PSP registou 1787 casos de violência no namoro entre jovens alunos

Fevereiro 14, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 14 de fevereiro de 2017.

A atriz Sofia Arruda, de 28 anos, confessou ter sido vítima de violência no namoro durante a adolescência. “Quero alertar os jovens que não podem permitir este tipo de situações, nem praticá-lo”, adiantou num vídeo publicado no Youtube. Para sensibilizar os jovens para a questão, contou que tinha um namorado que “morria de ciúmes” e que a dominava   |  Orlando Almeida / Global Imagens

A atriz Sofia Arruda, de 28 anos, confessou ter sido vítima de violência no namoro durante a adolescência. “Quero alertar os jovens que não podem permitir este tipo de situações, nem praticá-lo”, adiantou num vídeo publicado no Youtube. Para sensibilizar os jovens para a questão, contou que tinha um namorado que “morria de ciúmes” e que a dominava
| Orlando Almeida / Global Imagens

 

Rute Coelho

Queixas aumentaram nos últimos anos, e com maior incidência nos ex-namorados. PSP e APAV fazem ações de sensibilização

Manuela (nome fictício), de 20 anos, da geração das redes sociais e da informação ao segundo, era vítima numa relação de violência com o namorado. Humilhada verbalmente em frente aos amigos dele, era também agredida quando estavam sós. A jovem, ainda a estudar numa escola secundária, nunca teve coragem de contar aos pais, com quem vivia, até porque o namoro era recente. Um dia, lembrou-se de uma ação de sensibilização para a violência no namoro que a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) tinha feito no liceu. Falou com uma amiga e dirigiu-se à APAV. Ia finalmente denunciar o que estava a viver e pedir apoio. O caso foi contado ao DN pela psicóloga Helena Sampaio, da APAV, que tem experiência no atendimento de vítimas e nas ações de sensibilização sobre o tema nas escolas.

“A violência no namoro é transversal a idades e a classes sociais e cada vez mais expressiva”, afirma perentória Helena Sampaio. Os últimos dados oficiais da PSP, de 2016, do Programa Escola Segura, que abrange 1,1 milhões de alunos, mostram a dimensão do fenómeno: 1787 casos denunciados à polícia, a maioria dos quais (1020) entre ex-namorados e 767 entre namorados. Desses, 103 ocorreram entre menores de 17 anos: 58 entre ex-namorados e 45 entre namorados.

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Há três anos que a violência no namoro tem vindo sempre a aumentar, com a maior subida a registar-se de 2013 para 2014 (mais 501 casos), aumento explicado pelo facto de esta prática ter passado a ser punida criminalmente a partir de 2013, integrada no crime público de violência doméstica.

Helena Sampaio, que tem realizado ações de sensibilização nas escolas, garante que encontra muitos casos de “violência mútua” entre os jovens namorados. “Começa pela violência verbal nas redes sociais e depois evolui para a agressão física, a ponto de rapaz e rapariga serem ambos vítimas e agressores, num duplo papel”. E admite que há uma “banalização dos atos de violência entre jovens”.

Apesar de os números de 2016 indicarem que houve quase dois mil casos registados pela PSP, o subintendente Hugo Guinote, coordenador do Programa Escola Segura da polícia, ressalva que as ocorrências entre menores de 17 anos são apenas 5,80% do total de casos, “mantendo-se estabilizada esta proporção em 2015 (5,83%) e em 2016 (5,76%).

Os dados mostram que as denúncias têm vindo a aumentar nos últimos anos. “Atendendo a que as ações de sensibilização, especificamente sobre esta temática, têm vindo a aumentar em proporções muito mais acentuadas – tendo-se verificado mais 37,75% de ações de 2014 para 2015 e mais 32,5% de 2015 para 2016 – e a própria comunidade escolar se tem mobilizado muito mais na denúncia, este ligeiro aumento é uma evidência do período de desocultação que ainda estaremos a atravessar, e que é precisamente um dos objetivos do Programa Escola Segura”, referiu.

Namorados escolhem as roupas

Daniel Cotrim, assessor técnico da direção da APAV, conhece a realidade pelas ações de sensibilização nas escolas. “A verdade é que em 2017 as raparigas portuguesas ainda não contam aos pais que têm namorado.” Sublinhando que esse paradigma “tem de ser alterado”, Cotrim recorda o que tem notado nas estudantes: “A grande maioria das raparigas dizem que os namorados é que lhes escolhem as roupas quando vão sair na sexta-feira à noite e que eles têm acesso às passwords de e-mail e Facebook (e o contrário não acontece), que a primeira relação sexual é quase forçada, o ciúme desmesurado é visto como natural e a traição deles como uma falha delas.” Quando as vítimas são menores, a APAV contacta os pais e incentiva-os a assistir às consultas de acompanhamento. “A maior parte dos pais são apanhados de surpresa. Primeiro não acreditam, depois ficam irritados por não saberem do namoro e acabam por se culpar a eles próprios.”

 

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