Ciência. 7 coisas que os adultos não sabem explicar às crianças

Julho 31, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Texto do Observador de 4 de julho de 2016.

getty images

Marta Leite Ferreira

Como é que as plantas comem? Porque é que sou menina? De onde vêm as vacinas? Quando os miúdos entram na idade dos porquês, nem sempre os adultos conseguem acompanha-los. Saiba responder a tudo aqui.

A idade dos porquês pode ser uma fase particularmente desanimadora para os adultos: é quando os filhos começam a fazer (demasiadas) perguntas (difíceis) que os pais se dão conta que afinal também têm muito para aprender. Não há mal nenhum em admitir o desconhecimento, mas é sempre uma boa oportunidade para aumentar a bagagem cultural que se tem.

É por isso que o Observador lhe explica sete perguntas científicas que as crianças querem ver respondidas, mas que nem todos os adultos sabem desvendar. Da biologia à geologia, passando pela genética, aprenda mais aqui em baixo. Que agora, nas férias, pode brilhar frente aos mais pequenos.

1. O que é a fotossíntese?

As plantas, tal como as pessoas, precisam de se alimentar. E a fotossíntese é o processo através do qual as plantas “fabricam” o seu próprio alimento. Para tal, precisam de três ingredientes: a luz do Sol, a água e o dióxido de carbono. Eis o que acontece: as raízes das plantas são as responsáveis por absorver os sais minerais que estão na água que circula na terra. Esses sais minerais viajam por dentro da planta das raízes até às folhas.

Ora, as folhas são feitas de células especiais: são as células vegetais, que têm algumas diferenças das células animais que compõem o ser humano. Dentro das células vegetais há um pigmento chamado clorofila que tem duas funções: dar às folhas a cor verde e captar a luz do sol. Há também uma outra estrutura, os estomas, que agarram o dióxido de carbono que existe no ar.

Quando nas folhas já há sais mineiras vindos através das raízes, energia do sol captada pela clorofila e dióxido de carbono armazenado nos estomas, as plantas podem começar a “fabricar”: além do alimento de que precisam para sobreviver – a glicose ou seiva elaborada, que depois é distribuída por todas as partes da planta -, a fotossíntese também permite que as folhas libertem oxigénio, uma molécula que compõe o ar que respiramos e que garante a sobrevivência dos seres vivos. É por isso que é tão importante preservar os espaços verdes e as florestas: são eles que tornam o planeta Terra habitável.

2. Porque é que o Sol brilha?

O Sol brilha porque é um corpo celeste incandescente, ou seja, está a uma temperatura tão alta (5505ºC à superfície) que começa a emitir radiação eletromagnética sob a forma de luz. Essa luz é o resultado de uma transformação que ocorre dentro das estrelas, que são “bolas de fogo a arder a milhões de quilómetros de distância”, tal como Pumba diz a Timon no filme “Rei Leão”. A transformação chama-se “fusão nuclear” e acontece quando, dentro da estrela, uma série de reações químicas permite transformar grandes quantidades de hidrogénio em hélio.

O hidrogénio é um elemento químico que existe na parte mais profunda das estrelas. É feito de duas peças (os cientistas chamam essas peças de partículas): os eletrões, que têm carga elétrica negativa, e os protões, que têm carga elétrica positiva. Como dentro das estrelas há muito calor e muita pressão, dois átomos de hidrogénio começam a fundir-se com dois eletrões e dois protões. É assim que nasce um outro elemento químico: o hélio, que depois ainda vai dar origem a outros elementos químicos.

No meio de todas essas transformações – ou reações nucleares – há muita energia libertada das camadas mais profundas até às mais superficiais da estrela. Essa energia é depois solta pelo universo em todas as direções, incluindo para o planeta Terra. A luz e o calor que sentimos quando estamos ao Sol é o produto das reações que aconteceram nas profundezas da nossa estrela.

3. Como nascem as borboletas?

As borboletas nascem através de um processo chamado metamorfose. Tudo começa quando a borboleta mãe larga o ovo nas folhas das árvores. Ao fim de trinta semanas, o ovo eclode e sai de lá uma pequena lagarta esfomeada. Essa lagarta começa por comer as cascas do ovo, porque é um alimento cheio de nutrientes que a ajudará a crescer. Quando essas cascas acabam, a lagarta começa também a comer as folhas da árvore onde a borboleta mãe a deixou.

Assim que se torna numa lagarga adulta pára de comer e prepara-se para uma grande transformação dentro de uma bolsa chamada crisálida. Passa depois várias semanas a trocar de pele – pode chegar a trocar catorze vezes – para permitir às suas células que se modifiquem o suficiente para a transformar numa borboleta: umas partes do seu corpo desaparecem, outras novas surgem. É então que a crisálida se abre. Ao fim de alguns minutos a borboleta já está pronta a voar.

4. Porque é que o céu é azul?

Quando a luz do Sol atravessa pelo menos um prisma através de uma trajetória específica, ela divide-se em sete cores diferentes que têm, cada uma delas, um comprimento de onda diferente. A atmosfera, a camada de gases que envolve a Terra e a que chamamos de “céu”, funciona exatamente como um prisma: quando os raios solares atravessam as moléculas de água e as poeiras da atmosfera, a luz solar divide-se em sete cores diferentes de acordo com os seus comprimentos de onda. Neste caso, é o comprimento de onda correspondente à cor azul que chega até nós. Mas porquê?

A cor de um objeto depende do comprimento de onda que esse objeto reflete. Por exemplo, as folhas são verdes porque precisam de todas as outras cores do espetro da luz solar para fazer a fotossíntese. Como não precisam do comprimento de onda corresponde à cor verde, refletem-na cá para fora. Ora, como as partículas e moléculas que compõem a atmosfera são muito pequenas costumam refletir os comprimentos de onda mais pequenos, que correspondem aos tons de azul e violeta.

Os objetos pretos não refletem nenhum dos comprimentos de onda que compõem a luz solar, enquanto os objetos brancos refletem-nos a todos.

5. Porque é que a terra abana?

O planeta Terra tem várias camadas: atmosfera (a camada gasosa que envolve o planeta e que nos permite respirar), a crosta (camada sólida mais superficial, onde nós caminhamos), o manto (uma camada semi-líquida onde está armazenada a lava dos vulcões) e dois núcleos (um líquido e outro sólido, que são as camadas mais profundas). A crosta é feita de porções que se chamam “placas tectónicas” e que interagem entre si: numas partes elas afastam-se, noutras elas colidem e noutras raspam umas nas outras. Normalmente são estas as causadoras desses abanos – que são os sismos ou terramotos – que sentimos.

Nas partes da crosta onde elas se afastam (limites divergentes) é onde a crosta terrestre se renova ao longo de milhões de anos. Nas partes onde elas colidem (limites convergentes) é onde crescem as grandes cordilheiras de montanhas, como os Himalaias. E nas partes onde raspam uma na outra (limites conservativos), a crosta terrestre armazena grandes quantidades de energia com o passar do tempo nas rochas. Quando essas rochas não conseguem suportar mais energia, soltam-na e a terra abana. Quanto maior a quantidade de energia libertada, maior será o sismo.

6. Porque é que eu sou menino/menina?

As características de todos os seres vivos do mundo, incluindo o ser humano, são determinadas pelo código genético. O código genético é determinado pelos genes que compõem o ADN e que funciona como um manual de instruções personalizado presente em todas as células do nosso corpo. Vários genes juntos formam um cromossoma.

O número de cromossomas depende da espécie: cada ser humano tem 46 cromossomas e dois deles – cromossomas sexuais – têm a função de informar as nossas células de que somos meninos ou meninas. Há dois tipos de cromossomas sexuais: X e Y. Os dois cromossomas das meninas são “XX” enquanto os cromossomas dos meninos são “XY”. Um dos cromossomas é-nos dado pelo nosso pai e o outro é dado pela nossa mãe através de umas células especiais: os espermatozoides (dos homens) e os óvulos (das mulheres)

Cada espermatozoide e cada óvulo guardam metade da informação que cada um de nós tem: os óvulos têm sempre cromossomas X, mas os espermatozoides tanto podem ser X como Y. Quando um espermatozoide e um óvulo se juntam dentro do corpo da futura mãe vai decidir-se o género do bebé: se um óvulo se junta com um espermatozoide X nasce uma menina, mas se um óvulo se junta com um espermatozoide Y nasce um menino.

7. Porque é que as pessoas levam vacinas?

As pessoas levam vacinas porque essa é uma boa forma de evitarem determinadas doenças. Quando ficamos doentes significa que o nosso sistema imunitário, os escudos que o corpo humano tem para se evitar as doenças, não conseguiu lutar contra um determinado vírus ou bactéria. Se um médico ou enfermeiro nos pica, está a introduzir no nosso sistema uma série de proteínas e toxinas extraídas dos vírus e bactérias.

Isto não é mau porque é feito de forma controlada em laboratório. Quando esses vírus ou bactérias chegam ao nosso corpo, o sistema imunitário reage tal e qual como se tivéssemos sido infetados naturalmente. O corpo humano começa então a produzir uns escudos especiais – os anticorpos – que preparam-nos para lutar contra essa doença. Tornamo-nos imunes ou, pelo menos, mais resistentes às doenças mais graves.

 

 


Entries e comentários feeds.