Introdução ao Estudo Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal – publicação digital

Outubro 4, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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https://www.ffms.pt/publicacoes/grupo-estudos/1700/desigualdade-do-rendimento-e-pobreza-em-Portugal

Este estudo contribui para esclarecer as principais alterações ocorridas na distribuição do rendimento e nas condições de vida dos portugueses ao longo do período de vigência do programa de ajustamento, procurando responder às seguintes questões:

 

  • Quais as consequências da profunda crise económica que Portugal enfrentou/enfrenta nos rendimentos dos diferentes grupos da população? Verificou-se um empobrecimento da classe média ou uma redução generalizada dos rendimentos familiares?

 

  • Qual o impacto das políticas de austeridade sobre os rendimentos familiares nos diferentes escalões de rendimento? Os mais pobres foram efectivamente poupados às políticas mais agressivas de redução/ contenção dos rendimentos? As famílias com maiores rendimentos foram as mais penalizadas pelas políticas adoptadas?

 

  • Quais os efeitos, sobre os diferentes grupos sociais, das alterações introduzidas nas políticas sociais? A contracção das políticas sociais, tanto na sua abrangência como nos montantes atribuídos, alterou significativamente as condições de vida das famílias mais pobres?

 

  • Quais as consequências do agravamento do desemprego e das mudanças introduzidas na legislação laboral na distribuição dos salários? O que se alterou na desigualdade salarial?

 

  • Comparativamente a outros países da UE e, em particular, da Zona Euro, as políticas nacionais para contrariar os efeitos da crise económica foram mal ou bem-sucedidas? Quais foram os seus custos económicos e sociais?

Com este estudo pretende-se uma avaliação rigorosa, e tão aprofundada quanto a informação estatística disponível o permite, das consequências sociais de uma das mais profundas crises que Portugal atravessou nas últimas décadas; e uma análise, sempre que possível, das medidas implementadas pelas autoridades públicas para lhes fazer frente.

Violência no namoro começa cada vez mais cedo: eles tinham 13 anos

Outubro 4, 2016 às 6:29 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 4 de outubro de 2016.

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Medo da discriminação entre os amigos leva muitos adolescentes a não denunciar. Um relato de um caso real feito pela APAV

Texto de Mariana Correia Pinto

Viviam numa “união de facto em horário de expediente”. Eram namorados, colegas de turma e a maior parte dos dias tinham aulas apenas de manhã. As tardes, passavam-nas em casa dele. Sozinhos. Tinham relações sexuais, quando queriam os dois e quando queria só ele. Ela, com 13 anos, não conseguia dizer não. Fazia a limpeza da casa, da roupa, adiantava o jantar. Era espancada. Os pais dele consideravam-na uma “namorada fantástica”. Não imaginavam a violência entre aquelas quatro paredes. À noite, quando chegava a casa, a rapariga fechava-se no quarto. E como era adolescente, os pais não estranhavam. Tinha relações sexuais virtuais com o namorado. Ela despia-se, tocava-se. Ele filmava, sem ela saber.

Um dia, a agressão subiu de tom. Deixou marcas. Mas quando a rapariga disse basta, o rapaz chantegeou-a com os vídeos. Na manhã seguinte, as imagens circulavam pela escola. Ao chegar a casa, o pai deu-lhe uma “sova imensa”. Tinha encontrado a filha em sites de pornografia. Sem saída, abriu o jogo com os pais. Fez queixa. Mudou de escola e de residência. Ele, aluno exemplar e com bom meio familiar, foi perdoado — ainda que a violência no namoro seja crime público.

Daniel Cotrim, da APAV, costuma contar a história em palestras em escolas. Da plateia raramente lhe chegam reacções de surpresa. “Não acham anormal”, conta como quem faz um diagnóstico. “No final, alguns vêm dizer-me que aquela é também a história deles.” Sem tabus. Convencê-los a denunciar, tal como acontece no meio universitário, é mais difícil. “Acham que vai passar, têm medo de serem discriminados pelos pares.” Para os pais, diz o psicólogo, o alerta vem a letras garrafais: ter uma relação próxima com os filhos e uma comunicação aberta é fundamental. 

 

 

Cerca de 385 milhões de crianças viviam, em 2013, em pobreza extrema

Outubro 4, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 4 de outubro de 2016.

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Agência Lusa

Os dados são de 2013 e aparecem num relatório da Unicef e do Banco Muncial, que alerta que as crianças são afetadas desproporcionalmente pelas más condições de vida.

Cerca de 385 milhões de crianças, entre os zero e os 17 anos de idade, viviam em 2013 em situação de pobreza extrema, de acordo com um estudo conjunto da Unicef e do Grupo do Banco Mundial, divulgado esta terça-feira.

Os dados fazem parte do relatório “Terminar com a Pobreza Extrema: Um Foco nas Crianças” (na tradução para português), relativo a 2013, que revela que as crianças têm duas vezes mais probabilidades de viver na pobreza extrema do que os adultos. De acordo com o estudo, “19,5% das crianças nos países em desenvolvimento faziam parte de agregados familiares que sobreviviam com 1,90 dólares [1,70 euros] por dia ou menos por pessoa, comparativamente com 9,2% dos adultos”. Mesmo quando o estudo avaliou os agregados familiares que subsistem com 3,10 dólares [2,76 euros] por dia, por pessoa, as crianças continuam a ser as mais afetadas, havendo 45% de menores que vivem nestas condições, contra 27% de adultos.

Segundo a Unicef, este é um estudo que surge na sequência do relatório de referência do Grupo do Banco Mundial, “Pobreza e Prosperidade Partilhada 2016: Assumindo a Desigualdade” (na tradução para português), que concluiu que, em 2013, cerca de 767 milhões de pessoas no mundo viviam com menos de 1,90 dólares por dia, metade das quais tinham menos de 18 anos. “As crianças são afetadas de forma desproporcionada, dado que representam cerca de um terço da população estudada, mas metade dos que vivem na pobreza extrema. O risco é maior para as crianças mais pequenas — mais de um quinto dos menores de cinco anos nos países em desenvolvimento vivem em famílias extremamente pobres”, lê-se no comunicado da Unicef.

Segundo o estudo, entre as 767 milhões de pessoas a viverem numa situação de pobreza extrema, 385 milhões são crianças com idade entre os zero e os 17 anos, enquanto os outros 382 milhões se dividem pelos adultos, a partir dos 18 anos. Aliás, é na faixa etária entre os 18 e os 59 anos que se concentra o maior número de pessoas em pobreza extrema, havendo 337 milhões, enquanto com 60 anos de idade ou mais são 44 milhões de pessoas. Já dentro dos 385 milhões de crianças em pobreza extrema, 122 milhões têm entre zero e quatro anos de idade, 118 milhões têm entre cinco e nove anos, 99 milhões entre os 10 e os 14 anos e 46 milhões estão na faixa etária entre os 15 e os 17 anos de idade.

O relatório resultou da análise de dados de 89 Estados, que representam 84% da população dos países em desenvolvimento, sendo que as crianças que vivem em pobreza extrema estão sobretudo concentradas na África subsariana. Aqui, 49% das crianças vivem em condições de pobreza extrema, ao mesmo tempo que 51% de todas as crianças pobres no mundo vivem nesta zona do globo. “Segue-se o sul da Ásia, com perto de 36%, com mais de 30% das crianças extremamente pobres a viver na Índia”, lê-se no relatório.

Por outro lado, também faz diferença se a criança vive em meio rural ou urbano, sendo que mais de uma em cada quatro (26%) das crianças em pobreza extrema vivem nas zonas rurais, enquanto nas zonas urbanas são cerca de 9%. Conta igualmente se o país de residência vive ou não uma situação de instabilidade, sendo que 58% das crianças extremamente pobres vivem em países onde há conflitos.

As duas instituições defendem, por isso, que os governos avaliem regularmente a pobreza infantil e deem prioridade às crianças nos planos de combate à pobreza, bem como reforcem os sistemas de proteção social, deem prioridade a investimentos na área da saúde, educação, água potável ou saneamento e que moldem as decisões políticas de modo a que o crescimento económico beneficie as crianças mais pobres.

 

 

Pós-Graduação em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar (B-Learning) Lisboa: 15 de Outubro, Porto: 25 de Novembro

Outubro 4, 2016 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Pós-Graduação em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar (B-Learning) – 10ª Edição (102 Horas)

  • Reconhecer a importância da mediação em contexto escolar como estratégia de resolução de conflitos
  • Identificar aspectos sociológicos e psicológicos do conflito
  • Enquadrar o fenómeno da violência em contexto escolar
  • Promover competências práticas de resolução de problemas
  • Promover competências práticas de gestão de conflitos
  • Desenvolver competências práticas de comunicação e gestão de emoções
  • Desenvolver e implementar programas de mediação em contexto escolar

 

mais informações:

http://red-apple.pt/pos-graduacoes/item/48-pg-mediacao-escolar

“Se os pais fazem várias coisas ao mesmo tempo, os filhos aprendem a fazer o mesmo”

Outubro 4, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 12 de setembro de 2016.

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Clara Soares

Jornalista e Psicóloga

No arranque de mais um ano letivo, a VISÃO foi ao encontro da mãe e psicóloga de desenvolvimento Ana Manta, que acaba de lançar o livro Filho, Presta Atenção! (Clube do Autor, 170 págs., €12,50), com dicas e propostas de atividades para fazer em família. A ideia consiste em divertir e treinar competências desde cedo, com uma finalidade simples: concentrar-se com gosto é possível e está ao alcance de todos.

Há década e meia que Ana Manta trabalha numa equipa de intervenção precoce, no centro de saúde de Valongo, onde acompanha crianças com necessidades especiais e miúdos com atrasos de desenvolvimento e problemas de comportamento, como impulsividade e dificuldades em focar-se. Por guardar boas recordações do seu regresso às aulas, ela quis transmitir esse gosto aos três filhos, com quatro, dez e doze anos, admitindo que se inspirou no mais novo para criar exercícios que promovam o treino da atenção, no contexto das rotinas familiares.

Pais e educadores queixam-se dos problemas de atenção das crianças. A ser um problema real, como se resolve?

Esta geração de adultos foi-se afastando-se dos jogos lúdicos que antigamente se cultivavam entre pais e filhos. Esse lugar passou a ser ocupado pelas tecnologias e manifesta-se, depois, nos tais problemas de concentração. Tenho a sensação de que os pais que acompanho se sentem um pouco perdidos, já que os gadgets ganham terreno, empobrecendo a relação. Em nossa casa estabelecemos pelo menos meia hora por dia para estarmos juntos sem tecnologia.

É por isso que investiu tempo a construir exercícios e jogos “à moda antiga”?

Sim, a maior parte dos exercícios que fiz para o livro tem por meta aproximar pais e filhos. A relação é a base do sucesso educativo. Os pais querem que os miúdos sejam bons alunos mas para isso é preciso investir primeiro numa relação de qualidade, que os torne seguros e confiantes e sem medo de arriscar.

O que é, e para que serve, o método Sebastião?

É um conjunto de jogos que tem por meta integrar emoções e sensações e treinar a concentração através dos cinco sentidos. A ideia é usá-los antes do primeiro ciclo, mas os mais velhos também gostam e participam ativamente. Integro isto nas rotinas deles, a seguir aos trabalhos de casa por exemplo, quase como uma recompensa. Sugiro que os pais façam isto duas vezes por semana ou ao fim-de-semana.

Fala da atenção seletiva e dividida ou multitasking. Como se treina a primeira?

As crianças aprendem por imitação. Se os pais fazem várias coisas ao mesmo tempo, os filhos aprendem a fazer o mesmo. Não é necessariamente mau, mas é importante que seja treinada a atenção seletiva, sobretudo as turmas são grandes e convidam à dispersão.

Qual a diferença entre dispersão da atenção e hiperatividade?

A hiperatividade é um diagnóstico clínico muito específico. Em caso de dúvida, os pais devem procurar uma avaliação objetiva, já que muitas crianças que têm o rótulo de hiperativas não o são. O que é frequente é fazerem como vêem os pais fazer. Eu mesma, dei por mim a parar e a pensar: “Calma, eles estão de olho em ti 24 horas por dia!” E comecei a modelar os meus comportamentos, a olhar para as tarefas e a geri-las por tentativa e erro, a experimentar. Parar, focar, refletir.

Por exemplo, os filhos viam-na a escrever o livro. O que lhes dizia?

Eles percebiam e respeitavam. Sabiam também que depois de eles irem dormir eu ficava a fazer o meu trabalho de casa! É importante eles saberem como organizamos o nosso tempo. Mostro-lhes a agenda, com as notas escritas, é um modelo de organização para eles.

Refere que durante as atividades que faz, a criança não deve sentir que está só. Isso acontece muito?

Sem conversar não se pode interpretar o mundo. Se a criança ficar entregue a baby sitters virtuais, seja o Baby TV, o iPad, o que for, não podemos esperar que consigam manter uma socialização saudável com adultos e outras crianças. Não pretendo por culpas em cima dos pais, antes lançar um alerta: parem e pensem no que estão a fazer, pois podem com isso estar a formar seres com dificuldades no relacionamento interpessoal. É preciso aprender a ouvir e a retirar o mais importante do que se ouviu.Noto que há muitas casas onde as pessoas quase não falam, está tudo na sua bolha e não se ouvem.

O que gostaria de recomendar aos pais no arranque deste ano letivo?

A partir do terceiro ou quarto ano do primeiro ciclo, invistam na planificação, percebam o que eles podem e querem atingir. Organizem metas por disciplinas e notas. Nas minhas consultas, chego a dizer aos pais que o objetivo pode não ser ter muito bom a tudo, haver uma disciplina em que o suficiente chega para um filho se sentir bem.

O que faz mais falta às crianças?

Elas precisam de limites e regras bem definidas e também do respeito dos pais. Eles devem apostar numa relação segura, de confiança e proximidade, que é a base de todas as outras que os filhos levam para a vida.

 

 


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