“Os alunos que concluem um curso profissional encontram emprego com facilidade”

Dezembro 26, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do site http://www.educare.pt/ a José Luís Presa, no dia 14 de dezembro de 2016.

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José Luís Presa, presidente da ANESPO – Associação Nacional de Escolas Profissionais, garante que a ideia de que há um ensino de primeira e um ensino de segunda tem vindo a mudar.

Sara R. Oliveira

Há cada vez mais alunos nos cursos profissionais e nota-se um aumento dos que querem continuar a estudar no Ensino Superior. “O objetivo do ensino profissional é formar quadros intermédios para trabalhar nas empresas, sem prejuízo de uma percentagem ainda significativa de alunos quererem prosseguir estudos nas universidades e nos politécnicos e o fazerem com muito sucesso”, afirma José Luís Presa, presidente da ANESPO – Associação Nacional de Escolas Profissionais, nesta entrevista ao EDUCARE.PT.

Informar e encaminhar os alunos de acordo com os seus interesses vocacionais é fundamental. Por isso, na sua opinião, é importante que jovens e suas famílias sejam informados, durante o 3.º ciclo, sobre as diferentes ofertas, vantagens de frequentar este ou aquele curso, taxas de empregabilidade, prosseguimento de estudos. Mas, em seu entender, nem sempre isso acontece. “Infelizmente, não é feita uma verdadeira orientação vocacional e a informação que chega aos alunos e famílias é, muitas vezes, completamente deturpada nas escolas do ensino básico que frequentam”, avisa.

José Luís Presa está satisfeito com a visão que o atual Ministério da Educação tem sobre o ensino profissional e acredita que é possível atingir o objetivo anunciado de chegar a 2020 com 50% dos alunos a concluírem o secundário através de vias profissionalizantes. Contudo, para alcançar essa meta, é preciso criar mais cursos nas escolas profissionais privadas e mais cursos nas escolas secundárias públicas. Nos últimos três anos, o financiamento das escolas profissionais tem sido uma dor de cabeça.

EDUCARE: O ensino profissional surgiu, 15 anos após o encerramento das escolas industriais e comerciais depois do 25 de Abril, como alternativa ao ensino geral unificado que não preparava os jovens para o mundo do trabalho. Justificava-se esta opção?
José Luís Presa:
O encerramento das escolas comerciais e industriais foi um erro pois as empresas durante muitos anos não puderam integrar nos seus quadros jovens com formação profissionalizante. Por essa razão, a criação pelo governo de um departamento específico com o objetivo de relançar o ensino profissional em Portugal foi saudada pelos agentes económicos e sociais como sendo uma medida muito positiva.

E: Os alunos que frequentam as escolas profissionais são, muitas vezes, conotados negativamente. Como convivem as escolas profissionais com esta situação?
JLP:
Os alunos que frequentam as escolas profissionais não são diferentes dos restantes. Há alunos com notas altas e baixas como em qualquer escola, mas o certo é que, cada vez mais, os alunos fazem dos cursos profissionais a sua primeira escolha. Muitas vezes, os alunos são conotados negativamente porque são obrigados a fazer percursos escolares que não gostam. Quando os alunos frequentam cursos profissionais devidamente informados e orientados vocacionalmente são assíduos, pontuais, têm bons resultados escolares e, naturalmente, muito sucesso na vida ativa.

E: Há cada vez mais jovens a procurar o ensino profissional?
JLP:
Efetivamente há cada vez mais jovens a frequentarem cursos profissionais mas, o mais importante, como anteriormente disse, seria fazer com que esses alunos fossem encaminhados de acordo com os seus centros de interesse vocacionais. Para isso, importava que no decurso do 3.º ciclo do Ensino Básico os jovens e as famílias fossem devidamente informados sobre as diferentes ofertas, sobre as vantagens de frequentarem um ou outro curso, sobre a empregabilidade e sobre as possibilidades de prosseguimento de estudos no Ensino Superior. Infelizmente, não é feita uma verdadeira orientação vocacional e a informação que chega aos alunos e famílias é, muitas vezes, completamente deturpada nas escolas do Ensino Básico que frequentam.

E: O número dos que tentam entrar na universidade tem vindo a aumentar?
JLP:
O número de alunos que pretendem prosseguir estudos está efetivamente a aumentar, mas importa dizer que o objetivo do ensino profissional é formar quadros intermédios para trabalhar nas empresas, sem prejuízo de uma percentagem ainda significativa de alunos quererem prosseguir estudos nas universidades e nos politécnicos e o fazerem com muito sucesso.

E: O ensino profissional deixou de ser o parente pobre do ensino? O que mudou?
JLP:
O que tem vindo a mudar é a ideia de que há um ensino de primeira, que é o científico-humanístico, e um ensino de segunda, que é o ensino profissional. O que se passa é que os alunos que concluem um curso profissional encontram emprego com facilidade. Os alunos que terminam o 12.º ano de um curso científico-humanístico e não prosseguem estudos não têm qualquer competência profissional e vão engrossar as fileiras do desemprego. Acresce que os alunos que frequentam os cursos profissionais podem igualmente prosseguir estudos e, em muitos casos, estão muito mais bem preparados para o fazerem e com assinalável sucesso. Os jovens e as famílias percebem as vantagens e fazem a escolha certa, ou seja, optam pelos cursos profissionais.

E: As ofertas formativas dos cursos profissionais têm encaixado nas reais necessidades do mercado de trabalho, no que os agentes económicos e sociais procuram em cada região? Ou há lacunas nesta matéria?
JLP:
Os cursos profissionais são organizados tendo em conta os pareceres dos conselhos consultivos das escolas onde têm assento os representantes do tecido económico e social. Por esse facto, há uma ligação às respetivas necessidades das empresas. De qualquer modo, nos últimos anos, a ANQEP – Agência Nacional para a Qualificação e Ensino Profissional dispõe de estudos realizados a nível nacional, regional e local, que elucidam sobre as necessidades de formação em cada comunidade intermunicipal.

E: Um aluno com o 12.º ano e um curso profissional está preparado para entrar no mercado de trabalho?
JLP:
Os alunos que frequentam um curso numa escola profissional, com equivalência ao 12.º ano e qualificação de nível IV da União Europeia, estão efetivamente preparados para entrar no mercado de trabalho e, em média, 85% desses alunos, ao fim do primeiro ano, após a formação, estão empregados.

E: O ministro da Educação referiu, há pouco tempo, que o ensino profissional é um dos pilares mais importantes da qualificação. Um bom sinal?
JLP:
O atual ministro da Educação é entre os muitos ministros que conheci, e foram muitos ao longo dos últimos 27 anos, um dos que mais apostam e defendem o ensino profissional. Isso é claramente um bom sinal. O atual ministro da Educação, no seu percurso de investigador, já passou por vários países da Europa e da OCDE e sabe que os países mais desenvolvidos do mundo são, justamente, aqueles que mais apostam no ensino profissional.

E: De que forma os sucessivos governos têm tratado este tipo de ensino? Tem havido uma aposta consistente nesta formação?
JLP:
Após a publicação do Decreto-Lei 26/89, que criou as escolas profissionais, houve um grande incremento de alunos e turmas que passaram a frequentar cursos profissionais. Depois assistiu-se a um largo período de tempo em que o número de alunos se manteve no patamar dos 30 000. A ministra Maria de Lurdes Rodrigues apostou no aumento do número de alunos nas escolas profissionais e alargou o ensino profissional às escolas secundárias públicas, o que fez com que aumentasse muito o número de alunos nesta fileira. Durante o governo anterior, o aumento foi muito ténue. Agora, a intenção é aumentar, mas estamos longe do objetivo de se atingir os 50%, a que Portugal se comprometeu com a União Europeia, até 2020.

E: O Governo quer chegar a 2020 com 50% dos alunos a concluírem o secundário através de vias profissionalizantes. É um objetivo viável, face aos dados mais recentes?
JLP:
Parece-me viável, mas isso implicaria a criação de mais cursos nas escolas profissionais privadas e mais cursos nas escolas secundárias públicas. Importa conjugar o aumento das ofertas qualificantes para os jovens que frequentam o Ensino Secundário com a redução da natalidade. Sendo certo que precisamos de aumentar 6% até 2020, para atingirmos a meta dos 50%, é também certo que vamos assistir a uma redução média de 2% ao ano do número de alunos, nos próximos 15 anos, por efeito da redução da natalidade. Assim sendo, o Ministério da Educação pode aumentar ligeiramente o número de alunos nos percursos qualificantes, mas o mais importante é baixar o número de alunos que frequentam os cursos científico-humanísticos por causa do número de docentes existentes nas escolas.

Em síntese, é viável atingirmos os 50%. Certo será também que, quando lá chegarmos, os países mais desenvolvidos já estarão, nessa altura, bem acima dos 60%. Resta-nos a esperança de que algo de extraordinário aconteça sendo reconfortante o facto de que o Governo já fala na meta dos 55%.

E: O combate ao abandono e insucesso escolar e a dinamização de ofertas formativas para os adultos são fundamentais para travar o desemprego?
JLP:
O combate ao abandono e insucesso escolar está ligado à adoção de políticas que façam com que os alunos tenham os mínimos sociais garantidos, o que em muitas zonas do país ainda não acontece, mas, tão ou mais importante do que isso, que se faça uma verdadeira informação e orientação vocacional. Estamos esperançados que, complementarmente ao trabalho das escolas feito pelas escolas, essas atividades sejam desenvolvidas, finalmente, pelos Centros Qualifica. O que a nossa experiência de 27 anos em prol da educação e formação nos diz é que os alunos que frequentam um curso profissional que gostam não faltam, não desistem e têm bons resultados escolares.

E: O financiamento dos cursos profissionais continua a ser uma dor de cabeça? Quais são as maiores preocupações?
JLP:
Efetivamente o financiamento das escolas profissionais nos últimos três anos tem sido um verdadeiro caos. Normalmente havia problemas na transição de quadros comunitários voltando depois tudo à normalidade. Desta vez tudo piorou, pois tivemos problemas em 2014, em 2015 e continuamos com problemas no ano letivo 2016/2017. Sublinhamos o apoio e a atenção dada pelo Ministério da Educação a este problema e esperamos que, até ao final deste ano ou, o mais tardar, no início do próximo, a situação esteja, definitivamente, ultrapassada.

Importa também dizer que a alteração da percentagem de financiamento, a título de adiantamento que deveria ser paga em setembro, passou de 15% para 45%, o que foi saudada pela ANESPO e que, quando for recebida, coloca as contas em dia, mas, até lá, as escolas continuarão a debater-se com graves problemas financeiros.

E: A ANESPO está a assinalar 25 anos. Satisfeito com o trabalho feito? O que ainda há para fazer?
JLP: Efetivamente, a ANESPO foi criada dois anos depois da criação das escolas profissionais e, ao longo dos últimos 25 anos, tem desempenhado um papel muito importante na defesa dos projetos educativos das escolas profissionais, na explicitação das suas mais-valias e especificidades e no estabelecimento do primado do diálogo e concertação com o governo e com os parceiros sociais. Naturalmente que muito foi feito, mas muito mais há a fazer. As escolas profissionais devem continuar a ser os referenciais do ensino profissional em Portugal e para isso importa que mantenham os patamares de qualidade a que nos habituaram nos últimos 27 anos. Não tenho dúvidas de que será isso que irá acontecer!

 

 

Um Conto de Natal de Charles Dickens – 28 a 30 de dezembro no Teatro da Trindade

Dezembro 26, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.inatel.pt/content.aspx?menuid=1166

Aprender a ler numa simples cartada

Dezembro 26, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 14 de março de 2016.

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Nova metodologia de aprendizagem junta num baralho de cartas todas as formas de comunicação. Ideal para crianças e adultos com necessidades especiais comunicarem de forma universal

Esqueça uma cartada, ao fim do dia, com os amigos. As EKUI Cards não são para jogar à sueca, à bisca ou crapô. São 26 cartas, em vez das 52 do baralho francês, e no lugar dos quatro naipes está o alfabeto convencional, o alfabeto fonético, a língua gestual portuguesa e o Braille. “É a primeira vez, em Portugal, que crianças surdas, cegas, com autismo, disléxicas ou com qualquer outra limitação física ou cognitiva podem aprender o alfabeto, ao mesmo tempo, na mesma sala de aula”, explica Celmira Macedo, inventora da primeira linha de material lúdico/didático inclusivo na Península Ibérica. “Sei que também existe algo parecido no Brasil, mas não tão completo como as EKUI.”

Desde 2004 que Celmira Macedo, 44 anos, andava com este projeto na cabeça. Na altura, a professora de educação especial foi para Salamanca fazer um doutoramento porque “queria perceber como poderia ser melhor professora”. Depois de ter tido uma cadeira de língua gestual espanhola, quando regressou a Portugal quis aprender a equivalente portuguesa. “Na altura, a maior preocupação das famílias era obter informação de como lidar com os filhos com necessidades especiais”, lembra. Sem terminar o doutoramento, Celmira Macedo criou a Escola de Pais, em 2008, e a Associação Leque, no ano seguinte, que apesar de ter sede em Alfândega da Fé e servir o distrito de Bragança, consegue também dar respostas a nível nacional. E as EKUI Cards são disso o melhor exemplo. Além da sua venda online (€13,99) também existe uma app (€3,99) disponível.

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Celmira batizou o baralho de cartas com o nome EKUI a partir das iniciais das palavras, em inglês, equidade, conhecimento, universalidade e inclusão. Cada uma das 26 cartas tem um grafema da letra, a letra manuscrita, a letra em Braille tátil e em Braille visual, a letra em datilologia (alfabeto da língua gestual portuguesa) e o alfabeto fonético. Presente em nove escolas do 1.º ciclo de Vila Nova de Gaia e em um jardim-de-infância de Delães (Vila Nova de Famalicão), as EKUI Cards são também usadas por terapeutas da fala em pacientes adultos a recuperarem, por exemplo, de um AVC. Os resultados não podiam ser mais positivos: todas as crianças dos 3 aos 6 anos aprenderam o alfabeto e a língua gestual e comparando com anos anteriores de forma mais rápida. “Está provado cientificamente que quem aprende através de línguas gráficas ou gestuais, aprende mais rápido as línguas comuns”, afirma Celmira Macedo. Muitas destas crianças, em casa, ensinam a língua gestual aos pais e já falam em ter profissões relacionadas com o tema, como intérprete de língua gestual ou terapeutas da fala.

As EKUI Cards já chegaram a 1500 crianças, mas têm capacidade para ajudar dois milhões em idade escolar, em Portugal, 20500 instituições de Educação, Saúde e Área Social, mais 18300 profissionais. Isto é só o começo, pois Celmira Macedo quer espalhar as EKUI Cards às cores (especiais para daltónicos), aos animais, aos objetos, aos meios de transporte… haja financiamento para esta jogada, diga-se de mestre.

 

 

 

Vamos montar um espetáculo de teatro! Workshop para a infância na Malaposta

Dezembro 26, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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JAN 7 a MAR 25

SÁB – 11H00
mais informações no link:

http://www.malaposta.pt/2017/01_janeiro/workshop_vamos_montar_um_espetaculo_de_teatro.html


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