Álvaro Carvalho. ‘Os nossos jovens vivem numa grande desesperança’

Setembro 22, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Psi. Psicologia e Psicoterapia a Álvaro Carvalho no dia 8 de setembro de 2016.

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Faltam expectativas para o futuro, há um «vazio» na oferta circum-escolar, os videojogos vulgarizam a morte e há menor capacidade para lidar com a frustração. Em entrevista, o psiquiatra ajuda a perceber os casos de violência que têm chocado o país. Há falta de acompanhamento do lado da Saúde, mas esta não é a única solução.

Este verão ficou marcado por dois episódios de violência extrema entre jovens em Ponte de Sor e em Gondomar e tragédias familiares como a mãe que se atirou de uma ponte em Barcelos com o filho, que acabou por morrer. Estes casos estão a tornar-se mais frequentes?

Não me surpreende muito. Da revisão que fiz a propósito das consequências em termos de saúde mental dos processos de crise económica e social, um dos dados registado em toda a literatura é o aumento das situações de violência, nomeadamente sobre crianças e jovens, e também de situações de homicídio de crianças com tentativa de suicídio dos progenitores. São uma situação clássica na psiquiatria. Pessoas com depressão muito grave, por vezes psicótica, têm a convicção de que não há possibilidade da vida melhorar e, na leitura depressiva e patológica que fazem da situação, consideram que estão a ser até piedosos ao a evitar que os seus descendentes venham a sofrer o que consideram inevitáveis.

Os casos de violência entre jovens poderão também ser consequência do empobrecimento e desestruturação das famílias?

Admito que sim mas a questão não se prende apenas com o empobrecimento. Temos uma crise de valores geral, que é anterior à crise económica. Crianças e adolescentes – que não têm ainda a personalidade criada – são mais vulneráveis sempre que há mudanças sociais. Por outro lado, os últimos estudos têm mostrado que somos dos países com piores resultados de aproveitamento escolar.

Esta não era a geração com mais oportunidades?

Podemos dizer isso da geração que está agora nos 30 anos mas não dos mais jovens. Miúdos na casa dos 14, 15 e 16 anos apanharam muito os anos de crise. Além disso, tem havido mudanças no sistema educativo que ainda estão por avaliar. Tivemos uma situação trágica com o 25 de Abril que foi ter acabado o ensino técnico-profissional. Foi recuperado nos anos 90 mas tem tido alguma descontinuidade. Nem toda a gente pode ser doutor, como se diz na gíria, mas o que vemos é que alguns destes jovens que são menos ambiciosos ou não têm disponibilidade até por questões de estabilidade, hoje são obrigados a estar na escola a fazer coisas que lhes dizem pouco.

Frequentam as turmas de ensino profissional até acabarem o 12.º.

Muitos mais por empurrão do que por opção, porque ficaram retidos e a própria escola sugere determinado percurso. Isto aliado a todas as notícias sobre desemprego e emigração é algo que desmotiva os jovens, que alimenta a ideia de que podem estar a sacrificar-se para nada. Depois não há uma vivência da frustração e da ansiedade como tínhamos dantes, o que agrava este quadro. Antes havia toda uma moratória para ultrapassar os problemas e não esta ilusão criada pela internet e pelas tecnologias de que tudo é imediato. O facto de alguns pais dos jovens atuais e do passado recente terem tentado compensar as suas adolescências mais condicionadas proporcionando tudo e mais alguma coisa aos filhos, também ajudou a criar esta ideia enganosa de que a vida são só facilidades e faz com que muitos jovens estejam menos capazes de lidar com a frustração e de perceber como encarar os problemas.

Correm mais o risco de explodir quando algo corre mal?

Sim. Num contexto diferente vemos o que se tem verificado em França, com a comunidade magrebina que foi colocada em guetos e se viu rejeitada ao longo de anos e agora, sem perspetivas, tem grandes problemas de delinquência entre os jovens. Cá não temos uma situação tão extrema, mas tenho ideia de que muitos dos nossos jovens vivem numa grande desesperança, falta de sentido e até numa solidão que só pode dizer-se ‘acompanhada’ porque têm a compensação do grupo, o que traz outras complicações. Quando as coisas dão para o torto pode haver explosões violentas.

Os gémeos iraquianos responsáveis pelas agressão em Ponte de Sor dizem ter sido vítimas de circunstâncias que acontecem frequentemente em Portugal: uma receita perigosa que junta adolescentes, álcool e mentalidade de grupo. É de facto uma receita perigosa ou parece mais uma desculpa?

Não vi a entrevista mas por todos os comentários e pela situação em si depreende-se que tenham assumido uma postura defensiva. Podem colocar-se várias questões: se estavam cá há poucos meses, se são jovens que vêm de uma cultura muçulmana rígida. Quem cresce ou está habituado a um modelo rígido, quando se vê fora desse contexto os excessos tornam-se inevitáveis sobretudo se não houver o devido acompanhamento. Foi um pouco o que tivemos cá com o 25 de Abril, em que depois de ser tudo proibido aumentaram os problemas de dependências e os divórcios. Com a devida distância, é o que vemos com alguns refugiados que quando veem mulheres sem burca e não foram educados para controlar os seus impulsos primários podem ser inconvenientes e até abusivos. São culturas diferentes. Agora a violência não é responsabilidade da cultura.

O facto é que parece haver dois mundos em Portugal: o da lei, que agora até proíbe o consumo de álcool antes dos 18, e a realidade em que os miúdos começam a sair e a beber muito mais cedo.

Desde que saiu a última legislação há mais fiscalização mas não tanto como seria necessário. É muito uma questão cultural que ainda não foi ultrapassada. Somos um país vitivinícola e os adultos têm uma atitude tolerante porque também beberam e não lhes aconteceu nada. O problema é que os efeitos do álcool a nível físico e psicológico não são imediatos. Não é por acaso que EUA e Canadá aumentaram a idade de consumo para os 21 anos e quando isso aconteceu houve uma redução muito significativa dos acidentes com jovens nas “24 de julhos” americanas e canadianas. Isto não é sequer uma questão ética ou moral, é uma questão biológica. Os jovens têm menor metabolização do álcool assim como há etnias com mais ou menos capacidade. Sabe-se por exemplo que as  etnias árabes têm uma menor capacidade biológica para metabolizar álcool e parece que a determinação do Corão de proibir o consumo de álcool teve esse fundamento. Até entre homens e mulheres há diferenças. A capacidade de metabolização só está completa na maioridade e no género feminino está limitada em um terço até à menopausa.

No caso destes irmãos, que confessaram as agressões, o álcool poderia ser ainda mais problemático?

Referia as etnias árabes como exemplo. O que podemos dizer sobre esse caso, e tendo os próprios referido o liberalismo que existe nessa matéria em Portugal, é que têm um terreno genético que recomenda uma atenção maior ao consumo de álcool.

Como se fará passar essa mensagem de uma vez por todas?

Esclarecendo a população, pais e jovens. Insistindo. Todas as alterações de comportamento são muito lentas. Ainda hoje há em relação às drogas ilícitas a ideia de drogas leves e drogas pesadas, um disparate quando hoje se sabe que as drogas leves são mais desorganizadoras da vida mental e mais responsáveis por crises da área da esquizofrenia do que as drogas duras, que têm outras complicações.

Tanto no caso dos gémeos como no próprio grupo do jovem agredido eram conhecidos desacatos anteriores. Não se podia fazer mais em termos de prevenção junto destes grupos de jovens?

É sempre possível, a questão é se é viável. Em Portugal há, por exemplo, um grande vazio na área circum-escolar. Não há desporto escolar ou há pouco, não há uma estimulação generalizada nas áreas do teatro e da música que ocupe os jovens.

O problema não passa então pela intervenção dos psicólogos das escolas, que sistematicamente ouvimos dizer que são poucos?

Não podemos psicologizar ou psiquiatrizar toda a gente. Há margem para maior intervenção mas o problema não termina aí. Com os pais com preocupações de desemprego, menos atentos aos filhos ou sem poderem fazer nada para os ocupar, é uma fantasia pensar que é a Saúde que vai resolver tudo. São precisas políticas transversais, sobretudo em momentos de crise social e económica. Um exemplo claro aconteceu na Suécia, numa crise da bolsa imobiliária nos anos 90. Investiram em apoios sociais sobretudo junto das famílias monoparentais e investiram em resposta de saúde comunitária e a taxa de suicídio e violência diminuiu.

Nos últimos anos não faltaram alertas para a necessidade de investimento. O que falhou?

Acho que houve uma posição ideológica muito clara. Achou-se que o modelo de Constituição em vigor não seria o mais adequado, seria fruto do ambiente pós revolucionário socialista e era altura de um modelo socioeconómico liberal.

Mas antes da crise já não existiam boas respostas comunitárias de saúde mental.

Isso é indiscutível mas neste contexto deviam ter sido reforçadas. Todos os autores o notavam e isso foi registado num relatório entregue ao anterior ministro da Saúde pelo Conselho Nacional de Saúde Mental: o investimento em saúde mental em alturas de crise é custo-efetivo e isso não foi minimamente considerado.

Nota uma postura diferente no atual governo? Parece estar mais a repor-se alguns cortes do que a investir em  políticas transversais.

Ao ter havido suspensão dos cortes das pensões e aumento do ordenado mínimo, obviamente foram dados passos. Agora são de facto medidas que procuram compensar os constrangimentos impostos, não parece haver uma política estruturada de investimento. Mas obviamente que é melhor e é suposto ter alguma repercussão.

Neste último caso do rapaz de 14 anos agredido em Gondomar, que acabou por não resistir, o motivo terão sido provocações no Facebook ligadas a ciúmes. Tal como no primeiro caso, foi deixado estendido no chão. Há uma banalização da violência? Uma perda de noção das  consequências por parte dos jovens?

Provavelmente sim. Víamos agressões destas mais em assaltos violentos não em confrontos intencionais com motivos identificados. Não são assaltos, não são psicopatas. É um descontrolo.  Volto a dizer que tenho dificuldade em fazer análises  objetivas de casos recentes. Li  que qualquer um dos dois neste último caso eram considerados bons rapazes por vizinhos e amigos. É preciso notar que isso não quer dizer nada. A nossa aparência do ponto de vista de convivência social não é igual à nossa intimidade. Por processos educacionais, por autocontrolo, podemos ter uma atitude socialmente muito integrada mas sermos um barril de pólvora.

Este extremar de violência será mesmo influenciado pelos filmes e jogos?

É de facto uma hipótese que tem sido estudada. Os jogos eletrónicos vulgarizam a morte. Uma coisa é a bolinha na televisão, que uma pessoa liga ou desliga. Outra coisa é sabermos que os miúdos desde muito novos mostram uma enorme apetência para as tecnologias e estamos a oferecer-lhes jogos que cultivam uma ausência de limite em relação à violência. E depois há ainda por vezes a falsa noção, em jogos e filmes, de que os mortos ressuscitam, de que é possível de alguma forma dar a volta à situação, tornarem-se robôs. Se uma criança tem a sensação que domina um jogo em que com mortes pode comprar vidas pode haver um enviesamento da sua perceção da realidade. Faz lembrar o que se dizia quando apareceram os supermercados, que as crianças por só conhecerem aquilo achavam que os frangos nasciam nas prateleiras. Com a vida e a morte está-se a passar um pouco isso até porque passou a ser  relativamente comum evitar-se o contacto das crianças com a morte.

Os pais evitam levar as crianças aos funerais?

Sim, aquela ideia que existia então nas zonas rurais era impensável porque as crianças  viviam de perto as mortes dos tios e dos avós. Hoje ouvimos dizer que é preciso distrai-las.

No caso de Ponte de Sor ficamos com a impressão de os agressores serem meninos ricos habituados a poucas regras. Na agressão em Gondomar, falamos de jovens de contextos menos favorecidos. A agressividade e dificuldade de controlo de impulsos é um fenómeno sem classes? 

Os ricos, por poderem ter uma exigência educativa maior e pais mais atentos, podem esconder melhor, mas é um fenómeno sem classes. Faz parte da natureza humana e pode desencadear-se pelos mais variados gatilhos. Tal como a violência doméstica. Toda a gente deve estar alerta. Dito isto, os ciúmes sempre foram um motivo. No tempo do Eça havia duelos de pistola. Mas até aí havia regras, não havia esta impulsividade.

Amigos e conhecidos que vivam de perto estes casos de violência podem tornar-se jovens de risco?

Podem, mas isso depende do modo como as coisas forem geridas. Se estas situações forem aproveitadas para debater, para alterar  comportamentos, pode até haver males que vêm por bem.

É uma conversa para ser feita na escola agora no regresso às aulas?

Diria que obrigatoriamente. Só que muitas vezes, se o professor tem medo de gerir emoções fortes ou se ele próprio não tem tranquilidade para gerir as suas próprias crises, pode ser mais fácil determinar de forma autoritária que não se fala no assunto. Além dos psicólogos de orientação escolar, há escolas que procuram ter um psicólogo clínico para ajudar os adultos a gerir as situações de crise que vão aparecendo – dos miúdos solitários, aos problemáticos, isolados, dos obesos – mas ainda são poucas.

Tal como existem procedimentos definidos para despistar maus tratos e abusos, não devia haver protocolos para sinalizar comportamentos problemáticos entre os jovens?

Há um manual no prelo nesta área, ficado na violência e bullying junto da comunidade escolar A ideia não é impor a sinalização. Mas se tivermos os adultos sensibilizados a intervenção é mais precoce. O sofrimento mental na infância não se mostra por sintomas emocionais mas por sintomas comportamentais ou físicos: alterações do sono, queixas várias, alterações do apetite. Um miúdo que era muito traquinas e começa a estar sossegado. Se a postura se assenta apenas em medidas comportamentalistas de manter a disciplina, eventuais sinais de risco podem passar ao lado.

Sendo Portugal um dos países com maior prevalência de doença mental – 22.9% da população sofre de uma perturbação ao longo da vida – esta área continua a não estar no topo das prioridades. 

Formalmente desde 2006 a saúde mental é reconhecida área prioritária. Na altura eram quatro áreas prioritárias e hoje são dez.

Mas vemos avançar a resposta no VIH, no cancro. A saúde mental parece ir ficando sempre para trás.

As pessoas têm medo do cancro, têm medo da sida. No caso da saúde mental não querem pensar na sua insatisfação. Pelo estigma e pela iliteracia em geral. Também parece haver um fator religioso: nesse estudo feito sobre a prevalência o único país acima de Portugal na Europa era a Irlanda do Norte, com um perfil social idêntico, muito rural e de grande religiosidade. Há muitos fatores para ter sido uma área desvalorizada. Na medicina a psiquiatria é, das áreas científicas, a menos diferenciada: o cérebro é o nosso órgão mais complexo e sobre o qual ainda se sabe pouco. Além disso, mesmo entre os psiquiatras a abordagem não foi sempre a mesma.

O que mudou?

Durante anos seguiu-se estritamente o modelo biológico: tentar explicar tudo como se explica um enfarte e sem entrar nas minúcias do sentir e do pensar. Só mais tarde houve médicos a entrar em modelos psicoterapêuticos. Manteve-se a base biológica, até porque sabemos que temos neurotransmissores como a adrenalina e a estamina que influenciam o estado mental, mas reconheceu-se que estas substâncias não só são condicionadas pelos nossos genes mas pela  forma como a vida nos corre. Mas a psiquiatria nasce e desenvolve-se essencialmente no primeiro modelo, nos hospitais psiquiátricos, instituições desumanizadas, pesadas.

Que acabavam só por focar-se nos casos mais graves?

E criava o medo de que se fosse ao hospital e procurasse ajuda nesta área era sinal de se ser maluco. Se a isto juntarmos que para muita gente ouvir vozes, ver coisas que não existem, podem ser influências sobrenaturais, há um caldo cultural que alimenta esta relegação do cuidar da saúde mental para o segundo plano. Curiosamente – e isso é que é pena em Portugal – o nosso primeiro prémio Nobel foi Egas Moniz, ao demonstrar pela primeira vez de modo inequívoco que a vida mental, a forma de pensar e sentir, tinha a ver com o bom ou mau funcionamento do cérebro. Na altura estávamos na crista da onda mas depois deixámo-nos ultrapassar. A lei da saúde mental de 1963 tinha 43 bases e só uma foi regulamentada. Projetos como o instituto nacional de saúde mental perderam-se em guerras de alecrim e manjerona. Os centros de saúde mental que existiram, com brigadas comunitárias, foram extintos em 1992 de um momento para o outro e a situação foi aparentemente emendada coordenando-se a resposta a partir dos serviços de psiquiatria dos hospitais. Desde então houve avanços e recuos consoante as pessoas dos conselhos de administração ou à frente dos serviços.

Segundo o portal do SNS, há hospitais com tempos de espera para psiquiatria de mais de sete meses.

No último relatório que conheço os tempos médios eram longos mas estavam dento dos parâmetros definidos pela Administração Central do Sistema de Saúde. Uma coisa é certa, não podemos ter a veleidade de todas as questões de natureza emocional serem resolúveis por serviços nos hospitais.

Mas havendo falta de resposta na comunidade, a maior parte das pessoas que tem apoio psicológico não acaba por ser seguida no privado?

A resposta em termos psicoterapêuticos no Estado é muito insuficiente. Mas se queremos ter psicólogos integrados nos cuidados primários importa garantir que têm formação em psicoterapia e não só licenciatura em psicologia. É também preciso estabelecer o que se define como a legis artis em psicoterapia, quais são as práticas europeias e mundiais a seguir. Se uma pessoa tem cólicas e febre e não passa, muda de médico. Com a intervenção terapêutica isto não funciona assim e uma intervenção do tipo ‘está muito aflito mas todos temos problemas na vida’ pode ser aliviante para a pessoa no imediato mas não a ajudar.

Os incêndios e a detenção de incendiários marcaram também as últimas semanas, sendo em alguns casos reincidentes. Mais do que o aumento das penas, os peritos defendem maior intervenção para reabilitar estes indivíduos e mais ligação entre Justiça e Saúde.

Houve um grupo de trabalho em 2008 que foi interrompido. Até aproveitando este pretexto talvez seja tempo de voltar a nomear-se uma comissão para ver o que se pode fazer para diminuir o fenómeno e o que compete à Justiça ou à Saúde. E em relação aos comportamentos violentos do jovens também. Pode haver perturbações de personalidade que não são tratáveis e serem antes necessárias intervenções como medidas de segurança.

Por exemplo? O internamento em centros educativos?

Sim, mas teremos de ver se neste momento não acabam por estar a ser mais centros deseducativos. Temos no mesmo espaço débeis mentais, delinquentes, jovens com distúrbios de personalidade, uma mistura que torna difícil alguém ter uma atitude educativa.

Estamos na rentrée. Se mandasse na Saúde e nas Finanças, que medidas seriam prioritárias? 

Há serviços de psiquiatria a perder os não médicos – enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais – porque se acha que isso sai caro. Precisamos de um novo modelo de governação e financiamento da saúde mental que permita que as equipas comunitárias sejam financiadas pelos hospitais gerais como acontece com a sida e diabetes, definindo-se um valor a atribuir por cada doente. Há o compromisso de abertura das primeiras unidades de cuidados continuados de saúde mental e é preciso garantir verbas para que funcionem e sejam alargadas. E é preciso priorizar a contratação para as áreas carenciadas, sobretudo a psiquiatria infantil.

E retomar os tais centros de saúde mental com autonomia?

Era um desejo sim. Deixaríamos de estar sujeitos às interpretações e humores dos gestores da saúde.

Jornalista: MARTA F. REIS

http://www.psipsicologiapsicoterapia.com/

 

 

 

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