“Em muitas situações, o leite escolar é o único que as crianças bebem”

Novembro 8, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 17 de outubro de 2016.

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Ana Dias Cordeiro

Nas escolas de Setúbal, foram identificados casos de crianças que desmaiavam nas aulas.

Ana Vizinho, técnica principal do Núcleo Distrital de Setúbal da Rede Europeia Anti-Pobreza, diz que uma parte do problema agora identificado se explica pela falta de meios para a alimentação num dos distritos do país onde são maiores os índices de pobreza.

Este problema agora evidenciado pela campanha da Fertagus – lançada para responder à frequência das situações de desmaios de pessoas que não se alimentaram de manhã – pode estar relacionado com a falta de recursos financeiros das famílias?

Não tenho nenhum dado estatístico que o comprove, mas considero que é possível haver uma relação. O número de famílias que foram solicitando apoio alimentar aumentou em Setúbal a partir de 2010, sobretudo até ao ano passado. As situações em que, existindo carência alimentar, não é solicitada ajuda – por corresponder a um fenómeno de pobreza envergonhada – acontecem muito. São pessoas que não pedem apoio mas não conseguem satisfazer as necessidades básicas alimentares. Por outro lado, não está a ser suficiente a capacidade do Banco Alimentar e de outras organizações em dar resposta a todas as pessoas que solicitam apoio. Em resultado de tudo isto, muitas pessoas podem estar a fazer a sua vida quotidiana habitual, a apanhar os transportes e a ir para o trabalho, sem terem as suas necessidades alimentares asseguradas. Por outro lado, podemos estar a assistir também a outro fenómeno de hábitos alimentares diferentes em que as pessoas, numa lufa-lufa diária, com grande dificuldade em conciliar a vida profissional e familiar não terem em casa os bens alimentares suficientes para tomarem o pequeno-almoço.

O recurso a dois empregos tornou-se mais frequente?

Portugal é um dos países com maior índice de pessoas em situação de pobreza que trabalham. O que acontece é que, em Setúbal, pessoas que têm emprego pouco qualificado, remunerações baixas, tentam arranjar outras soluções, como um segundo emprego, quando aumenta o custo de vida, ou quando a outra pessoa no agregado familiar fica desempregada.

Qual a situação nas escolas?

Os profissionais do ensino têm-nos falado muito na necessidade de voltar a valorizar-se o leite escolar, como sendo, muitas vezes, o único leite que as crianças bebem durante o dia no período de aulas. Desde 2010, ouvimos vários profissionais dizerem que há muitas crianças mais apáticas, muito cansadas, com um menor rendimento escolar, no início do dia. É uma situação que sempre existiu. E se, por um lado, algumas situações de pobreza se intensificaram, desde 2010, por outro lado, houve um conjunto de pessoas que não viviam em situação de pobreza e que vieram a cair nela, em Setúbal como no resto do país.

Conhece outros sinais de fraca alimentação das crianças? 

Também soubemos de casos de crianças que desmaiavam nas aulas – era o sinal que permitia aos profissionais do ensino perceber que havia ali uma situação diferente, porque tudo o resto na família parecia inalterado. Ou ainda crianças com anemia em situações depois identificadas pelos serviços de saúde. Muitos professores foram identificando que havia qualquer coisa a passar-se.

 

 

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Seminário Anual da Rede Construir Juntos “Crescendo Juntos para a Autonomia” 22 de novembro no Auditório Fernando Pessa em Lisboa

Novembro 8, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Decorre no dia 22 de novembro, em Lisboa, na Casa dos Direitos Sociais – Auditório Fernando Pessa, o Seminário Anual da Rede Construir Juntos, com o título “Crescendo Juntos para a Autonomia”, no âmbito da temática trabalhada pelos jovens da Rede Juvenil Crescer Juntos “As diferentes formas de Acolhimento/ Autonomia de Vida”.

Inscrição gratuita, mas obrigatória até 18 de novembro para o IAC – Projecto-Rua para o seguinte email: iac-prua@iacrianca.pt

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Brincar na rua. Os miúdos querem, os pais têm medo

Novembro 8, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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reportagem do Notícias Magazine de 9 de outubro de 2016.

pedro-correia

descarregar a reportagem no link:

https://ciecum.wordpress.com/2016/10/18/brincar-na-rua-os-miudos-querem-os-pais-tem-medo/

O movimento anti-vacinação e a teoria da conspiração contra a Industria farmacêutica

Novembro 8, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 18 de outubro de 2016.

uptokids

O Serviço Nacional de Saúde é uma estrutura através do qual o Estado Português assegura o direito à saúde  (promoção, prevenção e vigilância) a todos os cidadãos de Portugal. O Programa Nacional de Vacinação é destinado a todas as pessoas presentes em Portugal e gratuito para o utilizador com financiamento do Orçamento de Estado.

Em Portugal, o movimento anti vacinação ainda tem pouca expressão no entanto tem suscitado discussões e posto em causa as recomendações médicas, a industria farmacêutica e os respectivos interesses económicos e políticos.

É importante entender que muitas vezes os movimentos surgem a partir de teorias baseadas nas leis e “políticas” de cada país, e quando são transportados e adaptados a outras realidades deixam de fazer sentido.

O movimento anti-vacinação, iniciou-se nos EUA, onde não existia nenhuma estrutura equivalente a estas (SNS e PNV). Se um individuo precisasse de cuidados médicos (básicos ou não), estes poderiam ascender a milhares de dólares. “The Affordable Health Care for America Act”, também conhecida por “Obamacare”, é a lei federal dos Estados Unidos sancionada pelo presidente Barack Obama em março de 2010, que obriga todas as pessoas que vivam nos EUA a ter um seguro de saúde. Até então, era cada um por si.

Pediatra faz comentário viral no facebook a acabar com a paranóia em torno da Industria farmacêutica

Se já acompanhou algumas discussões na internet sobre este movimento, há algumas coisas que deve saber: primeiro, os defensores do movimento anti-vacinação citam frequentemente sites não científicos e aleatórios para apoiar os seus argumentos. Segundo, os defensores deste movimento referem-se àqueles que acreditam na ciência como “Rebanho” – pessoas que andam atrás da carneirada, e são incapazes de pensar por si próprias. Terceiro, os defensores deste movimento culpam a indústria farmacêutica, e insistem que a única razão para os pediatras recomendarem a vacinação é pura e simplesmente financeira. Ou seja, segundo os aderentes do movimento anti-vacinação a Industria farmacêutica paga a médicos para serem fantoches que receitam vacinas “altamente perigosas” às crianças. Esta acusação é extremamente insultuosa para alguém que passa a vida a cuidar dos nossos filhos. Isto, simplesmente não é verdade!

Existe dinheiro envolvido. Mas não é das empresas farmacêuticas. Graças à  nova lei, “The Affordable Health Care for America Act”, os médicos recebem um bónus por manter os pacientes saudáveis e oferecer uma prestação de cuidados baseada na valorização do paciente e não no volume de trabalho.

Assim, esta grande teoria da conspiração existente em relação à indústria farmacêutica, simplesmente não faz sentido.

Recentemente, um pediatra fez um comentário num post do Facebook da página “Refutations to Anti-Vaccine Memes”, e explicou:

“Na verdade recebemos”, o comentário começa: “Eu sou pediatra: É chamado – Bónus da qualidade dos cuidados de saúde – e não é pago pela industria farmacêutica. É pago pelas companhias de seguros que nos pagam um bónus para valorizar os cuidados com os nossos pacientes. Para médicos pediatras, como eu, isso implica assegurar-me de que as crianças cumprem as vacinas de acordo com o estipulado para as idades.

Agora, porque razão iria uma companhia de seguros pagar-me para administrar vacinas caríssimas (que são as próprias companhias de seguros que pagam) às crianças, se essas vacinas fossem prejudiciais? Isso não faria qualquer sentido, pois a companhia teria de pagar pelos tratamentos extra que a criança precisaria, resultado de ter administrado a vacina.”

O pediatra explica que as companhias de seguros tomam esta medida, porque se se mantiverem os pacientes saudáveis, a longo prazo vai-se poupar muito dinheiro às próprias Seguradoras.

Este arranjo é tudo graças ao “Affordable Care Act”, que está a testar novas abordagens para a saúde, tentando evitar um sistema de saúde com Taxas, para sistema um baseado em valores e que visa manter todos os cidadãos saudáveis – e não apenas aqueles que podem pagar um seguro privado.

“Eu nem sei se existiria um preço que me pudessem pagar para fazer algo que considerasse prejudicial a um paciente, mas se esse preço existir, não é um número que alguma vez tenha visto. Eu não andei 4 exaustivos anos na faculdade mais três difíceis anos de internato a abdicar de tudo para tirar uma das especialidades mais mal pagas e mais difícil de exercer, só para depois poder prejudicar os miúdos.

OBRIGADO.”

Eu não consigo entender como é que há pessoas que preferem não vacinar de todo os filhos. Acreditam que as crianças irão ganhar imunidade a doenças altamente contagiosas e praticamente erradicadas, mas que podem a qualquer momento se tornar em autênticas epidemias, como foi o caso do Sarampo? (Alemanha e EUA em 2015).

Não vacinar é um acto de negligência. Não só com os seus, mas com o mundo.

Não é despropositado ter medo de injectar os nossos filhos com uma substancia qualquer. Ser um pai preocupado é perfeitamente normal. O que não é razoável é não confiarmos em alguém que escolhemos para cuidar da saúde dos nossos filhos. Negar a ciência e insinuar que os pediatras estão todos juntos a recomendar vacinas nocivas à saúde das nossas crianças, por intermédio da indústria Farmacêutica, é simplesmente insultuoso. E um absurdo.

Baseado num artigo de Maria Guido, para Scary Mommy

 

 

 


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