O movimento anti-vacinação e a teoria da conspiração contra a Industria farmacêutica

Novembro 8, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 18 de outubro de 2016.

uptokids

O Serviço Nacional de Saúde é uma estrutura através do qual o Estado Português assegura o direito à saúde  (promoção, prevenção e vigilância) a todos os cidadãos de Portugal. O Programa Nacional de Vacinação é destinado a todas as pessoas presentes em Portugal e gratuito para o utilizador com financiamento do Orçamento de Estado.

Em Portugal, o movimento anti vacinação ainda tem pouca expressão no entanto tem suscitado discussões e posto em causa as recomendações médicas, a industria farmacêutica e os respectivos interesses económicos e políticos.

É importante entender que muitas vezes os movimentos surgem a partir de teorias baseadas nas leis e “políticas” de cada país, e quando são transportados e adaptados a outras realidades deixam de fazer sentido.

O movimento anti-vacinação, iniciou-se nos EUA, onde não existia nenhuma estrutura equivalente a estas (SNS e PNV). Se um individuo precisasse de cuidados médicos (básicos ou não), estes poderiam ascender a milhares de dólares. “The Affordable Health Care for America Act”, também conhecida por “Obamacare”, é a lei federal dos Estados Unidos sancionada pelo presidente Barack Obama em março de 2010, que obriga todas as pessoas que vivam nos EUA a ter um seguro de saúde. Até então, era cada um por si.

Pediatra faz comentário viral no facebook a acabar com a paranóia em torno da Industria farmacêutica

Se já acompanhou algumas discussões na internet sobre este movimento, há algumas coisas que deve saber: primeiro, os defensores do movimento anti-vacinação citam frequentemente sites não científicos e aleatórios para apoiar os seus argumentos. Segundo, os defensores deste movimento referem-se àqueles que acreditam na ciência como “Rebanho” – pessoas que andam atrás da carneirada, e são incapazes de pensar por si próprias. Terceiro, os defensores deste movimento culpam a indústria farmacêutica, e insistem que a única razão para os pediatras recomendarem a vacinação é pura e simplesmente financeira. Ou seja, segundo os aderentes do movimento anti-vacinação a Industria farmacêutica paga a médicos para serem fantoches que receitam vacinas “altamente perigosas” às crianças. Esta acusação é extremamente insultuosa para alguém que passa a vida a cuidar dos nossos filhos. Isto, simplesmente não é verdade!

Existe dinheiro envolvido. Mas não é das empresas farmacêuticas. Graças à  nova lei, “The Affordable Health Care for America Act”, os médicos recebem um bónus por manter os pacientes saudáveis e oferecer uma prestação de cuidados baseada na valorização do paciente e não no volume de trabalho.

Assim, esta grande teoria da conspiração existente em relação à indústria farmacêutica, simplesmente não faz sentido.

Recentemente, um pediatra fez um comentário num post do Facebook da página “Refutations to Anti-Vaccine Memes”, e explicou:

“Na verdade recebemos”, o comentário começa: “Eu sou pediatra: É chamado – Bónus da qualidade dos cuidados de saúde – e não é pago pela industria farmacêutica. É pago pelas companhias de seguros que nos pagam um bónus para valorizar os cuidados com os nossos pacientes. Para médicos pediatras, como eu, isso implica assegurar-me de que as crianças cumprem as vacinas de acordo com o estipulado para as idades.

Agora, porque razão iria uma companhia de seguros pagar-me para administrar vacinas caríssimas (que são as próprias companhias de seguros que pagam) às crianças, se essas vacinas fossem prejudiciais? Isso não faria qualquer sentido, pois a companhia teria de pagar pelos tratamentos extra que a criança precisaria, resultado de ter administrado a vacina.”

O pediatra explica que as companhias de seguros tomam esta medida, porque se se mantiverem os pacientes saudáveis, a longo prazo vai-se poupar muito dinheiro às próprias Seguradoras.

Este arranjo é tudo graças ao “Affordable Care Act”, que está a testar novas abordagens para a saúde, tentando evitar um sistema de saúde com Taxas, para sistema um baseado em valores e que visa manter todos os cidadãos saudáveis – e não apenas aqueles que podem pagar um seguro privado.

“Eu nem sei se existiria um preço que me pudessem pagar para fazer algo que considerasse prejudicial a um paciente, mas se esse preço existir, não é um número que alguma vez tenha visto. Eu não andei 4 exaustivos anos na faculdade mais três difíceis anos de internato a abdicar de tudo para tirar uma das especialidades mais mal pagas e mais difícil de exercer, só para depois poder prejudicar os miúdos.

OBRIGADO.”

Eu não consigo entender como é que há pessoas que preferem não vacinar de todo os filhos. Acreditam que as crianças irão ganhar imunidade a doenças altamente contagiosas e praticamente erradicadas, mas que podem a qualquer momento se tornar em autênticas epidemias, como foi o caso do Sarampo? (Alemanha e EUA em 2015).

Não vacinar é um acto de negligência. Não só com os seus, mas com o mundo.

Não é despropositado ter medo de injectar os nossos filhos com uma substancia qualquer. Ser um pai preocupado é perfeitamente normal. O que não é razoável é não confiarmos em alguém que escolhemos para cuidar da saúde dos nossos filhos. Negar a ciência e insinuar que os pediatras estão todos juntos a recomendar vacinas nocivas à saúde das nossas crianças, por intermédio da indústria Farmacêutica, é simplesmente insultuoso. E um absurdo.

Baseado num artigo de Maria Guido, para Scary Mommy

 

 

 

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