Há crianças sírias a fazer roupa da Marks & Spencer, Mango e Zara na Turquia

Outubro 24, 2016 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do  https://www.publico.pt/ de 24 de outubro de 2016.

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Investigação da BBC Panorama revela que crianças e adolescentes trabalham em fábricas, mas grandes marcas dizem desconhecer.

Onde é feita a sua roupa? As grandes marcas recorrem a trabalho infantil ou mal pago? Uma investigação da BBC Panorama, que será exibida na noite desta segunda-feira no Reino Unido, revela que sim. Na Turquia há fábricas que recorrem ao trabalho de crianças e adolescentes sírias, refugiadas, que trabalham 12 horas diárias com salários baixos.

Os refugiados, alguns com 15 anos, confeccionam a roupa e passam-na a ferro antes de esta viajar para o Reino Unido. Os jornalistas da BBC tiraram fotografias às etiquetas dessa roupa e as marcas idenficadas são Marks & Spencer, Mango, Zara e ASOS, uma loja online. Também a Reuters, numa investigação feita há um ano, descobriu crianças refugiadas a trabalhar na indústria têxtil turca em condições ilegais. 

Confrontada com a descoberta da BBC, um porta-voz da marca britânica Marks & Spencer – que há alguns anos fechou as suas lojas em Portugal – mostrou-se surpreendida e considera “inaceitável” essa situação. Também uma porta-voz da ASOS disse que o trabalho infantil é um assunto que levam “muito a sério”, mas que não comenta, para já, uma reportagem que ainda não viram. A Marks & Spencer informou que tem trabalhado com os seus fornecedores turcos para assegurar que todos os trabalhadores sírios são legais.

 

 

 

Espetáculo “O Pátio das Cantigas” A receita deste evento reverte a favor do IAC – 1 de novembro no Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves

Outubro 24, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Informações:

Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves

Av. General Roçadas nº 40

1170 – 163 Lisboa

Telef: 218 147 488

aeng@aenunogoncalves.com

http://www.aenunogoncalves.net/

 

Tablets e smartphones deviam estar vedados a crianças com menos de 3 anos

Outubro 24, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://zap.aeiou.pt/ de 9 outubro de 2016.

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O neuropsicólogo espanhol Álvaro Bilbao defende que os ecrãs deviam estar vedados às crianças até aos três anos. Os estímulos rápidos e as recompensas imediatas dos tablets e dos smartphones matam a curiosidade, avisa.

No seu livro “O cérebro da criança explicado aos pais”, lançado este mês em Portugal, Álvaro Bilbao deixou em branco o capítulo 25, destinado a elencar as melhores aplicações tecnológicas para crianças até aos seis anos.

“Lamento dizer que não encontrei nenhuma que seja útil para o desenvolvimento intelectual e emocional das crianças destas idades”, diz o autor, doutorado em Psicologia da Saúde e formado em Neuropsicologia pelo Hospital Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Em entrevista à agência Lusa na sua passagem em Portugal para apresentar o seu livro, o especialista em plasticidade cerebral lembra os vários estudos que já demonstraram que as crianças que se expõem muito cedo a novas tecnologias têm maior probabilidade de desenvolver défice de atenção, problemas de comportamento e fracasso escolar.

No entanto, os ecrãs não são todos iguais. Para Álvaro Bilbao, a televisão “causa menos danos” porque permite maior passividade.

Pode parecer um contrassenso para os pais que uma ferramenta “mais passiva” seja menos nociva, mas é a rapidez do ritmo de interação e a quantidade de estímulos das novas tecnologias que mais preocupam o especialista.

“As crianças recebem muitos estímulos visualmente atrativos e têm muitas recompensas rápidas. Passam o dedo no ecrã e têm um prémio. Na vida real não é assim; na vida real a professora não é tão visualmente colorida, não se move tão depressa e não está constantemente a reforçar a criança”.

Além disso, a rapidez e quantidade de estímulos recebidos pelas novas tecnologias não permitem treinar a atenção, nem a paciência.

As televisões sempre são mais passivas e ativam ondas cerebrais que ajudam a relaxar. Ainda assim, também a televisão deve ser doseada, diz Bilbao, permitindo períodos curtos e retardando o mais possível na idade.

“Muita estimulação mata a curiosidade, uma criança que recebe muita informação satura-se e deixa de gostar de explorar e de aprender. Já uma criança curiosa é a que gosta de aprender. Não matemos a curiosidade”, pede o neuropsicólogo.

Álvaro Bilbao incita os adultos a uma reflexão sobre o seu próprio uso das novas tecnologias; “Usamos smartphones há alguns anos. Quantos de nós se notam mais inteligentes por isso? E, agora, quantos de nós se sentem menos pacientes?”

/Lusa

 

 

Com mais psicólogos nas escolas “poupa-se em sofrimento”

Outubro 24, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Telmo Mourinho Baptista no dia 6 de outubro de 2016.

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Telmo Mourinho Baptista não tem dúvidas de que o trabalho dos psicólogos nas escolas pode contribuir para um melhor sucesso escolar. Diz que há 500 profissionais destes a menos nas escolas tendo em conta as necessidades actuais.

Muitos pais que têm filhos a estudar não sabem exactamente o que fazem os psicólogos nas escolas e muitas vezes há a ideia de que estes se limitam aos testes psicotécnicos. Qual é, então, o papel de um psicólogo na escola?

Por vezes há, de facto, uma concepção demasiado limitada desse papel, porque o primeiro contacto é geralmente feito por altura das provas de orientação vocacional. Mas um psicólogo faz muito mais do que isso. Penso, aliás, que nem sequer há uma utilização plena do que a psicologia e os psicólogos podem fazer nas várias áreas.

Tudo aquilo que tem a ver com uma melhor adaptação e a promoção do sucesso escolar tem o contributo dos psicólogos, desde logo na detecção de problemas que impedem uma boa aprendizagem: hiperactividade, perturbação do comportamento, etc. Não só a nível individual, mas no colectivo da escola. Por exemplo, as questões do bullying não são só individuais, são colectivas, e merecem uma atenção muito especial até pelo impacto de longo prazo que têm.

Há um estudo que mostra que 40 anos depois continua a sofrer-se as consequências. É um longo estudo, que foi feito em Inglaterra, com mais de oito mil pessoas, que mostra que as pessoas que foram alvo desta forma de assédio sistemático nas escolas têm piores resultados na sua própria vida, têm mais problemas com a lei, mais problemas de saúde mental, por exemplo.

O papel do psicólogo vai do individual, com os alunos, ao trabalho com toda a comunidade escolar, com os professores, os auxiliares, naquilo que são os problemas que a escola apresenta. Temos contributos a dar na promoção do sucesso escolar, na diminuição do abandono — há muitos factores de abandono que têm a ver com dificuldades psicológicas — e na promoção de competências sociais e pessoais.

Essas competências devem ser trabalhadas com os alunos em que circunstâncias?

Em alturas mais difíceis, como quando se entra para a escola ou nas mudanças de ciclo, com a passagem para mais professores, para certo tipo de disciplinas e para outra forma de trabalho pessoal, de modo que esta transição se faça com muito mais suavidade, para que não haja tanto choque nem tanta dificuldade de adaptação.

E sabe-se hoje que essas competências são também muito protectivas em termos de saúde mental. Uma pessoa que consegue ter boas competências de comunicação, negociação, mediação, tem mais capacidade de estar no mundo de uma forma mais adequada na expressão das suas necessidades, dos seus desejos, das suas competências. Constituem um conjunto de estratégias pessoais que são facilitadoras do estar no mundo.

Uma presença mais efectiva de psicólogos nas escolas poderia reduzir o grau de insucesso escolar, com todos os problemas que este acarreta?

Tenho a certeza absoluta que sim. Não estou a dizer que tudo é só intervenção psicológica, são precisas muitas outras coisas. Mas tem um papel central desde logo no diagnóstico de situações. Quanto mais precocemente forem detectadas, mais fácil é fazer intervenções e também menos custosas são. E poupam muito sofrimento. Muitas vezes, temos situações de perturbação que não são detectadas, em que a criança acumula dificuldades e insucesso e se desmotiva. Ao desmotivar-se, ou tem insucesso ou abandona a escola. E, muitas vezes, isso não é detectado ou é detectado muito tarde.

Temos de estar atentos às necessidades da escola, não só dos alunos, mas de toda a comunidade, para que se perceba o que está em causa e se intervenha. O bullying, por exemplo, tem um início, só que frequentemente não se intervém, mesmo sendo uma acção sistemática, como é, e que por isso tem tantas consequências. Portanto, naquilo que são alguns problemas de perturbação psicológica, de comportamento, tendo psicólogos na escola em número suficiente teríamos condições para contribuir claramente para o sucesso escolar.

O que é um número suficiente de psicólogos? Há dias referiu que faltam 500 nas escolas para reduzir o rácio psicólogo/aluno actualmente existente. Como se faz essa contabilidade?

Os rácios padecem sempre daquilo que é a medida da média. Temos recomendações internacionais e fazemos cálculos em função disso. Temos cerca de 700 psicólogos nas escolas, quando se fala que estão em falta 500 tem de ser com base numa análise das necessidades. Haverá zonas e locais que precisarão de mais psicólogos do que outras. O rácio é uma só medida genérica para se entender que estamos longe de ter uma situação normal nesta área [o número de psicólogos por alunos é actualmente de 1/1700 alunos, quando o rácio recomendado é de 1/1000]. Não estou a falar de situações ideais. Temos consciência de que não é possível.

Como é que um psicólogo num agrupamento, com mais de mil alunos, pode trabalhar no campo da prevenção, da detecção?

Sozinho não consegue. Por isso é que precisamos de mais. Nem todos os alunos têm problemas, mas só para fazer o diagnóstico de situação gasta-se muito tempo. Por outro lado, temos uma transitoriedade dos contratos, que não garante estabilidade. Nunca se sabe se vai ficar na mesma escola ou não. Defendemos que deve haver um período mínimo de três anos de permanência na mesma escola e não serem substituídos todos os anos. Para dar continuidade ao trabalho e estabilizar o projecto escolar.

 

 


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