O que fazer aos 15% de jovens portugueses que não estudam nem trabalham?

Outubro 6, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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texto do https://www.publico.pt/ de 6 de outubro de 2016.

o relatório citado na notícia é o seguinte:

Society at a Glance 2016

Sumário em português

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Natália Faria

A crise destruiu um em cada dez empregos detidos por jovens com menos de 30 anos nos países da OCDE, entre 2008 e 2013. Evitar a exclusão social destes jovens poderá passar por assegurar a sua transição automática para o superior, defende investigador.

Apesar do ligeiro desagravamento, o cenário não permite grandes suspiros de alívio. Portugal continua a somar 15% de jovens com idades entre os 15 e os 29 anos que não estudam nem trabalham nem estão em formação, segundo o mais recente relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), divulgado nesta quarta-feira.

Nos piores anos da crise, entre 2008 e 2013, o país chegou a somar 19% dos jovens nesta situação. Para impedir que caiam na exclusão social, o caminho mais rápido será mantê-los dentro da escola, criando mecanismos automáticos de transição para o ensino superior e sem lugar ao pagamento de propinas, defende Joaquim Luís Coimbra, um investigador da Universidade do Porto (UP).

É que a atenuação do fenómeno (que, mesmo assim, se mantém muito acima dos níveis pré-crise) não significa que a sociedade tenha conseguido acomodar estes jovens no mercado de trabalho. “A emigração pode ajudar a explicar a redução dos que não estudam nem trabalham e um certo aquecimento da economia também — nomeadamente na área dos vinhos e dos têxteis e do calçado —, mas convém não esquecer que muito do emprego jovem criado entretanto é resultante da desvalorização do trabalho que leva ao despedimento de trabalhadores seniores, que aos 45 ou 50 anos custam dois ou três mil euros às empresas, e à sua substituição por jovens que vão ganhar 600 euros”, aponta o docente da Faculdade de Psicologia da UP, cujo trabalho tem assentado no desenvolvimento psicológico e social dos jovens e na formação de adultos.

Na soma dos países da OCDE, contam-se 40 milhões de jovens que se incluem nos chamados NEET (not in employment, education or training), o equivalente a 15% da população no referido intervalo etário dos 15 aos 29 anos. Daqueles, dois terços já nem sequer estão à procura de emprego, estão simplesmente inactivos. Muitos estão responsáveis por cuidar de alguém, outros têm problemas de saúde ou dependências de substâncias ilícitas. A maioria, porém, terá assumido que procurar emprego será tarefa inglória. Pudera: um em cada dez empregos detidos por jovens sub-30 foi destruído pela crise. No caso de Portugal (mas também na Eslovénia, Itália e na Letónia), a crise destruiu entre um quarto e um terço dos empregos detidos por jovens. Já em países como Espanha, Grécia e Irlanda, o número de jovens empregados caiu para metade.

“A longo prazo, o desemprego e a inactividade [dos jovens] podem levar ao isolamento e à exclusão e a pôr em perigo a coesão social. O maior desafio dos Governos nos anos vindouros é, por conseguinte, a elaboração de políticas que dotem os jovens com as competências de que precisam e os ajudem a desembaraçar-se dos obstáculos à educação e ao emprego”, alerta o relatório bianual da OCDE que, nesta 8.ª edição, volta a confrontar um vasto conjunto de indicadores de 42 países.

Na opinião de Joaquim Coimbra, o que custa compreender é que os decisores políticos continuem a querer responder ao problema com pensos rápidos, ao mesmo tempo que ignoram a necessidade de repensar a relação das pessoas com o trabalho sob a forma de emprego com valor económico. “Não vale a pena estarmos a alimentar a ilusão de sociedades de pleno emprego que nunca mais voltaremos a ter. E uma vez que o emprego, que até é uma invenção do século XIX, vai continuar a escassear, era importante que começássemos a olhar doutra forma para o trabalho e que começássemos a criar outros institutos de socialização das pessoas”, aponta.

Um dos primeiros passos seria mudar a escola. “Tem de ser mais aberta e menos reduzida a lógicas de eficiência e eficácia”, preconiza o investigador, para defender “uma escola com mais educação e menos treino de competências, que mais não é do que uma forma de transformar as pessoas em peças funcionais para a máquina produtiva”.

Maioria vive com os pais

Enquanto isso não acontece, em Portugal a maior parte dos NEET portugueses vivem com os pais. “As famílias são as grandes financiadoras do desemprego e da inactividade dos jovens”, diz ainda Joaquim Coimbra. É uma realidade que toca 70% dos jovens portugueses. Na média dos países da OCDE, a coabitação com os progenitores verifica-se em um em cada dois jovens.

E, sem surpresas, os jovens com percursos escolares mais curtos são os mais fustigados pela crise e pela consequente dificuldade em arranjar emprego. Aliás, 30% dos NEET deixaram a escola aos 16, sem terem completado o secundário. E em Portugal o abandono escolar precoce é uma realidade que afecta mais do que um em cada três jovens. Acima disso, só o México e a Turquia.

Na diferença entre géneros, a OCDE nota que mais de 40% dos rapazes portugueses não completaram o secundário, o mesmo se podendo dizer de 30% das raparigas. De resto, só o facto de se ser rapariga agrava em 1,4 vezes o risco de se ser NEET.

Na média da OCDE, cerca de um em cada seis jovens entre os 25 e os 34 anos de idade não têm o secundário completo. “Combater o abandono escolar precoce é essencial”, exortam os técnicos daquela organização, para quem compete aos governos garantir que os jovens completam pelo menos o secundário por forma a acautelar o risco crescente de vivermos em sociedades cada vez mais divididas. É actualmente consensual, como se lê no relatório, que longos períodos de inactividade minam a confiança dos jovens nas instituições e “deixam cicatrizes que perduram por muitos anos”.

No curto prazo, manter estes jovens na escola poderia ajudar a evitar que o problema assuma contornos mais agudos, concorda Joaquim Coimbra, para especificar que a transição automática daqueles que não têm emprego até aos 25 anos para o superior ajudaria, por exemplo, a aproveitar os recursos do ensino politécnico, “que tem instalada uma capacidade de formação que não é utilizada em toda a sua potencialidade”.

Voltando ao relatório, e apesar de ser claro que uma experiência laboral prévia facilita a transição entre a escola e o mercado de trabalho, a OCDE sublinha que a frequência de estágios profissionais é muito baixa em Portugal: apenas 5% dos jovens beneficia desta experiência, em comparação com os 27% da OCDE. Do mesmo modo, apenas 4% dos jovens portugueses conciliam os estudos com algum tipo de trabalho, enquanto na OCDE essa percentagem chega aos 12%.

“Está demonstrado que trabalhar um número moderado de horas (menos de 15 por semana) diminui o risco de abandono escolar precoce, possivelmente porque favorece competências importantes, como a consciência e a motivação, e pode orientar os alunos para um plano de carreira”, lê-se.

 

 

Bzzz!! A Casa da Mosca Fosca! – música e narração oral para bebés – 8 outubro na Livraria Leituria em Lisboa

Outubro 6, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/events/281683502219042/

“Pai, eu queria tanto ter um cão!” crónica de Mário Cordeiro

Outubro 6, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no http://ionline.sapo.pt/ de 20 de setembro de 2016.

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Acusar as pessoas que gostam de cães de estarem a menorizar os humanos é não entender nada do que é o mundo, a natureza e a capacidade de, exatamente, prover melhor aos direitos de uns e de outros. Como se uns e outros fossem mutuamente exclusivos, e não complementares…

“Pai, eu queria tanto ter um cão!” – e por mais que se tente explicar que é complicado, que o apartamento não dá, que alguém teria de tratar do animal e outras tantas razões, as crianças mais pequenas não entendem e colocam tudo no mesmo saco: o da cruel recusa dos pais em satisfazerem a sua vontade.

Depois de meia hora de listas de justificações para não adotar ou comprar um cão, mesmo que os pais até gostassem de ter um, a frase que dizem, quando voltam as costas e desistem, é: “Eu queria ter um cão, mas o pai não quer!… É só para me chatear…”

Há muitos animais em nossa casa, desde os ácaros às moscas e formigas, mas no que toca aos chamados animais de companhia, ter um é um hábito para muita gente e, felizmente, há cada vez mais casas onde o canídeo faz parte integrante da família. Ainda bem, repito. Salvaguardando a liberdade de não ter um cão, há que respeitar a mesmíssima liberdade de o ter e, tendo-o (e, no meu caso, passeando-o todos os dias, bem como aqui no i às terças-feiras…), vejo mais críticas das pessoas que acusam quem tem um cão de não saber distinguir os animais irracionais dos humanos do que juízos de valor das pessoas que têm “patudos” relativamente a quem não quer ou não pode ter.

Uma coisa é certa: ao adotar/comprar um cão tem de se pensar muito bem, porque quando se arranja “é para a vida”. Felizmente, hoje, o abandono de animais de companhia, designadamente dos cães, é criminalizado.

Muitos escritores têm-se debruçado e escrito sobre a relação com os seus cães, de Virginia Wolf a Thomas Mann, de Arturo Pérez-Reverte a José Jorge Letria, Manuel Alegre, Raul Brandão ou Ruy de Carvalho. Livros excecionais, de uma enorme sensibilidade e que mostram a transcendência da relação entre um cão e o seu dono.

Muitas vezes vem a acusação velada: porquê “perder” tempo com cães quando há humanos a necessitar de mais legislação protetora (e há! – afirmo-o com toda a convicção), como por exemplo as crianças e os idosos, os desempregados ou os migrantes. Há que fazer por eles, claro. Muito! Todavia, a mensagem muitas vezes veiculada de que “estamos a pôr os cães à frente das pessoas” ou que “quem gosta de animais não gosta assim tanto de pessoas” é errada, falsa, fundamentalista e manipuladora. Além de demagógica. Faz-me lembrar uma empregada dos meus pais, quando eu era pequeno, que dizia que se eu não comesse o arroz todo “morria um pretinho em África”… e eu lá comia o arroz, mesmo estando enfartado, para não me sentir culpado da morte de um outro menino.

Gostar de animais é um primeiro passo para a nossa própria humanização e para um relacionamento melhor – que se quer e se exige, com urgência – do homem com a natureza e com a sua própria condição. Pode gostar-se de animais e de pessoas e uma coisa, repito e insisto, não exclui a outra – sei-o por experiência própria.

Por outro lado, voltando à história com que comecei esta crónica, há pessoas que gostariam de ter animais e não têm condições de vida ou ritmos para tal. Poderão sempre, de qualquer modo, tentar que as crianças tenham um relacionamento estreito, por exemplo, com cães, em quintas pedagógicas, em espaços públicos, com os cuidados que implica a relação de um humano com um cão que não conhece, e por isso, antes de permitir que as crianças façam festinhas a um cão, é sempre conveniente perguntar aos donos se o cão não fica “zangado” ou reage de uma forma que possa assustar a criança ou mesmo ser perigosa para ela.

É bom ter cães em casa, mesmo que cada caso seja um caso, ou cada casa uma casa… – contudo, há vários aspetos a ter em conta na decisão de “ter ou não ter cão”, como sejam as condições de habitação (casas sem jardim, com poucos quartos e de reduzidas dimensões aumentam a dificuldade de definição de espaço entre o cão e os humanos) ou o tempo e as pessoas disponíveis para tratar dele. Os animais, especialmente os cães, sentem a solidão e têm requisitos que têm de ser respeitados, como sair, passear, poder fazer as suas necessidades fisiológicas livremente, correr, saltar… e, no caso dos cachorros, aprender comportamentos “sociais”. Por outro lado, sabe-se que os animais domésticos podem ser agentes e veículos de parasitoses ou proporcionar alergias, além do eventual cheiro a pelo molhado, de poderem sujar a casa antes de estarem treinados, largarem pelo ou outras situações similares – a escolha da raça de cão é essencial e, sinceramente, advogo a adoção de um cão e não a compra, dado que, para lá de se aliviar as associações e canis, são geralmente animais com um percurso de vida complicado e que serão extremamente gratos para com os seus novos donos, para lá de toda a lealdade e fidelidade que um cão demonstra no quotidiano.

Assim, será bom ponderar se o cão se vai dar bem com o ambiente de nossa casa, com as nossas exigências (por exemplo de limpeza) e a personalidade dos vários habitantes, entre os quais as crianças, se está bem de saúde e foi visto recentemente por um veterinário (o que é garantido quando se adota), se temos uma ideia clara e realista do que vai ser necessário em termos de cuidados, desde a higiene à alimentação, passando pelo apoio veterinário, passeios, mimo, brincadeira, etc., o que é muito variável conforme as raças e a personalidade do próprio cão, e também se já elencámos (com uma lista escrita) tudo o que será preciso, desde a higiene aos espaços para o cão, a compra de alimentos, cama, cuidados de saúde (e a despesa acrescida que representa) e outros dados semelhantes. Outro aspeto essencial é ter bem definido o que vai fazer no caso de doença, não apenas do cão, mas das pessoas – ou seja, quem vai tomar conta dele incluindo nos fins de semana e feriados, ou nas férias, para que não se assista ao abandono sistemático de animais nas estradas portuguesas.

Ter um cão é – digo-o como declaração de interesses – uma alegria, uma oportunidade de retomar ritmos humanos, de conhecer novos horizontes, de nos divertirmos com a “psicologia canina”, de ter uma companhia e de entender o que significa a palavra lealdade e as palavras reciprocidade e amizade.

Quando o vosso filho pedir um cão, tenham já pensados estes e outros aspetos, porque a pior coisa que pode haver é desiludir uma criança, por motivos que ela não compreenderá, arranjando um “patudo” com o entusiasmo do momento e, depois, descobrir que é uma maçada, que “só dá trabalho” e descartá-lo na primeira ocasião. A resposta à frase “Ó pai, compre-me um cão!”, seja ela sim ou não, tem, portanto, de ser muito ponderada. Como defensor intransigente dos direitos das pessoas e dos cães, espero sinceramente que, na maioria dos casos, possa ser o sim…

Pediatra, escreve à terça-feira

 

Ministério Público do Brasil processa Google por anúncios com crianças no Youtube

Outubro 6, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://observador.pt/ de 21 de setembro de 2016.

boris-roessler

Agência Lusa

O Ministério Público brasileiro anunciou na terça-feira uma ação judicial contra a empresa Google Brasil Internet Ltda. por irregularidades detetadas na publicidade infantil no seu canal de vídeo ‘online’ Youtube.

Num comunicado do Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais, lê-se que o canal tem diversos vídeos protagonizados por crianças de até 12 anos de idade para publicidade.

“Quando atingem grande número de visualizações, os ‘youtubers’ mirins [pequenos] tornam-se pequenas celebridades. Em decorrência dessa exposição, acabam atraindo a atenção do mercado, que as faz atuar como promotoras de vendas, protagonizando anúncios comerciais de produtos dirigidos ao público infantil”, explicou o MPF.

A mesma entidade entende que o recurso a crianças para promover produtos vai contra a lei “por ser considerada potencialmente abusiva”.

O procurador Fernando de Almeida Martins explicou que as crianças são um público “altamente suscetível a qualquer tipo de apelo emotivo e subliminar” e “não têm maturidade suficiente para discernir entre fantasia e realidade ou para resistir a impulsos consumistas”.

Apesar de não existir uma lei específica sobre publicidade infantil no país, a ação baseia-se em dispositivos legais.

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) publicou a resolução número 163 “considerando abusiva toda a publicidade direcionada ao público infantil com a intenção de persuadi-lo ao consumo”, disse o procurador.

Contudo, segundo o MPF, como não há sanções, em caso de incumprimento, estas determinações são ignoradas.

“A ação pede que a Google seja obrigada a disponibilizar um aviso, na página inicial do canal Youtube ou em todos os vídeos postados nessa plataforma, de que é proibido veicular ‘merchandising’ [produtos promocionais] ou propaganda de produtos ou serviços protagonizados por crianças ou a elas destinados”, de acordo com o MPF.

Foi igualmente requerida a inclusão de uma ferramenta que permita aos usuários denunciar os vídeos com propaganda destinada aos mais novos como impróprios.

Na ação, o MPF pediu também que a Justiça determine que sejam incluídas na resolução número 163 sanções em caso de incumprimento.

Comunicado do Ministério Público Federal em Minas Gerais

 Publicidade infantil leva MPF/MG a ingressar com ação contra a Google

 


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