Irmão mais velho ou mais novo: quem é o mais inteligente?

Fevereiro 23, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://pt.euronews.com de 8 de fevereiro de 2017.

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Os primogénitos têm mais hipóteses de ter êxito na vida. Até agora existiam estudos que diziam que ser o primeiro a nascer se traduzia a um maior nível de estudos e maiores salários. Um fenómeno conhecido como “efeito da ordem no nascimento”: quanto maior é a diferença de anos de uns irmãos para os outros, mais vantagens terá o mais velho.

Mas agora aparece uma explicação ao nível cognitivo. Um estudo agora revelado analisou o comportamento de 5 mil crianças dos Estados Unidos e concluí que as diferenças podem começar antes dos três anos de idade.

Em termos biológicos não parece haver vantagens: o mais novo costuma nascer com mais peso e com mais saúde. A nível de apoio emocional, ao que tudo indica, aos mais novos é dada mais atenção. Mas o que muda então são os estímulos cognitivos: a leitura de histórias, a música, as visitas aos museus, as idas ao cinema e até a realização de trabalhos manuais, parecem ocorrer com mais frequência com os primeiros filhos. Ou seja, os mais novos serão menos estimulados e acabam por ter rendimentos académicos piores.

Este estudo foi publicado no Journal of Human Resources

 

 

Crianças portuguesas dominam televisão e tablet

Fevereiro 23, 2017 às 10:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.cmjornal.pt/ de 16 de fevereiro de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Crescendo entre Ecrãs. Usos de meios eletrónicos por crianças (3-8 anos)

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15% das crianças entre os três e os oito anos vê reality shows com os pais.

Por Hugo Real

As crianças portuguesas entre os “três e os oito anos são nativos digitais, vivem em lares digitais, têm pais digitais e 94 % vê televisão todos os dias. O televisor e o tablet funcionam muitas vezes como babysitter ou instrumento apaziguador”. Esta é uma das principais conclusões do estudo ‘Crescendo entre Ecrãs. Usos de meios eletrónicos por crianças (3-8 anos)’, um trabalho desenvolvido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social em parceria a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que já está disponível online.

De acordo com o estudo, “as famílias de condição escolar mais baixa têm mais aparelhos digitais em casa e consomem mais conteúdos da televisão generalista”. Já as crianças de famílias de um “estrato socioeconómico mais elevado são as que mais usam a internet”. O inquérito mostra ainda que o televisor está presente em 99% dos lares, sendo seguido pelo telemóvel (92%), o computador portátil (70%) e o tablet (em 68%). “Estes equipamentos estão nos espaços comuns da casa, ao alcance das crianças e, em alguns casos, até lhes pertencem. As crianças apropriam-se dos dispositivos comuns e conseguem manuseá-los com facilidade”, refere a investigação coordenada pela professora Cristina Ponte.

De acordo com o estudo, 94% das crianças vê, diariamente, 1h41 minutos de televisão, sendo que este valor que sobe ao fim de semana. Desenhos animados e programas infantis são os conteúdos favoritos e para a família. Em termos de canais, o Panda é visto diariamente por 75% das crianças, enquanto que os canais Disney chegam a 56%. “O consumo de canais generalistas é superior em crianças integradas em famílias com menor escolaridade”, acrescenta o documento.

O trabalho indica ainda que 79% das crianças vê televisão com acompanhamento parental, “o que significa que 21% das crianças vê televisão sozinha”. “Os pais declaram ver frequentemente com a criança desenhos animados e programas infantis, mas também visionam com os filhos outros conteúdos, como telenovelas, descoberta de talentos, concursos, noticiários… e até reality shows (15%)”.

Segundo a investigação, os tablets são vistos pelos pais como “um dispositivo adequado para as crianças” e estas fazem uso destes equipamentos em “dois terços dos lares onde há este dispositivo, com ou sem a tutela dos pais e irmãos mais velhos”, sendo que 63% tem mesmo o seu próprio equipamento. De resto, os tablets e smartphones são mesmo “usados para acalmar ou distrair a criança durante as refeições ou para premiar o bom comportamento ou desempenho escolar”. É de registar ainda que “18% das crianças destas idades têm um telemóvel para uso pessoal (metade dos quais smartphones)”.

O inquérito revela também que 38% destas “crianças acedem à internet, sendo o tablet o dispositivo mais usado para este fim (63%)”.

 

 

 

 

Educação parental severa pode levar a maus resultados escolares

Fevereiro 23, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt de 8 de fevereiro de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Gender Differences in the Developmental Cascade From Harsh Parenting to Educational Attainment: An Evolutionary Perspective

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Estudo definiu como parentalidade severa gritar, bater ou outro tipo de comportamento coercivo, além de ameaças físicas e verbais como forma de punição

As crianças sujeitas a uma educação parental rígida correm maior risco de ter fraco aproveitamento escolar, revela um estudo, segundo o qual a educação parental tem um papel importante na formação do comportamento ou nas relações com os colegas.

O estudo, publicado hoje na revista ‘Child Development’, foi realizado por investigadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e procurou determinar a relação entre o tipo de educação por parte dos pais e os efeitos nas crianças e jovens ao nível escolar ou comportamental.

De acordo com os investigadores, tanto os efeitos diretos como indiretos do tipo de educação que os pais dão aos filhos têm um papel importante no momento de moldar o comportamento das crianças e jovens, bem como a sua relação com os colegas.

O estudo mostrou que uma educação parental severa está relacionada com piores resultados na escola “através de um conjunto de complexos processos em cascata que enfatizam comportamentos atuais à custa de objetivos educacionais futuros”.

Os investigadores descobriram que os alunos do sétimo ano, cujos pais eram severos, tinham maior risco de no nono ano dizer que o seu grupo de amigos era mais importante do que outras responsabilidades, incluindo cumprir as regras dos pais.

Por outro lado, isto levou a que se envolvessem em comportamentos de maior risco no 11.º ano, incluindo relações sexuais precoces nas raparigas e aumento da delinquência (bater, roubar) nos rapazes.

Esses comportamentos, por sua vez, levaram a um baixo rendimento escolar (avaliado por anos de escolaridade cumpridos) três anos depois do fim do ensino secundário, o que mostra que os jovens cujos pais eram mais severos, eram mais propensos a abandonar a escola ou a faculdade.

“A educação parental influenciou os resultados educacionais mesmo depois de ter em conta a origem socioeconómica, os resultados dos testes, a média dos resultados escolares e os valores educacionais”, lê-se no estudo.

Acrescenta que os jovens cujas necessidades não são asseguradas pelas primeiras figuras de referência, os pais, vão procurar reconhecimento junto dos pares.

“Acreditamos que o nosso estudo é o primeiro a usar as histórias de vida das crianças como uma estrutura para analisar o modo como a parentalidade afeta os resultados educacionais das crianças através de relacionamentos com os colegas, comportamento sexual e delinquência”, defendeu o coordenador do estudo, Rochelle Hentges.

A investigação definiu como parentalidade severa gritar, bater ou outro tipo de comportamento coercivo, além de ameaças físicas e verbais como forma de punição.

No estudo participaram 1.482 alunos, seguidos ao longo de nove anos, começando no sétimo ano de escolaridade e terminando três anos depois da data prevista para o fim do secundário. No final do estudo, mantinham-se 1.060 alunos.

No global, o grupo incluía alunos de várias origens raciais, socioeconómicas e geográficas, tendo sido pedido aos participantes para darem conta do uso de agressões físicas e verbais por parte dos pais, bem como definirem de que forma interagiam com os colegas na escola ou falarem sobre delinquência ou comportamentos sexuais.

Marcadores de excesso de confiança com os colegas incluem, por exemplo, optar por passar tempo com os amigos em vez de fazer os trabalhos da escola ou acreditar que é correto quebrar regras para manter os amigos.

Os investigadores salientam que as conclusões do estudo têm implicações nos programas de prevenção e intervenção destinados a aumentar o envolvimento dos alunos na escola e aumentar as taxas de sucesso escolar, tendo em conta que, como as crianças expostas a uma educação parental mais severa são suscetíveis de terem resultados escolares piores, poderiam ser alvo de uma intervenção.

mais informações no link:

https://www.eurekalert.org/pub_releases/2017-02/sfri-hpp020117.php

80 anos separam as histórias destes dois refugiados – eles têm mais em comum do que imagina – UNICEF

Fevereiro 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.unicef.pt/18/site_pr_unicef_-_novo_video_refugiados_2017_02_03.pdf

Inflação de notas continua a ser maior no ensino privado

Fevereiro 22, 2017 às 2:41 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de fevereiro de 2017.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Comparação das Classificações Internas no Ensino Secundário

Diferenças entre as notas internas dos alunos do ensino secundário também se fazem sentir por curso e região, segundo revela novo estudo da DGEEC.

Clara Viana

Em 2016, as notas atribuídas pelas instituições de ensino privadas aos seus alunos do secundário foram mais altas cerca de 0,67 valores do que as registadas no público. Em 2014, esta diferença estava nos 0,92 valores. O desalinhamento entre os dois subsistemas de ensino “acentuou-se entre 2011 e 2014, tendo-se posteriormente observado uma ligeira correcção nos anos de 2015 e 2016”, nota a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) num novo estudo sobre as classificações internas (aquelas que são atribuídas pelos professores das escolas), com a data deste mês.

O estudo, divulgado no site da DGEEC, vem confirmar que, entre 2011 e 2016, os alunos do ensino público têm tido, em média, “classificações internas mais baixas do que os seus colegas do privado que, posteriormente, obtêm resultados iguais nos exames nacionais”.

A DGEEC justifica a importância desta análise pelo facto de o desalinhamento das notas entre escolas ser preocupante devido, em primeiro lugar “à questão da equidade entre alunos no concurso nacional de acesso ao ensino superior”. Bastam umas décimas a mais na média para um candidato ultrapassar centenas de outros, nomeadamente nos cursos mais disputados, como Medicina.

A DGEEC afirma que pretende contribuir com este estudo para “um debate informado sobre esta matéria”.

O regime de acesso ao ensino superior está a ser reavaliado, existindo já propostas no sentido de penalizar os candidatos que venham de escolas que inflacionem sistematicamente as notas. Também existem aquelas que dão notas internas sistematicamente mais baixas. São as que desalinham para baixo.

Para calcular o chamado indicador de alinhamento das notas a DGEEC compara as classificações internas atribuídas pelas escolas aos seus alunos com as classificações atribuídas pelas outras escolas do país a alunos que tiveram resultados semelhantes nos exames nacionais. E o que é que este exercício pode revelar?

Por exemplo, esclarece a DGEEC, “se as classificações internas atribuídas pela escola A são sistematicamente superiores às atribuídas pela escola B a alunos que obtêm os mesmos resultados nos exames, então é possível que a escola A esteja a utilizar critérios de avaliação do desempenho dos seus alunos diferentes dos utilizados pela escola B”.

Nem todas as privadas inflacionam

De regresso às diferenças entre público e privado, o que também se conclui neste estudo é que nem todas as privadas inflacionam notas. “Existe uma grande heterogeneidade dentro do subsistema privado e também, em menor grau, dentro do subsistema público”, frisa a DGEEC.

Esta heterogeneidade é comprovada pelo seguinte exercício: comparando alunos com resultados semelhantes nos exames nacionais, as classificações internas atribuídas pelos 15 estabelecimentos privados que mais inflacionaram as notas foram cerca de 1,91 valores mais elevadas, em 2014, do que as notas internas atribuídas pelos restantes colégios. Aquele valor desceu para 1,52 valores em 2016.

Já no ensino público, constatou-se que as notas internas dadas nas 15 escolas com notas mais inflacionadas foram, em 2016, cerca de 0,45 valores mais elevadas do que as classificações atribuídas pelos restantes estabelecimentos públicos.

Alunos de Línguas penalizados

Mas não é só entre o ensino público e privado que existem desalinhamentos de notas. Estes encontram-se também entre cursos e regiões.

Nos cursos científico-humanísticos do ensino secundário, que são os vocacionados para prosseguir estudos no superior, existem quatro opções: Artes Visuais, Línguas e Humanidades, Ciências Sócio-económicas e Ciências e Tecnologias. Esta última é a que tem actualmente mais estudantes.

Comparando alunos que tiveram resultados semelhantes nos exames, constatou-se que nas suas notas internas existe “um desalinhamento persistente entre os diversos cursos”. “Aos alunos de Línguas e Humanidades são, em média, atribuídas classificações internas mais baixas do que aos seus colegas de Ciências e Tecnologias”, conclui a DGEEC. Em 2016, este desalinhamento para cima foi de cerca de 0,67 valores a favor dos alunos de Ciências e Tecnologias.

 

 

 

“Tabaqueiras estão a fazer dinheiro à custa da saúde das crianças”

Fevereiro 22, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 9 de fevereiro de 2017.

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Paulo Alexandre Amaral – RTP 09 Fev, 2017, 20:22 / atualizado em 10 Fev, 2017

Uma investigação da Human Rights Watch dá conta dos malefícios do tabaco não apenas no consumidor final mas do outro lado da cadeia: entre milhares de crianças que a partir dos oito anos trabalham em plantações na Indonésia e se expõem durante as colheitas aos efeitos da absorção de nicotina e pesticidas altamente tóxicos para o ser humano. O relatório do ano passado é relembrado pela HRW numa semana em que o grupo Facing Finance publica o seu próprio texto denunciando as grandes multinacionais que lucram com violações ambientais e dos Direitos Humanos.

O relatório “Dirty Profits” (Lucro Sujo) do grupo Facing Finance, agora publicado, chama a atenção para a necessidade de implementar princípios éticos na regulamentação dos investimentos feitos pelas grandes companhias.

Um dos casos que surge neste texto é o das crianças que trabalham sem condições nas plantações de tabaco na Indonésia, uma investigação da HRW que aborda esse tema da relação das tabaqueiras com os locais de produção na Indonésia. Nessa investigação a HRW dá conta das perigosas condições de trabalho a que são submetidas estas crianças que são envolvidas na cadeia de produção da folha de tabaco.

Estamos a falar dos produtores que fornecem uma grande parte das grandes tabaqueiras, não apenas indonésias mas também mundiais, como a British American Tobacco e a Philip Morris International.

Nas 119 páginas do do relatório do ano passado “The Harvest is in My Blood’: Hazardous Child Labor in Tobacco Farming in Indonesia”, a organização de defesa dos Direitos Humanos estabelece a ligação entre a produção de tabaco e os problemas de saúde que afectam os trabalhadores, explicando a cadeia percorrida pelos produtos tóxicos até se instalarem no organismo.

As crianças são uma parcela significativa destes trabalhadores expostos à nicotina. Mas não apenas: além da nicotina, as crianças – muitas delas a partir dos oito anos – vê-se na situação de lidar com “químicos tóxicos, utensílios perigosos, carregar com pesos excessivos e trabalhar em períodos de calor extremo”, refere o texto, para advertir que estas condições de trabalho podem ter para estes pequenos trabalhadores “consequências duradouras tanto para a sua saúde como para o seu desenvolvimento”.

Quinto produtor mundial

A Indonésia ocupa o quinto lugar na produção mundial de tabaco. O país alberga mais de 500 mil quintas que se dedicam a este negócio. Um negócio que acaba por ser largamente lucrativo para os proprietários, já que uma larga fatia da mão-de-obra é constituída por crianças entre os 10 e os 17 anos.

De acordo com as contas da Organização Internacional do Trabalho, mais de milhão e meio de trabalhadores nesta faixa etária trabalham na Indonésia no sector da agricultura. Não há contudo números exactos para a fatia que está nas plantações de tabaco.

Sabe-se, de qualquer forma, que o sistema das tabaqueiras passa por uma cadeia de venda e revenda da folha de tabaco que pode começar nas quintas de pequena e média dimensão até chegar ao topo, as grandes companhias de transformação. Por norma, o sistema montado desta forma tende a desculpabilizar as grandes marcas, que garantem observar as regras sanitárias e de segurança. Quando são envolvidas em violações de leis laborais, não é raro atirarem para cima da mesa a questão das subcontratações, afirmando desconhecer o que é do conhecimento geral logo desde a base.

O trabalho infantil encaixa nesta classe de problema. Sedeadas em países ocidentais com leis restritas relativamente ao trabalho infantil, as grandes empresas tabaqueiras deslocalizam parte da produção e muitas vezes da transformação para países com autoridades judiciais permissivas, que fecham os olhos a este tipo de violação. O resultado é a poupança com os custos de trabalho.

A HRW exige neste relatório que as grandes multinacionais do tabaco façam alguma coisa para parar as violações laborais e proíbam os “seus” produtores de usarem crianças em contacto directo com o tabaco. O recado segue também para Jakarta, com a organização a instar o governo indonésio a regular a indústria de forma a não deixar escapar os culpados destas práticas ilegais.

“As companhias de tabaco estão a fazer dinheiro à custa da saúde das crianças obrigadas ao trabalho infantil na Indonésia”, acusa Margaret Wurth, uma das investigadoras da Human Rights Watch e co-autora do relatório.

Crianças com náuseas, vómitos, dores de cabeça

A investigação foi realizada em quatro províncias indonésias, três das quais contribuem com 90% do total nacional da produção de tabaco: Java Oriental, Java Central e a província ocidental de Nusa Tenggara.

Entre as 227 pessoas entrevistadas contavam-se 132 crianças com idades que iam dos 8 aos 17 anos, muitas das quais foram obrigadas a começar a trabalhar aos 12 anos.

Metade das crianças entrevistadas disse sofrer com náuseas, vómitos, dores de cabeça e tonturas, tudo sintomas relacionados com envenenamento por nicotina através da absorção pela pele.

Ayu, uma criança de 13 anos, disse aos investigadores que vomita todos os anos quando está a trabalhar na colheita de tabaco: “Eu comecei a vomitar quando já estava muito cansada de cortar e carregar as folhas de tabaco. Eu vomitei tantas vezes”.

Não há ainda estudos sobre os efeitos a longo prazo, mas os investigadores que estudam as consequências do tabagismo sugerem que a exposição à nicotina durante a infância pode acarretar o desenvolvimento do cérebro.

Uma combinação de nicotina e pesticidas

Muitas destas crianças explicaram como são obrigadas a manipular e aplicar pesticidas e outros químicos nas plantações. Será através da pele que muitas destas crianças absorvem quantidades letais de nicotina e pesticidas altamente nocivas para a saúde.

Riscos que tanto as crianças como os seus pais manifestaram desconhecer: a exposição prolongada a pesticidas pode provocar problemas crónicos graves como problemas respiratórios, cancro, depressão, problemas cognitivos e infertilidade.

Constatando que eram poucas as crianças ou os seus pais, alguns proprietários dessas pequenas quintas, que procediam de acordo com normas de segurança, a HRW vem agora exigir ao governo indonésio que faça sessões de esclarecimento e implemente planos de segurança para os trabalhadores dos campos de tabaco.

 

 

 

Música pra ti – Instrumentos improváveis -25 de Fevereiro no CCB

Fevereiro 22, 2017 às 11:17 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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capturar

25 fev / 8 abr / 27 mai / 24 jun

Miniconcertos

 Depois das apresentações singulares de Eli Gras, em Dezembro, e Pamelia Stickney, em Janeiro, o ciclo de miniconcertos Música pra Ti dedicado ao tema “instrumentos Improváveis” continua até Junho com muitos sons surpreendentes ainda por descobrir.

 Músicos de várias partes do mundo vão partilhar as suas invenções no universo multidisciplinar da música experimental e eletrónica, da construção de novos instrumentos com forte componente visual e das esculturas sonoras. Estes músicos originais vão atuar durante 30 minutos e, no final, responder a perguntas do público curioso.

 Os concertos Música pra Ti oferecem-se como um momento intimista que aposta na proximidade com a performance, em que o conhecimento e a experiência dos músicos são oferecidos a crianças e a adultos para satisfazer todas as suas curiosidades.

mais informações:

https://www.ccb.pt/Default/pt/FabricaDasArtes/Programacao/Espetaculos?a=721

Ação de Formação TAV – Técnico/a de Apoio à Vítima – 14 de março a 19 de abril em Lisboa

Fevereiro 22, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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amcv

 

Técnico de Apoio à Vítima

“«Técnico de apoio à vítima» a pessoa devidamente habilitada que, no âmbito das suas funções, presta assistência directa às vítimas;” (Lei 112/09 de 16 de Setembro)

“1 — Constituem requisitos obrigatórios para a habilitação como técnico de apoio à vítima:

  1. a) A habilitação académica de nível superior na área das ciências sociais e humanas ou a posse de habilitação académica de nível superior noutra área, desde que, nesta situa-ção e, cumulativamente, o interessado detenha experiência profissional relevante no domínio da violência doméstica, requisito este cuja observância é verificada pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG);
  2. b) A frequência, com aproveitamento, de 90 horas de formação para técnicos de apoio à vítima.

(…)

4 — As pessoas que, à data da entrada em vigor do presente despacho, sejam detentoras de habilitação de nível secundário e exerçam, comprovadamente, a função de técnico de apoio à vítima ficam dispensadas do cumprimento do requisito da posse de habilitação de nível superior previsto na alínea a) do n.º 1.”

(in Despacho nº 6810-A/2010)

Objetivos:

Qualificar profissionais que atuam no domínio da Violência Doméstica e de Género e ou da prevenção da vitimação ou revitimação desta – Técnicos/as de Apoio à Vítima (artº2º da Lei nº112/2009 de 16 de setembro).

Destinatárias/os:

Profissionais que prestam apoio técnico directo às vítimas/sobreviventes de violência doméstica / violência nas relações de intimidade das seguintes áreas: educação, saúde e saúde mental, psicossocial, desenvolvimento comunitário, jurídica.

Programa/Conteúdos:

Metodologias de Formação:

Apresentação dos conteúdos; Brainstorming; Discussão de grupo; Análise de casos; Role Playing; Focus Group; Questionários e exercícios online.

Datas:

14 de Março a 19 de Abril de 2017

Sessões e-Learning: 14 de Março a 19 de Abril

Requisitos e-Learning: computador, internet, colunas.

Sessões presenciais: 14 de Março (14h – 17h); 21 e 28 Março, 04 de Abril (10h – 17h);

18 e 19 Abril (10h – 18h)

Local: Lisboa (local a confirmar)

Módulo Duração
e-Learning Presencial
I – Perspetiva História da Violência na Família 4h 2h
II – Vitimologia: Conceitos Gerais 6h
III – Violência Doméstica: Conhecer a situação e refletir sobre ela 17h 1h
IV – Violência Doméstica: Orientações para a Intervenção Psicossocial 11h 11h
V – A Lei e o Combate à Violência Doméstica 12h 6h
VI – Práticas Orientadas 6h 14h
Total
 56h  34h

 

 Inscrições:

Valor da Inscrição: 425,00 €*

* Desconto de 50% para associadas/os que tenham as quotas em dia ou se inscrevam até 60 dias antes da data de início da formação.

Pagamento: 50% do valor no momento da inscrição e os restantes 50% até ao dia 13 de Março.

Formas de Pagamento:

 Transferência Bancária (NIB – 0035 0557 00026804230 35)

 Cheque à ordem de AMCV – Associação de Mulheres Contra a Violência

 

(Enviar comprovativo com a inscrição por e-mail ou para a morada: R. João Villaret, 9 – 1000-182 Lisboa)

Data Limite de Inscrição: 08 Março

Inscrições limitadas a 15 participantes

Número Mínimo: 8 participantes

Certificação:

Para obtenção do certificado é necessário:

  1. 90% da frequência das sessões presenciais – 1 manhã ou tarde;
  2. Completar 2 questionários de avaliação com aproveitamento (e-Learning);
  3. Completar pelo menos 4 dos 5 exercícios propostos (e-Learning).

 

Informações Complementares:

mailto:formacao@amcv.org.pt/ 21 380 21 60

 

http://www.amcv.org.pt/pt

 

Sabe porque chora o seu bebé? Arranjámos-lhe uma tradutora

Fevereiro 21, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista do http://observador.pt/ de 4 de fevereiro de 2017 a Joana Rombert.

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Ana Cristina Marques

Fome, cólicas ou sono. Interpretar o choro de um bebé consegue ser um quebra-cabeças, mas é também um desafio à altura de Joana Rombert, terapeuta da fala e autora de “A Linguagem Mágica dos Bebés”.

Talvez seja fome. Talvez a fralda esteja suja ou, então, o sono atacou de vez. Às vezes parece impossível adivinhar o que causa aquele choro desenfreado, aflitivo, que deixa um pai e uma mãe de cabelos em pé e com os nervos em franja. Saber interpretar um bebé não é tarefa fácil, mas é precisamente o trabalho de Joana Rombert, terapeuta da fala e autora do livro “A Linguagem Mágica dos Bebés” (Esfera dos Livros) que chegou às livrarias nacionais no final de janeiro.

No livro, a especialista que também já foi apelidada de tradutora dos bebés descreve as várias etapas de comunicação e linguagem de uma criança, desde o primeiro dia de vida até aos três anos. Entre explicações mais e menos técnicas há ilustrações divertidas e ainda muitas estratégias para ajudar a melhorar a comunicação entre pais e filhos — porque esta relação, que inclui diversos sons, gestos, expressões corporais e faciais, faz-se sempre entre mãe/pai e filho.

No livro descreve várias etapas comunicativas e linguísticas da criança, desde os zero meses até aos três anos. Há algum período fundamental para este desenvolvimento?

No livro tenho em conta o modelo Touchpoints, que diz que o desenvolvimento das crianças não é uma linha diagonal mas sim feito por etapas, por pontos de viragem em que acontecem regressões no desenvolvimento para haver evoluções. Por exemplo, os quatro meses são um touchpoint em que o bebé está mais virado para fora, olha mais para o mundo exterior, em que só quer comunicar e interagir com os outros. Então o que é que acontece à sua alimentação e ao sono? O bebé dorme menos porque mal acorda quer ir brincar. E quando está a mamar pára muitas vezes e olha para a mãe, como que a dizer: “Eu sei que estás aí, quero é brincar contigo”. Portanto, nos três primeiros meses ele está mais virado para dentro e aos quatro meses vira-se para fora — nessa altura há uma disrupção ou uma desorganização familiar, em que os pais começam a dizer: “Então, o meu bebé sempre comeu e dormiu tão bem e agora não… O que é que eu fiz?”. Isto faz parte do desenvolvimento normal. A regressão no sono e na alimentação dura semanas. Naturalmente isto vai acontecer porque o bebé está a aprender coisas novas, pelo que há outras áreas que ficam para trás, nomeadamente a do sono e da alimentação. Estes momentos são ponto-chave, são janelas de oportunidade durante o desenvolvimento, às quais nós, pais e profissionais, nos podemos aliar — é uma altura em que podemos promover ainda mais o desenvolvimento da criança.

Nesses momentos-chave, como nos quatro meses, o que é que os pais devem fazer? Como é que se devem comportar?

Primeiro, os pais não estimulam a comunicação nem a linguagem, porque a linguagem não se estimula. É antes promovida, facilitada, uma vez que todos nós nascemos com esta capacidade inata para desenvolver a linguagem e a comunicação de maneira a relacionarmos-nos com o mundo. O que acontece é que durante este tempo há vários ingredientes para os pais darem mais espaço à criança para comunicar. Um aspeto que acho muito importante é em relação ao tempo de espera e ao tempo de escuta — os pais devem observar e estar atentos às várias etapas da criança, estar atentos à sua comunicação e responder àquilo que ela manifesta, mesmo que às vezes não entendam o que ela quer. O mais importante são todas estas tentativas que eles, pais, fazem para comunicar com o seu bebé.

Diz que todo o comportamento é uma forma de comunicação. Como por exemplo?

Os pais devem estar atentos a todo o comportamento do bebé. Se o bebé se aperta muito e dá um grito é porque há uma dor. Ou se, por exemplo, estamos a falar com o bebé e ele está com vontade de dormir, então a indicação que ele está a dar é que agora não está disponível para brincar assim. Ou quando o bebé leva as mãos à boca e começa a chupar os dedos, dando o sinal que está com fome. Há vários sinais que ele nos pode dar e, de facto, ele manifesta muito através do sono e da alimentação que são, no início, as necessidades básicas dele.

A ideia passa pelos pais estarem simplesmente atentos às mensagens do bebé?

Exatamente, para perceber o seu significado, para saber porque é que ele está a manifestar aquilo e qual é a sua necessidade. O mais importante são estas tais tentativas de comunicação [entre pais e filho]. Há muitos pais que não sabem interpretar os choros do bebé — e não têm de o saber, isso não é obrigatório, não há regras nem padrões em termos de desenvolvimento. Há padrões normativos mas estes têm espaços de abertura muito grandes, nem tudo é sinal de alarme e nada é estanque. Tudo é flexível e tudo é evolutivo. Todas as dúvidas, inquietações e inseguranças fazem parte da maternidade e da paternidade e é um processo de tentativa-erro. O melhor que eles [pais] podem fazer é ir ter com o bebé e tentar tudo aquilo que conseguirem. É isso que faz com que o bebé sinta “olha, este é o meu pai, ele está aqui para mim”. Ao fazer isto está-se a dar significado ao que o bebé quer transmitir, mesmo que não haja sintonia entre pai e filho. Isso faz parte do desenvolvimento e ajuda os pais a tornarem-se mais confiantes.

Nesse sentido, o livro funciona apenas como uma orientação?

O livro dá-nos algumas pistas de sinais fisiológicos e naturais, como as expressões faciais e a história do “neh”. Porque é que um bebé diz “neh”? No choro da fome, o bebé faz o que parece ser um “neh” porque ele tem a língua lá em cima, que é quando faz sucção — no movimento da sucção, a língua está lá em cima e bate no céu da boca. Mas há bebés que fazem isto de forma muito competente e outros nem por isso. Há bebés em que é mais difícil diferenciar o tipo de choro e é preciso ter um ouvido bastante treinado — também não é obrigatório tê-lo. A mesma coisa acontece do bebé para os pais, porque a comunicação não é só dos pais para o bebé. Achamos que o bebé é mais passivo, mas o bebé comunica de uma forma muito forte. Ele chora e isso é o máximo da comunicação, de tal maneira que as pessoas até ficam com desconforto. O choro é, nesta fase, a única forma de linguagem do bebé, ele não conhece outra.

No livro escreve que eles, os bebés, conseguem perceber o que nós dizemos e que quando ainda estão na barriga da mãe conseguem memorizar a voz desta. Será que subestimamos os bebés?

Acho que sim, claro. Acho que subestimamos completamente, porque mal o bebé nasce é altamente competente. Não é que ele perceba as palavras, até porque ainda não tem esse entendimento, mas ele consegue discriminar diferenças de línguas. É uma coisa de facto altamente competente, em termos de discriminação auditiva: um bebé com muito poucos dias consegue diferenciar. Sabemos que quando o bebé está dentro da barriga, na vida intrauterina, ele vai ouvindo os sons de quando o pai ou a mãe falam com ele, os sons que ouviu durante nove meses. Quando nasce, se o pai ou a mãe falarem, ele vai imediatamente virar a cara para eles. Se eu falar, ele não vai virar a cara para mim. Ele sabe que aqueles são os seus pais, que estiveram sempre com ele.

O bebé também responde de forma diferente a sons mais agudos ou mais graves. Uma vez que o bebé esteve dentro da barriga e ouviu durante mais tempo a mãe, ele prefere as vozes semelhantes à dela. Portanto, ele está mais habituado a discriminar esses sons. O mesmo acontece com a entoação. Imaginemos uma mãe que durante toda a gravidez fala baixinho: se quando o bebé nasce falamos com muita entoação, ele vai responder menos. Ele também é capaz de discriminar diferentes línguas porque discrimina as partes da prosódia, da entoação, da melodia… Hoje em dia sabe-se isto através dos movimentos da chucha — quando o som é diferente eles alteram o movimento da chucha e vice-versa. Há muitos estudos neste sentido. Uma coisa engraçada é que os pais, homens, quando falam com os bebés falam em falsete — é este a tipo de fala que o bebé está mais atento.

Se a fase dentro da barriga é tão importante para a comunicação posterior, o que é que as mães não devem ou não podem fazer durante a gestação?

Não sei o que é se deve ou não fazer. Agora, de facto, isso vai ter impacto na vida do bebé. Se for uma mãe com vários tipos de emoções, o bebé também vai estar preparado para diferentes tipos de emoções. Acho que não há um padrão para isso. O importante é a mãe comunicar de volta quando o bebé dá um pontapé — de certa forma o bebé está a dizer alguma coisa à mãe. É tudo um processo muito natural. Quando um bebé nasce os pais passaram horas a admirá-lo. Os pais estabelecem uma relação com o bebé através do seu comportamento e comunicação (a forma como tocam no bebé, como olham para ele…). O nosso comportamento também é comunicação. Este livro não é para ensinar pais e mães, é para nos ajudar a descobrir melhor quem é o nosso bebé e como é que podemos interagir com ele.

Também é necessário que o bebé esteja inserido num ambiente comunicativo. O que se entende por isso?

Um ambiente comunicativo é um ambiente em que há linguagem, em que o bebé desenvolve a comunicação e a linguagem de duas formas diferentes. Primeiro, todos nós temos um dispositivo que é inato, temos alguma coisa cá dentro que nos permite desenvolver. É como aprender a andar: o bebé quando começa a andar precisa de um espaço para o fazer, ele pratica, cai e levanta-se, e há uma altura em que começa a andar. Ninguém ensina o bebé a andar, porque isso vem de dentro de nós. A mesma coisa acontece com a comunicação e a linguagem: assim que eles nascem a primeira coisa que precisam é de ter um interlocutor, alguém que comunique com eles e que dê significado àquilo que eles estão a transmitir (quando o bebé chora e o pai responde, começa a comunicação). Esse dispositivo está lá. Mais à frente, quando pensamos em linguagem, o que a criança tem de ter é alguém que fale com ela, que a oiça falar de uma forma ativa e passiva. Ou seja, que converse com o bebé, comunique, interaja, faça frases, mas também que o oiça falar. Um ambiente comunicativo é isto, não é estar sempre a dizer “diz lá o que é isto!”. As coisas acontecem de forma natural e não é obrigatório estar numa creche. Numa avó também se desenvolve a linguagem. Mas há muitas vezes a ideia de que o bebé vai começar a falar assim que entra na creche — isto é um mito que eu gosto de esclarecer porque a linguagem é inata e, se alguma coisa não acontece, é porque há qualquer coisa ali que não está a correr bem e precisa de ser avaliada.

Ainda na lógica do ambiente comunicativo, qual é o risco da televisão nesta fase? E quais as suas vantagens?

Há o perigo de o bebé ficar entregue à televisão, aos iPads ou aos iPhones — este é o único perigo. Entregue é estar lá o dia inteiro. Isto é um risco, de facto, porque aí apenas temos uma aprendizagem passiva. O ser humano desenvolve-se muito mais através de uma aprendizagem ativa. Atualmente é só carregar num botão, é muito fácil: desde muito pequenos que os bebés são competentes e, com o dedo, viram páginas. Estes aparelhos têm muitas coisas atrativas para eles, inclusive a luz. Acho que não podemos eliminar estas coisas porque fazem parte da nossa vida, podemos é arranjar alternativas: o pai, por exemplo, pode ver televisão com o filho e ir falando com ele sobre isso. Há aliás alguns programas muito interessantes e muito interativos, mas se não houver alguém para os traduzir… muitas vezes podem haver programas que são desadequados ou que não são para a idade do bebé. Temos de aproveitar o que de bom temos.

Ao ler o livro fica-se com a ideia de que há diferenças de género no desenvolvimento da linguagem. É verdade?

Não digo que há diferenças, digo que é diferente a forma como os pais — mãe e pai — falam com as raparigas ou com os rapazes. Nós não falamos da mesma forma com os rapazes do que com as raparigas. Costumo dar este exemplo: quando um filho rapaz cai, ele começa a chorar e muitas vezes oiço os pais dizer: “Vá, está bem, já passou”. Quando é a menina e ela chora, perguntam: “Estás bem? Dói muito? Queres mimos?”. Claro que não há padrões, há pais que fazem isto e outros que não fazem, mas naturalmente quando conversamos com um homem ou quando conversamos com uma mulher, o nosso discurso modifica-se. Por esse motivo, também vai ser diferente a forma como eles [rapazes e raparigas] falam e comunicam. O que acontece é que ambos passam pelas mesmas etapas, só que fazem-no de forma diferente. Muitas vezes ouvimos dizer — e isso agora já está um pouco de parte — que as raparigas falam mais cedo do que os rapazes. Durante muito tempo se disse isso e agora já se sabe que não é bem assim. Ambos passam pelas mesmas etapas e alguns permanecem mais tempo numas do que noutras, não é propriamente um atraso. Nós naturalmente explicamos mais as coisas às raparigas e desenvolvemos mais a nossa conversação, pelo que elas são capazes de fazer frases mais cedo, enquanto os rapazes podem demorar mais tempo a dizer, por exemplo, palavras soltas.

Então, um conselho passaria por falar da mesma forma com ambos os sexos?

Acho que o importante é respeitar as diferenças: nós somos diferentes e temos uma forma diferente de dialogar. Se pensarmos em termos de atividade, os rapazes são mais motores, gostam mais de jogar à bola e com carrinhos, enquanto as raparigas brincam com as bonecas a dar a papa — aí têm mais linguagem. Isto tem que ver com as nossas diferenças de género.

Diz que existe uma relação entre a alimentação e fala. Como assim?

Os momentos em que são introduzidos alimentos diferentes, são momentos em termos de salto na linguagem. Vou dar um exemplo: até aos três meses o choro é essencialmente a forma de o bebé comunicar, o que vai diminuindo ao longo do tempo. Entre os quatro e os seis meses, o bebé começa a comer as papas porque já tem mais espaço dentro da boca e, se tem mais espaço, já pode fazer mais sons. Isso é a fase do balbuciar. Entre os seis e os nove meses deve ser introduzido um sólido na boca da criança — isto é que é muito importante. Se entre os seis e os nove meses não introduzirmos qualquer tipo de sólido, por exemplo pão ou bolacha, mais tarde pode ser mais difícil o bebé aceitar os sólidos. Esta é precisamente a altura em que o bebé faz um balbucio não repetitivo ou este jargon [de jargão], em que parece que está a conversar. Com um ano de idade, na primeira palavra, a criança já mastiga. Ou seja, estas etapas de desenvolvimento e de viragem na linguagem e na comunicação têm que ver também com estas etapas na alimentação. Porque a nossa boca tem várias funções e isto é tudo muscular. Os pontos de desenvolvimento da linguagem têm que ver com isso. Se uma criança, por exemplo, fala à sopinha de massa é porque pode engolir com a língua para a frente. São dois subsistemas que se interligam mas que não dependem um do outro.

Muito resumidamente, qual é a evolução da comunicação da criança entre os zero e os três anos?

Há duas grandes etapas, que é a etapa pré-linguística e a etapa linguística. Até ao primeiro ano, até à primeira palavra, é a etapa pré-linguística. A partir do momento em que diz uma palavra, a criança entra na fase da linguística ou da linguagem e isso já é considerado comunicação, apesar de já existir alguma compreensão da linguagem. Todas as etapas são universais, todos passamos por etapas comuns ao longo do desenvolvimento. Começamos por comunicar através do choro para depois, mais à frente, irmos para esta linguagem mais concreta. Primeiro é choro, depois a expressão facial, a mímica, o gesto, o sorriso, o tomar a vez, o palrar, em que a criança diz vogais, o balbucio (sílabas repetidas e não repetidas) e o tal jargon, que parece uma conversa de verdade, na qual não se percebe nada. A partir daí, entre os nove meses e os 18 meses, pode surgir a primeira palavra, sendo que a média é aos 12 meses. Mas há crianças que dizem aos nove meses, outras que dizem aos 15. Mas a partir dos 18 meses já é considerado um sinal de alarme.

No meio disto tudo, quais são os principais sinais de alarme?

Há sinais de alarme em todas as etapas do desenvolvimento. O que é importante é pensar em sinal de alarme em termos de intensidade — ou seja, se a criança faz alguma coisa que é muito exuberante; se com 18 meses não emite uma palavra, se não balbucia, isso é uma coisa muito exuberante — e caso a situação perdure no tempo. Nessas circunstâncias o ideal será falar com o pediatra da criança.

Já foi apelidada de tradutora de bebés. Pode também ser uma encantadora de bebés?

Eu é que fico encantada com os bebés, eles é que me encantam. Apesar de ser terapeuta da fala trabalho com recém-nascidos. É uma coisa que ninguém imagina, mas nós, seres humanos, começamos a falar e a comunicar desde pequeninos. É apaixonante trabalhar com bebés.

visualizar o vídeo no link:

http://observador.pt/especiais/sabe-porque-chora-o-seu-bebe-arranjamos-lhe-uma-tradutora/

 

 

Ucrânia: Um milhão de crianças precisa de ajuda urgente

Fevereiro 21, 2017 às 2:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 20 de fevereiro de 2017.

alexander-ermochenko

LUSA/TSF

A UNICEF acusa o mundo de ter esquecido a guerra que há três anos devasta o leste da Ucrânia. O conflito está a deixar pelo menos um milhão de crianças em situação de emergência humanitária, estatística que representa o dobro dos números do ano passado.

Em comunicado, a UNICEF alerta que a situação se agravou devido aos confrontos constantes e à degradação rápida das condições de vida no leste do país. As crianças vivem sob ameaça permanente, as escolas estão destruídas, tiveram de abandonar as casas, não têm acesso a bens essenciais como água e aquecimento e estão permanentemente expostas a minas e outros engenhos explosivos. Pelo menos 12 mil vivem em localidades que são bombardeadas uma vez por mês.

A UNICEF quer que seja respeitada pelo menos a legislação humanitária internacional, incluindo o acesso a apoio humanitário sem restrições. A agência lançou um apelo para que se recolham pelo menos 30 milhões de euros para prestar apoio na saúde, nutrição, educação, água potável e saneamento, mas só conseguiu reunir cerca de 10% da quantia.

mais informações no comunicado de imprensa da Unicef:

O número de crianças ucranianas que precisam de ajuda quase duplicou relativamente ao ano passado

 

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