Crianças e tecnologias o que é preciso saber sobre esta relação?

Agosto 11, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://www.educare.pt/ de 29 de julho de 2016.

Portáteis, telemóveis e tablets não fazem mal à saúde das crianças, mas, como em tudo o que diz respeito aos filhos, cabe aos pais estabelecerem as regras.

Andreia Lobo

Criança entretida com o telemóvel “inteligente” e pais à mesa do restaurante a tentarem ter um pouco de sossego. O cenário cada vez mais habitual durante as férias. Smartphones e tablets vão parar às mãos dos miúdos muito antes de aprenderem a falar. Hoje, parece quase absurda a ideia de manter as crianças afastadas destes dispositivos eletrónicos.

Mas de 1999 até 2015 foi essa a posição defendida pela reputada Academia Americana de Pediatria (AAP). Crianças até aos dois anos não deveriam ver televisão. E os DVD portáteis no carro, smartphones e tablets causavam distração, “substituíam as brincadeiras importantes para as relações sociais, prejudicavam o desenvolvimento motor e a fala”.

Quatro anos mais tarde, a AAP atualizava esta visão, considerada “alarmista” por muitos estudiosos da educação para os media, uma área que estuda a relação das crianças com as novas tecnologias e coloca a tónica na “mediação parental” e na capacitação das crianças, em detrimento da proibição.

As novas recomendações quanto à utilização dos dispositivos eletrónicos põem em evidência as mudanças sociais que tornavam inevitável a exposição das crianças com menos de dois anos à televisão,
tablets, smartphones
. Por isso, os especialistas da AAP reconhecem agora que cabe aos pais supervisionarem o tempo que os filhos ocupam com estes aparelhos. Mas isto não chega.

Os pais devem ainda envolver-se nas atividades tecnológicas dos filhos. Quando são ainda bebés esta supervisão é essencial, diz a AAP, já que os pais devem zelar para que a sua aprendizagem seja feita através da comunicação verbal e não através de vídeos. Além destas medidas, os pais devem também prestar atenção à qualidade dos conteúdos e das plataformas digitais. Mas acima de tudo, dar e, preferência às atividades familiares sem o uso da tecnologia.

Se até à entrada na escola a utilização dos dispositivos eletrónicos assume maioritariamente a função de entretenimento, depois, computadores, portáteis e tablets surgem quase como a “tábua de salvação” para o futuro. Sem as competências digitais que vão ganhando cada vez maior importância, como irão os pequenos ter grandes empregos?

Entre o uso e o abuso, como deve ser a relação das crianças com as tecnologias? Eduardo Sá, psicólogo clínico e autor de vários livros dedicados à infância, responde à questão que preocupa pais, professores e educadores. “Ainda sou do tempo em que os pais viam com preocupação o modo como as crianças se relacionavam com os desenhos animados que diziam ser violentos.”

Em várias ocasiões a violência dos desenhos animados foi apontada como culpada pelos comportamentos violentos das crianças. Os pais eram os primeiros a apontar o dedo. “Sempre achei isso uma delícia porque, que me lembre, a Heidi não era violenta, mas não era propriamente um desenho animado simpático. Alguns exemplos da Disney não eram da maior solidariedade entre pessoas.”

Por isso, atendendo às preocupações dos pais, recorda Eduardo Sá: “Não me cansava de chamar a atenção para um pormenor: é que os desenhos animados dão-nos histórias e as crianças precisam de histórias para aprender a pensar.”

Apesar da apreensão com a alegada violência dos desenhos animados, a prática das famílias fazia, e continua a fazer, do grande ecrã um amigo sempre presente. Na sala, na cozinha e até no quarto dos miúdos. “Aquilo que me preocupava era, em primeiro lugar, o modo como ao sábado e ao domingo de manhã, ou mal as crianças chegavam a casa da escola durante a semana, os pais eram os primeiros a entregar as crianças aos desenhos animados, que eram uma espécie de babysitter que eles tinham durante horas e horas.”

Hoje, as babysitters são outras. “Tenho medo que com as novas tecnologias a determinada altura estejamos a chegar ao mesmo”, alerta Eduardo Sá. “Os pais entregam o tablet nas mãos dos filhos naquele registo do entretém-te, não faças barulho, não incomodes e, às vezes, as crianças estão horas entregues a estes dispositivos. Para que depois, a seguir, os pais digam que os tablets são uma maldição que faz mal à saúde das crianças.”

No seu registo habitual, Eduardo Sá desdramatiza posições mais extremistas. As tecnologias não são foco constante de ameaça, nem de doenças. “Os tablets, os jogos de computador fazem lindamente à saúde das crianças, mas evidentemente são os pais que têm de definir conta, peso e medida, para que elas façam uma utilização de tudo isto.”

Nem poderia ser de outra maneira. Os tempos são outros. Proibir não é mais uma solução. E ninguém pode negar o potencial das tecnologias no ensino e na aprendizagem. “O desafio hoje é muito maior. As crianças têm uma enciclopédia nas mãos absolutamente fascinante, maior do que qualquer biblioteca que nós algum dia já tivemos.”

Mas quando os adultos veem no uso do tablet um meio de preparar as crianças para o mercado de trabalho, algo está errado. “Por favor, deixem as crianças brincar com os tablets, porque são uma fonte de sabedoria animada, audiovisual que lhes puxa pela cabeça, e não para terem emprego no futuro.”

O fascínio quanto ao que as tecnologias podem fazer pelo desenvolvimento crianças não deve fazer os pais ignorar outros aspetos importantes na vida dos mais novos. “Além de terem acesso a estas transformações todas fascinantes, as crianças continuam a precisar de correr”, acrescenta o psicólogo. “É bom que os pais percebam que os meninos além de usarem a ponta dos dedos, têm de mexer na terra e sujarem-se como os pais fizeram.”

Brincar continua a ser a atividade principal das crianças. Ainda que as brincadeiras mais extrovertidas pareçam ter entrado quase em desuso. “Muitos meninos chegam ao jardim de infância, por estranho que possa parecer, e quando vão a correr não sabem evitar o outro quando ele vai a chocar e, portanto, não sabem brincar com o corpo.”

E apesar dos tempos serem outros, há aspetos humanos que nunca mudam. “As crianças continuam a ser iguais ao que eram e terem mais fontes de conhecimento não significa que não precisem de brincar com o corpo”, insiste Eduardo Sá. E quanto às tecnologias? “Quando temos em conta a importância dos pais, dos avós e da família, a importância do brincar, de brincar com o corpo e damos às crianças as tecnologias, esta mistura é absolutamente explosiva, no sentido mais fantástico do termo”, garante o psicólogo. “Portanto, é altura de falar com serenidade. Porque aquilo que me preocupa não são os tablets, nem as tecnologias, é a falta de regras que os pais colocam nisto tudo”, conclui.

 

Dinossauros que viveram na nossa terra – 14 de agosto no Museu Nacional de História Natural e da Ciência.

Agosto 11, 2016 às 2:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Allosaurus_juvenil

mais informações:

http://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/node/1177

Alunos com o pré-escolar têm notas melhores no PISA

Agosto 11, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do http://www.educare.pt/ de 27 de julho de 2016.

Uma análise aos testes do PISA 2015 mostra que as aprendizagens alcançadas no pré-escolar podem ser determinantes em níveis de ensino mais avançados.

Andreia Lobo

Na maioria dos países testados pelo PISA (Programme for International Student Assessment) há menos alunos de 15 anos com baixos desempenhos a Matemática entre os que estiveram mais do que um ano inscritos no pré-escolar, por comparação com quem nunca frequentou este nível de ensino.

Outro dado a ter em conta é que a diferença ao nível das classificações continua a ser significativa, mesmo quando são tidas em conta variáveis como o nível socioeconómico, sexo, origem, língua falada em casa, estrutura familiar, localização da escola do aluno em área rural, vila ou cidade, número de chumbos e a modalidade de ensino (profissional ou geral).
Num relatório dedicado a analisar as vantagens da educação pré-escolar, a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostra que em 2013 nos 37 países membros e economias parceiras, 12 tinham uma cobertura quase universal, com mais de 90% das crianças de três anos a frequentarem este nível de ensino.

De acordo com a classificação internacional de níveis escolares, a educação antes do ensino primário está dividida consoante a idade das crianças: em educação de infância, do zero aos três anos, e pré-escolar dos três aos cinco anos.

Portugal surge entre os países da OCDE com uma taxa de participação em programas de educação de infância aos três anos ligeiramente abaixo dos 80%.

Os dados divulgados em maio deste ano mostram que em 2013 três quartos das crianças com três anos de idade estavam inscritas em programas de educação de infância (do zero aos três) ou pré-escolares (dos três aos cinco anos). Sendo o segundo tipo de programas consideravelmente mais comum em todos os países, exceto na Austrália, Brasil e Colômbia.

Na faixa etária dos quatro 20 dos 31 países da OCDE com dados disponíveis, registam taxas de matrícula superiores a 90%, que é também a média dos 37. Segundo o relatório, 90% das crianças portuguesas de quatro anos frequentam o ensino pré-escolar. Em Portugal a inscrição continua a ser facultativa. Pois, a escolaridade obrigatória começa aos 6 e termina aos 18 anos, ou seja, abrange os níveis de ensino do 1.º ao 12.º anos.

Apesar das boas notícias, o documento “What are the the benefits from early childhood education?” mostra diferenças significativas na frequência da educação pré-escolar na OCDE. Irlanda, México, Suíça, Turquia e Estados Unidos são apontados como os países onde menos de metade das crianças com três anos estão matriculadas em algum tipo de programa.

O relatório lembra que a participação na educação pré-escolar pode contribuir para a redução das desigualdades. Muito mais em grupos sociais desfavorecidos. Exemplo: os imigrantes de primeira geração, em que tanto os filhos como os pais nasceram fora do país, e os de segunda geração, cujas crianças já nasceram onde residem. Mas contam-se outros benefícios. Frequentar a educação pré-escolar ajuda as crianças a melhorarem os desempenhos, bem como a desenvolver as competências sociais e emocionais, escreve a OCDE.

Vários estudos e relatórios realizados sobre a aquisição de competências provam esta associação. A tal ponto que “o sucesso da pré-escolarização na preparação de estudantes para níveis mais elevados de educação mudou o foco dos programas deste nível de ensino dos interesses dos pais para os das crianças”, lê-se no relatório.

Sobre essa matéria, Portugal aprovou na semana passada um ajustamento às primeiras orientações curriculares para o pré-escolar publicadas em 1997. Segundo o diploma, trata-se de “um conjunto de princípios gerais pedagógicos e organizativos para o educador de infância na tomada de decisões sobre a sua prática, isto é, na condução do processo educativo a desenvolver com as crianças”.

Relativamente à educação infantil, o Ministério da Educação reconhece tratar-se de “um direito da criança”, ainda que a legislação apenas considere a educação pré-escolar a partir dos três anos, excluindo a educação antes dessa idade, ao nível da creche.

Assim, as novas orientações consideram importante “que haja uma unidade e sequência em toda a pedagogia para a infância e que o trabalho profissional com crianças do zero aos seis anos tenha fundamentos comuns e seja orientado pelos mesmos princípios”, lê-se no documento.

A OCDE garante que “o desenvolvimento de competências ao nível da educação pré-escolar – do zero aos seis anos – é de particular importância”: “As crianças são mais sensíveis nesta fase do que em níveis de ensino mais avançados, o que significa que são mais capazes de adquirir competências fundamentais que serão usadas durante toda a vida académica e profissional.”

 

 

Rádio Miúdos. Para pôr crianças a ouvir português no mundo todo

Agosto 11, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 26 de julho de 2016.

obsertvador

Gonçalo Correia

É uma rádio online para crianças, pais e educadores. Nasceu em 2015 e é ouvida em quase 90 países. Tem quatro radialistas “miúdos” e foi distinguida este mês pela Comissão Europeia em Portugal.

Quando, em 2011, Verónica Milagres pensou em fazer uma rádio online para crianças, pais e educadores, onde até os “miúdos” pudessem ser radialistas, o projeto não avançou. “Demorou alguns anos a conseguir pôr em prática”, conta ao Observador. Mas não desistiu. “Tudo o que tenho feito na vida vai quase sempre dar às crianças. E na altura pensei: não há por aí nenhuma rádio para crianças em português. E faz falta”, diz.

Licenciada em ensino básico, cantora profissional do coro da Gulbenkian há 20 anos e com dois filhos, Verónica Milagre queria juntar três grandes paixões: a música, a língua portuguesa e as crianças. Acabou por juntá-las na Rádio Miúdos, uma webrádio que hoje dirige e que começou a emitir regularmente em janeiro deste ano. Volvidos sete meses, o projeto conta com ouvintes de quase 90 países (do Brasil ao Irão, da Austrália ao Botsuana) e com quatro crianças na equipa (porque a ideia, explica, também passa por pôr crianças a fazer rádio). Este mês, a Rádio Miúdos foi premiada pela representação da Comissão Europeia em Portugal, na categoria “Canvas – Projetos Que Marcam”.

“O prémio da Comissão Europeia foi fantástico, não só pelo dinheiro [3.000 euros], mas também pela divulgação, pela força que dá ao projeto. É uma honra termos sido premiados e é mais um reconhecimento, mais uma validação, depois das validações dos profissionais e pais que nos escrevem e enviam mensagens”, diz.”

A ideia surgiu a partir de uma “conversa informal”, em 2011. Mas Verónica conta que ficou na gaveta. Mais tarde, falou dela ao jornalista e radialista João Pedro Costa (que já passou pela RFM e Euronews, por exemplo). Ele “gostou imenso” e começaram, juntos, “a delinear e a construir esta rádio”. No processo, concorreram ao prémio Faz Ideias de Origem Portuguesa 2015, da Fundação Calouste Gulbenkian. Acabaram em terceiro lugar e com 10.000 euros no bolso, que usaram para montar um estúdio, no Bombarral (distrito de Leiria).

A Rádio Miúdos começou a ganhar vida. E cresceu até estar 24 horas online, sete dias por semana, com duas horas de direto diárias (das 14h às 16h), de segunda-feira à sexta-feira. Como agora. Sempre com um objetivo em mente: o de não se ficar apenas por ser uma “rádio divertida”.

“Nunca quisemos fazer uma rádio para crianças só de entretenimento, mas uma rádio normal, com todos os programas que uma rádio tem, mas adaptada às crianças, com assuntos que lhes interessam a elas, com músicas que não passam numa rádio normal — música infantil, por exemplo. Uma rádio cultural e educativa”, resume.”

Pôr o português nos ouvidos dos lusodescendentes

Outra das preocupações da Rádio Miúdos passa pela relação dos lusodescendentes com a língua portuguesa. Foi uma das motivações para terem avançado com o projeto. Porque “há muita emigração jovem com miúdos que vão muito pequenos para fora. Os miúdos obviamente aprendem muito rapidamente a língua do país para onde vão, o que é muito bom. Mas às vezes os pais sentem também que há uma tendência para perderem o português, mesmo falando em casa”, explica Verónica.

“Porque o português que falam em casa é limitado, o léxico é o discurso normal de uma casa. A Rádio Miúdos tem essa preocupação. Daí que tenhamos programas de conversa, com duas pessoas a fazerem a emissão, para que se possam utilizar as palavras todas. Além disso, não temos um discurso infantilizado. Temos é a preocupação de, quando dizemos uma palavra mais difícil, explicar o que é a palavra, desmontá-la. E muitas vezes nem é preciso, eles percebem pelo contexto”, diz.”

No que toca à música, a Rádio Miúdos não passa apenas música infantil, esclarece a diretora. “Passamos música de muitos géneros em português. De música pop, rock e rap a tradicional e fado. Obviamente que, se passamos um rap, temos de ter o cuidado de ver se não há nenhuma asneira. Se passamos um fado, não vamos pôr um tema de chorar as pedras da calçada”, explica.

Outra vontade passa por continuar a ter crianças a experimentar fazer rádio. “Qualquer criança, esteja onde estiver, no mundo inteiro, pode participar e fazer emissões connosco, mesmo em direto. Já fazemos isto às sextas-feiras, com miúdos lá de fora, miúdos portugueses, lusodescendentes”, explica Verónica. Mas também adultos: foi por Skype, por exemplo, que falaram, recentemente e em direto, com “uma professora de português e com uma turma inteira dela, no Qatar”, conta.

Além de poder ser ouvida no site, a Rádio Miúdos também já pode ser ouvida através de uma app gratuita, que pode ser descarregada, por exemplo, na App Store. A aposta na app é feita porque “o digital é o presente e o futuro. Quisemos ir ao encontro do que as crianças e jovens mais usam e mais gostam”, explica a responsável, que sublinha, contudo, não querer que as crianças “fiquem presas a estes meios”.

Quanto às receitas e à possível introdução de publicidade na rádio, Verónica Milagres diz que estão “abertos”, mas que, “sendo uma rádio para crianças, há publicidade e publicidade”, pelo que não faria sentido um anúncio de uma marca de cerveja passar na Rádio Miúdos, exemplifica.

Texto editado por Ana Pimentel

 


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