Pais e filhos chateiam-se por causa da desarrumação e dos telemóveis

Novembro 2, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.educare.pt/ de 30 de setembro de 2016.

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Não cumprir ordens, rotinas de estudo inconsistentes, comportamento desajustado na escola também provocam discussões. Estudo “Indisciplina na Família” revela motivos de desentendimentos e castigos aplicados.

Sara R. Oliveira

Pais e filhos. O que os divide? O que os chateia? O que, na verdade, provoca discussões entre eles? Um inquérito feito a mais de 2500 encarregados de educação portugueses revela que a desarrumação do quarto e o uso excessivo de telemóveis são as duas principais causas de desentendimentos entre pais e filhos em idade escolar. O estudo “Indisciplina na Família”, realizado em maio deste ano, com o apoio da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas e da Confederação Nacional das Associações de Pais, indica quais os motivos de discórdia. E as correções mais utilizadas.

A desorganização e a desarrumação do quarto lideram as causas de discussão com 39,5%. O uso excessivo de aparelhos tecnológicos surge imediatamente a seguir com 39,4%. Seguem-se o incumprimento de ordens, orientações ou pedidos com 34,3%, as rotinas de estudo ou trabalhos de casa com 28,3%, brigas entre irmãos com 26,4%, birras com 24,5%. Os horários de sono com 17,9%, as recusas em realizar tarefas domésticas com 16,9%, o insuficiente desempenho escolar com 10,1% e o comportamento escolar desajustado com 7,4% também entram na lista das 10 principais causas de discussão.

O estudo, realizado com base num inquérito online feito a encarregados de educação de Portugal continental e ilhas, mostra que é no 2.º ciclo que as discussões por causa do uso excessivo de aparelhos tecnológicos surgem em primeiro lugar, 46,3% no total. Um problema que se mantém e se acentua no 3.º ciclo com 53,8% e no Secundário com 44,4%.

No pré-escolar e 1.º ciclo, as birras são a principal causa dos desentendimentos com 75% e 42,1%, respetivamente. “As discussões com as questões do estudo e trabalhos de casa ocorrem mais no 2.º e 3.º ciclos de escolaridade”, refere, à Lusa, o autor do estudo, Alexandre Henrique. Há uma evidente evolução com a idade com as discussões por incumprimento de ordens a diminuir, mas, no sentido inverso, aumentam os conflitos relacionados com a desarrumação do quarto. “Apesar do álcool e o tabaco serem um problema social entre os jovens, os conflitos sobre essa matéria são praticamente nulos”, adianta.

Há discussões e há castigos. As principais correções aplicadas atualmente aos educandos são a repreensão através de um diálogo calmo, 97,3% do total dos inquiridos. Quase 80% gritam e a mesma percentagem de pais proíbem os filhos de usar brinquedos, utilizar telemóveis ou ver televisão. E 66,7% privam os mais novos de realizar atividades de que gostam. Os castigos físicos, como bater, têm caído em desuso. Mesmo assim, 26,8% contam que utilizam esse procedimento.

O castigo de impedir de estar com os amigos baixou para os 24,5%, comparativamente com a geração anterior, na qual este valor quase chegava aos 60%. As análises aos gráficos mostram que os pais dos atuais encarregados de educação eram “mais severos nos castigos aplicados, principalmente na agressão física e no impedimento em estar com os amigos e em frequentar certos espaços”.

“Curioso constatar que a privação de objetos é uma prática muito mais comum nos encarregados de educação atuais, ao que não será alheio o facto de os objetos terem um papel mais preponderante na vida das atuais crianças e jovens”, sustenta Alexandre Henrique. A maioria dos encarregados de educação inquiridos neste estudo possui habilitação superior, 79% no total, habita num grande centro populacional e tem educandos com rendimento escolar. No total, 73,9% são casados.

 

 

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