60 crianças foram denunciadas por semana ao programa antiterrorismo do Reino Unido

Janeiro 4, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 27 de dezembro de 2016.

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Joana Azevedo Viana

Dados do controverso programa governamental Prevent, criado no rescaldo do ataque de julho de 2005 em Londres e refundado em 2015, mostram que entre o ano passado e este ano houve 7500 pessoas referenciadas, 3100 delas menores, incluindo 61 com menos de dez anos.

Uma média de 60 crianças foram denunciadas por semana ao controverso programa de contraterrorismo do Governo britânico entre 2015 e 2016. De acordo com dados do Prevent — o programa criado no rescaldo dos ataques ao metro de Londres a 7 de julho de 2005, que no ano passado foi reformulado sob a Lei Antiterrorismo, passando a exigir a organizações como escolas e autoridades locais que “cumpram o dever e a necessidade de impedir que as pessoas sejam atraídas para o terrorismo” — houve cerca de 7500 pessoas referenciadas entre o ano passado e este ano, a um ritmo de 20 por dia. Dessas, 3100 eram menores e 61 tinham menos de 10 anos de idade, avança o jornal “The Independent”.

As autoridades britânicas garantem que, através do Prevent, já conseguiram travar mais de 150 viagens de britânicos para os teatros de guerra no Iraque e na Síria, para além de terem em mãos uma série de casos e incidentes ligados à extrema-direita que foram detetados graças a ele. Contudo, o programa governamental de combate à radicalização continua a ser criticado por muitos, que falam numa cultura “tóxica” de denúncias até em infantários que cria um ambiente ao estilo Minority Report, em que as pessoas referenciadas às autoridades, incluindo crianças, se tornam suspeitas de crimes que não aconteceram.

“Alguns dos que tecem críticas criticam as perceções do Prevent e não aquilo que [o programa] é”, defende Simon Cole, líder do programa no Conselho Nacional de Chefes da Polícia britânica. “Algo que fica perdido no debate é o facto de este ser um esquema voluntário que acontece num espaço pré-criminal. Não tem a ver com pessoas que são suspeitas de crimes de terrorismo. Tem a ver com pessoas que [são alvos de] preocupações por profissionais, amigos, familiares e membros das suas comunidades, que acham que elas podem precisar de ajuda e apoio.”

Em setembro, a diretora da Universidade de Oxford tinha acusado o Governo de implementar um programa “errado” para combater o extremismo e o radicalismo, dizendo que as universidades e escolas devem ser locais onde os alunos podem debater de forma livre e aprender a rebater argumentos que consideram questionáveis e não sítios onde têm medo de se expressar.

Cole, pelo contrário, considera que é importante combinar a educação com a aplicação da lei e o policiamento, reconhecendo contudo que algumas comunidades têm “muitas suspeitas” em relação ao Prevent. Ao “The Independent”, o chefe da polícia de Leicestershire explicou como funciona o processo normal de referenciamento: “Existe uma avaliação de um indivíduo e é criado um programa para o apoiar. Às vezes sse programa não tem nada a ver com extremismo ou radicalização. Tem a ver com identificar uma pessoa que pode precisar de ajuda para encontrar emprego ou oportunidades de educação ou condições de habitação.”

Das 7500 referências ao Prevent entre 2015 e 2016, 28% dos casos continuam sob investigação e 10% foram avaliados como envolvendo pessoas vulneráveis ao terrorismo — já integradas no programa Channel que presta apoio aos que são identificados como estando em risco de radicalização. Dos casos em que foram identificados e registados motores ideológicos, 54% estiveram relacionados com o extremismo islâmico e quase 10% com a extrema-direita.

 

 

 

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A Audição da Criança nos Processos Tutelares | 5 de janeiro no Atrium Saldanha

Janeiro 4, 2017 às 3:35 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Entrada Livre

mais informações:

http://www.oa.pt/cd/Conteudos/Artigos/detalhe_artigo.aspx?sidc=31634&idc=32038&ida=150676

Videojogos: quando a vida dos filhos passa a estar centrada num ecrã

Janeiro 4, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 27 de dezembro de 2016.

No centro clínico PIN — Progresso Infantil os pais são convidados a participar nos jogos com os filhos Enric-Vives Rubio

No centro clínico PIN — Progresso Infantil os pais são convidados a participar nos jogos com os filhos

Vício é cada vez mais comum entre as crianças que passam a viver isoladas. O PÚBLICO acompanhou uma sessão com pais e filhos num centro clínico que trata este comportamento aditivo.

Romana Borja-Santos

As crianças vão entrando e pedindo licença para ocupar um lugar nos poufs dispostos em frente às consolas. Timidamente. Quase é necessário que os terapeutas lhes peçam para começar a jogar. À porta, os pais espreitam. No entanto, não é preciso passar muito tempo para que estalem os primeiros sinais de conflito entre os meninos. Parar o jogo e dar lugar a uma outra criança parece ser uma missão difícil, mesmo num ambiente diferente do de casa. “É um dos sinais de adicção aos videojogos”, alerta Pedro Rodrigues, psicólogo clínico e um dos psicoterapeutas do centro clínico de desenvolvimento PIN — Progresso Infantil, onde decorreu esta experiência que junta pais e filhos numa sessão sobre os desafios que as novas tecnologias estão a trazer às famílias.

Enquanto os filhos jogam, os pais são convidados para uma conversa de grupo com Pedro Rodrigues. O relato dos problemas que têm em casa também começa de forma tímida. Mas rapidamente concluem que lidam com casos muito semelhantes. “A maior dificuldade é quando é para o tirar do jogo, mas eu até compreendo em parte porque gosto de jogar”, sintetiza Octávio Gonçalves, um dos pais. A sessão, que decorreu há uma semana, contou com um grupo de 30 crianças. Pedro Rodrigues admite que não são raros os casos com demonstrações de violência física que chegam ao centro, em Paço de Arcos, Oeiras. Alguns já partiram a consola, o computador ou o telemóvel nos momentos de revolta.

Além das explosões de raiva, o interesse quase exclusivo e obsessivo pelos jogos e pela Internet é outro sinal de alerta, a par com o aumento do tempo de jogo, os conflitos, a quebra do rendimento escolar e as mentiras sobre o tempo que se passa a jogar. A perda de outros interesses, a fuga às emoções e o insucesso em tentar reduzir o tempo de jogo são outros sinais. Quando quatro ou cinco destas características estão presentes, Pedro Rodrigues alerta que é urgente pedir ajuda. Aliás, este comportamento adictivo foi incluído em 2013 na última revisão do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais.

“Os pais vêm procurar ajuda quando o problema já está no patamar do intolerável, quando existe violência física, verbal e quando as notas baixam, porque os pais são muito sensíveis às notas”, diz João Faria, também psicólogo clínico e responsável pelo Núcleo de Intervenção no Comportamento Online do PIN, centro que é dirigido pelo neuropediatra Nuno Lobo Antunes [ver entrevista ao lado]. Aqui acompanham sobretudo crianças com perturbações do desenvolvimento, em que são mais comuns os problemas de dependência — em particular nos casos de Síndrome de Asperger (forma ligeira de autismo). “Nestas perturbações há muitos interesses exclusivos e tendência para escolher uma actividade e desenvolvê-la muito, também pela capacidade de controlo e antevisão da situação”, explica João Faria.

“Quer ser youtuber

Na sessão com os pais, alguns admitem que tentam lidar com o problema proibindo temporariamente os jogos. Helena Castro tem dois filhos. Diogo com 13 e António (nomes fictícios) com 10 anos. O primeiro chegou ao PIN devido a problemas de comportamento, o segundo tem Asperger. As tecnologias são um problema, sobretudo no mais velho. “Quer ser youtuber”, resume a mãe, que relata dificuldades em casa e na escola — com uma série de notas negativas e “brancas” nos testes. Diogo quase nunca se desliga. Mesmo na escola vai fazendo vídeos com os amigos e publicando na Internet. “Volta e meio tiro-lhe o telemóvel e dou-lhe um dos antigos, que só faz e recebe chamadas. Chama-lhe o Ipedra, em brincadeira com o nome do Ipad, e diz que sou uma ditadora, uma Hitler.”

Susana Saldanha conhece bem o cenário. É mãe de um outro youtuber, Francisco, de 10 anos, “que sempre foi extremamente regrado” até terem ido, há um ano, por razões profissionais, para o Rio de Janeiro. “É uma sociedade totalmente diferente e posso dizer que o meu filho era um pouco gozado por ser português. Nem telemóvel tinha e lá eles têm tudo e eu tive de lhe dar um para ele se sentir integrado”, explica.

A oferta teve o efeito contrário: Francisco começou a isolar-se cada vez mais. Passou a estar sempre online ou a jogar. A relação de proximidade com a mãe deu lugar a conflitos. Mergulhava cada vez mais tempo nos jogos. Entrou em depressão, teve pela primeira vez uma crise de epilepsia que os médicos atribuíram à mudança radical de vida. Regressaram a Portugal. Mas com eles veio também “o vício dos videojogos e da Internet”. “O meu filho reconhece que está viciado e que tem dificuldade em parar e que acaba por usar os jogos e o YouTube como um refúgio para as emoções”, explica.

Proibir?

Pedro Rodrigues e João Faria são unânimes: proibir não deve ser o caminho. Até porque os jogos têm potencialidades. Na sala onde decorre a experiência há conflitos. Mas também há meninos que quase não comunicam e que a jogar vão falando e rindo com os parceiros. “Se eu retirar não vou dar a possibilidade das crianças aprenderem a auto-regularem-se. A tecnologia deve ser um elemento de ajuda nos ganhos de competência. Isso implica que pais e educadores estejam mais presentes”, defende Pedro Rodrigues. O psicólogo lembra que a adicção aos videojogos actua no cérebro da mesma forma que “as drogas como a cocaína ou heroína”, pelo que é “essencial” actuar no comportamento em vez de só restringir.

Dicas que Susana Simões, outra das mães presentes na sessão, recebe como úteis, mas com dúvidas. “Os jogos violentos trazem algum benefício?”, questiona. Pedro Rodrigues defende que os pais devem ficar atentos às idades recomendadas. “Mas mesmo que eu tente evitar há os colegas da escola que vêem programas e jogam jogos violentos”, contrapõe Susana Simões.

Uma realidade de que Pedro Rodrigues está consciente. A receita, defende, está em conversar com os filhos sobre o mundo irreal dos jogos. Sobre a violência em concreto, reconhece que pode parecer estranho, mas sublinha que “pode servir como momento de libertação de energias sobretudo nos jovens com algumas perturbações e com dificuldade em aderir a actividades físicas”. Nas perturbações do desenvolvimento há quase sempre um défice na produção de dopamina, uma substância associada ao prazer e às recompensas que muitas vezes estes jovens não conseguem no mundo real.

O terapeuta lembra que a postura inicial dos pais neste dia de experiência foi ficar fora da sala das consolas, recomendando que tentem participar nas actividades — até para perceberem como funcionam os jogos. João Faria corrobora que é importante os pais envolverem-se, considerando que pode ser perigoso “tirar o chão” a estas crianças — ou seja, fazer um corte radical. Até porque, este comportamento de dependência, diz, é muitas vezes o espelho de outros assuntos mal resolvidos, nomeadamente a incapacidade que muitos jovens têm em serem aceites socialmente e em terem os resultados esperados a nível escolar. “Os pais estão ávidos de ter estratégias, mas tem de ser feito um trabalho prévio”, sublinha João Faria. “Têm de ter tempo para serem pais.”

 

 

Filipinas quer passar responsabilidade criminal dos 15 para os 9 anos de idade

Janeiro 4, 2017 às 10:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do http://pt.euronews.com/ de 29 de dezembro de 2016.

As Filipinas estão a discutir um projeto de lei que pretende reduzir a responsabilidade criminal de menores no país, dos 15 para os 9 anos.

Esta reforma do Código Penal filipino faz parte da guerra declarada pelo presidente das Filipinas contra o tráfico de drogas.

Rodrigo Duterte alega que as crianças com menos de 15 anos estão a ser usadas para cometer crimes e traficar drogas porque não podem ser punidas.

No início de dezembro, Duterte afirmou que o país estava a criar uma “geração de criminosos” e que deviam tomar-se medidas.

April Amistoso trabalha como assistente social num centro educativo de Bahay Tuluyan, onde as crianças são retiradas da rua e ajudadas quando se envolvem em problemas com a lei.

Para Amistoso, prender menores não é “uma solução”:

“Se punirmos crianças agora, quando crescerem isso voltará a acontecer. Serão rotuladas como criminosas. Mas se as ajudarmos, elas podem vir a tornar-se um fator positivo na comunidade”.

As Nações Unidas estipulam que a idade de responsabilidade penal não pode ser inferior aos 12 anos.

Mas Duterte parece reunir apoiantes nas ruas filipinas.

“Precisamos desta lei porque os adultos podem usar crianças para cometer crimes. Usam-nas porque sabem que não podem ser presas, ao contrário dos adultos que cometem crimes e podem ser condenados à prisão”.

Desde que Duterte subiu ao poder, há 6 meses, mais de 6000 pessoas foram assassinadas nesta guerra contra as drogas.

Esta quinta-feira, pelo menos 7 pessoas foram mortas, 3 delas eram menores.

 

 

Confirma-se: a gravidez muda o cérebro das mulheres

Janeiro 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 20 de dezembro de 2016.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Pregnancy leads to long-lasting changes in human brain structure

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Reduções, do laranja para amarelo, de volume de matéria cinzenta no cérebro (em várias perspectivas) durante a gravidez Oscar Vilarroya

A estrutura do cérebro das mulheres é alterada com a gravidez, talvez de forma irreversível. Investigadores registaram uma adaptação dos circuitos neuronais que parece servir para optimizar funções necessárias à maternidade. Nos homens nada parece mudar.

Andrea Cunha Freitas Qualquer mulher que tenha estado grávida sabe que o seu organismo passou por uma revolução. As mudanças hormonais, a transformação física e todas as adaptações biológicas no corpo que gera um novo ser. E o cérebro? Também muda, assegura uma equipa de cientistas que avaliou, pela primeira vez, a estrutura cerebral de um grupo de mulheres antes e depois da primeira gravidez. Não se sabe ainda se as alterações são irreversíveis, só se sabe que, passados dois anos, o cérebro de uma mãe não voltou ao que era antes.

Um grupo de investigadores, liderado pela Unidade de Investigação de Neurociência Cognitiva da Universidade Autónoma de Barcelona (Espanha), recolheu dados durante cinco anos e quatro meses de um grupo de 25 mulheres que ficaram grávidas pela primeira vez e 20 mulheres sem filhos. Os investigadores, que publicaram um artigo na revista científica Nature Neuroscience, também analisaram os cérebros de 19 homens que foram pais pela primeira vez (companheiros das mulheres grávidas do estudo) e de 17 sem filhos. Todos os participantes no estudo foram sujeitos a várias ressonâncias magnéticas.

No cérebro dos homens, que parece ser imune à paternidade, não foram registadas alterações. Porém, o estudo revela que, numa primeira gravidez, as mulheres sofrem reduções significativas de matéria cinzenta em regiões que estão associadas à cognição social. O que – espere, antes de fazer conclusões precipitadas – não significa qualquer tipo de declínio das funções mas antes uma “sintonização” e reorganização dos circuitos neuronais que optimizam o cérebro para melhor desempenhar a tarefa de ser mãe.

Nos exames, observou-se uma “redução simétrica no volume da matéria cinzenta na zona medial frontal e posterior do córtex e também em regiões específicas, sobretudo, do córtex pré-frontal e temporal”, refere o comunicado de imprensa sobre o estudo. Os investigadores sublinham que existe uma notável sobreposição das alterações da gravidez com a rede que está associada à teoria da mente, que nos permite perceber o que os outros pensam e sentem.

“Acreditamos que as mudanças observadas concedem uma vantagem adaptativa na transição para a maternidade, por exemplo, facilitando a capacidade da mãe para perceber as necessidades do seu filho”, explica ao PÚBLICO Susanna Carmona, investigadora na Universidade Autónoma de Barcelona e uma das autoras do artigo. Estas mudanças nas mulheres fazem parte, defendem os cientistas, de um processo de adaptação e de especialização funcional para o momento especial da maternidade.

“As mudanças neuroanatómicas localizadas em algumas das regiões do cérebro destas mulheres mostraram, por exemplo, uma resposta neuronal mais forte aos seus filhos no período pós-parto”, refere a investigadora. E aí reside, talvez, uma das mais importantes implicações deste estudo, que, segundo Susanna Carmona, poderá ajudar a perceber melhor “a fisiologia patológica de distúrbios como a depressão pós-parto, podendo ajudar a prevenir e tratar esta desordem no momento certo”.

Adolescência, outra vez

Esta capacidade de sintonizar o cérebro para novos desafios, tornando-o mais apto, não é exclusiva do momento da maternidade. Nos cérebros destas mulheres, “as sinapses fracas são eliminadas abrindo caminho para redes neuronais mais especializadas e eficientes”, refere a investigadora, adiantando que este “mecanismo de ‘poda sináptica’ também ocorre durante a adolescência”. Assim, a reorganização – visível nas reduções de volume de algumas regiões do cérebro – acontece na fase de adolescência quando o cérebro apura as suas funções cognitivas e também, como se prova agora, com a maternidade.

“Sabe-se que as hormonas sexuais (esteróides) regulam a morfologia neuronal e provocam, nomeadamente na adolescência, alterações no cérebro. Por isso, não é surpreendente que os níveis hormonais sem paralelo da gravidez também o façam”, nota Susanna Carmona.

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Mas a conclusão de que o cérebro muda com a gravidez pode apenas significar a confirmação de uma suspeita para muitas mães. Muitas mulheres, admite a investigadora ao PÚBLICO, queixam-se de um aumento da distracção e défices de memória durante a gravidez. E Susanna Carmona sabe bem do que estas mulheres falam. A cientista e outras duas das principais autoras do artigo engravidaram durante esta investigação. Porém, e apesar de partilhar este sentimento, sublinha que os estudos que associam a gravidez a alterações na memória ou outras funções cognitivas são inconsistentes.

“No nosso estudo, não observámos qualquer impacto cognitivo nas medições que fizemos.” Aliás, sublinha a cientista, nas investigações em modelos animais (ratinhos, por exemplo) o impacto hormonal da gravidez no cérebro conduz a uma emergência dos comportamentos maternais mas também a melhorias persistentes da memória espacial, para encontrar comida e capturar as presas. Ainda assim, Susanna Carmona considera que seria interessante estudar “até que ponto estes problemas não são causados por reduções de memória, mas antes por uma mudança da atenção da futura mãe para estímulos e pensamentos sobre o bebé em prejuízo de outras coisas externas, que não têm a ver com a maternidade”.

Por fim e não menos importante: as mudanças observadas no cérebro das mães são irreversíveis? Além dos exames feitos antes e depois da gravidez, os investigadores fizeram mais uma sessão de ressonâncias magnéticas dois anos depois do parto. “Vimos que, nessa altura, as mudanças ainda continuavam lá”, diz a investigadora, que conclui: “Neste momento, não sabemos se os cérebros destas mães vão algum dia regressar ao seu estado original, o que é altamente improvável, mas para saber isso será necessário vigiar os seus cérebros nos próximos anos.”

 

 


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