La formación de usuarios y el uso de la información Una experiencia didáctica en la biblioteca del Colegio Público de Falces (Navarra)

Setembro 28, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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https://www.educacion.navarra.es/web/publicaciones/catalogo/-/asset_publisher/JONi5m8mCym2/content/la-formacion-de-usuarios-y-el-uso-de-la-informacion;jsessionid=2C9024B5671ACB42A95220098E542D6B

La colección Bibliotecas Escolares presenta un nuevo número de la serie verde Blitz en la escuela titulado La formación de usuarios y el uso de la información. Se trata de una experiencia realizada por el profesorado del Colegio Público de Falces en la biblioteca escolar, bajo la experta coordinación de su profesor Francisco Soto.

La biblioteca escolar del colegio de Falces funciona como un centro de recursos que apoya el aprendizaje activo de todas las áreas del currículo y pone a disposición de su alumnado fuentes bibliográficas que se presentan en diversos soportes (libro, CD-ROM, DVD, etc.).

Desde hace años, la biblioteca es el lugar de encuentro con la lectura a través de exposiciones, conferencias, visitas de autores, etc. pero, especialmente, es para su alumnado un lugar agradable en donde poder disfrutar de las fuentes del conocimiento.

En esta publicación se propone una unidad didáctica, desde Educación Infantil hasta el primer ciclo de Secundaria, para utilizar la información de la biblioteca a través de los contenidos de diferentes áreas del currículo: la primavera, los animales, los mamíferos, los Borbones y Egipto.

Para enseñar a su alumnado la importancia de las normas y de su utilización en el mundo de las bibliotecas, el profesorado del colegio ha elaborado un vídeo titulado Doña Biblioteca, de gran valor creativo y divulgativo, que generosamente ponen a disposición de otras bibliotecas escolares y de sus usuarios a través del DVD que se adjunta en esta publicación.

Quatro anos depois, filhos de Liliana Melo estão de volta a casa

Setembro 28, 2016 às 1:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 27 de setembro de 2016.

daniel-rocha

Andreia Sanches e Natália Faria

Decisão do tribunal de Sintra põe ponto final num processo que se arrasta desde 2012 – ano em que as crianças foram retiradas à mãe – e que levou o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem a condenar o Estado português.

Os seis filhos de Liliana Melo, que lhe haviam sido retirados para adopção, estão de regresso a casa da mãe. O acordo, celebrado na última sexta-feira no Tribunal de Sintra põe um ponto final a um processo que atravessou diversos tribunais, tendo valido uma condenação do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem ao Estado português.

“Foi um momento de grande felicidade para as crianças e para os pais, depois de quatro anos de grande sofrimento”, sintetizou Maria Clotilde Almeida, uma das advogadas da mãe, uma cabo-verdiana a residir há 20 anos em Portugal que viu os filhos serem-lhe retirados em Junho de 2012. A polícia cercou o prédio onde vivia, em Mem Martins, a fim de encaminhar os menores para diferentes instituições de acolhimento, onde ficariam a aguardar por adopção e impedidos de manter quaisquer contactos entre si ou com os pais.

Na altura, a progenitora não tinha emprego e os serviços da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco apontavam problemas como falta de higiene, vacinas em atraso e o facto de nem todas as crianças andarem no infantário. Essas foram, a par da gravidez de uma das filhas aos 13 anos e do facto de a família ser sustentada pelo Banco Alimentar e mesmo assim não recorrer ao Rendimento Social de Inserção, algumas das razões que levaram o tribunal a retirar os menores à mãe.

“As crianças estão todas na escola e são crianças absolutamente normais. Foram reintegradas na família e, como é normal, o tribunal continuará a interessar-se pela situação em que se encontram em termos de educação, saúde, etc”, limita-se hoje a garantir Maria Clotilde Almeida. Recusando-se a comentar os argumentos que levaram à institucionalização das crianças, a advogada lembra apenas que a decisão viria a ser anulada logo no ano seguinte pelo Tribunal Constitucional. “O que aconteceu é que tínhamos uma decisão que não era definitiva mas que estava a ter os efeitos de uma decisão definitiva. Havia um corte de contactos que não se percebia. E por isso é que o Tribunal Constitucional veio deixar claro, logo em 2013, que nenhuma adopção poderia concretizar-se antes de tomada uma decisão definitiva”, recorda Maria Clotilde Almeida, para quem os contornos deste processo “motivaram uma reflexão [sobre as falhas no sistema de promoção e protecção de de crianças em Portugal] que deve continuar a ser feita, porque as dificuldades constatadas verificam-se em muitos outros casos e impõem reflexões sobre os procedimentos e as práticas nestes processos”.

Enquanto Liliana Melo lutava em tribunal, recorde-se, houve uma mudança na lei da protecção de menores que consagrou, por exemplo, o direito de as crianças retiradas para adopção manterem contactos com irmãos e familiares da sua confiança.

Nas instituições de acolhimento de crianças em risco onde viveram desde Junho de 2012 nunca disseram aos filhos de Liliana Melo que iam ficar longe da mãe para sempre. “Não lhes explicaram muita coisa. Diziam-lhe que estavam ali porque a mãe naquele momento não podia estar com eles, que um juiz tinha mandado e tinham que fazer o que o juiz dizia para fazer. Houve sempre esta ‘figura’ de um juiz que decidia as coisas”, contou Liliana Melo ao PÚBLICO em Julho. Quando as crianças perguntavam quando podiam voltar a casa, “diziam-lhes que tinham que esperar”.

Liliana e os filhos: a cronologia de um filme com nove anos

Liliana Melo agradece que nunca tenham explicado aos filhos — hoje a mais nova tem quatro anos e o mais velho 11 — que o juiz tinha decidido retirá-los para que viessem a ser adoptados para outras famílias. O que à partida significaria uma separação para sempre. Acha que nas instituições lidaram bem com a situação.

Mas o que começou por ser decidido em 2012 pelo Tribunal de Sintra foi precisamente que sete dos dez filhos de Liliana Melo deveriam ficar aos cuidados de instituições de acolhimento tendo em vista a adopção.A 12 de Junho desse ano, quando a polícia foi buscá-los a casa ou às escolas que frequentavam, para cumprir a decisão, o mais velho dos sete irmãos, com oito anos de idade, não foi encontrado. Soube-se mais tarde que tinha ido viver com um familiar. Mas os restantes seis — quatro meninos e duas meninas — foram separados por três instituições, em Sintra, Alverca do Ribatejo e Estoril.

Todo este processo custou a Portugal, em Fevereiro passado, uma condenação pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, que considerou, num acórdão implacável, que a colocação das crianças em instituições “não foi apropriada”, tendo em conta “a ausência de condutas violentas [na família], a existência de fortes laços afectivos e o falhanço dos serviços sociais em mitigar a privação material vivida pela senhora Soares de Melo, que tinha que criar um grande número de filhos quase sem ajuda”.

Logo em 2012, Liliana Melo não se conformou com a decisão do tribunal de Sintra — que se tornou mediática quando se soube que da vasta lista de medidas de promoção e protecção das crianças que lhe haviam sido impostas no passado constava a sua disponibilidade para laquear as trompas, operação que sempre recusou. “O recurso à esterilização nunca pode ser uma condição para [alguém] conservar os seus direitos parentais”, declarou o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

Ainda em 2012, juntaram-se a Liliana Melo duas advogadas (Maria Clotilde Almeida e Paula Penha Gonçalves), a trabalhar pro bono. Iniciou-se uma batalha nos tribunais. A cabo-verdiana admitia que passara um período de grandes dificuldades económicas mas achava-se capaz de ter os filhos consigo.

Contudo só em Março do ano passado (na sequência de uma primeira decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, que achava que até que o processo chegasse ao fim na justiça portuguesa a família devia manter alguns laços), ou seja, quase três anos depois da retirada das crianças, Liliana recebeu luz verde para passar a visitar as crianças nas instituições em que tinham sido colocadas — uns dias uns, outros dias outros.

Em Abril deste ano, os juízes do Tribunal Constitucional consideraram que uma norma da Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo, aprovada em 1999 e que vigorava em 2012, quando Liliana Melo foi julgada, era inconstitucional. Isto porque permitia que em processos deste tipo não fosse obrigatória “a constituição de advogado aos progenitores das crianças ou jovens” (em 2015, a mudança da lei também levou à obrigatoriedade de representação por advogado sempre que haja a possibilidade de retirada de menores).

O Tribunal Constitucional concluiu assim que Liliana não tinha tido acesso ao exercício do contraditório, em 2012, no debate judicial no Tribunal de Sintra, quando estava em causa uma possível retirada dos seus filhos para adopção. Tudo porque não se encontrava representada por um advogado. Em Maio o caso voltou ao Supremo Tribunal, onde já tinha estado por duas vezes. E a sentença de Sintra de 2012 e todo o processo foram anulados. O caso regressou então a Sintra.

Em Julho deste ano, Liliana teve autorização para receber os filhos em casa — em visitas alternadas, uns dias uns, outros dias outros. Da primeira vez que levou um deles à escola, o rapaz insistiu que ela fosse mesmo até à sala de aula, para mostrá-la orgulhoso aos colegas: “Vêem? Vêem? É a minha mãe.”

No último mês de Agosto juntaram-se todos, pela primeira vez em vários anos, sem interrupções. Um Agosto inteiro, em casa de Liliana. Os seis irmãos deveriam voltar a 12 de Setembro às instituições onde haviam vivido nos últimos anos, e iniciar o novo ano lectivo nas escolas onde estavam matriculados. Mas quando 12 de Setembro chegou o tribunal decidiu que os meninos podiam iniciar o ano lectivo na casa da mãe, que tem trabalho fixo há vários anos.

Por enquanto, não foi tomada qualquer decisão relativamente à possibilidade de Liliana Melo avançar com um pedido de indemnização ao Estado português. “Não estamos a trabalhar nisso”, diz Maria Clotilde Almeida, para acrescentar que a família “já devia estar” a receber apoio financeiro da Segurança Social.

 

 

 

 

 

Porque prefiro que os meus filhos aprendam empatia em vez de mandarim

Setembro 28, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://uptokids.pt/ de 14 de setembro de 2016.

empatia

“Desde que sou mãe que tenho ouvido diferentes opiniões sobre o que é mais importante que os nossos filhos aprendam para ter sucesso na vida. Programação. Inglês. Xadrez. Ballet. Mandarim. Comunicação. Matemáticas. Desportos de equipa. Música. Artes marciais. “

Estou grávida de sete meses da minha terceira filha e com uma barriga gigante. No fim de um dia de trabalho, sempre que entro no metro a abarrotar é inacreditável a forma como as pessoas viram a cabeça para o outro lado e fingem que não me viram. São muito poucas as pessoas que me olham nos olhos e me cedem o lugar. Não sei se sabem mandarim, programação ou se são uns génios em matemática. Mas todas elas têm algo em comum: empatia. Empatia tal que as move e as leva a fazer algo pelos outros. É chamada Empatia em ação.

Esta é a empatia que move as pessoas a fazer coisas pelo próximo. A ajudar a construir uma maternidade, a doar o seu tempo e esforço por uma causa em comum. A que leva um jovem a montar uma iniciativa social na sua escola.

A Empatia em Ação é de extrema importancia na formação de uma criança não só por ajudar o próximo, mas também por se tornar uma competência essencial para se ser bem sucedido e feliz. A empatia é o que faz que uma pessoa trabalhe bem em equipa, que seja um bom líder, que uma empresa concentre o seu serviço às verdadeiras necessidades do cliente, ou que um jovem saiba como atuar numa entrevista de trabalho.

A empatia não surge quando olhamos à nossa volta. A empatia faz-nos olhar de outra maneira à nossa volta, focando-nos nas necessidades e preparando a ação.

LER TAMBÉM ESTAMOS A CRIAR CRIANÇAS GENTIS?

A Empatia em Ação leva-nos a inovar e torna-nos mais pragmáticos, mais bem sucedidos e mais felizes. E claro, ajuda a tornar o mundo melhor.

A boa notícia é que a empatia se pode aprender e praticar. Existem empreendedores sociais, como a canadense Mary Gordon, que impulsiona a empatia em escolas há quase 20 anos, e tem promovido os benefícios objetivos da empatia.

Também em Espanha, há colégios que estão a trabalhar a Empatia em Ação com os seus alunos e têm conseguindo resultados excelentes. As crianças do Ensino Fundamental de Canárias, pela primeira vez, terão a sorte de ter a disciplina – obrigatória e avaliativa – “Educação Emocional e para a Criatividade”, onde duas vezes por semana trabalharão a empatia e outras emoções. Hoje em dia este tipo de indicadores não faz parte dos rankings dos top 100 colégios da Espanha, que continuam, infelizmente, centrados nos resultados quantitativos de avaliação. Mas se todos valorizarmos, praticarmos e ensinarmos a Empatia aos nossos filhos, tal como aconteceu com as regras e outros valores sociais e morais noutros tempos, as coisas irão mudar.

Eu quero que os meus filhos desenvolvam a empatia. Para que não virem a cabeça para o outro lado. Para que sejam pessoas ativas e que se importam com o que se passa à sua volta. Para que façam algo pelos outros. Para que tenham êxito pessoal e profissional. E para que quando forem à China, sejam capazes de entender os moradores locais com apenas um olhar.

Das crianças que trabalharam a empatia em salas de aula:

  • 78%  incrementaram a sua atitude e conduta perante os colegas;
  • 74% aceitaram melhor os colegas;
  • 71% aprenderam a avaliar as situações em perspectiva;
  • 39% diminuíram a agressividade relativamente aos colegas.

empatia

 

 

 

3º Colóquio Internacional Ler e Ser: Os Desafios das Escolas do Século XXI

Setembro 28, 2016 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.ajudaris.org/site/iii-coloquio-internacional-ler-e-ser-os-desafios-das-escolas-do-seculo-xxi/

“É inacreditável que hoje se passeiam mais os cães do que as crianças”

Setembro 28, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://www.dn.pt/ a Carlos Neto no dia 26 de setembro de 2016.

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Carlos Neto é professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa | António Pedro Santos / Global Imagens

Ana Bela Ferreira

Há mais de 40 anos que o investigador Carlos Neto trabalha com crianças e está preocupado com o sedentarismo. “Há pais que já não têm prazer em brincar com os filhos”

A falta de autonomia das crianças é culpa das famílias ou das escolas que também as ocupam demasiado tempo?

Eu diria que temos de encontrar um conjunto de fatores para explicar o fenómeno, porque não se pode pôr culpas a ninguém em particular. Veja-se a cidade de Lisboa e o inferno que é às seis da tarde e às oito da manhã e a maneira como as famílias têm de se encarregar de distribuir a vida dos filhos no tempo escolar e para além da escola. Por outro lado, não há uma política habitacional pensada do ponto de vista de criar uma mobilidade saudável no crescimento e no desenvolvimento dos jovens. Só dessa maneira é que se pode compreender o que é que está a acontecer com o baixo índice de mobilidade que temos em Portugal. Os estudos que fizemos em 16 países demonstram que ficámos em 14.º lugar. Muito abaixo dos países escandinavos, onde essa mobilidade é muito elevada, onde têm uma autonomia muito grande e vivem a natureza e o território da cidade de forma plena. Em Portugal, e nos países do Mediterrâneo, a situação é muito complexa, porque há perigos diversos e depois há medos que se instalaram na cabeça dos pais.

Mas esses perigos não existem também nos países nórdicos?

Eles têm uma filosofia de organização do tempo e do espaço completamente diferente. Significa que os nossos jovens e crianças têm muita dificuldade em ter essa autonomia desde muito cedo, porque encontram diversos constrangimentos. Desde o trânsito, o fenómeno da urbanização, a maneira como o tempo escolar e o tempo de trabalho dos pais está organizado. Por outro lado, ganhou-se um medo enorme de as crianças andarem autónomas na rua. A rua desapareceu, está em extinção como local de jogo, de brincadeira, de encontro de amigos. O problema da socialização é uma das questões mais importantes que se colocam hoje na nossa juventude e nas culturas de infância. Temos aqui um problema muito sério que só pode ser resolvido com medidas corajosas e arrojadas do ponto de vista político.

Isso significa facilitar os transportes, criar espaços verdes?

Espaços verdes, política habitacional mais adequada à política educativa e também à gestão do tempo de trabalho dos pais. Está tudo demasiadamente formatado e as crianças e jovens precisam que isso seja desconstruído para a vivência do corpo em situações mais espontâneas e mais naturais, do espaço construído e do espaço natural da cidade. Quando falamos em índice de mobilidade baixa, isso significa que temos de atuar em várias frentes para tornar mais sustentável uma vida feliz e com sucesso das crianças e jovens porque elas merecem. E acima de tudo uma perspetiva de não repressão do corpo em movimento porque o sedentarismo não é só físico, é também mental, social e emocional. A investigação científica tem demonstrado claramente que quem mais faz atividade física, mais brinca na infância, mais tem relação com os amigos, são crianças que normalmente têm mais sucesso no futuro, mais rendimento escolar e obviamente têm um índice de felicidade e de empatia muito maior.

Mas hoje as crianças quase só se relacionam com as outras em atividades organizadas.

Praticamente está tudo organizado quer do ponto de vista das atividades no meio escolar quer nas atividade extraescolares. Se isto ainda não bastasse têm depois uma cultura de ecrã muito agressiva. É muito natural ver crianças à volta de uma mesa de café e não se falam, estão todas a olhar para o iPhone. O corpo em movimento é fundamental para todo o desenvolvimento, não só emocional, também cognitivo, social e emocional. A escola tem de urgentemente mudar o modelo de funcionamento, quer na organização curricular quer na forma como as crianças são mais ou menos participativas. Temos de dar uma espécie de um trambolhão na sala de aula, no sentido de tornar as aulas mais ativas por parte das crianças.

Falta uma política de brincadeira?

Há alguns sinais interessantes do Ministério da Educação de tentar que a vida na escola não seja uma coisa tão formal e tão séria, isto é, de ter tempos mais disponíveis para expressão dramática, educação física, música, dança ou um conjunto de atividades que consigam que o corpo disponibilize maior capacidade expressiva, de empatia, de modo a tornar os cidadãos mais cultos, com maior capacidade de ética e de cidadania e portanto não estar apenas centrado nos rankings. Está provado cientificamente que crianças com maior nível de atividade física e relacional no recreio aprendem mais na sala de aula. Portanto, não podemos querer crianças sedentárias ou a ouvir um conhecimento que muitas vezes não lhes interessa. O ensino não pode ser isto no século XXI.

A gestão do tempo da família também tem de mudar?

Temos de dar um ar fresco a este país, este país não pode estar com esta depressão enorme em que temos pais e professores esgotados, porque as crianças reparam em tudo. Há pais que já não têm prazer em brincar com os filhos, e há professores que já não têm capacidade de perceber a importância dessa atividade espontânea do que é correr atrás de uma bola, subir a uma árvore, fazer um jogo de grupo no recreio ou pura e simplesmente subir o muro e tentar descobrir o que está do lado de lá. Ou ter locais secretos. Como é que nós promovemos a saúde pública e mental numa perspetiva de maior cidadania, de maior empreendedorismo e de maior grau de felicidade? É isso que está em causa quando falamos em promover o corpo em movimento. Nunca foi tão importante o papel dos pais e da família na educação dos filhos no que diz respeito à implementação deste tipo de atividades. Sair com as crianças para a rua e brincar, desfrutar a natureza. Os pais têm de ter mais tempo disponível para fazer este tipo de atividades. É inacreditável que hoje se passeiem mais os cães do que as crianças. Inacreditavelmente faz-se hoje um esforço inadmissível de tornar os robôs mais humanos e ao mesmo tempo estamos a robotizar o comportamento humano.

 


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