Mutilação genital feminina : Egito reforça penalizações, Portugal lança campanha

Setembro 7, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do http://pt.euronews.com/ de 29 de agosto de 2016.

Francisco Marques

O Egito anunciou domingo a decisão de agravar as penalizações da prática da mutilação genital feminina (MGF) no país. O novo projeto de lei surge poucos meses após a morte de uma adolescente de 17 anos na sequência de um procedimento cirúrgico de excisão dos órgãos sexuais externos da vagina, uma prática ilegal no Egito desde 2008, mas ainda em voga em boa parte do país.

A proposta ainda vai a discussão no Parlamento, mas prevê alargar de quatro até aos sete anos de prisão a pena para quem cometa esta prática ancestral ainda comum em dezenas de países por todo o mundo como forma de limitar ou “apagar” por completo o desejo sexual feminino.

De acordo com um relatório deste ano da UNICEF, existem 200 milhões de mulheres e raparigas vítimas de MGF a viver nos 30 países de onde foram recolhidos dados para o documento. A larga maioria em África. Deste universo presente no relatório, 44 milhões são raparigas com menos de 15 anos.

[ Clique aqui e leia, em inglês, o relatório da UNICEF sobre Mutilação Genital Feminina ]

Os casos mais graves dão-se na Somália e na Guiné Conacri, onde, respetivamente, 98 e 97 por cento das mulheres entre os 15 e os 49 anos foram submetidas à também conhecida como circuncisão ou excisão feminina. No único país lusófono referido, a Guiné-Bissau, 45 por cento das mulheres foram vítimas de MGF, apesar de esta prática já ser considerada crime no país desde 2011.

No que toca a raparigas, e de acordo com os dados recolhidos entre 2010 e 2015, é na Gâmbia que situa a situação mais grave das documentadas com 56 por cento das meninas a ser vítima deste procedimento, seguida da Mauritânia, com 54 por cento, e da Indonésia (Ásia), com 49 por cento. Na Guiné-Bissau, 30 por cento das meninas também sofreram MGF.

6500 vítimas em Portugal

O Governo de Portugal lançou em julho, nos aeroportos nacionais e também no principal da Guiné-Bissau, uma campanha de sensibilização intitulada “Direito a Viver sem Mutilação Genital Feminina”. O objetivo é disponibilizar o máximo de informação ao maior número de pessoas sobre esta prática reconhecida a nível internacional como uma violação do direito fundamental de mulheres e raparigas à sua feminilidade.

“Estima-se que, em Portugal, existam 6500 mulheres excisadas”, afirmou Catarina Marcelino, a Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, no lançamento da campanha nos aeroportos que vai decorrer até setembro. “Entre abril de 2014 e março de 2016”, acrescentou a responsável, “a plataforma que sinaliza esta prática contabilizou 136 vítimas, todas com mais de 15 anos e sujeitas à MGF fora de território nacional.”

Complicações graves sexuais e pediátricas

A MGF é uma reconhecida prática com consequências físicas, psicológicas e sexuais graves, podendo até causar a morte.

Ifrah Salad Abdulle, tem 17 anos, vive num campo de refugiados para deslocados na Somália e sofreu várias complicações após

ter sido vítima de mutilação genital.

“Sofri a mutilação aos oito anos. Tive muitos problemas com a circuncisão. Estava em casa. Tinha muitas dores. Fiquei na cama vários dias e as minhas pernas foram presas uma à outra para que não me mexesse e os pontos se mantivessem. Não conseguia urinar normalmente e, para o conseguir, tinha de me deitar de lado”, explicou Ifrah Salad Abdulle.

A médica Maryam Omar Salad, do Hospital Benadir, em Mogadíscio, conta-nos que a MGF pode provocar complicações graves durante os partos, colocando em perigo mães e bebés. “Quando o bebé entra no canal vaginal e não consegue sair, pode começar a asfixiar e corremos o risco de termos um nado-morto. Se o o bebé for salvo através de uma longa manobra de ressuscitação, poder vir a desenvolver problemas cerebrais”, alerta a médica.

 

 

 

 

Pós-Graduação em Mediação Familiar

Setembro 7, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Pós-Graduação em Mediação Familiar visa a preparação teórica e metodológica para a mediação de conflitos familiares e vocaciona-se para o exercício profissional nesta área.

Principais objectivos:

  • aquisição de conhecimentos teóricos em Mediação Familiar e em áreas convergentes, designadamente Psicologia, Direito e Sociologia;
  • desenvolvimento de capacidade de observação, de análise e de reflexão sobre situações familiares de crise;
  • treino de competências profissionias e pessoais exigidas para o exercício da mediação familiar;
  • reflexão crítica sobre a actividade da mediação familiar, de acordo com os princípios éticos e as regras deontológicas próprias.

O Instituto de Ciências da Família é certificado pela Direção-Geral da Política de Justiça (Portaria n.º 345/2013, de 27 de novembro) como entidade formadora de cursos de Mediação Familiar.

candidaturas até dia 12/09.

informações e inscrições no link:

http://www.fch.lisboa.ucp.pt/site/custom/template/ucptpl_fac.asp?SSPAGEID=942&lang=1&artigo=4598&artigoID=4598

 

Quando um adolescente sai à noite

Setembro 7, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no http://ionline.sapo.pt/ de 30 de agosto de 2016.

mario

Tão terrível como a banalização do mal é a impunidade descarada e arrogante ou o hábito de resolver as coisas com atropelamentos e pontapés na cabeça.

De um momento para o outro, parece que o país foi varrido por uma onda de crimes cometidos por adolescentes, quase como se a “licença para matar” não fosse apenas o que distingue o famoso “Double-O-Seven” (007) dos outros agentes de sua majestade. Para lá do caso dos “gémeos iraquianos” (como ficou conhecido, porque pouco interessa quem eram, não fosse dar-se o caso do imbróglio da imunidade diplomática e toda a discussão à volta disso), há dias, mais um adolescente foi, ao que se sabe, esmurrado com uma soqueira por um outro adolescente e atirado para os cuidados intensivos do hospital, depois de até ter sido dado como morto pela PSP. Escrevi aqui, há semanas, sobre a banalização do mal. Tão terrível como ela é a impunidade descarada e arrogante ou o hábito de resolver as coisas, nem sequer a murro, mas com atropelamentos, pontapés na cabeça ou soqueiras.

A propósito destes casos, e mesmo sem saber os seus últimos contornos, pretendo escrever hoje sobre os jovens que são, como o Rúben ou o Hugo, apanhados sozinhos, de forma vil, por delinquentes sem escrúpulos mas cobardes – não é por acaso que atuam em parelha ou com armas. Aqui ficam algumas dicas para o debate sobre a segurança dos adolescentes e como se podem tomar algumas medidas preventivas, para lá de se “saber com quem se anda” e não secundarizando as opções de vida que se fazem.

Se não se podem culpar as vítimas e nada justifica ser-se selvaticamente agredido, mesmo que se tenha provocado alguém, diretamente ou nas redes sociais, será ingénuo pensar que vivemos num mundo de liberdade total de expressão quando se sabe existirem muitas pessoas que não gerem bem o sentirem-se alvo de críticas, remoques ou divulgação de imagens ou comentários eventualmente ofensivos. O que quero dizer com isto é que há que pensar nas possíveis consequências e ponderar bem se um ato vale o risco. Apenas isso. Avaliação e gestão de riscos, tal e qual colocar ou não o cinto de segurança, fazer uma vacina, usar capacete de bicicleta ou beber água de um poço cuja qualidade se desconhece.

Deve ter-se medo de sair de casa? É natural que muitos (e muitas) adolescentes tenham medo de sair à rua, sobretudo se tiverem visto alguns telejornais nos últimos tempos – os casos de Ponte de Sor e de Gondomar são apenas os exemplos mais recentes. Quando só se fala de desgraças e quando se “pinta” um mundo mesquinho e perverso (aquilo a que os anglo-saxónicos chamam “mean world syndrome” – a síndroma do mundo mau), não vamos estar à espera que os jovens pensem de outra maneira.

Um estudo que fizemos há uns anos sobre a violência, recaindo em jovens do 9.o ano de todo o país, revelou um dado curioso: a maioria dos adolescentes referia que Portugal era um país violento e perigoso, mas classificavam a vila ou a cidade onde viviam de uma maneira muito mais soft. Ou seja, o sentimento de insegurança era maior do que a sua perceção real quotidiana.

Os dados mostram que o grande crime não tem sofrido um aumento e que a maioria dos crimes graves continuam a dever-se a casos pessoais (disputa de terras, casos “passionais”, ajustes de contas, etc.). Todavia, o “pequeno crime”, sem ou com violência física, tem aumentado, estando em muitos casos relacionado com o consumo de drogas, incluindo nestas o álcool.

Os meios de comunicação social, por seu lado, relatam estes acontecimentos como se só isso acontecesse… a determinada altura, com a repetição ad nauseam, já parecia que havia casos de Rúbens e gémeos iraquianos todos os dias, a todas as horas. É assim natural que se crie a ideia de que cada cidadão com que nos cruzamos na rua é um assaltante, um violador, um criminoso. Não é. A maior parte das pessoas – a “esmagadoríssima”, se a palavra existe – são pacíficas e “normais”.

O que resulta evidente é que, apesar da sua raridade, estes casos podem ser graves, de onde ser necessária uma atitude inteligente quando se sai à noite e circula nas ruas. Assim, mais do que dissertar sobre as agruras da vida, é bom gizar com os próprios adolescentes um plano e atitudes práticas para que as possibilidades de ser apanhado por algum meliante se reduzam, numa estratégia de redução de risco:

• Se possível, não se andar de noite por ruas mal iluminadas ou que não tenham vivalma;

• Quando se sair de casa à noite, procurar sempre fazê-lo com mais alguém;

• Nunca pedir boleia a estranhos; • Nunca demorar em elevadores ou casas de banho públicas;

• Só levar o dinheiro estritamente necessário e nunca anunciar que se está abonado;

• Dizer sempre onde se vai e a que horas se tenciona voltar. Se se resolver ficar até mais tarde, telefonar, que não custa nada…;

• Quando se for a uma festa ou sair, arranjar-se sempre quem leve de volta a casa, ou então ir de táxi (radiotáxi, de preferência) – é mais caro, mas vale a pena;

• Se alguém quiser tocar-lhe ou tentar “alguma coisa”, dizer “não!” e não demonstrar medo;

• Se alguém atacar, gritar com todas as forças, mas não tentar enfrentar os agressores;

• Se acontecer alguma coisa, contar sempre a alguém – pais, irmãos, professores, amigos, linhas telefónicas de ajuda, etc.

Tentemos também conversar com os adolescentes sobre outros assuntos que não sejam exclusivamente as desgraças que nos acontecem (muitas delas relativas), seja o facto de o tempo estar mau, seja o de terem assassinado mais uma pessoa num local longínquo que, provavelmente, nem sabemos onde é. O clima de medo inibe a prevenção das diversas situações e a distinção do seu grau de risco.

Queiramos ou não, temos de continuar a fazer a nossa vida do dia-a-dia. Se se cria um ambiente de stresse e de medo, vai gerar-se mal-estar noutros capítulos, com baixa do rendimento escolar, abandono de atividades ao ar livre, tristeza e uma baixa da qualidade de vida dos adolescentes. O mundo é, queira-se ou não, o único local onde se pode viver…

Pediatra Escreve à terça-feira 

 

 

Intolerância a crianças

Setembro 7, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Alexandre Homem Cristo publicado no http://observador.pt/ no dia 29 de agosto de 2016.

Alexandre Homem Cristo

Todos concordam que o país precisa de mais bebés, mas poucos cedem um milímetro do seu bem-estar para os ter por perto. Nas ruas, não há lei que resista: temos uma cidadania intolerante a crianças.

“Olha aqueles espertos que trouxeram um bebé só para passar à frente dos outros; isto agora é só truques, se calhar nem é deles”. Foi debaixo deste e de outros comentários bem sonoros que fui atendido há dias, com a minha mulher, no Serviço de Finanças de Picoas, em Lisboa, acerca de uma situação que envolvia ambos. Chegámos antes do abrir da porta, integrámos a fila formada na rua, tirámos senha quando o relógio bateu as 9h da manhã e, tendo trazido a nossa filha por não termos com quem a deixar àquela hora, exercemos o direito à prioridade no atendimento. Tudo normal? Pelos vistos não, já que os insultos não tardaram. E, incontestados pelos restantes, vieram proferidos por quem menos se esperaria – uma senhora com idade para ser avó, elegantemente vestida e, tanto quanto é possível supor, com instrução acima da média.

Foi uma excepção? Nem por isso. Não subestimo a frustração inerente a uma deslocação às Finanças, onde se aguarda horas para enfrentar a cegueira da máquina fiscal. Mas asseguro que o episódio não destoou na substância de muitas outras situações vividas nos meus primeiros meses de paternidade: são raros os que abdicam do seu conforto, da sua prioridade ou dos seus hábitos por uma criança. Isso vê-se nos centros comerciais, onde jovens insuflados pelo ginásio recusam as escadas rolantes e não concedem passagem aos carrinhos de bebé nos elevadores – eles chegaram primeiro, eles usam primeiro. Isso encontra-se nas esplanadas onde, depois da difícil tarefa de encaixar o carrinho de bebé entre mesas e cadeiras, pedir ao vizinho do lado que não fume para cima da criança rebaixa-nos a hereges. Isso sente-se nos restaurantes (sobretudo no eixo da Baixa-Chiado), onde o choro de um bebé perturba a coolness e merece a incompreensão geral dos clientes. E tudo isso se alastra a praias, museus e jardins. As crianças são encantadoras? Sim, claro. No Facebook, em casa ou arrumadas no seu cantinho silencioso.

É oportuno sublinhar que isto se passa num Portugal que elegeu como causa nacional o combate à queda demográfica. Onde reina um consenso político quanto à necessidade de proporcionar melhores condições (financeiras, laborais, fiscais) a quem tem filhos. Onde, ainda recentemente, se assinalou com pompa uma ligeira subida na taxa de natalidade. Mas, também, no Portugal onde causas e consensos poucas vezes conseguem furar a esfera do abstracto e do imaterial. Afinal, a natalidade penetra indirectamente no debate público através dos assuntos económicos. Seja por via da chamada de atenção para o desequilíbrio da balança da Segurança Social ou por via da necessidade de afirmação da economia portuguesa – com mais nascimentos hoje, será amanhã mais fácil dinamizar a economia e tornar sustentável o Estado Social. E isso, para o dia-a-dia de cada um, tem tanto significado como as centenas de notícias sobre o défice orçamental: zero. Na teoria, há anos que todos se preocupam, mas na prática isso não impediu que tivéssemos de solicitar auxílio à troika.

O ponto que sobressai é que, na sociedade em geral, quando as metas da natalidade assentam um pé na realidade das ruas, os consensos nacionais estilhaçam-se. Todos concordam que o país precisa de mais crianças, mas poucos aceitam ceder um milímetro do seu bem-estar para as ter por perto. Nem sequer um lugar numa fila. A quem optou por ter filhos, os olhares públicos exigem que os assumam sem intromissões ou ruídos, para que nenhum gesto interfira com os outros à volta. O que, como se sabe, não é possível. Dizer, portanto, que as crianças estão abaixo de cão não é, aqui, um eufemismo – é que, em muitos sítios, tolera-se mesmo melhor um cão do que um bebé.

Ora, estas duas posições – a teórica de querer maior natalidade e a prática de não tolerar bebés – são obviamente incompatíveis. E, como acontece sempre, a prática tem-se imposto à teoria. Podemos, pois, escutar vários e plurais apelos à natalidade que, no concreto, a sombra permanecerá: querem-se mesmo mais bebés? Parece que não. A legislação e os partidos até podem defender que sim – e é fundamental que, na medida do possível, o proporcionem. Mas, nas ruas, não há lei que resista a esta realidade: a de uma cidadania intolerante a crianças.

 

 

 


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