TPC – esse fantasma ineficaz que persegue os alunos – Mário Cordeiro

Setembro 14, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no http://sol.sapo.pt/ de 13 de setembro de 2016.

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Muitos professores continuam a “torturar” as crianças com eles e muitos pais (paizinhos…) ficam em transe se os filhos não têm TPC.

Os trabalhos para casa (TPC) geram uma enorme controvérsia. As queixas de muitos pais sobre a sobrecarga de exercícios que os filhos trazem para fazer em casa não são novas, mas voltam a estar na ordem do dia neste início de ano letivo. Há anos, para comemorar o 15.o aniversário da aprovação, nas Nações Unidas, da Convenção sobre os Direitos das Crianças, fiz, juntamente com o prof. Eduardo Sá e a jornalista Isabel Stilwell, uma ação simbólica de “greve aos trabalhos de casa” (calhou a um sábado!), porque considerámos que os estudantes portugueses trabalham horas demais e que nenhum sindicato deixaria passar tamanho atropelo aos direitos das crianças e jovens sem, pelo menos, um “caderno reivindicativo” e uma “greve geral”.

Foi, no fundo, uma forma simbólica e lúdica de chamar a atenção para o volume de trabalho, às vezes absurdo, que os jovens têm: com as aulas, as atividades complementares, os trabalhos de casa e as explicações, chegam a dedicar 50 a 60 horas por semana ao estudo. No limite, os TPC são uma agressão às crianças e aos seus direitos. Tudo o que se sabe sobre desenvolvimento infantil e sobre técnicas pedagógicas no ensino/aprendizagem mostra que esta prática não tem, em pleno século xxi, razão para existir nos moldes em que é feita.

São vários os motivos que tornam os TPC, repito, da maneira tradicional como são exigidos, uma aberração: • As crianças trabalham muito durante o dia, seja a estudar, seja a conversar e debater ideias, o que representa também uma forma de exercício cerebral. • Ao fim da tarde estão carregados de endorfinas e cansados, sobretudo se tiveram – como quase todos têm – outras atividades entre a escola e a casa, como o desporto. • Precisam de tempo para gozar o seu espaço regressivo caseiro – queixamo–nos de que não “param” em casa, mas se a casa se transforma num apêndice da escola, as coisas pioram… • O que as crianças aprenderam no próprio dia ou até nos dias anteriores só será metabolizado nessa noite, pelo que tudo o que seja exigir trabalho sobre assuntos ainda não burilados pelo cérebro é quase sádico – isto são dados das neurociências, e não uma frase meramente opinativa. • O tempo para estar em família diminui substancialmente (pior se os pais também levam “trabalho para casa”). • A tolerância dos pais é pouca, ao fim da tarde, e o nível de irritabilidade doméstica sobe, quando deveria descer. • Depois de muita “luta”, são os pais que acabam por terminar os TPC, gritando com o estudante e achincalhando-o. • Os professores não leem os TPC todos os dias (nem poderiam…). • Escasseia o tempo para ler, refletir, não fazer nada, brincar. • A imagem dos professores fica, muitas vezes, associada a uma imagem de quase sadismo, de desrespeito e de não estarem a desejar o melhor para os alunos.

TPC inteligentes, por professores inteligentes, para alunos inteligentes

Em vez de “fazerem o trabalho errado na hora errada”, deve ser dada a possibilidade às crianças de simplesmente estarem com os pais ou brincarem no seu quarto. No fim de semana, então que surjam os TPC, mas de uma forma inovadora de aprender em que se aproveitem as experiências, integradas na vida familiar e com a cumplicidade dos pais, num exercício de investigação científica.

Cada aluno poderá trazer, na segunda–feira, algo (escrito, pintado, tirado da internet, amostras colhidas na natureza…) sobre o que fez no fim de semana: se foi à praia, trará algas, fará e relatará experiências; se foi ao cinema, procurará críticas sobre o filme, resumirá o argumento; e todos os temas servirão para, durante a semana, se debaterem novos assuntos e novas conquistas no domínio do saber, da partilha e do debate.

Existem, repito, múltiplos estudos que mostram que os TPC não fazem dos miúdos melhores alunos na escola, e a questão não se resolve com a redução de “10 para oito exercícios”, mas por adotar, com coragem, algo completamente diferente. Ressalva-se “um ou outro” exercício para casa, mas apenas como uma forma de os pais estarem em contacto com a escola e saberem o que se vai passando.

Muitos pais pensam que os TPC é que farão as crianças “entrar para a universidade”- uma quase obsessão da população portuguesa. Mas já se demonstrou cientificamente a sua inutilidade quanto a este objetivo. Os professores que convictamente forem contra os “TPC à moda antiga” deverão impor-se. Eles é que “mandam” na escola e na turma. Façam-se ouvir e não façam a escola entrar dentro de casa, assim como a casa (não os pais) deve ficar à porta da escola. Às vezes, sinceramente, penso que certos adultos têm inveja das crianças e dos graus de liberdade que a sua vida encerra.

Ao ter início um novo ano letivo, com medidas positivas como as referentes aos manuais escolares, ao apoio aos alunos com maiores dificuldades, ao fim de alguns exames e outras, ainda há muita coisa por resolver, como o exagerado tempo das férias de verão; as aulas que acabam já de noite; a deficiência de certas instalações escolares; o ostracismo a que a Arte, a Estética, a História e outras ciências humanas estão votadas, bem como a Ética, Educação Física, Cidadania ou Psicologia, Pedagogia ou Neurociências; a Língua Portuguesa ter-se transformado numa “seca” de aprendizagem gramatical ou na leitura de livros que em nada têm a ver com as crianças e jovens; a Matemática ser abstrata numa idade em que o cérebro das crianças se pauta pelo “concreto”; a “examinite aguda” (ou crónica?), entre tantas outras coisas.  Senhor ministro: chegou a altura de fazer uma verdadeira reforma do ensino. Não mais uma “para inglês ver”, mas apenas adequar o sistema de ensino/aprendizagem às pessoas que ensinam, às pessoas que aprendem, aos tempos que vivemos, à revolução tecnológica… numa palavra, ao estádio de democracia e civilização em que vivemos.

 

 

Série de Animação “Histórias do Lucas”: histórias que ensinam os Direitos das Crianças

Setembro 14, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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lucas

Genérico inicial

 “L” de luminoso

“U” de unido ao seu amigo

 “C” de curioso

Gosta de cantar contigo

 “A” de alegria

 E“S” de simpatia

 Tudo junto faz o Lucas

 Que tem uma história por dia

 Refrão

 Ele é o Lucas

 De cabelo arrebitado

 Com sorriso divertido

 E o Cometa a seu lado

 Ele é o Lucas

 E tem histórias pr’a dizer

 Vem com ele descobrir

 A aventura de crescer

Tens visto as “Histórias do Lucas”? Encontras 150 episódios disponíveis online na página da RTP2 em http://www.rtp.pt/play/p1965/historlucas ou no Youtube.

Esta série de animação criada pela produtora GO-TO em parceria com o IAC – Instituto de Apoio à Criança é dirigida a crianças entre os três e os oito anos e aborda temas como a cidadania, as questões sociais e culturais, entre outros – sempre ligados ao universo das crianças – tendo como inspiração a Declaração Universal dos Direitos das Crianças. Em cada episódio as personagens da série dão a conhecer estes temas sempre num tom divertido.

As personagens principais da série são:

O LUCAS – Um menino “cool”, esperto, simpático e com sentido de humor, que acaba todos os episódios a cantar um rap que resume a mensagem do episódio,

O COMETA – O cão e companheiro do LUCAS. É um sonhador. Sempre pronto a entrar em novas aventuras. É rápido e irrequieto,

O VASCO – O melhor amigo do LUCAS. Um pouco desconfiado mas junta-se sempre às brincadeiras,

A VIOLETA – Amiga do LUCAS. Parece um pouco insegura mas é mais forte do que aparenta.

“Vamos lá saber de cor

A regra que mais gostamos

Estamos sempre a aprender

Enquanto brincamos”

NÃO PERCAS! Todos os dias no programa ZIG ZAG na RTP2 (de manhã e à tarde). No fim-de-semana são transmitidos de novo todos os episódios da semana anterior.

DIVERTE-TE, APRENDENDO!

 

Metade dos pais no Reino Unido permitem que crianças bebam bebidas alcoólicas em casa

Setembro 14, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.sapo.cv/ de 5 de setembro de 2016.

mais informações na Press Release da Churchill Home Insurance:

Half of parents let their under-14s drink alcohol at home

pixabay

 Susana Krauss

Esta é a conclusão de um novo estudo realizado pela companhia de seguros Churchill.

Esta nova pesquisa descobriu que mais de um terço dos pais (34%) com filhos menores de 14 anos usa o álcool como moeda de troca para o bom comportamento. E que 11% dos pais permitiu que crianças entre os 5 e os 7 anos bebessem em casa. Um quarto dos entrevistados que autorizou que os seus filhos bebessem em casa consideram que esta atitude nada tem de errado.

Apesar de não ser ilegal que crianças com idades entre os 5 e os 16 anos bebam bebidas alcoólicas em casa, o relatório de saúde alerta que crianças com idades inferiores a 14 anos que bebem, têm mais probabilidade de terem problemas de saúde, incluindo tentativas de suicídio, envolvimento em situações de violência e acidentes relacionados com o álcool.

Perto de um terço dos pais afirma que ao permitirem que os filhos bebam em casa faz com que possam controlar melhor o consumo de álcool dos mesmos. A pesquisa também sugere que um em cada cinco pais permitiria o consumo de álcool nas suas casas por parte de crianças que não fossem membros da família.

Martin Scott, responsável pelos seguros de casa da Churchill afirma: “A relação entre as crianças e o álcool no Reino Unido sempre foi um assunto mais preocupante do que para outros países. Muitos pais querem que os seus filhos tenham uma atitude responsável ao beber e preferem introduzir a bebida num ambiente seguro e controlado. No entanto, o desafio de qualquer pai é como evitar o consumo excessivo, especialmente entre os adolescentes. Quando as pessoas bebem em casa existe um risco maior de acidente e danos materiais/físicos, já que o álcool tem um impacto significativo na coordenação”.

artigo do parceiro: Susana Krauss

 

Vacinas devem ser obrigatórias para ir à escola?

Setembro 14, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto publicado no  https://www.publico.pt/ de 4 de setembro de 2016.

paulo ricca

David Marçal

Há coisas inacreditáveis que são mesmo verdade e outras que parecem certas mas que não resistem a uma análise crítica. As doenças infecciosas hoje assustam menos do que antes e muitas pessoas consideram que não vacinar é uma escolha legítima. A sério?

Em Portugal não é obrigatório ter as vacinas em dia para ir à escola. Apesar disso, todas as vacinas do Plano Nacional de Vacinação têm taxas de adesão acima dos 95%. Como esta elevada cobertura vacinal protege toda a gente, somos, por assim dizer, um paraíso para crianças não vacinadas. Mas estas não contribuem para a imunidade de grupo e estão, por assim dizer, à boleia das vacinas dos outros. Nalguns países há comunidades com taxas de vacinação perigosamente baixas, porque os pais recusam vacinar os filhos. Acreditam que as vacinas lhes fazem mal ou simplesmente que não são precisas. Por vezes as autoridades tomam medidas para impor as vacinas. Como se equilibra a liberdade de escolha dos pais, o direito à saúde dos filhos e a responsabilidade de contribuir para a segurança colectiva?

Velhos argumentos

Na edição de 2 de Janeiro de 1888 da revista Scientific American dava-se conta do sucesso de um grupo antivacinas, que logrou revogar uma lei de vacinação obrigatória contra a varíola que vigorou em Zurique durante vários anos e até 1882. O argumento era estarrecedor: não tinha havido nenhum caso da doença na cidade em 1882. Nos anos seguintes as mortes por varíola voltaram.

Cem anos depois, os programas de vacinação intensivos acabariam por erradicar a doença. O último caso ocorreu em 1977 e hoje podemos dizer que a varíola “foi” uma doença contagiosa. É um exemplo que atesta o sucesso das vacinas. Curiosamente, é esse sucesso, e a segurança que as vacinas conferem, que abre espaço aos movimentos antivacinas. Estes tiveram um importante impulso em 1988 com a publicação de um artigo na prestigiada revista médica The Lancet, da autoria do médico Andrew Wakefield, no qual se defendia que a vacina tríplice (contra o sarampo, a papeira e a rubéola) causava autismo. Era uma fraude. Descobriu-se que Wakefield foi pago para falsificar os dados clínicos e em 2012 a revista Time incluiu o seu nome na lista das maiores fraudes científicas de sempre.

Mas os movimentos antivacinas continuam de boa saúde. E Wakefield, embora desacreditado na comunidade científica, também. Realizou recentemente o filme Vaxxed, no qual alega a existência de uma grande conspiração para esconder que as vacinas causam autismo. O filme foi apadrinhado pelo actor Robert De Niro, que atribui o autismo do filho à vacina tríplice. Mas o medo do autismo já não é a razão principal para recusar as vacinas.

Um inquérito publicado em Agosto último na revista Pediatrics revelou que 87% dos pediatras norte-americanos foram consultados em 2013 por pais que recusam vacinar os filhos (em 2006 eram 75%). Entre os pais que recusam vacinar, 64% fazem-no por medo do autismo (74% em 2006). Mas a razão principal é a mesma de Zurique em 1882: 73% dos pais antivacinas acreditam que elas não são necessárias (63% em 2006).

Imunidade de grupo

No mês passado, a australiana Sandra Tee colocou no Facebook um vídeo da sua bebé de cinco semanas com tosse convulsa. É uma infecção que pode causar a morte e a bebé é demasiado nova para ser vacinada. A mãe escreveu que “os bebés dependem da imunidade de grupo para estarem em segurança, o que não é possível sem taxas elevadas de vacinação”.

A recusa das vacinas é responsável por novos surtos de doenças infecciosas, anteriormente controladas. No ano passado surgiu o primeiro caso de difteria em Espanha desde 1987, que culminou com morte de um menino de seis anos. Como a segurança de todos depende de escolhas individuais, medidas para impor as vacinas são uma questão que se tem vindo a colocar em vários países.

O parlamento australiano aprovou recentemente uma lei que retira todos os apoios fiscais relacionados com educação a pais que não vacinem os filhos. Há estados norte-americanos em que algumas vacinas são obrigatórias para frequentar a escola pública, embora habitualmente estejam previstas dispensas por motivos religiosos ou pessoais. Mas, depois do surto de sarampo com origem na Disneylândia no início deste ano, que se deveu a baixas taxas de vacinação, essas isenções estão a ser abolidas. Os partidários antivacinas respondem com acções nos tribunais.

A Academia Americana de Pediatria recomendou há dias que se acabem com todas as isenções por motivos não médicos. E diz que é aceitável os pediatras retirarem da sua clínica famílias que não vacinem. A morte de um menino de 18 meses com sarampo em Berlim no ano passado desencadeou um debate sobre a obrigatoriedade das vacinas. A medida soa demasiado radical.

Mas, mesmo em países com taxas de vacinação elevadas, em determinados locais podem surgir comunidades em que estas são perigosamente baixas. E isso é um risco para todos. Nenhuma vacina é 100% eficaz e uma criança não vacinada pode contagiar uma vacinada. Ou uma pessoa que não se pode mesmo vacinar, por ser imunocomprometida. A segurança colectiva depende de elevadas taxas de vacinação. E talvez tenhamos de nos preparar para o debate da obrigatoriedade das vacinas.

Bioquímico

 


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