Tecnologias: há diferenças entre público e privado

Fevereiro 3, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://www.educare.pt/ de 23 de janeiro de 2017.

O documento citado no texto é o seguinte:

Modernização Tecnológica das Escolas 2014/2015

educare

Distribuição não é igual. No ensino público, em 2014/2015, a maior parte dos computadores estava no 3.º ciclo. No privado, havia mais computadores no Secundário. E, no conjunto, 53% das escolas não tinham quadros interativos nas salas de aula.

Sara R. Oliveira

Os anos passam e as escolas estão cada vez mais tecnológicas. Há mais computadores, mais alunos com acesso à Internet, mais maquinaria disponível para fins pedagógicos. As novas tecnologias tornaram-se uma presença constante no dia a dia dos estudantes. Mesmo assim, nem todas as escolas do país têm quadros interativos nas salas de aula. O documento “Modernização Tecnológica das Escolas 2014/2015”, publicado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), revela os recursos tecnológicos das escolas públicas e privadas, do pré-escolar ao Secundário, do ensino regular, tuteladas pelo Ministério da Educação (ME) e localizadas em Portugal Continental.

Há diferenças neste mundo das novas tecnologias entre o ensino público e privado, como mostram as informações recolhidas e tratadas do inquérito realizado anualmente junto das escolas. No ano letivo em análise, 2014/2015, havia 436 870 computadores no ensino regular Básico e Secundário em Portugal continental. No público, estavam 369 401 computadores, no privado dependente do Estado (em que 50% dos seus fundos regulares de funcionamento provêm de organismos estatais) 21 574, e no privado independente 45 895. Em termos gerais, 30% dos computadores estavam no 3.º ciclo, 28% no Secundário, 18% no 2.º ciclo, 15% no 1.º ciclo e 9% no pré-escolar.

A distribuição varia consoante o tipo de ensino. No público, a maior parte dos computadores, 121 353, estava no 3.º ciclo, seguindo-se o Secundário com 96 298, o 2.º Ciclo com 75 898, o 1.º ciclo com 56 574, e o pré-escolar com 19 278. No privado independente, a configuração é diferente. É no Secundário que havia mais computadores, 22 806 dos 45 895. Quase metade, portanto. Depois surge o pré-escolar com 7604, o 1.º ciclo logo a seguir com 7121. O 3.º ciclo aparece em quarto lugar com 5739 e em quinto o 2.º ciclo com 2625 computadores. No ensino privado dependente do Estado, a distribuição é outra. No ano letivo em análise, havia mais computadores no pré-escolar, 12 169 dos 21 574. O 3.º ciclo surge em segundo lugar com 3 874, seguido do Secundário com 2392 e o 2.º ciclo com 2310. O 1.º ciclo ficava em último com apenas 829 computadores, apenas 4% do total.

Em termos de dimensão, e em termos gerais, 36% dos computadores estavam em escolas que tinham entre 500 e 999 alunos, 35% em escolas com 100 a 499 alunos, 19% em escolas com mais de mil estudantes e 10% com menos de 100. Também aqui há diferenças entre o ensino público e o privado. No público, a maior percentagem dos computadores, 41%, estava em escolas que tinham entre 500 e 999 alunos, 33% em escolas com entre 100 e 499 alunos, 19% com mais de mil e 7% com menos de 100. No privado, havia mais computadores nos estabelecimentos, 56%, que tinham entre 100 e 499 alunos, 20% em escolas com menos de 100 alunos, e 12% em escolas com entre 500 e 999 alunos e 12% em escolas com mais de mil alunos.

Do total dos computadores, no público e privado, 84% destinavam-se a fins pedagógicos e 16% eram para uso administrativo. Oitenta e três por cento eram computadores de secretária e 17% portáteis. Dos 436 870 computadores, 248 403 tinham mais de três anos de vida e 188 467 três ou menos anos de atividade. No geral, em termos de antiguidade, 57% dos computadores que estão nas escolas públicas e privadas têm três ou mais anos. E 54% dos portáteis têm mais de três anos.

Dos 366 202 computadores com ligação à Internet, 307 925 eram usados para fins pedagógicos e 58 277 para fins administrativos. E 61% dos que eram ligados para fins pedagógicos tinham mais de três anos de vida e 64% dos usados para fins administrativos tinham igualmente mais de três anos de atividade. O inquérito efetuado revela ainda que 53% das escolas públicas e privadas, do pré-escolar e ensino não superior, não tinham quadros interativos em 2014/2015. Ou seja, 4500 escolas não tinham quadros interativos e 3939 dispunham desse meio.

O documento publicado pela DGEEC não inclui informação sobre recursos tecnológicos de instituições de educação e formação tuteladas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, centros de emprego e formação profissional, nem dados relativos a outras entidades registadas no sistema de informação e gestão de ofertas do ME. “A informação agora publicada resulta de um processo de recolha, validação e tratamento de dados obtidos através de inquérito anual – questionário eletrónico, tipo de recenseamento – relativos a recursos tecnológicos existentes nas escolas”, lê-se no documento.

 

Educar sem magoar

Fevereiro 3, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 23 de janeiro de 2017.

A criança precisa de pais que sabem o que fazem. Não é por gritar mais alto que o seu filho vai fazer o que lhe pede – atitude gera atitude. Defina regras familiares e aplique-as, sem confundir firmeza com autoritarismo, humilhação ou agressividade.

A criança precisa de pais que sabem o que fazem. Não é por gritar mais alto que o seu filho vai fazer o que lhe pede – atitude gera atitude. Defina regras familiares e aplique-as, sem confundir firmeza com autoritarismo, humilhação ou agressividade.

 

Por: Ana Pago Ilustração: Filipa Viana/Who

Crianças: bater ou não bater? Para muitos, uma palmada pode ser pedagógica, para outros é inaceitável. A discussão sobre os limites da autoridade parental está acesa.

EM TODO O MUNDO, 80% DOS PAIS BATEM NOS FILHOS, GARANTE A UNICEF, EMBORA 49 PAÍSES PROÍBAM O CASTIGO CORPORAL SOBRE CRIANÇAS. EM PORTUGAL, É ILEGAL DESDE 2007. PARA MUITOS, UMA PALMADA NO RABO FAZ MILAGRES, MOSTRA QUEM MANDA. PARA OUTROS, UMA SÓ JÁ É DE MAIS. A DISCUSSÃO SOBRE OS LIMITES DA AUTORIDADE PARENTAL É ANTIGA, MAS CONTINUA ACESA.

O AMOR DE ISABEL SANTOS pelo único filho deixa-a perplexa. Só desejava tê-lo sempre sob a asa. Vê-lo crescer feliz até se fazer um bom homem, o melhor dos pais quando chegar a vez dele. Se possível, com menos dúvidas do que ela. «Uma coisa que me pesa na alma foi ter usado piripíri há uns dois anos, tinha o Filipe 4, para acabar com aquela mania de ele dizer asneiras», conta, pesarosa. Começou de repente e era em todo o lado. Pai e mãe tentaram tudo: ignorar, dialogar, explicar, castigar, suplicar. Perceber de onde vinham os palavrões e a razão de dize-los (nunca souberam). Um dia, o desespero falou. «Chamou-me pe-u-te-a e pus-lhe uma gota de picante na língua. Chorámos os dois! Senti-me um monstro ao magoar a pessoa que mais amo no mundo.» Certo é que resolveu quando tudo o resto falhou e uma pergunta ficou-lhe desde então: será a autoridade parental uma forma de bullying?

«Define-se bullying como a prática continuada de uma agressão física, verbal e/ou escrita que tenha como objetivo rebaixar o outro. Se há casos destes nas relações familiares? Claro que há», alerta Magda Gomes Dias, formadora nas áreas comportamentais e comunicacionais, conhecida entre os pais pelo blogue Mum’s the boss e o site Parentalidade Positiva. Existem educadores que humilham os miúdos por acharem que eles mudam assim, e aí o objetivo final não é a criança sentir-se aviltada, mas mal ao ponto de querer modificar-se – por exemplo, dizer a uma gordinha «Tu já te viste bem? Tens de emagrecer, se não o fizeres vais ser a gorda da sala». Acontece que esta forma de comunicar com os filhos, e que muitas vezes tem a tal intenção positiva de provocar mudança pela dor, fica marcada na memória da criança, garante.

Ficou na de Patrícia Ribeiro, que aos 37 anos continua a ouvir a voz do pai a chamar-lhe desajeitada. «Fui sempre boa aluna, responsável, educada, mas isso era dado adquirido e, portanto, não elogiado. Por outro lado, repisava o facto de eu ser tímida e trapalhona como se quisesse arrancar essa parte de mim à força», recorda com amargura. Se partia algo (e acontece-lhe muito, parece sina), ouvia um «És mesmo desastrada, não fazes nada de jeito». Se se refugiava no quarto a ler, lá vinha a ripada: «Não vais a lado nenhum a ser bicho-do-mato.» Eram umas atrás das outras, atrás das outras. «Aquelas palavras feriam-me tanto como as tareias que nunca apanhei. Adoro o meu pai, a sério que sim. Teve uma infância difícil, sei que só quer o meu bem.» Apesar disso, desconfia que as crises de angústia e falta de autoestima vêm todas dali.

«A criança acredita no que lhe diz o adulto, que supostamente é aquele que zela pela sua segurança. Acredita porque ele é mais poderoso, maior, sabe mais, conhece-a bem. E se diz que ela é tudo aquilo… se calhar até é», traduz Magda Gomes Dias. Ao mesmo tempo, percebe que muitos pais não sabem fazer diferente nem se dão conta do impacto negativo destes métodos, supondo ser isso que vai tornar os filhos mais fortes. «Se o castigo funciona? Claro que funciona. Se a palmada funciona? Então não? E os berros? Parece que sim. Porém, a médio prazo, não resultam, e aqui está o problema.» É tudo uma questão de comunicação e vínculo familiar. «Com a palmada e o castigo agimos em cima da situação mas, ora bolas, nós somos os pais! Precisamos de orientar, liderar, acompanhar. Se a criança fez mal, vamos mostrar-lhe como se faz de outra maneira.»

EDUCAR DÁ MESMO MUITO TRABALHO, acentua o neuropsicólogo Luís Maia, autor do livro Educar Sem Bater. «É o maior desafio na vida de um pai: como levar uma criança desde o berço à idade adulta, promovendo a sua adequação? Como ajudá-la a ser feliz e solidária? Não é de certeza com palmadinhas, insultos e castigos.» Melhor seria se os pais adotassem um estilo relacional em que o despotismo fosse substituído por respeito. «Não aceitamos que ninguém nos trate de modo autoritário, mas depois esquecemos que as crianças também não aceitam a autoridade por si só. Tornamo-nos tiranos a exigir submissão», diz, sublinhando que é muito mais eficaz ser-se assertivo, sem esperar que o funcionamento familiar entre em colapso, do que passivo ou agressivo.

Maria Silva, de 60 anos, concorda com esta postura positiva. Sempre procurou alternativas a bater na filha Alexandra, hoje com 34 e mãe de dois filhos. Nunca achou que um abanão pudesse mais que o diálogo, ou que humilhar a criança a chamasse à razão. Ainda assim, admite ter aplicado «duas ou três palmetas» em desespero de causa. «Não me orgulho, mas houve alturas em que ela nem me ouvia, tal era a birra. Bati-lhe quando já nada surtia efeito e eu estava passada.» Lembra-se como se fosse hoje de uma dessas zangas, teria Alexa uns 4 ou 5 anos: Maria foi buscá-la a casa da tia que cuidava dela após a escola e a filha teimou em levar a boneca da prima sem deixar a sua. «Disse-lhe que tinha de emprestar também, não podia ser egoísta, e ela atirou-se para o chão a espernear, aos berros. Parecia um touro enraivecido.»

Esgotada a diplomacia, de cabeça perdida, a mãe deu-lhe duas palmadas no rabo, tirou-lhe ambas as bonecas e enfiou-a no elevador. «Nunca mais fez outra cena daquelas. Mais tarde abraçámo-nos, pedimos desculpas. Mas na hora saltou-me a tampa.» Alexandra ri-se a ouvir a mãe contar a história: «Lembro-me muito vagamente, para ver como fiquei traumatizada.» Ela própria distribuiu algumas palmadas pelos filhos de 11 e 5 anos, das que não pesam mas indicam estarem a passar dos limites. «Ao mais velho já não bato, prefiro negociar com as coisas de que gosta consoante a gravidade das faltas. A ela dei-lhe uma nalgada o mês passado. Apanhei-a a mergulhar do móvel da sala para o sofá, depois de a avisar não sei quantas vezes que era perigoso. Reagi por medo.»

Segundo o pediatra Mário Cordeiro, «tudo o que seja exagero e culpabilize pais que estão a tentar educar é absurdo». Se uma criança de 3 anos fica possessa, a atirar comida ao chão ou a usar toda a sua força para não ir para a cadeira do carro, duvida que falinhas mansas resultem. Uma coisa é a teoria, outra a prática, e o ótimo é inimigo do bom, diz. «Um enxota-moscas na mão ou na fralda, apenas para limitar aquela mão teimosa que parece surda a outros argumentos, não me parece nada de especial.» Muito diferente de humilhar, em que não se entende a visão da criança ou o exercício de poder perverso. «Tudo o que seja desproporcional, cause dor e seja na cara – bofetadas e puxões de cabelo ou orelhas – é altamente violento porque mexe com a identidade (o rosto), é sádico e dói, no corpo e na alma. É disso que os adultos se lembram como castigos traumáticos, tal como fechar num quarto escuro. São maus-tratos.»

A terapeuta infantil brasileira Denise Dias não só é a favor da palmada pedagógica, caso as demais abordagens falhem, como em 2011 escreveu o livro Tapa na Bunda (Editora Matrix), explicando como impor regras e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos. «Algumas testam incansavelmente os pais. Quando já as chamámos à atenção, já as pusemos de castigo e mesmo assim continuam, estão a pedir uma palmada como limite.» A polémica estalou, como sempre que se fala deste assunto, porém Denise não desarma: «Um tapinha na bunda não dói tanto como um tapa na cara que os pais podem levar do filho quando este for adolescente.» O próprio Papa Francisco declarou em 2015, na audiência geral no Vaticano sobre o papel do pai na família, que uma palmada de vez em quando não faz mal, desde que nunca no rosto para não humilhar.

«QUEIXAMO-NOS DOS NOSSOS FILHOS, mas fomos criados com base numa disciplina agressiva (física e não só) e agora, como pais, confundimos autoritarismo com respeito», discorda o psicoterapeuta Luís Maia. Castigar mostra à criança o que não pode fazer, não o que pode e como deve fazê-lo. Daí preferir a noção de consequência: se um filho nosso não estudou nesse dia, janta, vai para o quarto sem telemóvel, e no dia seguinte ajudamo-lo a fazer melhor. «Tem de ser imediata e justa, para ele entender que o responsabilizamos por aquela conduta e não por todas as frustrações acumuladas.» Como clínico, constata que na maioria dos casos de pais que se apresentam como agressores, denunciados às Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) ou diretamente às autoridades policiais e judiciais, estes «começaram com comportamentos “mais aceitáveis” – pequenas bofetadas, puxões de orelhas, etc. – que acabaram em fortes castigos físicos».

E quando os pais reagem em resposta a comportamentos de loucura dos filhos? «Deixaram de poder intervir na sua própria casa, mesmo se em legítima defesa?», questiona uma tia indignada, a pedir anonimato por aguardar que o irmão seja julgado por violência doméstica. A história, dramática, conta-se em poucas linhas: um pai deu um empurrão / ameaçou o filho de 14 anos / arremessou-lhe um objeto no calor do momento, nas circunstâncias em que ele deu socos à mãe / apertou o pescoço à irmã / correu atrás do pai com uma faca. O jovem pediu ao pai ténis de marca, telemóveis, que o deixasse ter uma mota – coisas que o pai recusou. E então o filho avisou-o de que se não fizesse o que ele queria, iria queixar-se de maus-tratos à psicóloga da escola para ele ser preso. Meu dito, meu feito.

«Aos miúdos é-lhes dada a possibilidade de se defenderem, acho ótimo. A lei está a ser cumprida e eu não sou contra a lei. Mas e quem ajuda estes pais?», clama a tia, cansada das mentiras com que o sobrinho manipula o quadro a seu favor, distorcendo os factos. «O meu irmão nunca fez queixa à polícia da violência do filho, por ser filho. Às tantas reagiu por defesa, não como ataque, e tomam-no por agressor.» A tia tem consciência da falta de meios das CPCJ, que dificultam o acompanhamento integrado de cada processo (só em 2015 foram 73 355). O próprio Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, aponta a «manifesta dificuldade em levar a bom termo as suas responsabilidades». Seja como for, há que contextualizar caso a caso, em vez de meter todas as denúncias no mesmo saco. «Se fosse com um filho meu, era eu quem lhe batia», acrescenta a tia. «Que me prendessem à vontade, desde que ele percebesse que não ia repetir.»

ÀS VEZES TEMOS A SENSAÇÃO de que apenas a palmada resolve o problema no imediato, mas nunca é solução, avisa Luís Maia. Mesmo os educadores que as levaram, e até consideram que mereceram, devem admitir outras formas de ensinar à luz do que demonstram estudos recentes – há vários a relacionar a punição corporal e psicológica com falhas no desenvolvimento intelectual, atitudes irascíveis, aceitação da violência como forma de lidar com os outros, falta de autoconfiança e de amor-próprio, insegurança. «Porque é que não se dá uma “boa palmada” de vez em quando a um idoso que está ao nosso cuidado e parece fazer de propósito ao sujar a casa de banho?», questiona o neuropsicólogo. «Ou a esposa não a dá ao marido para aprender a respeitar os compromissos maritais? Isso é violência doméstica! É crime, inaceitável.»

Dados da UNICEF revelam que 80 por cento dos pais batem nos filhos em todo o mundo, embora 49 países proíbam já o castigo corporal sobre crianças. Em Portugal, a prática é ilegal desde 2007 e punida pelo art.º 152 do Código Penal. Em França, pelo contrário, aceita-se o corretivo pedagógico (estaladas incluídas), apesar de em 2015 o Conselho da Europa a ter pressionado no sentido de criar uma lei que proteja os menores da punição física. «Em princípio, um adulto tem mais experiência, melhor controlo emocional e mais argumentos para explicar e convencer do que uma criança, pelo que não deve precisar de recorrer à agressão», sublinha a psicóloga educacional Eva Delgado-Martins, especialista em infância e resolução de conflitos. «Se a violência entre adultos não é aceitável na sociedade em que vivemos, não parece razoável admiti-la nas relações com os nossos filhos.»

Os pais devem sancionar só em último caso, se o diálogo foi tentado sem sucesso, e mostrar que o fazem com mágoa porque a criança não lhes deu alternativa. Tão ou mais importante que negociar são ainda os comportamentos espontâneos no dia-a-dia. «Muitas vezes eles nem se apercebem, mas funcionam como modelos para os filhos conforme são, ou não, coerentes com o que ensinam», salienta a psicóloga, para quem educar é um ato de amor firme. Mesmo aborrecidos, diz, os pais devem controlar a sua agressividade. «Devem traçar limites e enunciar regras. Dizer não é fundamental.»

Magda Gomes Dias concorda que a falta de princípios magoa tanto como a punição: «Uma criança a quem deixam fazer tudo não se sente amada. Cresce sem se saber orientar no mundo. Torna-se incapaz de olhar para o outro, e isso é uma tragédia tão grande como tudo o resto.» Já Abraham Lincoln, presidente dos EUA e humanista, dizia que a mão que embala o berço é a mão que governa o mundo. E essa é a nossa mão.

 

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O Pequeno Ditador

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Subsídio para Assistência a Filho – Guia Prático

Fevereiro 3, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Guia Prático – Subsídio para Assistência a Filho

É um apoio em dinheiro dado às pessoas que têm que faltar ao trabalho para prestar assistência urgente e necessária aos filhos (biológicos, adotados ou do seu cônjuge), em caso de doença ou acidente.

Aplica-se a filhos menores ou maiores. Sendo maiores têm que fazer parte do agregado familiar do beneficiário.

Aplica-se também aos filhos que, independentemente da idade, sejam deficientes ou doentes crónicos.

mais informações no link:

http://www.seg-social.pt/subsidio-para-assistencia-a-filho

 

 

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