Há quem ensine os pais e os filhos a brincarem para terem sucesso no futuro

Março 2, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 23 de fevereiro de 2017.

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Consórcio entre ministérios, fundações e universidades levam as brincadeiras a cinco distritos do pais. Os resultados são positivos, agora só falta saber como vai continuar.

Bárbara Wong

Durante dez meses, duas vezes por semana, em sessões de duas horas, os bebés e as suas mães (ou pais, avós, amas… houve mesmo uma bisavó) saíam de casa e iam aprender a brincar, a socializar, a estar com outros bebés (até aos quatro anos e que não tivessem tido experiência de creche ou de pré-escolar). A experiência foi feita ao longo de dois anos e os resultados não podiam ser mais positivos. Por isso, o objectivo é dar continuidade a este projecto, embora ainda não se saiba como.

Brincar, explorar o espaço – interior e exterior –, descobrir, interagir, conversar. O projecto chama-se Grupos Aprender, Brincar, Crescer (GABC) e não é uma novidade no mundo – são os chamados playgroups –, nem sequer em Portugal – a Associação A Par promove esta relação entre os pais e os bebés, em Lisboa, desde 2008. A novidade está no facto de estes grupos terem nascido de uma parceria dos ministérios da Educação e da Segurança Social, com as fundações Gulbenkian (FCG) e Bissaya Barreto (FBB), a Universidade de Coimbra e o ISCTE, assim como com o Alto Comissariado para as Migrações, num projecto financiado pela Comissão Europeia.

Os GABC foram testados no terreno, monitorizados, avaliados e, nesta quinta-feira, elogiados pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, na Gulbenkian, em Lisboa, durante a abertura do encontro sobre Políticas públicas para a infância: o papel da família e das comunidades. Estes grupos permitem preparar os mais novos para, no futuro, terem sucesso.

“A vida começa aos zero”

João Costa lembrou que, embora o Ministério da Educação, tenha a seu cargo a educação de infância a partir dos três anos, há uma “aposta forte” nos anos que antecedem essa idade. “Entendemos que a vida começa aos zero, quando falamos de infância, falamos dos 0 aos 6 anos e tem de ser contínua a aposta”, declarou. Também Pedro Cunha, da Direcção-Geral da Educação (DGE), elogia esta iniciativa que se trata de uma “forma inovadora de responder às necessidades das famílias”, sobretudo das mais frágeis – uma vez que os GABC chegaram a bairros e a famílias desfavorecidas, com a ajuda do programa Escolhas.

Apesar de ter chegado a famílias com pais desempregados ou que recebem subsídios, estas foram as que tiveram mais dificuldade em aderir e em manter-se no projecto, notou Joana Alexandre, do ISCTE, responsável pela monitorização. “As famílias que vão mais são as que têm mais rendimento, foram essas que se auto-propuseram para participar. As que têm menos rendimento, que são referenciadas, que têm mais apoio, são as que se interessam menos. Mas é nessas que devemos apostar em termos de estratégias”, explica a investigadora, acrescentando que as monitoras do GABC tiveram formação especifica para captação dessas famílias.

O projecto revela que, no final, as crianças e os seus cuidadores (83% das participantes eram mães) têm mais competências para escolher as brincadeiras, que a qualidade do ambiente familiar aumenta, acrescenta Clara Barata, da Universidade de Coimbra, responsável pela avaliação do projecto.

A aposta agora é na continuidade. Quando o projecto terminou, as famílias nem queriam acreditar, conta Joana Freitas Luis, coordenadora nacional dos Gabc. A educadora de infância da FBB conta que na Gafanha da Nazaré – o projecto decorreu em cinco distritos (Aveiro, Coimbra, Lisboa, Porto e Setúbal) e abrangeu 228 famílias – uma mãe decidiu abrir a sua casa para dar continuidade ao grupo. A ideia sensibilizou de tal maneira o presidente da junta de freguesia que este disponibilizou um espaço para as famílias se encontrarem.

Para Pedro Cunha, a continuidade do projecto passa pela sociedade civil, por instituições particulares de solidariedade social, associações, juntas de freguesias. O desafio é as pessoas “inspirarem-se nesta resposta para romper com a ideia fatalista de que não há nada a fazer”, defende o dirigente da DGE. E chegar a grupos e etnias “mais vulneráveis”, defende o secretário de Estado. “Esta é uma meta fundamental: ver quais são os grupos a que ainda não chegámos”, acrescenta, lembrando a importância da inclusão até para, no futuro, apostar no sucesso escolar. “As crianças mais pequenas são as que estão mais abertas à inclusão, elas oferecem-nos instrumentos para aprender com elas”, concluiu o governante na cerimónia de abertura do encontro.

 

 

 

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