Os filhos mentem aos pais. O que fazer?

Dezembro 9, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do http://www.educare.pt/ de 28 de novembro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Detecting Deception in Children: A Meta-Analysis

educare

Sara R. Oliveira

Estudo internacional revela que os pais só “apanham” metade das mentiras dos filhos. Daniel Sampaio, psiquiatra, defende confronto firme quando as mentiras se repetem. E lembra que as mentiras de pais para filhos “são mais preocupantes”.

Não há volta a dar e não vale a pena colocar paninhos quentes. Os filhos, por vezes, mentem aos pais. Há um estudo internacional, que resulta de várias investigações feitas sobre o assunto, que conclui que os pais só conseguem identificar 47,5% das mentiras dos filhos. A análise agora revelada demonstra, portanto, que os pais nem sempre têm o faro apurado para perceber que há mentiras nas conversas dos mais pequenos. A pesquisa, publicada no Law and Human Behavior e que envolveu 7893 adultos e 1858 crianças em 45 experiências, lembra que os adultos analisam com regularidade se os mais novos dizem ou não a verdade em vários contextos, nomeadamente em casa e na escola.

As pequenas mentiras dos filhos acontecem e são normais. “São mais preocupantes as mentiras de pais para filhos, de que ninguém fala – porque os pais devem transmitir valores e a verdade é um deles”, refere o psiquiatra Daniel Sampaio ao EDUCARE.PT. “Se os pais são verdadeiros com os filhos e usam a verdade na relação, é raro que as mentiras dos filhos sejam preocupantes”, sublinha. O que deve preocupar, na sua opinião, são as mentiras persistentes, repetidas várias vezes, e sobre o mesmo tema, seja, por exemplo, sobre o estudo, os amigos, seja sobre o consumo de álcool e drogas. “Os pais não devem ter a obsessão de andar atrás dos filhos para ver se eles faltam à verdade, mas devem confrontá-los com firmeza se a mentira se repete”.

Os pais devem estar atentos, os professores também, sobretudo se as mentiras se repetem. “Na adolescência as mentiras são mais frequentes, porque há um mundo de descobertas que se quer, muitas vezes, manter privado, até por receio da reação dos pais”. O que fazer? A estratégia é sempre a mesma. Daniel Sampaio aconselha a falar com calma, ouvir com atenção, corrigir comportamentos. “Em caso de repetição, deverá haver um castigo imediato, que incida sobre a vida dos mais novos”. “Em todos os casos, a confiança interpessoal entre adultos e jovens é o caminho a seguir”, aconselha.

A relação e a comunicação entre pais e filhos são importantes neste contexto, mas nem sempre é possível detetar todas as mentiras. Se a mentira é apanhada, então é fundamental “perceber porque aconteceu e encontrar alternativas à mentira com a criança ou adolescente e as vantagens dessas alternativas”, afirma Rita Castanheira Alves, psicóloga infantojuvenil e de aconselhamento parental, ao EDUCARE.PT. Há estratégias para lidar com a situação. Comunicação saudável, conhecer bem como funcionam os mais novos, as suas reações e comportamentos, uma presença frequente e consistente dos adultos, são importantes para resolver problemas desta dimensão. “Mais do que o foco na deteção de mentiras, o trabalho preventivo de comunicação saudável, relação aberta, o adulto como modelo são estratégias eficazes e que poderão tornar a mentira uma exceção, ainda que possa inevitavelmente surgir, a par com a forma como se lida quando a mentira são aspetos fundamentais para a extinção ou reforço da mesma”, diz.

Fantasia ou experiência?

O que os pais devem fazer se confirmarem que os filhos mentem demasiadas vezes? “Antes de mais, refletir sobre que tipo de mentiras estão em causa, para que se perceba se é uma fase de fantasia ou uma ‘experiência’ de lidar com a realidade e paralelamente, acima de tudo, compreender esse sintoma: porque será que o meu filho necessita de mentir?”.

Há mentiras e mentiras. As mentiras não são todas iguais, não têm a mesma dimensão. Rita Castanheira Alves, que acaba de publicar o livro Adolescência, Os Anos da Mudança, lembra que em idades mais precoces, em que a fantasia e a imaginação estão muito presentes e a borbulhar, aparecem muitas mentiras em que a realidade se confunde facilmente com a ficção e, por vezes, surgem mentiras em que a própria criança parece quase acreditar e que são ditas quase como forma de interpretar e dar sentido à realidade “e não como uma estratégia premeditada, negativa e de recurso à mentira de forma negativa e preocupante”. E a forma como os adultos lidam com as primeiras vezes em que são confrontados com mentiras “poderá influenciar o recurso recorrente à mesma ou o abandono da estratégia e substituição por outra mais saudável e adequada”.

As crianças crescem e a mentira poderá tornar-se mais frequente. Por isso, é necessário que os pais compreendam o contexto e os motivos. Há vários aspetos que convém aprofundar. “Perceberem porque a criança precisa de recorrer a essa estratégia; frequência do uso da mesma e contextos (se é pontual, recorrente; só em casa; só na escola; com todos os adultos; com os pares; com adultos e/ou pares específicos); os pais refletirem sobre o seu próprio recurso à mentira; a forma como ela é praticada com a criança; se está a servir como fuga a uma consequência, punição; se poderá significar o receio da criança/adolescente desiludir o pai/a mãe; se é associada à fantasia ou a aspetos muito práticos e planeados; como foi trabalhada a relação entre pais e filhos quando a criança/adolescente optou por dizer a verdade mesmo sobre atos mais negativos; se houve e há ganhos com o recurso à mentira.”

Comunicação constante e saudável
Os professores também devem estar atentos. “São agentes educativos fundamentais na deteção precoce de situações de risco, com quem a criança/adolescente está bastante tempo, pelo que a deteção destas situações como de outras precocemente poderá ser excelente contributo para que depois se possam mobilizar as estratégias necessárias por parte dos pais e até a ajuda aos mesmos na compreensão dos motivos das mentiras dos filhos. Por outro lado, são modelos, pelo que poderão ser excelentes transmissores do valor e importância da verdade e ajuda da criança/adolescente a praticarem a mesma”.

Há conselhos neste domínio. “Estimular a comunicação constante e saudável com a criança/adolescente e a relação aberta como estratégias preventivas que permitam que, em momentos de crise, opte por partilhar a verdade com os adultos, evitando danos maiores.” Rita Castanheira Alves realça que os pais devem, antes de mais, refletir sobre o seu próprio recurso à mentira, sobre a necessidade e os motivos da criança recorrer à mentira tão frequentemente e agirem nos motivos que possam estar a perturbá-la. Devem reagir de acordo com a compreensão dos motivos do recurso à mentira e com a transmissão de soluções alternativas, objetivas e como uma oportunidade para, em conjunto, praticarem a verdade em futuras situações. Devem perceber se acontece só com os pais ou com outros adultos e amigos e noutros contextos.

Os adultos devem proporcionar e estimular positivamente o recurso à verdade, mesmo quando a criança ou adolescente partilham situações e comportamentos negativos. Devem também ter cuidado para não proporcionar um contexto de medo que faça com que os mais novos se retraiam nos momentos de partilha, e devem elogiar quando é dita a verdade mesmo que seja difícil ouvi-la – nestes casos, de comportamentos ou situações negativas, é necessário um trabalho de intervenção no comportamento negativo que foi partilhado para reparar a situação e, acima de tudo, aprender com os erros.

SOS Criança apela à denúncia de situações que possam pôr em risco as crianças

Dezembro 9, 2016 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 7 de dezembro de 2016.

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Lusa

O coordenador do SOS Criança apelou hoje a todos os que conheçam famílias em situação de “maior vulnerabilidade” que apresentem o caso às instituições para ajudar as crianças e evitar que passem por situações de risco e negligência.

Os maus tratos físicos e a negligência a crianças estão a aumentar com as dificuldades das famílias, que não conseguem assegurar necessidades básicas como alimentação, vestuário e uma casa digna, alertou Deolinda Barata, da Sociedade Portuguesa de Pediatria e coordenadora do núcleo de crianças e jovens em risco do Hospital D. Estefânia, onde tem assistido a situações que não surgiam na prática clínica “há 20 ou 30 anos”.

“Sempre que existe uma situação de crise num país ou sempre que a sociedade começa a ver os seus direitos postos em causa, as famílias são as primeiras a sofrer com essas dificuldades”, disse à agência Lusa o coordenador do SOS Criança, do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Como as dificuldades persistem durante um tempo superior à média, as famílias não conseguem suportar tanta pressão e passam essa pressão para cima das crianças que “são, normalmente, as que sofrem duplamente e as que sofrem mais”, explicou Manuel Coutinho.

“Sempre que existem situações de desorganização social e de privação dos bens económicos, as crianças acabam por ser vítimas diretas, porque também ficam privadas de muitas coisas, e indiretas porque os pais não conseguem aguentar tanta pressão” e acabam por as vitimar, sustentou.

Manuel Coutinho alertou que é importante que as famílias percebam o que está efetivamente a acontecer e não se desorganizem em relação às crianças e peçam ajudam.

Por outro lado, as pessoas que conheçam casos de “famílias com maior vulnerabilidade devem apresentar a situação, nomeadamente ao serviço SOS Criança, através do número gratuito 116111, para que os serviços em parceria com a rede de ação social ou com os outros parceiros possam encontrar uma reposta” para que essas crianças sejam ajudadas e “não passem por uma situação efetiva de risco e negligência”.

Manuel Coutinho adiantou que “Portugal tem sido pioneiro e tem feito uma grande caminhada” no que respeita aos direitos das crianças.

Mas, neste momento, está “a viver um momento de grande tensão e devemos ser todos mais solidários uns com os outros”. Essa solidariedade passa por apresentar atempadamente os casos aos serviços: “Portugal tem recursos suficientes para que nenhuma criança venha a estar privada dos meios e direitos fundamentais, nomeadamente o direito à alimentação, educação e saúde”.

“São direitos que têm de prevalecer sempre. Portugal é um país solidário, responsável, que tem de estar organizado para que essas crianças não sejam duplamente vítimas de uma situação que está a atravessar o país”, frisou.

Atualmente existe a cultura de sensibilizar e denunciar os casos de maus tratos físicos e psicológicos, mas “as situações de maus tratos mais próximos da negligência e da pobreza também devem ser apresentados para que os serviços possam ajudar a socorrer estas crianças”.

Alertou ainda que as situações de pobreza e de negligência são sempre traumáticas para as crianças, que crescem com alguns receios e algumas dificuldades.

 

 

 

 

Lançamento do jogo “À Descoberta da Sexualidade” 10 dezembro em Lisboa

Dezembro 9, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.apf.pt/

Pense antes de partilhar! Não “Incite” coisas sem verificação do facto

Dezembro 9, 2016 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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