Número de jovens hospitalizados por abuso de álcool não diminuiu

Dezembro 7, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 2 de dezembro de 2016.

Às urgências hospitalares chegam “apenas os casos mais graves, a ponta do icebergue” RUI GAUDêNCIO

Às urgências hospitalares chegam “apenas os casos mais graves, a ponta do icebergue” RUI Gaudêncio

 

Recurso às urgências ocorre sobretudo à noite e aos fins-de-semana ou durante as férias escolares.

Natália Faria

Em Junho de 2008, a então ministra da Saúde, Ana Jorge, alertou para o facto de “não serem raros” os casos de crianças com sete, oito ou nove anos de idade em coma alcoólico, devido aos festejos de final de ano escolar. A afirmação gerou, na altura alguma controvérsia, com muitos pediatras a asseverarem não ter memória de episódios de urgência motivados pelo álcool envolvendo crianças tão pequenas.

Estes profissionais apontavam consumos excessivos, sim, mas aos 12, 13 ou 14 anos. Mas o certo é que, mais de oito anos volvidos, e enquanto Espanha noticia dados como os cinco mil menores que foram atendidos nas urgências em 2015 por abuso de álcool, em Portugal continuam a não estar disponíveis estatísticas que dêem a dimensão exacta do problema.

“As urgências [hospitalares] não registam as causas que levam as pessoas à urgência, mas as consequências. Alguém que caiu porque estava alcoolizado pode ficar registado como tendo sofrido um traumatismo craniano. Mas, tal como na violência doméstica, estamos a trabalhar para conseguirmos ter um registo formal destas situações de risco, sobretudo quando afectam menores, até porque resulta daí um efeito pedagógico importante”, reconhece o director do programa de Saúde Mental da Direcção-Geral de Saúde, Álvaro Carvalho.

Numa ronda feita pelo PÚBLICO por alguns dos hospitais com urgências pediátricas, os respectivos responsáveis não referem aumentos, mas também não apontam diminuições, isto é, o problema tem-se mantido estável, apesar do reforço das leis cujo objectivo é dificultar a ingestão de álcool por parte dos menores. “Este ano, até agora, tivemos 30 casos de menores alcoolizados, a maior parte em coma. Em 2015, tinham sido 40, 22 em 2014 e 42 em 2013”, contabilizou Patrícia Mação, pediatra no serviço de urgência do Hospital Universitário de Coimbra.

As festas dos alunos dos 8.º e 9.º anos

“Chegam com teor alcoólico muito elevado, ataxias, discursos incoerentes, a vomitar. Quase sempre são trazidos por colegas. São alunos dos 8º e 9 anos, começam a beber nas festas de aniversário e aos fins-de-semana e nas férias escolares”, caracteriza, por seu turno, Almerinda Pereira, directora do serviço de Pediatria do Hospital de Braga. Já no Hospital Santa Maria, em Lisboa, a coordenadora da urgência pediátrica, Gabriela Araújo e Sá contou 11 jovens internados este ano por abuso de álcool. “Foram o mesmo número que no ano anterior. E estamos a falar de quadros que implicam já alterações de consciência, porque os que chegam apenas ‘tocados’ não ficam internados”.

 

 

 

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