Como ajudar as crianças a desenvolverem ao máximo as suas capacidades?

Janeiro 16, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Álvaro Bilbao à http://activa.sapo.pt/ no dia 3 de janeiro de 2017.

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É mais simples do que parece. O neuropsicólogo Álvaro Bilbao falou-nos de avós, telemóveis, e da importância da generosidade.

Catarina Fonseca

O cérebro infantil tem um potencial enorme de desenvolvimento, mas basicamente… estamos a dar cabo dele. O neuropsicólogo Álvaro Bilbao é formado em Neuropsicologia pelo Hospital Johns Hopkins e pelo Kennedy Krieger Institute, nos Estados Unidos, e pelo Royal Hospital no Reino Unido, e tem passado os últimos anos a explicar aos pais como funciona a mente infantil (e o mundo em que estamos

De que precisa o cérebro de uma criança para se desenvolver?

Precisa de carinho, de limites e de muita conversa entre pais e filhos. Hoje somos demasiado protetores e somos demasiado perfeccionistas. Queremos crianças perfeitas, queremos ser pais perfeitos, e estamos a passar-lhes muito stresse.

Porquê essa exigência da perfeição?

Por um lado queremos filhos-troféu, que mostrem ao mundo como somos bons pais. Por outro lado, estamos numa sociedade muitíssimo competitiva e superficial, em que a imagem se torna mais importante que o interior. A imagem substituiu o currículo. O Instagram apresenta-nos pessoas de plasticina, e é isso que queremos. O curioso é que não é nada disto que torna uma criança feliz. Uma criança feliz sabe partilhar, aprendeu a ser optimista, tem pouco stresse e é alegre nas suas imperfeições.

Mas depois na prática não é isso que os pais valorizam mais…

Tem toda a razão. Por exemplo, o que os pais me dizem é que querem imenso que a criança seja generosa, altruísta e criativa, mas aquilo em que verdadeiramente se empenham na prática, no dia a dia, é em que tenha boas notas. Funcionamos na nossa família como numa empresa: o que interessa são os resultados. Por exemplo, em todas as salas de aula de todas as escolas há uma criança calada e infeliz, sentada no fundo da sala. Algum pai ou mãe diz ao filho: ‘Sabes aquele menino lá no fundo da sala, falaste com ele hoje? Vamos convidá-lo cá para casa?’ É importante que todas as pessoas estejam bem integradas nesta sociedade, e que se envolvam as crianças neste esforço.

Acha que isso está a mudar?

No outro dia recebi uma mãe que vivia com os pais e os filhos. Este ano mudou-se e faz 40km de carro para que os filhos frequentem um colégio Waldorf e tenham uma educação mais em contacto com a natureza. E eu perguntei-lhe, ‘Mas há alguma coisa mais natural que um avô? Prefere portanto que os seus filhos estejam mais em contacto com uma árvore do que com um avô?’ (risos) Não vemos vantagem competitiva num avô. Com uma família, uma criança aprende infinitamente mais do que com um computador. Quando uma criança sai com uma tia, com os primos, ativa a zona direita do cérebro, responsável pelas emoções. E aprende não apenas a compreender melhor as outras pessoas como a ser menos neurótica e a perceber-se melhor a si própria.

O que é uma criança neurótica?

São crianças hiperexigentes, que têm medo do fracasso porque os pais estão constantemente a elogiá-lo ou a criticá-lo. Queremos crianças que tenham bons resultados, sim, mas que sejam alegres. Queremos uma criança que goste de jogar futebol porque é divertido, não porque os pais acham que lhe vai fazer bem. A sociedade não ajuda. Dantes tínhamos bons alunos e alunos não tão bons. Hoje temos bons alunos, e hiper-ativos que tomam medicação.

Há crianças que não gostam de estudar?

Claro que há. Não é um drama nem um defeito, mas isso torna-se um problema para os pais e para os professores. Pode ter a ver com pequenos problemas de aprendizagem, pode ser que a criança tenha um carácter mais extrovertido e não goste de ficar sentada a estudar. Se ela é feliz, nada disto tem de ser um problema, nem vai comprometer o seu futuro, mas nós não aceitamos que haja crianças diferentes.

Matamos a criatividade às crianças?

Sim, e fazêmo-lo desde muito cedo. Para muitos neuropsicólogos, a criatividade é a atividade mais importante do cérebro. É ela que permite encontrar soluções para problemas. ‘A lógica permite-nos chegar do ponto A ao ponto B, a imaginação permite-lhes chegar a todo o lado’, dizia Einstein. Claro que se calhar para uma empresa não é importante que os trabalhadores sejam criativos. Mas depois na nossa vida pessoal caímos num estado de apatia que nos leva à depressão. Pensamos, tenho tudo o que sempre quis, faço o que tenho de fazer, mas não sou feliz… Também nós, adultos, precisamos de brincar, de criar, de nos divertirmos.

As crianças também precisam de limites?

Claro. Os pais dizem-me coisas como ‘consegui que o meu filho não brincasse mais com o meu telemóvel’. ‘E como conseguiu?’ ‘Disse-lhe que estava estragado’. (risos) Ora isto não é resolver nada… Se lhe disser ‘Não quero que o uses’, claro que a criança faz uma birra. E depois? Temos muito medo de ser assertivos, que as crianças se zanguem e façam uma cena.

Como acalmar uma birra?

Usando a empatia. Se lhe dissermos ‘As outras pessoas estão a olhar para ti’, ele vai ficar envergonhado, se o tentarmos controlar não vai funcionar, mas se lhe dissermos ‘Olha: eu sei que gostavas de brincar com o telemóvel, mas não é para a tua idade, queres brincar comigo a outra coisa?’ a criança vai tranquilizar-se. Mas aos pais assusta-os imenso as emoções, porque saem fora do seu controlo. Temos de ensinar às crianças que não é preciso ter medo das emoções, que não faz mal ficar zangado.Não faz mal não sermos perfeitos, não faz mal pedir desculpa quando erramos, dizer que não sabemos quando não sabemos. As crianças respeitam mais os pais que assumem os seus erros e que põem limites sem medo da sua ira.

Diz que os castigos não funcionam…

Não é que não funcionem: mas são a técnica menos eficaz para ensinar uma criança. Se uma criança bate noutra criança, é melhor castigá-la do que não fazer nada. Mas um castigo faz com que a criança se sinta mal e desgasta muito a relação entre pais e filhos. A criança faz as coisas mal não porque quer, mas porque não sabe. Portanto, ensine-lhe a fazer as coisas bem. Há coisas que funcionam muito melhor: os limites, as regras, ensinar a pedir desculpa, e principalmente o reforço: premiar quando a criança faz alguma coisa bem, em vez de castigá-la quando erra. Imagine que há um irmão que se pega sempre com outro. E se um dia não se pegam, pode dizer-se – ‘Fiquei muito contente porque hoje não brigaram. Que recompensa querem?’ Se os podemos castigar de vez em quando? Sim, quando não nos ocorre nada melhor. Mas por norma funciona melhor o reforço.

Afinal, que papel devem ter as novas tecnologias na vida das crianças?

As emoções trabalham com a parte direita do cérebro, e quando estamos com um ecrã, trabalhamos com a parte esquerda. Nos primeiros 2 anos de vida, recomendo zero ecrãs. Sabemos que as crianças que passam mais tempo agarradas aos iPads têm mais problemas, quer de comportamento quer de défice de atenção. Perdem-se muitas etapas imprescindíveis: a brincadeira livre, o brincar com as mãos, o contacto com a natureza. Uma criança tem um tipo de atenção mais lenta, que é o que lhe permite aprender as coisas, fixar-se nos detalhes, e um ecrã não lhe dá este tipo de aprendizagem. Depois chegam aos 6 anos e queixamo-nos de que não se concentram.

Quais as desvantagens dos ecrãs?

Hoje, as crianças não gostam tanto de fruta como há 200 anos ou em certos países de África, porque têm sabores mais ‘imediatos’. Da mesma maneira, uma criança habi- tuada a videojogos, que dão estímulos imediatos, quando chega à escola tudo aquilo lhe parece pouco estimulante, porque nada apita e nada vem em 78 cores. Portanto, as crianças estão cada vez mais viciadas em estímulos cada vez mais intensos. Têm satisfação imediata, têm tudo imediatamente e perdem assim capacidade para desejar, que implica espera, elaboração e imaginação. Estamos a roubar-lhes a capacidade de sonhar. Sabe aquele dia em que vamos de viagem? Toda a semana antes desse dia é de sonho e de antecipação. É isso que estamos a tirar-lhes.

Porque é importante saber esperar?

A capacidade que uma criança tem para esperar é o que melhor prediz a sua entrada na universidade anos depois. Porquê? Porque para ter boas notas a criança tem de esperar: tem de esperar que a professora fale, quando lê um livro tem de ser paciente para terminá-lo, quando faz um exame tem de ler tudo para ver se não cometeu erros. Claro que há outras coisas importantes, como a relação com os pais, por exemplo. Quer treinar o cérebro do seu filho? Habitue-o a esperar: esperar até que todos estejam sentados à mesa, que todos tenham acabado de comer para sair da mesa, para ter um brinquedo que quer. Ou então não fazer nada disto: dar-lhe um telemóvel para as mãos no pediatra para que esteja entretido e não chateie, passar–lhe o iPad enquanto está no carro. Assim lhe ensinamos que tem de estar sempre entretido.

Como pai, o que achou mais difícil com os seus próprios filhos?

Não os proteger demais e dar-lhes tempo para eles. Não os sufocar com a minha presença. Também tive dificuldade enquanto casal, em equilibrar a atenção que dávamos um ao outro com a atenção de que os filhos precisavam. Eu e a minha mulher só nos conhecíamos há um ano e meio quando fomos pais. Crescemos todos ao mesmo tempo. Outra aprendizagem foi perceber que a minha mulher, como mãe, protegia as crianças, enquanto eu as empurrava para desafios e perigos, e que ambos estávamos certos, porque tínhamos papéis diferentes.

 

 

 

Papas e sopas? Há bebés que só comem sólidos e com a mão

Janeiro 16, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 6 de janeiro de 2017.

Joana Capucho

Chama-se autoalimentação. É uma nova prática que está a ser adotada por muitos pais. Deixar bebés de 6 meses comerem sozinhos

Em vez de papas e sopas, aos 6 meses, Tomás já comia alimentos sólidos com a mão. A mãe, Mafalda Fernandes, de 29 anos, adotou o baby led weaning (BLW), uma prática de autoalimentação que, segundo os pediatras, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos em Portugal. À frente de Tomás, agora com 13 meses, a mãe põe os mesmo alimentos que os pais comem – embora sem sal – e o bebé come os que quer, na quantidade que quer. “Só lhe dou o iogurte, porque suja-se mesmo muito.” Como está sempre com a mãe, tem a vantagem de mamar quando quer. “Sempre teve percentil 50. Nunca baixou”, assegura Mafalda.

O método BLW consiste em dar ao bebé os alimentos sólidos a partir dos 6 meses, deixando que ele explore os sabores e as texturas. Começa com frutas e legumes cozidos e depois é alargado a outros alimentos, como carne e peixe. Tem vantagens, dizem os pediatras, mas também pode ter riscos. Por isso, é importante que os pais estejam informados e conheçam as regras.

“É algo relativamente novo em Portugal e que vai conquistando adeptos aos poucos”, diz ao DN o pediatra Hugo Rodrigues. Entre os principais benefícios, o médico destaca o desenvolvimento da motricidade fina e da mastigação em fases mais precoces. Já no que diz respeito aos problemas que podem surgir, o pediatra fala no perigo de engasgamento e de as crianças não comerem a quantidade necessária de alimentos. “Deve ser uma escolha dos pais e nós, enquanto pediatras, devemos orientar. Mas uma opção mista, que envolva também sopas, parece-me mais sensata.” E claro, sempre com a amamentação como base. Esse é, aliás, um dos princípios do BLW.

Filipa dos Santos, conselheira de aleitamento materno, optou pelo método misto com os dois filhos – Leonor, de 5 anos, e Miguel, de 2 anos e meio – a partir dos 6 meses. Dava-lhes os alimentos inteiros, mas, sempre que comia sopa, os bebés também comiam. “Acho que a alimentação não tem de ser rígida: tudo sólido ou tudo passado. Tem de ser adaptada a cada família”, explica ao DN a também criadora da Rede Amamenta.

Há sinais de que a criança quer começar a comer. “Notei que a Leonor estava preparada, porque já se sentava sozinha, esticava a mão para tentar pegar na nossa comida e imitava a mastigação.” Para quem quer uma refeição rápida e sem comida pelo chão, pode não ser a melhor escolha. “Não somos nós que controlamos, pelo que os bebés sujam-se mais”, recorda Filipa. Como continuam a mamar, “comem mais ou menos consoante aquilo que precisam”.

Ao DN, a pediatra Graça Gonçalves diz que “muitos pais encaram este método como uma forma de eles próprios fazerem uma alimentação mais saudável, porque dão aos filhos o que vão comer”. Além das vantagens na motricidade e mastigação, a consultora internacional de lactação destaca que estes bebés desenvolvem “a destreza mais cedo” e conhecem “os sabores e os cheiros de todos os alimentos de forma individual”.

Quantos aos argumentos contra, a pediatra diz que “os bebés engasgam-se principalmente com os líquidos. “Mas é importante conhecer as regras”, ressalva. Uma delas é não dar pedaços muitos pequenos, redondos e duros. Já no que diz respeito à quantidade de comida que ingerem, “as crianças crescem a um ritmo adequado, desde que tenham à frente todos os alimentos e em quantidades adequadas”. No início “o bebé vai fazendo experiências com a comida e aprendendo a comer, e só aos 8 ou 9 meses fará uma refeição de substituição”. Daí a importância da amamentação.

 

 

Música para Bebés na Biblioteca Orlando Ribeiro e no Museu de Lisboa – janeiro a março 2017

Janeiro 16, 2017 às 10:45 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://blx.cm-lisboa.pt/noticias/detalhes.php?id=1130

http://agendalx.pt/evento/musica-para-bebes-no-museu-de-lisboa-nucleo-do-palacio-pimenta#.WHyeeLnPy1J

Performance interativa “A Princesa e a Ervilha” 21 a 29 no CCB

Janeiro 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Fábrica das Artes | para todas as infâncias

A companhia norueguesa Dybwikdans convida crianças e os pais a entrar no belo conto de fadas «A Princesa e a Ervilha», de Hans Christian Andersen. Nesta versão, o grupo de dança leva-nos numa viagem mágica, na qual as crianças são encorajadas a usar a sua própria imaginação e a sua criatividade. Rodeados por um ambiente estético apelativo, teremos oportunidade para experimentar a arte de uma forma divertida, através do uso de disfarces e da interação.

Desenvolvimento da ideia Siri Dybwik / Música Nils Christian Fossdal / Performers Gerd Elin Aase e Nils Christian Fossdal / Cenografia Kit Bjorn Petersen / Adereços Robert Allsopp / Coprodução RAS

Espetáculo atualmente apoiado por Komponistenes Vederlagsfond, Stavanger Kommune, Rogaland Fylkeskommune, Fond for Utøvende Kunstnere, RAS, UiS e Sandnes Kommune

21 a 29 janeiro, 2017 | 10:00 e 11:30

Espaço Fábrica das Artes

3 aos 5 anos

mais informações:

https://www.ccb.pt/Default/pt/FabricaDasArtes/Programacao/Oficinas?a=761

 


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