Sonita – filme/documentário sobre uma adolescente afegã que luta pelos direitos das mulheres – 4 e 5 novembro no Centro Cultural Olga Cadaval

Outubro 21, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Vencedor do Grande Prémio do Júri 2016 Sundance Film Festival e Audience Award for World Cinema Documentary, Sonita é um filme/documentário sobre uma adolescente afegã determinada, que vive no Teerão e que sonha ser uma rapper famosa. No Irão, o governo não permite que as raparigas se destaquem na música (nem nas artes em geral). Segundo a tradição, o destino de uma jovem da sua idade seria tornar-se numa noiva adolescente para que a sua família recebesse o dote. Sonita munida de paixão e persistência, vai entretanto tornar-se numa activista. Investindo no seu sonho de se tornar rapper, ela vai lutar pelos direitos das mulheres tentando transformar os obstáculos em oportunidades.
Rokhsareh Ghaem Maghami, Irão, 2014, 90′
https://ff.hrw.org/film/sonita

https://www.facebook.com/events/1079183645534520/

 

Quando a resposta ao bullying é a empatia

Outubro 21, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 20 de outubro de 2016.

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Christiana Martins

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Marcos Borga

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Na véspera do Dia Mundial do Combate ao Bullying, que se assinala esta quinta-feira, contamos como 12 adolescentes entre os 14 e os 18 anos que vivem numa casa de acolhimento da Santa Casa da Misericórdia aprendem a combater relações marcadas pela agressão mútua. São 12 jovens com histórias de vida para lá de complicadas, que sob a tutela do Estado, tentam reaprender a viver, com autonomia, confiança e algum afeto. Mas são também um caso de estudo, porque fizeram parte de um projeto piloto para ensinar a prevenir situações de bullying .

Empatia? Parece que vem da palavra simpatia. Quando penso em empatia, penso em simpatia.” É assim, com simplicidade, que o rapaz responde, quando questionado sobre como compreende o conceito de empatia. Tem 14 anos, não pode ter o nome divulgado, nem se pode dizer onde vive ou como é. Por questões de segurança vive numa casa de acolhimento da Santa Casa da Misericórdia no centro de Lisboa.

Com ele vivem mais 11 rapazes, todos adolescentes entre os 14 e os 18 anos, todos com histórias de vida para lá de complicadas. Estão sob a tutela do Estado, tentam reaprender a viver, com autonomia, confiança e algum afeto. Mas são também um caso de estudo, porque fizeram parte de um projeto piloto que os tentou preparar para lidar com o fenómeno do bullying. Dentro de casa, na escola, dentro deles mesmos – afinal, uma vítima pode também ser um agressor. Daí a importância de aprender a sentir o que o outro sente. A importância de se ser empático.

O sentimento de empatia exige algum distanciamento. Não é simpatia, não é cumplicidade. É algo diferente. “Empatia é quando eu me consigo colocar no lugar do outro, perceber o que ele sente”, explica Sónia Freitas, coordenadora do projeto Houses of Empathy, desenvolvido pela associação Par — Respostas Sociais, entidade que está a aplicar a metodologia de prevenção do bullying para jovens em contexto de acolhimento em três casas da Santa Casa de Misericórdia em Lisboa.
E se os adolescentes conseguem, aos poucos, aprender o que é empatia, saberão o que é o bullying? “Nós compreendemos o bullying de uma forma ampla, que passa, sobretudo, pela criação de uma situação de desequilíbrio de poder entre os jovens”, explica Sónia Freitas, concluindo que é por isso que a metodologia do programa visa “a promoção de relações saudáveis entre os jovens e a palavra bullying é evitada até ao fim das sessões”.

Nem vítimas nem agressores

Para o programa, bullying são os “comportamentos que envolvem agressões ou ameaças intencionais e repetidas, sem motivos evidentes”. E, de acordo com estudos já realizados, as crianças institucionalizadas estarão entre os grupos mais vulneráveis, podendo vir a sofrer consequências que poderão durar toda a vida, com efeitos sobre a capacidade de aprendizagem, causando ansiedade e estimulando estados depressivos.

No dicionário Priberam, contudo, bullying é “o conjunto de maus-tratos, ameaças, coações ou outros atos de intimidação física ou psicológica exercido de forma continuada sobre uma pessoa considerada fraca ou vulnerável”. Mas, no programa Houses of Empathy, a palavra só surge ao fim das 15 sessões, de uma hora cada, depois de os adolescentes já terem trabalhado questões essenciais como a auto estima, a resolução de problemas, a gestão emocional e a gestão de expectativas. Tudo é feito, como explica Sónia Freitas da Par, através da prática de educação não formal, com o recurso ao teatro, em que os jovens passam por todas as situações possíveis, seja de quem agride, seja de quem é agredido.

Os estudos citados na recolha de informação promovida pelo programa Houses of Empathy ainda colocam Portugal no topo de seis países analisados (Portugal, Espanha, Escócia, Inglaterra, Irlanda e País de Gales) com piores resultados em termos de bullying. “Temos, contudo, de relativizar estes resultados, afinal são feitos com base em relatos produzidos pelos próprios jovens”, alerta Sónia Freitas.

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O mais importante para o diretor de Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia, Rui Godinho, é que a casa de acolhimento tenta estabelecer com os jovens rotinas normativas, onde os adolescentes estão sempre acompanhados e onde se procura construir um novo modelo de relações, mais saudáveis e menos marcadas pela agressividade aprendida no passado.

Ali não há punições, garante, mas há consequências. Ou seja, “todas as emoções são legítimas, o tom é que tem de ser trabalhado, a forma como as emoções são exteriorizadas”. Os educadores funcionam em representação dos pais, ausentes. E os comportamentos “não são encarados como a causa dos problemas, mas como um sintoma do que os jovens sentem”, explica o responsável.

O Houses Of Empathy é, por isso, um projeto europeu que pretende ajudar a reduzir as elevadas taxas de bullying entre jovens em contexto de acolhimento institucional através da criação de um programa específico de combate ao fenómeno.

O programa piloto foi testado em três países (Portugal, Espanha e Irlanda do Norte), abrangendo 9 centros de acolhimento residencial para crianças e jovens. Espera-se que, no final do projeto, o programa tenha sido concretizado em 39 casas de acolhimento nestes 3 países, envolvendo 468 jovens (dos 8 aos 18 anos) e 194 profissionais.

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Concluída a fase de teste do programa, é chegada a altura de apresentar os resultados da intervenção, que encara a promoção de capacidades pessoais, sociais e de empatia como base de relações saudáveis dos jovens que vivem em casas de acolhimento. Por isso, no dia 27, realizar-se-á uma conferência no Espaço Santa Casa, em Lisboa, para debater a questão e, acima de tudo, refletir acerca dos resultados e ferramentas do projeto Houses Of Empathy e sensibilizar a comunidade responsável pela proteção de crianças e jovens para a importância da ação preventiva nestes contextos.

Promovido pela Par – Respostas Sociais, em parceria com Hechos (Espanha), VOYPIC – Voice of Young People In Care (Irlanda do Norte, Reino Unido) e Sticks And Stones (República da Irlanda), é financiado pela Comissão Europeia. Em Portugal, conta ainda com um protocolo de parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

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No fim da experiência, os jovens decidiram, em conjunto, qual deveria ser o “código de procedimentos” assumido pela casa. Uma tábua com regras de boa convivência, que, como explica Sónia Freitas, acabam por ser “regras anti-bullying”. Respeito pelos outros, a capacidade de pedir ajuda aos educadores quando os jovens não conseguem resolver um conflito, aprender a elogiar, ouvir o outro, ser bem educado, respeitar as diferenças, ser assertivo (sem ser passivo e sem ser agressivo), quando os problemas surgirem pensar mais nas soluções, ter confiança nos pares, saber trabalhar em equipa, ser paciente e dar boas vindas aos novos habitantes da casa.

São tijolos. Cada regra, explica Sónia Freitas, é um tijolo, um passo na construção de uma casa onde a empatia é o habitante mais importante, onde cada morador consegue perceber o que o outro está a sentir. Capacidades de convivência que têm de ser trabalhadas diariamente. “Já penso antes de agir…nem sempre, mas já vou pensando…”, responde o rapaz que faz rimar empatia com simpatia. Não está mal: afinal, a ter em conta o dicionário, simpatia é “sentimento de atração moral que duas pessoas sentem uma pela outra”. Simpatia e empatia não são exatamente a mesma coisa, mas estão próximas. Ainda não é uma casa, mas é mais um tijolo.

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O programa Houses of Empathy foi concluído há cerca de duas semanas e, até ao fim de novembro o processo de avaliação deverá estar finalizado, explica Sónia Freitas. Se tudo correr bem, a experiência poderá ser alargada a outros espaços de acolhimento de jovens em situação de risco. Só no distrito de Lisboa, explica Rui Godinho, existem cerca de 200 crianças e jovens em lista de espera para serem acolhidos. Todos à espera de aprender como lidar com o bullying que os espera dentro e fora de casa, dentro e fora deles mesmos.

 

 

 

“A humilhação atua por acumulação: quanto maior e mais duradoura, mais paralisante se torna”

Outubro 21, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 20 de outubro de 2016.

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Luciana Leiderfarb

O bullying não aumenta porque sim. E a forma de o erradicar envolve toda a comunidade. Compreender e tipificar o fenómeno é um primeiro passo para o combater. O segundo é quebrar o ciclo de silêncio entre os agressores, as vítimas e os seus pares.

Sónia Seixas é psicóloga educacional e investigadora com doutoramento feito na área do bullying. Dos vários livros que publicou sobre o tema destacam-se “Plano Bullying”, em coautoria com o também psicólogo Luís Fernandes; e “Cyberbullying: um guia para pais e educadores”, com Luís Fernandes e Tito de Morais, e prefácio do psiquiatra Daniel Sampaio. A sua abordagem é prática, de intervenção concreta num tecido escolar nem sempre sensibilizado para o fenómeno.

Também professora na Escola Superior de Educação de Santarém, conversou com o Expresso na véspera do Dia Mundial de Combate ao Bullying. Falou de isolamento, de vulnerabilidade, de relações de poder entre pares. Do papel do adulto na solução de um problema cuja escalada não acontece porque sim. De uma criminalização com a que concorda só em parte, apostando acima da tudo na prevenção. Da importância de saber ler marcas e sinais. E confessou-se cada vez mais assustada com o ‘derivado tecnológico’ do bullying, o cyberbullying, em que o perpetrador não se vê e a vítima o é 24 horas por dia.

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Como distinguir o bullying de outro tipo de agressão que possa ocorrer em contexto escolar?

O bullying é sempre um comportamento intencional, cujo objetivo é causar dano físico ou psicológico. Não acontece sem querer. Distingue-se de outros comportamentos agressivos por ser repetido — é um padrão sistemático de intensidade variável — e por implicar desigualdade de poder entre os envolvidos, no sentido em que um domina e o outro se sente submetido e intimidado. Esta disparidade pode ser física — um ser maior ou mais forte do que o outro — ou decorrer de questões de personalidade, como a assertividade, a inibição ou a timidez. Pode também haver disparidade numérica, quando o agressor está protegido por um grupo de pares que o incentiva.

Em que idade o bullying é mais frequente?

Os números são mais elevados a partir dos 13 anos, no 8º e 9º ano de escolaridade. É a idade da entrada na adolescência, em que aumenta a necessidade de afirmação e integração no grupo de pares, e em que podem ser utilizadas estratégias menos amadurecidas de interação com o outro. Nesta fase, os comportamentos de bullying tendem a atingir um pico de incidência, esbatendo-se com a aquisição de maturidade. Quando não diminuem têm em geral configurações mais gravosas.

Qual a importância da intervenção do adulto?

Na minha opinião, o bullying não se resolve sem o adulto, que é importante sobretudo para chegar aos chamados observadores — crianças que observam e são testemunhas do conflito. Estes miúdos precisam de ser sensibilizados, esclarecidos e capacitados para eles próprios poderem intervir. Sendo o bullying um comportamento que tende a ocorrer fora do olhar do adulto, é fundamental que os pares não envolvidos — que são a maioria — tenham consciência da sua posição, da sua vantagem numérica e do poder que adquirem se se tornarem ativos na defesa das vítimas. O adulto pode ajudar na corresponsabilização dos alunos observadores e tornar-se mais presente na supervisão do espaço escolar — aliás, esta é uma das medidas mais eficazes no combate ao bullying. Mas o trabalho começa em casa: é preciso que os pais deixem de dizer aos filhos “não te metas” e os ensinem a agir grupalmente contra uma situação personalizada de agressão.

A que sinais dos filhos devem os pais estar atentos?

Depende da fase de desenvolvimento em que a criança está, porque existem sinais que são típicos do seu amadurecimento psicológico. Há ‘sintomas’ da adolescência que coincidem com os decorrentes de casos de bullying. Os pais têm de ter alguma sensibilidade para perceber se os sinais dos filhos são próprios da idade, se respondem a questões internas do desenvolvimento da criança, ou se o sofrimento está relacionado com fatores externos. Por outro lado, nem sempre os sinais em casa são iguais aos visíveis na escola. Ali, situações como o isolamento no recreio ou o facto de se ser a última escolha nas atividades de grupo dão uma indicação do nível de integração de uma criança e da sua vulnerabilidade. Outro sinal é, por exemplo, aparecer material danificado, extraviado, escondido, sempre do mesmo aluno. Em casa, uma criança que esteve ótima durante o fim de semana e tem dores de barriga ou de cabeça na segunda de manhã desperta alguma atenção, assim como aquela que passa a pedir aos pais para a levarem e a irem buscar à escola quando isto antes não fazia parte da rotina. As marcas físicas, como nódoas negras e ferimentos, são mais difíceis de descobrir do que se pensa, porque muitas vezes ocorrem numa altura em que os pais já não se ocupam da higiene dos filhos — e estes são exímios a esconder-se. Alterações de humor, maior tristeza, abatimento e irritabilidade podem também indicar que se passa alguma coisa na escola.

Fala dos sinais das vítimas. E os dos agressores?

É mais difícil tipificá-los e mostram-se mais na escola do que em casa. Porém, os pais podem supor que o seu filho possa ser agressor na escola se ele em casa manifestar um perfil de prepotência, de necessidade de dominar (os outros e as situações), de dificuldade em sujeitar-se a figuras de autoridade, de mau perder e de problemas para lidar com a frustração. Muito provavelmente, se esse comportamento for visível e preponderante em casa, também o será na escola e com os pares.

Que tipo de feridas psicológicas podem decorrer do bullying?

Depende da severidade e do prolongamento no tempo da agressão — quanto mais severa e mais prolongada, maior a probabilidade de existirem consequências a longo prazo. Depressão, grandes níveis de ansiedade, de medo e de tristeza são frequentes nas vítimas. Depois, a fraca autoestima que decorre da impotência na resolução do problema pelos próprios meios e da humilhação constante. A humilhação atua por acumulação: quanto maior e mais duradoura, mais paralisante se torna. Por isso, se as primeiras respostas dos miúdos vitimizados forem respostas de assertividade, de confiança ou de humor, os agressores desistem e procuram outro alvo. Nesses casos, em geral, a tentativa de bullying não prospera.

Quais os fatores de risco das potenciais vítimas?

O isolamento pode ser um fator de risco, sendo as redes de amizade um fator protetor. Há aspetos pessoais, ligados a um temperamento mais submisso ou mais inseguro. Os agressores em geral são exímios na leitura dos outros e escolhem os que sentem que são mais frágeis.

É coautora do livro “Cyberbullying — Guia para Pais e Educadores”. Este tem sido um assunto cada vez mais estudado, por ser cada vez mais frequente. Como se lida com ele?

O telemóvel é cada vez mais uma ferramenta que dá segurança aos pais, pois permite exercer maior controlo e proteção sobre os filhos. Mas para os miúdos significa coisas completamente diferentes. O que é preciso — porque não há volta a dar quanto à sua utilização — é educá-los. No outro dia estava num encontro sobre este tema e alguém disse que dar um telemóvel a uma criança como quem lhe dá um jogo de Monopólio é o mesmo que deixá-la à noite e sozinha num parque infantil. Não é exagero: os telemóveis têm dispositivos móveis e têm internet, que é uma espécie de descampado sem regras. Os pais às vezes não dominam essa tecnologia tão bem como os filhos. Dar um telemóvel para eles usarem como se dá outro objeto qualquer é deixá-los no escuro, entregues ao perigo.

Quer dizer que o domínio da tecnologia não significa literacia tecnológica?

Exato. Há dias deparei-me com um rapaz que pensava que, por apagar um SMS já enviado do seu próprio telemóvel, também o apagaria do telemóvel recetor. Os miúdos não têm consciência da persistência e da replicabilidade dos conteúdos. Não sabem que enviarem um SMS ou uma fotografia é um ato que, depois de clicar e partilhar, não tem retorno. Criam perfis falsos dos colegas no Facebook ou no Instagram sem qualquer noção das consequências e, a meu ver, têm acesso a essas tecnologias demasiado cedo. O acesso é muitas vezes anterior à educação, à consciencialização para os perigos e para o respeito pela imagem e pela privacidade do outro. Ora, se os ensinarmos, é como se estivéssemos no parque infantil com eles. E esse ensino, essa educação, os pais muitas vezes não estão preparados para a dar.

Assusta-a esta realidade?

O cyberbullying assusta-me mais do que o bullying. É muito mais difícil de tipificar e de controlar. Já não é possível falar em observadores, porque os papéis são muito mais complexos. Tudo pode acontecer e tudo lá fica. O cyberbullying acarreta muito mais sofrimento para as vítimas, nem que seja pelo facto de estarem expostas 24 horas, enquanto na escola só o estão durante o horário escolar.

Fala-se recorrentemente da criminalização do bullying. Concorda?

Tem de ser ponderado o grau de brutalidade da agressão e a idade dos envolvidos. Aliás, a proposta de lei, que existiu e entretanto prescreveu, fixava o limite mínimo de 16 anos. Mas eu concordo acima de tudo com a prevenção, porque estamos a falar de crianças. Se o seu processo de desenvolvimento não foi devidamente acautelado, não as podemos depois criminalizar. A criança não pode ser responsabilizada isoladamente, pois ela está a crescer, precisa de ser amparada, orientada e supervisionada. E não me parece coerente nem justo que crianças sem orientação nem supervisão cheguem aos 16 anos e sejam sujeitas a um processo crime, sem que se assuma a corresponsabilidade dos pais ou dos adultos educadores. Porém, quando não há sinais de negligência e há uma pessoa que em consciência elaborou e levou a cabo um plano contra alguém, isso é diferente. É sempre necessário avaliar o trajeto da criança.

Qual a importância de existir um Plano Nacional de Luta contra o Bullying?

É fundamental. Um plano nacional de sensibilização pode prevenir, até, a necessidade de haver uma proposta de lei que criminalize o bullying. Qualquer ação que seja estendida às escolas do território nacional e que comece o mais cedo possível, de forma a prevenir possíveis evoluções e de tornar a comunidade escolar mais proativa e interventiva, fará com certeza diminuir os níveis de incidência deste fenómeno. Considero que é uma aposta de saúde mental.

 

 

 

Apresentação do livro “Bullying? Xeque-Mate!”, 22 outubro na Biblioteca Municipal D. Dinis – Odivelas

Outubro 21, 2016 às 9:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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https://www.facebook.com/BibliotecaMunicipalDDinisCmOdivelas/

Como incentivar o seu filho a estudar

Outubro 21, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 5 de outubro de 2015.

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Ana Cristina Marques

Pouca vontade para estudar pode não ser uma questão de aprendizagem, antes falta de motivação. Para combater a inércia, reunimos alguns conselhos para pais e filhos.

“Não quero ir à escola” e “estudar é uma seca” são duas das frases mais temidas pelos pais. Em tempo de regresso às aulas, é importante saber como motivar os filhos a estudar e a empenharem-se mais. E como falar — ou, neste caso, escrever — é fácil, o espanhol El País reuniu um conjunto de conselhos com ajuda de David Calle, professor e autor do livro No te rindas nunca (Nunca te rendas) e da professora Cristina Conde, do site Pedagogía. Feitas as apresentações, estas são as ideias principais.

Desistir está fora de questão

A motivação está para a educação como uma folha quadriculada está para a matemática — uma não existe sem a outra. É por isso que a professora Cristina Conde salienta a ideia do reforço positivo: “O reforço positivo consiste em valorizar tudo aquilo que eles fazem bem e reconhecê-lo com frases como ‘muito bem’, ‘é isso’, ‘estás a melhorar muito’, ‘continua assim’.” E aponta o dedo: às vezes criticamos  e esquecemo-nos de dar a tradicional palmadinha nas costas (quando necessário).

É necessária uma nova forma de educar

A mesma professora esclarece que um dos motivos por que alguns alunos encaram as tarefas escolares sem motivação é o facto de assumirem os trabalhos como uma obrigatoriedade. Mais, é fácil perceber que, muitas das vezes, os mais pequenos estudam por motivos externos à sua aprendizagem ou de modo a evitar castigos: “É quando um aluno estuda com motivação intrínseca, ou seja, por ele próprio, que aprende de verdade.”

A isso acrescenta-se ainda a necessidade de uma outra forma de educar, com recurso às novas tecnologias — tablets, plataformas educativas ou jogos online –, ferramentas capazes de captar a atenção dos mais novos que ficam, assim, sujeitos a uma aprendizagem mais dinâmica e atraente. “Seja qual for a metodologia eleita, deve-se sempre procurar a participação dos alunos”, acrescenta Cristina Conde.

David Calle, por seu turno, lembra uma frase atribuída ao poeta William Butler Yeats — “educação não é encher um vaso, mas acender um fogo” — para explicar que aos professores cabe ensinar em período de aulas e são os pais, em casa, que devem acender as tais fogueiras do conhecimento.

“Os pais deviam ser a verdadeira entidade reguladora das escolas. Há pais que se anulam perante algumas atitudes muito pouco sensatas de professores, seja em relação aos trabalhos de casa, a comentários ou até estratégias pedagógicas. Não gosto de pais que se intrometem de forma abusiva na vida da escola, mas também parece grave que haja aqueles que se anulem. É importante que nós assumamos que a escola tem um tempo que deve ser gerido, no essencial, pelos professores e deve ter nos pais uma entidade reguladora fantástica.” Eduardo Sá em entrevista ao Observador, setembro de 2014”

O segredo também está na atitude dos pais

“Os pais devem ser exigentes, um equilíbrio entre serem firmes e carinhosos”, assegura Calle, explicando que repreender com afeto e respeito ajuda as crianças a tolerar o fracasso e a aceitar a crítica. O professor e escritor convida ainda os leitores de palmo e meio (mas não só) a refletirem sobre a seguinte frase: “Se os teus pais fossem os teus amigos, serias órfão.”

Já Cristina Conde aborda a falta de paciência de muitos progenitores e deixa-lhes uma última recomendação: pensem na forma como gostariam que lhes fossem explicadas as coisas, sobretudo considerando a idade dos filhos.

 

 


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