto, mas isso nunca foi uma hipótese. Tive medo, claro, porque não sabia o que era ser mãe. Mas, por outro lado, também fiquei contente.” Susana, de 18 anos, vive desde novembro de 2015 numa instituição que apoia mães adolescentes, na Maia. Depois do choque inicial, a mãe “acabou por aceitar a gravidez”, mas “não tinha condições” para a criar, nem à neta. “Não havia outra hipótese a não ser uma instituição.” Belany tem hoje 16 anos, um filho de 1 ano e uma história idêntica. Vive na casa de acolhimento para adolescentes da Associação Humanidades, em Lisboa. Chegou ali aos 15 anos, no início da gravidez, mas já vinha de uma outra instituição para jovens, onde viveu durante algum tempo. A família, apesar de não ter meios para a receber, sempre a apoiou, “não é uma família ausente”. Tanto que agora já vai a casa passar alguns fins de semana. O bebé de Belany nasceu prematuramente, não foi fácil. Agora, está ótimo, a crescer normalmente, e ela voltou à escola, para completar a escolaridade obrigatória, que tinha interrompido.

Em Portugal, uma média de seis adolescentes dão à luz todos os dias. Segundo dados de 2015, os últimos disponíveis, nasceram 2295 bebés de mães entre os 11 e os 19 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), este número foi o mais baixo de sempre, desde o final da década dos anos de 1970. No início desta década, a média de adolescentes que davam à luz atingia as dez por dia. Em 2011, por exemplo, nasceram 3663 bebés na faixa etária mais jovem. Para Duarte Vilar, diretor executivo da Associação para o Planeamento da Família, a diminuição da maternidade na adolescência não pode ser analisada sem se ter em conta que “Portugal tem hoje menos adolescentes do que tinha”. Mas essa não é a única explicação: “O acesso à informação é mais fácil e existe uma generalização da educação para a saúde nas escolas”, afirma, destacando que tivemos “anos de crise, e há mais preocupação em não engravidar. Os adolescentes acabam por se informar mais”.

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Elsa Mota, psicóloga da Divisão de Saúde Sexual Reprodutiva, Infantil e Juvenil da Direção-Geral da Saúde, confirma que esta diminuição está relacionada “com estratégias múltiplas da saúde e educação, como a disponibilização de métodos contracetivos no Serviço Nacional de Saúde, contraceção de emergência e com o acesso a consultas de planeamento familiar”. Os números de gravidezes precoces, que coincidem quase sempre com o número de nascimentos, a não ser que haja um caso raro de gravidez gemelar, baixaram. Isto sem que tivesse aumentado o número de interrupções voluntárias da gravidez (IVG). Ainda de acordo com os dados do INE, em 2011 houve 2274 IVG em jovens entre os 15 e os 19 anos (11,1% do total em todas as mulheres). Em 2015, as IVG baixaram para os 1708 (10,38%). Na década de 1980, Portugal era dos países da Europa com uma das taxas mais elevadas de mães adolescentes (ver texto ao lado ). Os números provam: em 1980, houve 17 973 mães adolescentes que deram à luz. Duarte Vilar reconhece que os números “são hoje menos preocupantes”, mas “uma mãe adolescente deve ser sempre um motivo de preocupação”. Ainda há muitas situações em que “a maternidade na adolescência gera pobreza e abandono, até porque muitas jovens já são originárias de famílias carenciadas e vulneráveis”. A psicóloga Elsa Mota diz: “Só em determinados meios é que uma gravidez aos 16 anos é bem enquadrada, a maioria dos pais não aceita. É mais um bebé para eles.”

Escolas e pais alinhados

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas, diz que “as escolas estão muito sensibilizadas para fazer que a gravidez na adolescência diminua”, tanto pela ação de “psicólogos como nas aulas de educação para a cidadania, onde professores, médicos e enfermeiros fazem um trabalho notável”. Na opinião deste dirigente de escolas, “os pais também têm hoje um diálogo mais aberto e franco sobre esta temática com os filhos”. Mas seria importante, sugere, que “os professores das diferentes disciplinas tivessem formação” para abordar os mesmos assuntos nas aulas. Dados do estudo Health Behaviour in School-Aged Children revelam que, na generalidade, os adolescentes de 15 anos que já tiveram relações sexuais são cada vez menos – passaram de 18,2% para 16,1% entre 2006 e 2014 -, mas os que são sexualmente ativos usam menos o preservativo (25% não usaram, em 2014), quando, em 2010, só 10% diziam não o fazer.

A socióloga Margarida Gaspar de Matos, coordenadora nacional do estudo, diz que “o uso do preservativo baixou, o que é um risco para as infeções sexualmente transmissíveis”. No entanto, sublinha, houve alterações que têm resultado na diminuição da gravidez na adolescência, como o uso de outros meios de contraceção, a pílula, disponibilizada nas consultas de planeamento nos centros de saúde.

Uma gravidez precoce tem riscos biológicos, mas um impacto social mais alargado. “Os jovens “saltam passos” numa trajetória de desenvolvimento pessoal e social, com prejuízo da sua escolarização, do seu convívio entre pares e da vivência da sua própria adolescência”, alerta a socióloga. Carla, 19 anos, entrou na Associação Humanidades, em Lisboa, aos 15 e recorda que quando ficou grávida achou que “nunca mais acabaria os estudos”. Estava sozinha, sem o apoio do pai do bebé ou da família. “Ouvi comentários negativos, olhavam para mim de lado.” Enquanto viveu na instituição conseguiu acabar o 12.º ano. Renata Cortiço, responsável pela residência que acolhe estas mães, não nota diminuição na maternidade entre as jovens, porque os seis quartos da unidade estão sempre cheios. Ali vão parar casos referenciados pelo tribunal ou pelas comissões de Proteção de Crianças e Jovens em Risco. “Muitas vezes, as coisas já não estavam a correr bem na vida destas jovens antes da gravidez. Normalmente, já havia o abandono escolar.” E, em algumas situações, “há quem já esteja a viver em instituições, devido a casos de abuso sexual, violência ou de maus–tratos dentro da família”.

 

 

 

8º Congresso Nacional de Medicina do Adolescente – Adolescência e Violência – Prevenção, deteção e intervenção – 17-19 maio em Leiria

Março 9, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.asic.pt/index.php/congressos-asic?start=5


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