Por que me tiram as minhas filhas? “Porque sim”

Agosto 10, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do https://www.publico.pt/ de 26 de julho de 2016.

publico

Ana Dias Cordeiro

Ana Vilma contesta a decisão judicial de entrega das filhas ao pai condenado por violência doméstica e cuja família alega que a mãe é “negligente”. Procuradora e técnicas da Segurança Social do caso estão a ser investigadas. A crónica de um processo.

O filme dos acontecimentos que levaram à retirada das filhas a uma mãe, vítima de violência doméstica, e à sua entrega ao pai condenado por esse crime é totalmente distinto quando é contado pela progenitora, Ana Vilma, e o seu advogado, ou pelos familiares do pai.

Algumas peças dos processos consultados pelo PÚBLICO não esclarecem tudo. Muito do que está para trás da retirada das crianças, a 7 de Dezembro de 2015, não está documentado. E parte do que está documentado aponta falhas nas capacidades da mãe, mas é liminarmente contestado pela própria como resultando de um entendimento “subjectivo e deturpado” das técnicas da Segurança Social, que mais tarde Ana Vilma veio a acusar de “falsas declarações, favorecimento pessoal [do pai das crianças], abuso de poder e colocação das crianças em risco”.

Um processo de inquérito decorre por decisão do Conselho Directivo do Instituto da Segurança Social (ISS) para “esclarecer todo o processo” de tomada de decisões, não podendo ser adiantada por agora nenhuma informação, segundo fonte do ISS. O inquérito está “numa fase absolutamente sigilosa”.

O caso motivou também queixas-crime contra as mesmas profissionais da Segurança Social que assinaram relatórios de acompanhamento dos processos de promoção e protecção e de regulação das responsabilidades parentais e que, em Dezembro, assumiram a decisão de retirar as crianças à mãe, através de um procedimento judicial de urgência.

Ana Vilma, de 34 anos, diz que os relatórios “intencionalmente” omitem a acusação do ex-companheiro por violência doméstica, crime pelo qual viria a ser condenado em Março de 2016. E quer que estas profissionais, entretanto afastadas deste processo, sejam responsabilizadas disciplinarmente (pelo ISS) e criminalmente (nos tribunais) por retirada “indevida” das crianças.

O advogado de Ana Vilma, Gameiro Fernandes, também interpôs procedimentos disciplinares e criminais contra a procuradora e a juíza do Tribunal de Cascais que aprovaram a retirada das crianças (proposta pelas técnicas) e que, em Junho, prolongaram a medida de guarda provisória das mais pequenas ao pai, já depois da condenação deste ano. O Conselho Superior da Magistratura iniciou um processo de averiguações da juíza, mas concluiu que não existia matéria para abrir um inquérito disciplinar. O Conselho Superior do Ministério Público (CSMP), por sua vez, considerou “justificar-se” a abertura de um inquérito à procuradora, para esclarecer se se trata de um caso com “um contorno disciplinar”. O facto de o pai ter sido condenado levantou dúvidas no conselho.

A situação do pai condenado diz respeito a duas crianças que hoje têm dois e quatro anos e que têm outra irmã, de seis anos, fruto de um relacionamento anterior de Ana Vilma. Além das meninas, a mãe tem outro filho de 12 anos, de outra relação, a viver com o pai, que não esteve exposto a esta situação.

“Desligada e negligente”

Ana Vilma vivia com o companheiro e as três filhas. Ele nega as agressões físicas e verbais que a terão levado a fugir de casa em Novembro de 2014 e queixa-se que, depois disso, nada soube das suas duas filhas durante meses. Essa situação tê-lo-á afectado psicologicamente, explica a família. Numa conferência de pais em Abril, ficou determinado, na presença das técnicas, um regime de visitas assistidas que só viriam a começar em Outubro, por atrasos administrativos e decorrentes das interrupções de Verão.

Durante esse tempo, o pai tentou ver as crianças e Ana Vilma dizia só aceitar as visitas assistidas depois do Verão ou o regime que, mais tarde, viesse a ser determinado pelo tribunal. A família do pai das duas meninas entende esta posição como “alienação parental”. Também aponta os casos dos dois filhos mais velhos de Ana Vilma para descrevê-la como uma mãe “desligada e negligente”.

O filho mais velho de Ana Vilma teria escolhido viver com o pai, dizem, por não se entender com a mãe, que o maltrataria, e a filha de seis anos (da outra anterior relação) seria negligenciada, tendo a mãe mostrado ambivalência no momento de assumir a maternidade, ora dizendo que era mãe da criança, ora que a criança era adoptada, deixando-a frequentemente em casa de uma tia-avó. Esta é a versão dos familiares do pai e o ponto de partida para a tese por eles defendida de que faltam condições psicológicas a Ana Vilma para cuidar dos filhos.

“Não foi afastamento. Foi protecção”, defende-se a mesma relativamente à entrega do rapaz de 12 anos ao pai e ao facto de muitas vezes deixar a filha de seis anos em casa da tia paterna. Era tudo, segundo ela, para que não estivessem “sujeitos ao mau ambiente e agressões” na casa dos pais do ex-companheiro.

Injúrias relatadas pela polícia

Algumas ocorrências ficaram registadas na polícia, sendo descritas nos autos como situações em que a mãe era injuriada, em frente às filhas, e sujeita a ofensas verbais que a denegriam como mulher pouco séria que ia “com vários homens”. O episódio mais grave terá ocorrido a 13 de Julho de 2015, no mesmo mês em que foi deduzida acusação por violência doméstica contra o pai das duas meninas, e é descrito pela própria polícia.

Em retrospectiva, Ana Vilma diz agora que, para proteger todos da mesma forma, deveria ter saído mais cedo de casa do ex-companheiro, de quem temia as reacções, e que por isso lhe omitiu a informação de que estava grávida da mais pequena, até aos seis meses, quando a relação já se deteriorara em 2013. Do lado do pai, a ideia de que Ana Vilma “escondeu a gravidez” da filha que agora tem dois anos serve apenas para realçar a convicção de que não é uma boa mãe e que, ao não ter sido acompanhada durante os primeiros meses da gravidez, criou uma situação de risco para a bebé.

As visitas com o pai começam em Outubro de 2015 e, de acordo com a observação das técnicas da Segurança Social, nesses momentos é notória a forte ligação afectiva com o progenitor, descrito como “adequado na interacção” com as menores e demonstrando “competência” face “às solicitações das filhas”.

Num relatório com data de 12 de Novembro, é recomendado o alargamento das visitas com o pai e sugerida a primeira pernoita em casa dele para 7 de Dezembro. No caso de esta “adaptação” decorrer de forma positiva, é sugerido que passem a ficar uma noite por semana em casa do pai, na perspectiva, dizem, de “viabilizar a definição de um período de férias”, uma “regulação das responsabilidades parentais” e, porventura, “a definição de uma residência alternada”.

Esse relatório é feito com base em entrevistas com a mãe e o pai, uma visita à casa onde as crianças viviam com a mãe, contactos com as escolas e a ama (frequentadas pelas filhas), o centro de saúde onde estão inscritas, e através da análise dos processos relativos aos dois filhos que Ana Vilma tinha de anteriores relações, bem como de conversas informais com elementos da família alargada e da observação do convívio do pai com as duas filhas, uma vez por semana, com supervisão das técnicas.

Relativamente ao relacionamento com a mãe pouco é dito, sendo referido que a criança mais pequena, de dois anos, “deixou de perguntar” por ela, “revelando cada vez menos ansiedade no momento do reencontro com a figura materna”. Pouco ou nada de positivo é mencionado.

Ainda no mês de Novembro, dá entrada o primeiro de uma longa lista de requerimentos de contestação por parte do advogado de Ana Vilma, que considera desequilibrada a apreciação das técnicas. Nessa contestação em particular, é qualificada de “demasiado precipitada” a transição para um regime de alargamento de contacto com o pai e pernoitas semanais, atendendo “à tenra idade das crianças” (então com um e três anos), e reiterado que esse plano não é aceite pela mãe.

Na contestação, Ana Vilma questiona a idoneidade da técnica superior — a mesma que, juntamente com uma colega da Equipa de Crianças e Jovens (ECJ), desencadeia no dia 7 de Dezembro de 2015 um procedimento judicial urgente para a retirada imediata e sem consentimento das crianças, previsto na lei de protecção, através do seu artigo 91º, para situações em que “exista perigo actual ou iminente para a vida ou de grave comprometimento da integridade física ou psíquica da criança ou do jovem”. Para a mãe das crianças, a retirada resulta de uma atitude de “vingança” das técnicas por ter sido contestada a forma como conduziam o processo.

Recurso à força se necessário

A retirada imediata é nesse 7 de Dezembro, dia em que teria ficado estabelecido que o pai poderia ter as filhas, pela primeira vez, a dormir em sua casa, num plano que Ana Vilma diz ser “unilateral”. As técnicas solicitam ao tribunal mandados de entrega das três crianças aos respectivos pais e relativamente à mais pequena, por não estar na escola, esse mandado é acompanhado da “possibilidade de entrada em qualquer residência onde a criança venha a ser localizada e com recurso ao arrombamento se necessário”. A juíza do Tribunal de Família de Cascais aprova os mandados com possibilidade de recurso “à força” pelas “autoridades policiais”.

No procedimento urgente, as técnicas alegam que a retirada das crianças nesse mesmo dia se justifica “em face do alegado perigo de subtracção de menores e perante as verbalizações da mãe na escola de que iria desaparecer com as crianças”, palavras que a mãe nega ter proferido. De acordo com o seu relato, disse que nunca mais voltaria a acontecer o que aconteceu nesse dia. Porém, o que aconteceu nesse dia é relatado de forma muito diferente pelas duas partes em disputa.

Ana Vilma diz que deixou a criança de um ano com uma senhora sua amiga no café quando o seu sistema de protecção a alertou de que o ex-companheiro, com pulseira electrónica, estava perto dela e da escola para ir buscar as meninas sem o seu consentimento. Nessa altura, as visitas eram supervisionadas pelas técnicas, mas estas não estavam presentes. Ana Vilma saiu do café, prevendo um conflito, e deixando por isso a bebé com essa senhora que depois a terá levado para sua casa. A família paterna fala em abandono, num dia em que já estaria previsto que o pai iria buscar as crianças à escola, de acordo com o plano delineado pela ECJ e que Ana Vilma diz ter recusado.

Fechada numa sala com as técnicas que lhe anunciam a retirada das crianças, Ana Vilma rebate argumentos, diz que é impossível tirarem-lhe as filhas, que não há motivos para tal e, quando elas insistem, implora-lhes que não o façam. A troca de palavras está registada nesta conversa que Ana Vilma grava no seu telemóvel. “A Ana ameaçou que ia desaparecer com as meninas”; “Não ameacei. Como é que eu desapareço se tenho processos em tribunal? O que eu disse foi que a visita, assim, não ia voltar a acontecer; […] Vocês não me podem fazer isto”; “As meninas não vão desaparecer”, dizem as técnicas. “Vamos fazer um procedimento judicial urgente. A mais velha vai hoje com o pai.”

Breves minutos depois, anunciam que as duas mais pequenas vão também elas ficar com o pai. “Mas porquê?”, pergunta a mãe. “Consideramos, neste momento, que as meninas não estão bem consigo.” Nova pergunta: “Mas porquê? As crianças estão em perigo? Porquê?” Resposta: “Porque sim. Não têm tido acesso ao pai.” Diz Ana Vilma: “Porque o pai é um agressor de violência doméstica. Eu não tinha como as entregar ao pai. Ele tinha uma pulseira electrónica.” Respondem as técnicas: “É uma medida cautelar, ainda não foi condenado.”

A medida cautelar tinha sido aprovada depois de dar entrada em Janeiro desse ano nos tribunais uma queixa de Ana Vilma e um pedido de aplicação de medida de afastamento, com pulseira electrónica e teleassistência, nos seguintes termos: “O agressor continua a perseguir-me e a ameaçar-me no meu local de trabalho. Os pais do agressor também me perseguem e ameaçam, o mesmo acontece com a irmã do agressor. Temo pela minha segurança e vida.”

O tribunal considera a medida de afastamento “inteiramente ajustada, necessária, proporcional e adequada, depois de chegar à conclusão que existe perigo de continuação da actividade criminosa a justificar a medida de coacção”.

Com as referidas ameaças e perseguições, Ana Vilma justifica a necessidade de afastar as filhas. Para a família do pai, esse afastamento reflecte-se num impedimento injustificado de estarem com as crianças, o que os revolta. Para o julgamento por violência doméstica do pai das crianças mais pequenas, os seus familiares contactam os progenitores dos dois outros filhos de Ana Vilma e ambos testemunham contra ela, descrevendo-a como uma pessoa “pouco coerente e conflituosa”, atribuindo-lhe a responsabilidade das discussões conjugais.

No seu depoimento, o arguido nega as agressões de que é acusado, apenas admitindo uma, a última, dizendo que empurrou com o braço a ex-companheira porque esta o mordeu, em plena discussão dentro do carro, onde seguiam também as duas filhas mais pequenas; e insiste que esse seu empurrão não pode ter causado as consequências descritas no relatório médico do Hospital São Francisco Xavier — um dos três apresentados pela acusação, com fotos e descrições pormenorizadas das lesões e traumatismos causados.

Queixas mútuas de violência

Também ele interpusera queixas contra Ana Vilma — por crime de violência doméstica e por crime de subtracção de menores —, mas que são arquivadas em Abril de 2016 pelo Departamento de Investigação e Acção Penal. Ouviram-se testemunhas (essencialmente, elementos da família paterna) e não foi possível recolher indícios suficientes e elementos probatórios, concluiu na altura o Ministério Público.

Um mês antes, em Março, o pai fora condenado a uma pena suspensa de dois anos e dez meses, agravada por se considerar que as agressões à mãe se deram na presença das filhas. Na sentença consultada pelo PÚBLICO, o juiz conclui que o arguido negou os factos, mas que os mesmos encontram-se suportados nas declarações da vítima, as quais são corroboradas quer pelo relatório médico, quer pelo auto de exame directo, quer pelas fotografias (das lesões e hematomas), quer pelas testemunhas.

E sustenta: “Os factos relatados assumem alguma gravidade na exacta medida em que os episódios de violência redundaram sempre na necessidade de tratamento hospitalar, sofrendo a vítima em várias partes do corpo, sendo a última situação presenciada pelas filhas, uma com pouco mais de dois anos e outra com meses de idade.”

A mesma decisão considera suficientes os indícios de que “o suspeito agrediu várias vezes a vítima” e que, “tendo a vítima resolvido terminar o relacionamento, o suspeito começou, frequentemente, a persegui-la no seu local de trabalho”, quando Ana Vilma trabalhava num jardim-de-infância em Algés. Na mesma sentença, o pai das crianças é descrito como tendo “forte vinculação às filhas” mas como uma pessoa que, em alturas de frustração, “evidencia baixo autocontrolo e dificuldades ao nível da contenção dos impulsos”, mostrando-se incapaz de prever as consequências dos seus actos.

Já depois da leitura da sentença, em Junho, a juíza do processo de promoção e protecção das três crianças determina que o pai condenado continue com a guarda provisória das mais novas e que a mais velha continue em casa do respectivo pai, no Norte do país. Ana Vilma vê as mais pequeninas duas vezes por semana, durante uma hora e meia.

Nessas visitas, a menina de quatro anos terá dito que pediu ao pai “para não fazer mais mal” à mãe e ter-lhe-á perguntado por que razão não voltava ela para casa. A informação consta de uma das entrevistas feitas a Ana Vilma no âmbito da avaliação da Segurança Social, já em 2016, num relatório onde já é feita uma apreciação positiva das capacidades parentais da mãe, bem como do seu contacto com as filhas.

A Associação Passo a Passo, que supervisiona as visitas e elabora o relatório, escreve que as filhas “mostram-se à vontade na presença da mãe, são espontâneas e alegres”. E descreve a menina de quatro anos como revelando “alguma resistência na despedida (chora, pede para brincar mais…)” e a mãe como “reagindo com calma”.  “A mãe acalma a criança e esta sai do espaço tranquilamente”, refere o relatório, que se refere a Ana Vilma como “uma mãe adequada e que responde assertivamente às várias solicitações das crianças”.

A família do pai, por sua vez, desmente as alegações e insurge-se contra a atitude de Ana Vilma, que torna o seu caso público através de entrevistas e inicia duas greves de fome, a última das quais durante duas semanas em Junho, em protesto contra a retirada das filhas. Dizem que se mantêm em silêncio para proteger as crianças, mas que também eles teriam muito para denunciar. O ex-companheiro não quer expor, para já, a sua posição, dar o nome ou ser fotografado, e ficará em silêncio até estar concluído o processo de promoção e protecção e de posteriormente ficar definida a regulação das responsabilidades parentais.

 

 

Dois hotéis algarvios “só para adultos” processados por discriminarem crianças

Agosto 10, 2016 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 8 de agosto de 2016.

Miguel Madeira

Alexandra Campos

Responsáveis de dois hotéis algarvios, um em Alvor e outro em Albufeira, foram alvos de processos de contra-ordenação da ASAE.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) instaurou processos de contra-ordenação contra os responsáveis de dois hotéis no Algarve, um situado em Alvor e outro em Albufeira, por proibirem o acesso e a permanência de crianças. No site de um destes hotéis, quando alguém tentava marcar uma reserva para um menor de 18 anos, era impedido de o fazer e aparecia o aviso “adults only” (“só para adultos”), adiantou ao PÚBLICO Ana Maria Oliveira, inspectora-chefe da Divisão de Informação Pública da ASAE.

A queixa sobre o hotel de Alvor foi efectuada no fim de Julho e a relativa ao de Albufeira foi apresentada no início deste mês, precisou aquela responsável, que não quis identificar os empreendimentos turísticos algarvios em questão. Vedar a entrada e a permanência de crianças é ilegal e contraria o estipulado no Decreto-Lei 39/2008 (regime jurídico de instalação e funcionamento dos empreendimentos turísticos). “Neste diploma está bem claro que é proibido este tipo de discriminação”, frisa a inspectora-chefe da ASAE.

No artigo 48.º do diploma está consagrado o princípio do livre acesso aos empreendimentos turístico e a coima, em caso de incumprimento, pode ir dos 125 aos 3250 euros (pessoa singular) ou dos 1250 aos 32.500 euros (pessoa colectiva). Os dois processos de contra-ordenação encontram-se agora em fase de instrução.

O hotel onde os gays não entravam

Mas estes casos estão longe de ser os únicos deste tipo que chegam ao conhecimento da ASAE. Ainda no início de Junho, e após uma denúncia apresentada por uma família ao Diário de Notícias, o proprietário da Casa D´João Enes, localizada em Afife (Minho), foi também alvo de um processo de contra-ordenação da ASAE, neste caso porque no site do empreendimento se afirmava que estava vedado o acesso a homossexuais e a adeptos de futebol, entre outros.

Um caso menos comum e que se veio juntar à mais de meia centena de processos de contra-ordenação instaurados pela ASAE pela prática de acções de discriminação em função do sexo, raça, etnia ou deficiência, nos últimos cinco anos, segundo adiantou então uma fonte daquele organismo ao PÚBLICO. Quatro destes processos referem-se a discriminação de indivíduos de etnia cigana e por deficiência em empreendimentos turísticos.

No site da Casa D’ João Enes especificava-se: “Caso se encontre numa das quatro situações abaixo indicadas, queira fazer o favor de não prosseguir com a sua reserva, sob pena de ser vedada a admissão às nossas instalações: adeptos de futebol; frequentadores/adeptos de festivais de música de Verão; gays e lésbicas; consumidores de estupefacientes e quaisquer substâncias psicotrópicas.” Na sequência de medida cautelar da ASAE, o aviso foi entretanto retirado.

No dia da denúncia, o proprietário do empreendimento alegou ao DN que tinha o direito de escolher quem entrava ou não. No local onde estava o aviso que deu origem à polémica está agora escrito: “Nos termos da legislação aplicável, o acesso a este espaço é livre.”

 

Ana Vasconcelos, pedopsiquiatra: “Comove-me a quantidade de crianças que são cuidadoras de pais infelizes”

Agosto 10, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da http://activa.sapo.pt/ a Ana Vasconcelos a 24 de julho de 2016.

gonçalo santos

É uma ‘decifradora’ de crianças, mas, mais do que isso, é uma defensora dos seus direitos. A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos ajuda-nos a perceber melhor que tipo de filho estamos a educar e que tipo de mãe somos.

Catarina Fonseca

Ana Vasconcelos é uma das principais aliadas das crianças portuguesas: no seu consultório passam diariamente muitas crianças em sofrimento. Nasceu em Lisboa, formou-se em medicina e especializou-se em psiquiatria da criança e do adolescente em Paris. Participou no primeiro curso de mediação familiar do CEJ (Centro de Estudos Judiciários), é um dos membros fundadores da Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica e membro da SPPS (Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde).

Também já lhe pedi conselho várias vezes, para vários artigos, mas hoje estamos sem ‘tema’. Afinal, é uma entrevista. Podemos começar por qualquer sítio. Pergunto-lhe se quer dar o mote, desafio que a pedopsiquiatra aceita imediatamente: “Muito bem. Então dou-lhe o seguinte: ‘para que os amanhãs possam cantar’, de que me lembrei a propósito de um poema da Sophia de Mello Breyner, que nos faz pensar que o dia de hoje tem de nos ajudar a que a gente se sinta esperançosa.

Temos falta de esperança, hoje?

Acho que, mais do que nunca, temos receio do futuro. Porque o presente não tem sido bom, e nós alicerçamos o futuro no presente. Uma das coisas complicadas na pedopsiquiatria é que cada vez mais se faz clínica do instante em vez de clínica da história da pessoa. Os médicos têm muito pouco tempo para os pacientes, os professores têm muitas crianças. E faz-nos muita falta um tempo de melhor qualidade que não esteja tão ameaçado por estes ritmos da competição e da funcionalidade.

Quando é que as coisas começaram a correr mal?

A partir da altura em que a sociedade industrial criou a competição e a filosofia do ‘ou eu ou tu’. Dantes, na sociedade tribal, o que reinava era o coletivo e a partilha, embora houvesse sempre quem mandava e quem obedecia. Mas esta sociedade está a gerar muitos problemas na sua competição desenfreada.

A competitividade não pode desenvolver as nossas capacidades?

Pode, se estiver inserida num plano de desafio e não num plano do ‘ou eu ou tu’. Mais do que ‘eu melhor do que tu’ devemos educar para o ‘nós melhores do que há pouco’. Curiosamente, há quem diga que os miúdos não estão a ser educados para o brio, em que se dá o nosso melhor para alcançar um objetivo. O brio não está ligado à competição, está ligado ao reconhecimento. Esforçamo-nos mais quando alguém reconhece o nosso empenho.

Mas as crianças não querem todas ser melhores do que as outras e ter tudo para elas?

Claro que sim. Isso é natural. A partir dos 12 meses o individualismo tem de dominar, porque eu tenho de saber pisar bem o chão para me sentir seguro. Mas é muito importante que nesse individualismo, que é inerente ao desenvolvimento do cérebro, exista um cuidador que comece a educar para a empatia. Que diga – Muito bem, foste buscar um rebuçado para ti, podes trazer outro para o mano? – Que saiba orientar do individualismo para a partilha.

E quando as próprias mães querem que os filhos tenham mais do que os outros?

Isso acontece porque os adultos se descentraram do seu papel de responsabilidade parental.

E qual é esse papel?

Os adultos devem ser bússolas empáticas para as crianças. A empatia tem de existir porque nós temos neurónios-espelho que têm de ser postos a funcionar. Os neurónios-espelho são aquilo que em nós reconhece o outro a partir das nossas experiências. É pela forma como eu sei dar, que eu sei me sentir no mundo. E não se trata de ser ‘boa pessoa’. Trata-se de perceber, como dizia o Adriano Moreira, que o mundo é a casa de todos os homens.

O problema é que os miúdos são hoje mais educados por ecrãs do que pelos pais…

O que acontece é que os ecrãs não estimulam os neurónios-espelho. Quando eu olho para os olhos de alguém, olho para os olhos da pessoa porque sei que também tenho olhos. O outro é o meu reflexo. Se o outro estiver dentro de um ecrã, não existe essa convocação de determinadas memórias em que eu vou tentar perceber o que o outro sente baseado nas minhas próprias experiências. Eu posso dizer – Olha, tens o cabelo um bocadinho despenteado – ou então– Estás mesmo feia, vê lá se te arranjas. A maneira como eu coloco o outro dentro de mim vai determinar se consigo ou não construir uma relação de sintonização afetiva. Num ecrã, só temos a parte visual, e não a parte das memórias afetivas. Isto está ligado à comunicação icónico-simbólica, que é o que está a causar tanto do insucesso nas nossas escolas.

Pode explicar?

Os miúdos têm hoje muita dificuldade em chegar aos conceitos sem uma coisa concreta. Tipo: ‘A Galp? Ah, aquela coisa cor de laranja’ – em vez de – ‘A empresa que explora o comércio da gasolina em Portugal’. Ou seja, eles não têm palavras para explicar os conceitos.

Porque é que não têm palavras?

Porque estão entupidos com imagens das máquinas. Um filme dá 18 a 30 imagens por segundo, nós só dizemos 4 ou 5 palavras por segundo. Portanto, temos que dar-nos muito mais tempo para ir buscar ao nosso dicionário as palavras com que descrever uma situação. No 11 de Setembro, quando as torres caíram, reparei nas pessoas que me conseguiam explicar bem a situação. A maioria convocava as imagens do terror, mas não conseguia descrever as imagens do seu cérebro. Como nós todos partilhávamos as mesmas imagens, era mais fácil convocar o ícone. Problema: um ícone ajuda-nos a reconhecer imediatamente as coisas, mas podemos eventualmente não partilhar os mesmos sentimentos ou opiniões, e isso gera imensos equívocos.

Estamos a caminhar para um pensamento por imagens?

Sim. Estamos a caminhar para um pensamento muito económico e simbólico. Isso ajuda na pressa com que temos de viver o quotidiano, mas não ajuda no desenvolvimento da nossa identidade narrativa. Permite sintonizar-nos mais rapidamente com o outro. Mas o nosso tempo é de egocentrismo e individualismo, é um tempo que nos afasta da nossa própria história.

Quais são as consequências de estar longe da nossa história?

Dou-lhe um exemplo. Quando eu fui a Paris fazer a minha tese de doutoramento, trabalhei com porteiras portuguesas e com mães tunisinas e espanholas. Verifiquei que os miúdos portugueses eram passivos, calados e gordinhos, enquanto os tunisinos eram alegres e ativos. E percebi que, enquanto as mães tunisinas partilhavam com orgulho a sua cultura e a sua história coletiva, as mães portuguesas viviam numa tristeza brutal e silenciosa. E eu perguntava – Então não fala sobre Portugal aos seus filhos? – e elas queriam era esquecer, estavam num estado depressivo que fazia com que inibissem verbalmente as memórias e que as incapacitava de serem mães atuantes junto dos filhos. Eram mães sem narrativas, com imensas lágrimas e uma solidão brutal. Isso hoje, felizmente, já não é tanto assim.

Porque é que a procuram hoje, no seu consultório?

Basicamente, pela desadaptação dos filhos, quer social quer escolar. E também pela não-comunicação dos miúdos, sabendo que os miúdos neste momento fazem apelos aflitivos: ou se cortam, ou deixam cartas, ou fazem desabafos nas redes sociais. Mas como as pessoas já não conversam tanto, estes sinais são mais visíveis, ou adivinhados, nem sempre há uma comunicação verbal. Às vezes é difícil estar atento. A nossa vida é difícil, Portugal é um país difícil, e portanto somos muito desviados da nossa condição de cuidadores.

Por outro lado, nunca como hoje se publicou tanto livro sobre parentalidade…

É verdade. Por um lado, desvalorizamos a intuição. Há dois tipos de pessoas: os analíticos e os intuitivos. O pensamento intuitivo ficou muito desvalorizado pelo ‘boom’ da educação. Por outro lado, tentar o que se aconselha nos livros é a mesma coisa que fazer leite-creme pela receita: aquilo nunca sai bem à primeira, é preciso treinar. E nós não temos paciência, queremos que as coisas resultem imediatamente. Outras vezes, vemos os sinais dos filhos e queremos respostas imediatas. Por exemplo, a criança amua e nós vamos a correr ao psicólogo, enquanto os nossos avós encolhiam os ombros e diziam: ‘Tem mau feitio…’

Os pais também se queixam de que os filhos não comunicam?

Dizem: ‘Mas ele não me quer dizer o que tem!’ Não: ele não consegue. Claro que ele verbaliza ‘Eu não quero’. Mas não está é a conseguir explicar. É essa ligação que importa conseguir. Porque o nosso cérebro existe para a gente lidar com a nossa imperfeição física. Todos nós somos fisicamente mal-paridos (risos). E o cérebro desenvolve-se cada vez mais para compensar esta fragilidade física. O cérebro dá-nos a opção de analisar, decidir e escolher o que fazer.

Mas os pais estão hoje muito obcecados com as crianças…

Sim. Não era preciso tanto. Acho que, neste momento, o essencial é voltar às coisas simples.

Disse uma vez que não estamos a educar para a autonomia…

E não estamos. O pensamento pouco reflexivo faz com que as pessoas precisem muito de utilizar o material, o concreto. Dantes ligava-se aos filhos uma vez por dia, à noite. Agora pegamos no telemóvel e ligamos a toda a hora, queremos resposta imediata, somos muito impacientes. ‘Onde é que estás?’ – é a nossa pergunta constante. Ora o que é que isso interessa onde está? Se ele tiver esta ‘corda’ pequenina, não desenvolve autonomia, só desenvolve insegurança.

Houve alguma altura em que tivesse pensado ‘a minha experiência não me está a ajudar com os meus filhos’?

Houve. Quando me divorciei. Tenho três filhos, o mais novo tinha 2 anos, o mais velho, 10. Isto pode parecer estúpido, mas eu senti que seria desonesto dizer uma coisa no meu consultório e fazer outra na minha vida. Aquilo que nos dá mais tranquilidade interna é a coerência, que se consegue não pelo que se diz mas pelo que se faz, no resultado das nossas ações. Quando penso nisso, acho que sim, que consegui. Mas percebi então que não era uma supermãe.

O que é preciso hoje para sermos bons pais, embora não superpais?

Gostar de nós e gostar dos miúdos. É o essencial. Claro que isso depois implica montes de escolhas. Por exemplo, eu nunca me preocupei muito em ganhar dinheiro. Temos de saber o que queremos na vida, quais são as nossas prioridades. E temos de ser honestos com as nossas capacidades e limitações. Ainda hoje sinto, como mãe e como avó, que faço muita asneira, todos os dias. Mas sendo ateia, sempre tentei que a minha culpabilidade em relação a isso se transformasse em tentar fazer melhor.

Há maneira de escapar à culpa materna?

Talvez não. Mas cada um tem de construir o seu ‘mapa-mundi’ pessoal dentro de si. Temos de perceber que não somos imortais. Temos de pensar no nosso fim, para sermos mais humildes, porque andamos a gastar-nos em coisas que não nos dão lucro humano.

Fale-me de uma pessoa fantástica que tenha ido ao seu gabinete…

Todas as crianças são fantásticas, porque está ali tudo a começar. Eu faço de Sherlock Holmes em todas as consultas. Os miúdos que estão em sofrimento dão-nos sempre pistas e mostram-nos como somos fantásticos, nós, humanos, a pensar e a sentir. Uma coisa que me comove imenso hoje em dia é a quantidade de crianças que neste momento são cuidadoras de pais infelizes. Esta capacidade de generosidade é imensa. É claro que elas precisam que os pais cuidem delas, mas há miúdos com uma capacidade imensa de cuidar do outro no sentido de preservar os laços que unem aquela família. As crianças defendem os pais mesmo quando esses pais são disfuncionais. Isto é muitíssimo comovente. E também é por isso que nunca se deve obrigar uma criança em situação de litígio a escolher um dos pais.

Defender os pais não é uma técnica de sobrevivência?

No limite, todo o tipo de afeto é uma técnica de sobrevivência. Porque nós só conseguimos muito tarde tornar-nos autónomos dos nossos pais. Portanto, temos de garantir o seu afeto. O nosso cérebro é gregário, é de partilha, não é de um predador. Não há cérebros sozinhos. O bebé tem uma predisposição para se sintonizar com um adulto cuidador, mesmo um mau cuidador. Por isso é que muitas vezes os miúdos copiam os pais mesmo em situações negativas. Mas isso não os torna menos comoventes.

Voltámos aos amanhãs que cantam?

Voltamos sempre. Estamos em tempos muito escuros, mas acredito verdadeiramente que, se soubermos procurar, há sempre uma luz que vem ao nosso encontro.

 

 

 

 

Há mais de dez mil crianças refugiadas desaparecidas na Europa

Agosto 10, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 21 de julho de 2016.

anadolu agency getty images

Novo relatório da Europol confirma mais de 10.000 crianças refugiadas que desapareceram depois de chegarem à Europa, desde 2015. A Missing Children Europe é a organização que os procura.

Amir Jasim Shamo é um menino sírio de 13 anos que tinha um sonho: chegar à Europa. No pico do inverno, Amir embarcou na Turquia para tentar atravessar o mar Mediterrâneo e chegar às ilhas gregas. Depois de atracar em Farmakonisi, Amir desapareceu.

Segundo um relatório da Europol, Amir é apenas uma das mais de 10.000 crianças refugiadas que desapareceram depois de chegarem à Europa, desde 2015.

A Missing Children Europe é uma rede de mais de 30 organizações não-governamentais, com sede em Bruxelas, que espalha cartazes com fotografias e dados que permitem identificar crianças desaparecidas. Em muitos desses cartazes está a cara de Amir. Outro cartaz mostra dois meninos sírios que desaparecem: Alnd de cinco anos e Roder, o seu irmão de quatro anos. O tio dos dois rapazes, Othman, contou que Alnd e Roder eram inseparáveis.

Depois de uma viagem de vários dias entre a Síria e a Turquia, os meninos embarcaram com a família em direção à Grécia, em busca de um refúgio da guerra, de uma vida melhor. Mas a embarcação nunca chegou a terra. Afundou ao largo da costa grega e os tripulantes foram resgatados pela guarda costeira turca. Quando a contagem dos resgatados foi feita, os irmãos tinham desaparecido.

A família recorreu à Missing Children Europe para encontrar os meninos. A organização apressou-se a espalhar cartazes por toda a Europa para ajudar na procura dos dois irmãos.

O El Mundo explica que esta iniciativa levada a cabo pela Missing Children Europe (MEC) é a primeira do género — a focar-se somente em crianças –, desde que começou a crise dos refugiados, em 2015.

A responsável pelos refugiados da rede de ONGs, Federica Toscano, explicou que desde o início da crise de refugiados que a MEC se tem encarregado de procurar os desaparecidos, mas que desta vez escolheu uma campanha focada principalmente em crianças como forma de “sensibilizar os europeus para a situação”.

Federica ressalvou que não aparecem nem vão aparecer fotografias de todas as crianças. “Antes de tornar pública a fotografia, avaliamos se a sua divulgação pode pôr em causa a sua segurança”, explicou a responsável pelos refugiados.

As crianças que desaparecem

Amir não foi a única criança que procurava atingir a Grécia a aparecer nos cartazes da Missing Children Europe. Dois irmãos, Alkafagi, de seis anos e o irmão bebé, Mohamed de um ano, desapareceram na mesma rota.

Os irmãos Abaas viajavam sozinhos, talvez separados da família numa fronteira do Mar Mediterrâneo, como acontece a muitas das crianças que procuram um porto seguro na Europa.

Os países onde se registam mais desaparecimentos são a Alemanha, Bélgica, França, Itália e Reino Unido e a rota dos Balcãs (Grécia, Macedónia, Sérvia, Hungria e Áustria).

Delphine Moralis, secretária geral da MEC, afirmou que as buscas nestes casos costumam “ser muito lentas, na maior parte das vezes por falta de informação” que não permite ter uma imagem “geral do problema”.

Uma representante da UNICEF explicou ao El Mundo o processo que pode levar uma criança a desaparecer:

“Para estes desaparecimentos podem contribuir uma série de situações: os pequenos podem estar onze meses há espera num centro de acolhimento até que o país de acolhimento examine o seu pedido de asilo. Muitas vezes estes menores passam pelo processo sem um representante legal ou um tradutor e sem saberem os seus direitos. Muitas vezes nem têm um sítio para dormir devido à saturação. Estas situações aumentam o desespero e impulsiona-os a fugir.”

Dados da UNICEF informam que mais de 90% das crianças que chegam a estes centros têm entre 14 e 17 anos e vêm, principalmente, do Afeganistão, África Subsariana, Iraque, Marrocos e Síria.

 


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