E se na escola Maria pede para ser tratada por Manuel?

Dezembro 28, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 22 de dezembro de 2016.

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Catarina Gomes

A Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual (AMPLOS) propôs ao Ministério da Educação que as crianças transgénero possam usar, em ambiente escolar, um nome que esteja de acordo com o género com o qual se sentem identificadas, diz a sua presidente, Margarida Faria. Ao PÚBLICO o ministério faz saber que a proposta está a ser analisada em conjunto com o gabinete da Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade.

As crianças transgénero são aquelas cuja identidade de género — a identificação psicológica enquanto menino ou menina  — não corresponde ao sexo que lhes foi atribuído à nascença. Em 2013, a Alemanha tornou-se o primeiro país europeu onde é mesmo possível inscrever no Bilhete de Identidade de uma criança uma terceira opção para além de “feminino” ou “masculino”: “sexo indefinido”.

Em Portugal, o último apelo que chegou à AMPLOS, associação vocacionada para dar apoio a pais neste tipo de situações, veio de um rapaz de 15 anos. Pediu à escola para passar a ser tratado por um nome masculino, embora “oficialmente” tenha nascido do sexo feminino. Nesta decisão não foi apoiado pela mãe. “Ele teve a coragem de se apresentar à escola, a escola deveria reconhecê-lo”, defende a responsável da associação.

A lei portuguesa apenas permite a mudança de identidade civil a partir dos 18 anos (no ano passado 70 adultos alteraram o sexo nos seu documentos de identificação). Existem actualmente duas propostas de lei sobre identidade de género, uma do Bloco de Esquerda, outra do PAN-Pessoas-Animais-Natureza, no sentido de fazer descer esta idade para 16 anos. A proposta do BE contempla mesmo a possibilidade de mudança de identidade civil para crianças, mas fá-lo “muito timidamente”, considera a responsável da AMPLOS.

Contudo, explica, a questão da identidade de género manifesta-se ainda na infância. “As pessoas transsexuais sabem que são do género oposto com quatro, cinco anos, o que não acontecia dantes era a liberdade de virem falar de si próprios no espaço público”, prossegue Margarida Faria. “Há crianças que já têm essa situação muito resolvida e têm de viver com o nome do género errado até aos 16 ou 18 anos, o que é muito complicado.”

São vários os pais “de crianças de expressão de género não binário” a pedir apoio, tanto que criaram um núcleo para a infância com uma página específica no Facebook da associação (Espelho Eu).

Verbalizar aos sete anos

A verbalização perante os pais pode acontecer aos sete anos, de forma clara. A partir desta idade há crianças aptas a fazer a sua transição social, diz Margarida Faria, assumindo-se com o género com o qual se identificam, razão pela qual a AMPLOS entende que os registos escolares deviam ter o nome da criança ajustado. “Isso é fundamental para a sua auto-estima e para a sua integração social.”

No final de Novembro a AMPLOS entregou ao Ministério da Educação a “Proposta de Adopção de Medidas nas Escolas face à Diversidade de Expressão e Identidade de Género na Infância”, onde reitera que, mesmo não sendo ainda possível às crianças mudar de nome no registo civil, é importante que sejam aprovados procedimentos para serem usados de forma uniforme em todas as escolas, permitindo que as crianças possam usar em ambiente escolar o nome ajustado à sua identidade de género. “Seria o primeiro passo. Já seria muito importante que a escola reconhecesse e que saiba o que são crianças ‘trans’, que se arranjasse meios para ouvir os miúdos, mesmo quando não são aprovados pelos pais.”

“Temos várias famílias nesta situação”, conta ainda. Neste momento, há pais de menores que têm de ir às escolas pedir para os filhos usarem o nome do “género sentido”, mas tudo depende “da abertura e boa vontade” da escola. Margarida Faria diz que “é da maior urgência uma medida definida pelo Ministério da Educação a ser cumprida pelos agrupamentos escolares, independentemente da boa-vontade”. Lembra por fim que há alguns países a permitir a mudança de nome ainda na infância (como Argentina, Malta e Noruega) e recorda o caso de uma mãe mexicana, que teve de ir para tribunal para conseguir a mudança de nome da filha quando esta tinha 9 anos.

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A capa da edição de Janeiro da National Geographic que está a provocar polémica ROBIN HAMMOND/National Geographic

National Geographic dá capa a menina transgénero

Mais recente é a polémica em torno da revista norte americana National Geographic. Para o seu número de Janeiro quis fazer história escolhendo a imagem de uma criança transgénero, uma menina americana que nasceu oficialmente rapaz. Avery Jackson, a criança de nove anos do Kansas (EUA), diz orgulhosamente que a melhor coisa de ser rapariga “é não ter de fingir que é um rapaz”.

O número temático dedicado à “Revolução do Género” tem suscitado debate nos últimos dias e até levou a directora revista, Susan Goldberg, a ter de explicar porque escolheram aquela imagem de capa.

“Desde que partilhamos a nossa capa, milhares de pessoas deram-nos as suas opiniões, que foram desde a expressão de agradecimento e orgulho, até manifestações de fúria. Vários garantiram que iam cancelar as suas subscrições da revista”, admitiu.

“Estes comentários são uma pequena parte de uma discussão muito profunda que está a decorrer sobre as questões de género.” Num dos artigos deste número, para o qual foram visitadas crianças em vários países do mundo, Avery apresenta-se “como uma rapariga abertamente transgénero desde os cinco anos”, que conta com apoio dos pais que nada sabiam sobre o tema até se verem confrontados com ele.

O fotógrafo da National Geographic, Robin Hammond, foi a 80 casas de crianças de nove anos em quatro continentes, do Brasil à China, convidando-as a explicar o que significa para cada uma delas ser rapaz ou rapariga, que vantagens ou desvantagens tem, que expectativas têm em relação ao seu futuro, o que as faz felizes. Mas foi a escolha da fotografia de capa que mais causou polémica.

A directora da revista diz que Avery “exprime a complexidade da conversa que está a decorrer actualmente em torno das questões de género”. “Hoje já não falamos apenas em papéis de género de rapazes e raparigas, falamos sobre a necessidade de compreender a evolução em torno do espectro de género.”

“Todas as fotografias das crianças são belas. Mas gostamos especialmente da imagem de Avery – forte e orgulhosa. Pensamos que resume bem o conceito de ‘revolução de género’”.

 

Livro para crianças conta histórias de dez cientistas portugueses no estrangeiro

Dezembro 28, 2016 às 3:00 pm | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 25 de dezembro de 2016.

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O actual ministro da Eucação também é protagonista desta história

Um livro editado a pensar nas crianças portuguesas que crescem fora de Portugal reúne histórias de dez cientistas e jovens investigadores nacionais e propõe actividades de apoio à aprendizagem da língua portuguesa.

Joana Moscoso, cientista e directora da Native Scientist, empresa inglesa sem fins lucrativos que promove a aprendizagem integrada de língua e ciência, explicou que o livro Uma Volta Ao Mundo Com Cientistas Portugueses conta a história de dez pessoas espalhadas pelo mundo “e convida pais, crianças e professores a fazerem uma viagem pela ciência e pela língua portuguesa”.

“Leva-nos numa viagem pelos quatro cantos do mundo”, adiantou Joana Moscoso, aludindo à história de Suzana Salcedo, microbióloga em França, Gonçalo Sousa, natural do Porto e engenheiro civil que projecta equipamentos de perfuração petrolífera na Noruega, ou Joana Patrício, uma bióloga marinha natural de Coimbra que, na Comissão Europeia, “ajuda os governantes a perceberem que os oceanos são grandes armazéns de carbono, são reguladores do clima, são fonte de alimento e produtores de oxigénio e, por isso, têm de ser bem cuidados”.

O livro relata também as vivências e experiências de Hugo Natal da Luz, físico que nasceu em Vila do Conde e constrói detectores de partículas em São Paulo, no Brasil; Joana Gil-Mohapel, que, no Canadá, “ajuda a perceber a informação que está armazenada no cérebro”; e Anabela Maia, que trabalha no estado norte-americano de Illinois “e explica porque é que os peixes boiam”, disse Joana Moscoso.

O lote de histórias retratadas no livro completa-se com o actual ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues – doutorado em Bioquímica e que, antes de assumir funções governativas, trabalhou seis anos em Cambridge, Inglaterra, na detecção precoce do cancro -–; José Xavier, natural de Vila Franca de Xira, “cientista que passa largas temporadas na Antártida a estudar os pinguins”; José Fonseca, vimaranense que vive na Cidade do Cabo, África do Sul, e está a desenvolver um telescópio para estudar o universo; e Sónia Henriques, nascida em Torres Novas e que, em Brisbane, na Austrália, procura novos medicamentos para tratar o cancro.

Joana Moscoso, que é investigadora especializada no estudo de bactérias e que depois de uma década fora de Portugal em países como a Suécia, Austrália e Inglaterra, regressou este ano à Universidade do Porto, explicou ainda que o livro “é o resultado de um projecto de dois anos” em parceria com a Ciência Viva (agência nacional para a cultura científica e tecnológica) e a Coordenação do Ensino de Português no Reino Unido do Instituto Camões.

“Foi pensado para as crianças portuguesas lá fora, mas pais, professores e crianças em Portugal poderão achar o livro igualmente interessante. Nele são apresentados cientistas portugueses com percursos nas mais variadas áreas do conhecimento e são propostas actividades [desenvolvidas por professores de língua portuguesa no Reino Unido, com base nos testemunhos dos cientistas], como entrevistas e apresentações orais que permitem a exploração de conceitos científicos e o aprofundamento de competências linguísticas”, frisou.

A fundadora da Native Scientist acrescentou que Uma Volta Ao Mundo Com Cientistas Portugueses, cuja apresentação pública está agendada para quarta-feira, em Coimbra, durante o 5.º Encontro de Portugueses Graduados no Estrangeiro (GraPE) – está disponível para download gratuito e para 2017 está planeada uma “fase piloto” de distribuição de mil exemplares pela rede do Ensino no Estrangeiro do Instituto Camões.”Esta fase tem como o objetivo testar os textos e atividades junto do público-alvo. A informação recolhida durante esta fase será tida em conta no lançamento e distribuição de uma segunda edição”, informou.

descarregar os livros no link:

http://www.nativebooks.net/

 

Quase um terço das vítimas de tráfico são crianças – relatório da ONU

Dezembro 28, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://pt.euronews.com/ de 22 de dezembro de 2016.

O rosto do tráfico humano está a mudar. As crianças já representam quase um terço do número total de vítimas.

Mais 63 mil vítimas de tráfico de humano foram identificadas em 106 países e territórios entre 2012 e 2014, de acordo com o relatório apresentado, quarta-feira, pelo Gabinete das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC).

Um número baixo se se tiver em conta que a Organização Internacional do Trabalho estima que existem 21 milhões de pessoas que são vítimas de tráfico.

Em 2014 o maior número de vítimas de tráfico humano, 71% do total, eram mulheres.

“As mulheres são usadas principalmente na exploração sexual, 72% das mulheres são destinadas à exploração sexual, mas há também 20% que são exploradas em trabalho forçado,” revelou a chefe da unidade responsável pelo Relatório Global sobre Tráfico Humano, Kristina Kangaspunta.

O relatório enfatiza a ligação entre grupos armados e o tráfico de pessoas e como obrigam mulheres e meninas ao casamento ou escravidão sexual.

“Um dos elementos deste genocídio (cometido pelo Estado Islâmico contra os Yazidis) foi a escravização sistemática das mulheres, meninas e crianças Yazidi. Mais de 6 mil foram escravizadas e reduzidas a objectos através de um sistema de abusos onde os membros do Estado Islâmico tratavam as mulheres Yazidi como uma ferramenta que só servia para os seus desejos doentios,” afirmou a yazidi ativista dos direitos humanos, Nadia Murad.

Homens e meninos são frequentemente sujeitos a trabalhos forçados no setor mineiro, como carregadores, mas também são usados como soldados ou escravos.

Enquanto globalmente, em média, 1/3 das vítimas são crianças, em regiões como a África Subsaariana, América Central e Caraíbas, chegam a representar mais de 60% das vítimas.

De acordo com a Europol, o tráfico humano é negócio extremamente lucrativo para o crime organizado, que arrecadou aproximadamente 6 mil milhões de euros apenas com o tráfico de migrantes em 2016.

 O relatório citado na notícia pode ser descarregado no link:

https://www.unodc.org/unodc/en/frontpage/2016/December/almost-a-third-of-trafficking-victims-are-children_-unodc-report.html?ref=fs1

 

Vem divertir-te com os robôs LEGO Mindstorms! 8 de janeiro no Museu Nacional de História Natural e da Ciência

Dezembro 28, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/node/1368


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