Alunos com o pré-escolar têm notas melhores no PISA

Agosto 11, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do http://www.educare.pt/ de 27 de julho de 2016.

Uma análise aos testes do PISA 2015 mostra que as aprendizagens alcançadas no pré-escolar podem ser determinantes em níveis de ensino mais avançados.

Andreia Lobo

Na maioria dos países testados pelo PISA (Programme for International Student Assessment) há menos alunos de 15 anos com baixos desempenhos a Matemática entre os que estiveram mais do que um ano inscritos no pré-escolar, por comparação com quem nunca frequentou este nível de ensino.

Outro dado a ter em conta é que a diferença ao nível das classificações continua a ser significativa, mesmo quando são tidas em conta variáveis como o nível socioeconómico, sexo, origem, língua falada em casa, estrutura familiar, localização da escola do aluno em área rural, vila ou cidade, número de chumbos e a modalidade de ensino (profissional ou geral).
Num relatório dedicado a analisar as vantagens da educação pré-escolar, a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostra que em 2013 nos 37 países membros e economias parceiras, 12 tinham uma cobertura quase universal, com mais de 90% das crianças de três anos a frequentarem este nível de ensino.

De acordo com a classificação internacional de níveis escolares, a educação antes do ensino primário está dividida consoante a idade das crianças: em educação de infância, do zero aos três anos, e pré-escolar dos três aos cinco anos.

Portugal surge entre os países da OCDE com uma taxa de participação em programas de educação de infância aos três anos ligeiramente abaixo dos 80%.

Os dados divulgados em maio deste ano mostram que em 2013 três quartos das crianças com três anos de idade estavam inscritas em programas de educação de infância (do zero aos três) ou pré-escolares (dos três aos cinco anos). Sendo o segundo tipo de programas consideravelmente mais comum em todos os países, exceto na Austrália, Brasil e Colômbia.

Na faixa etária dos quatro 20 dos 31 países da OCDE com dados disponíveis, registam taxas de matrícula superiores a 90%, que é também a média dos 37. Segundo o relatório, 90% das crianças portuguesas de quatro anos frequentam o ensino pré-escolar. Em Portugal a inscrição continua a ser facultativa. Pois, a escolaridade obrigatória começa aos 6 e termina aos 18 anos, ou seja, abrange os níveis de ensino do 1.º ao 12.º anos.

Apesar das boas notícias, o documento “What are the the benefits from early childhood education?” mostra diferenças significativas na frequência da educação pré-escolar na OCDE. Irlanda, México, Suíça, Turquia e Estados Unidos são apontados como os países onde menos de metade das crianças com três anos estão matriculadas em algum tipo de programa.

O relatório lembra que a participação na educação pré-escolar pode contribuir para a redução das desigualdades. Muito mais em grupos sociais desfavorecidos. Exemplo: os imigrantes de primeira geração, em que tanto os filhos como os pais nasceram fora do país, e os de segunda geração, cujas crianças já nasceram onde residem. Mas contam-se outros benefícios. Frequentar a educação pré-escolar ajuda as crianças a melhorarem os desempenhos, bem como a desenvolver as competências sociais e emocionais, escreve a OCDE.

Vários estudos e relatórios realizados sobre a aquisição de competências provam esta associação. A tal ponto que “o sucesso da pré-escolarização na preparação de estudantes para níveis mais elevados de educação mudou o foco dos programas deste nível de ensino dos interesses dos pais para os das crianças”, lê-se no relatório.

Sobre essa matéria, Portugal aprovou na semana passada um ajustamento às primeiras orientações curriculares para o pré-escolar publicadas em 1997. Segundo o diploma, trata-se de “um conjunto de princípios gerais pedagógicos e organizativos para o educador de infância na tomada de decisões sobre a sua prática, isto é, na condução do processo educativo a desenvolver com as crianças”.

Relativamente à educação infantil, o Ministério da Educação reconhece tratar-se de “um direito da criança”, ainda que a legislação apenas considere a educação pré-escolar a partir dos três anos, excluindo a educação antes dessa idade, ao nível da creche.

Assim, as novas orientações consideram importante “que haja uma unidade e sequência em toda a pedagogia para a infância e que o trabalho profissional com crianças do zero aos seis anos tenha fundamentos comuns e seja orientado pelos mesmos princípios”, lê-se no documento.

A OCDE garante que “o desenvolvimento de competências ao nível da educação pré-escolar – do zero aos seis anos – é de particular importância”: “As crianças são mais sensíveis nesta fase do que em níveis de ensino mais avançados, o que significa que são mais capazes de adquirir competências fundamentais que serão usadas durante toda a vida académica e profissional.”

 

 

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