Jovens estão mais tolerantes face à violência

Janeiro 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.publico.pt/ de janeiro de 2017.

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Por Clara Viana e Bárbara Wong

Em todo o mundo dois em cada dez alunos são vítima de bullying

Há uma maior tolerância à violência por parte dos jovens, o que faz também que sejam mais os que a validam como resposta. Esta é uma das conclusões a que a psicóloga clínica Tânia Paias, responsável pelo PortalBullying, chegou com base num inquérito a 1100 jovens portugueses de 11, 13 e 18 anos.

Um estudo revelado nesta segunda-feira pela Unesco, o organismo das Nações Unidas vocacionado para a educação e cultura, dá conta de que, no planeta, dois em cada dez alunos são vítimas de bullying, ou seja cerca de 246 milhões de crianças e adolescentes, no mundo inteiro.

“No ambiente escolar qualquer crianças está sujeita a ser vítima, agressora ou espectadora” desta forma de violência continuada que dá pelo nome de bullying, refere Tânia Paias.

Mas há crianças que estão mais em risco do que outras, revela também um inquérito da Unicef, realizado em 2016 em 18 países, abrangendo 100.000 jovens, que é citado no estudo da Unesco. Portugal não participou, mas estas são conclusões que podem também ser aplicadas a nível nacional, constatam Tânia Pais e a também psicóloga Sónia Seixas, investigadora na área do bullying.

Entre os jovens que assumiram ter sido vítimas desta forma de violência, 25% disseram que tal aconteceu por causa do seu aspecto físico, 25% por causa do género ou da orientação sexual e outros tantos devido às suas características étnicas. Para além destes aspectos, também as crianças e jovens com deficiência ou oriundas de meios sociais desfavorecidos estão em maior risco do que outras, conclui-se no estudo.

“Tudo que aquilo que possa fazer com que a criança sobressaia em relação ao grupo pode constituir um factor de risco”, especifica Sónia Seixas, embora acrescente que esta não é sempre a regra, já que há jovens que são encarados positivamente pelos outros porque se destacam nas suas competências sociais, por serem “mais autoconfiantes, mais assertivos”.

O inquérito da Unesco destaca que um terço dos inquiridos já foi vítima, acha o bullying normal e, por isso, não o denunciou, embora seja certo que muitos desconhecem como e a quem denunciar. Um dos grupos mais afectados é o dos gays, lésbicas e transsexuais.

Segundo este estudo, 24% dos adolescentes entre os 11 e os 13 anos diz ter sido vítima de bullying nos últimos 30 dias e 8% diz que tal lhe acontece diariamente. Em Portugal, aos 11 anos, entre 11% (raparigas) e 17% (rapazes) disseram que foram alvo de bullying na escola, “duas ou três vezes por mês nos últimos dois meses”. A média é 13%. O país tem, assim, a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos que se dizem vítimas de bullying. Foi o que revelou o grande estudo da Organização Mundial de Saúde sobre a adolescência, que se realiza de quatro em quatro anos. A última edição foi em 2016.

O cyberbullying é outro tipo de violência que preocupa a Unesco. Porque feita através das redes sociais para os smartphones e computadores passa, muitas vezes, despercebido aos adultos. “Nos últimos três anos, as denúncias aumentaram 87% em todo o mundo”, refere o relatório. Só na Europa, onde mais de 80% das crianças e adolescentes entre os 5 e os 14 anos tem telemóvel, o cyberbullying aumentou de 8% em 2010 para 12% em 2014, entre as crianças dos 9 aos 12 anos.

Por isso, a Unesco exige uma resposta global centrada na prevenção e no combate ao bullying. Este é uma “violação grave do direito à educação e um problema real do qual as escolas devem estar conscientes e fazer com que sejam lugares seguros para todos”, defende Irina Bokova, directora-geral da Unesco, que refere não só a violência entre pares, mas também entre alunos e professores.

Além da prevenção é preciso que a escola e a comunidade se centre no combate deste tipo de violência. Ajudar as crianças a identificar o que é o bullying e sensibilizá-las para a sua denúncia é o primeiro passo.

A Unesco recorda que o bullying tem repercussões directas na saúde física e mental da vítima e que, em casos mais graves, pode provocar a morte da mesma.

Texto actualizado às 17h18

 

 

 

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