Palavras Andarilhas – 25 a 28 agosto em Beja

Julho 25, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações:

https://palavrasandarilhas.wordpress.com/

https://www.facebook.com/palavrasandarilhas/?fref=ts

Como comunicar com os filhos de forma positiva e eficaz

Julho 25, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 30 de junho de 2016.

detinjarije

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Uma comunicação eficaz está na base de uma relação equilibrada e saudável, revestindo-se de maior importância quando falamos da relação entre Pais e Filhos. É através da comunicação que expressamos aos outros o que queremos, o que sentimos, o que não gostamos, o que precisamos e é graças a ela que podemos atingir a sensação de que somos plenamente compreendidos e respeitados.

Porque é que ele não me ouve?”, “Não liga nada ao que eu lhe digo!” ouTenho que repetir a mesma coisa mil vezes!”, são frases que surgem recorrentemente no discurso de Pais e Mães, de crianças ou adolescentes, como reflexo da dificuldade que muitas vezes sentimos em chegar aos nossos filhos através das palavras.

Ora se os nossos filhos não nos escutam, não falam connosco ou a muito custo cumprem as ordens que lhes damos é porque algo está mal na forma como comunicamos uns com os outros. Talvez aquilo que dizemos, ou como o dizemos, não traduza correctamente o que realmente queremos expressar, resultando no incumprimento de uma regra ou ordem, ou mais grave ainda, influenciando negativamente a relação que estamos a estabelecer com os nossos filhos.

Porque a forma como falamos é tão ou mais importante como o que falamos, seguem-se algumas estratégias facilitadoras de uma comunicação mais positiva e eficaz entre Pais/Filhos:

Diga o que quer que o seu filho faça e não o que não quer

Sempre que a criança adoptar um comportamento desadequado, pense num comportamento alternativo desejável e formule estão a frase.

Em vez de dizer “Não faças tanto barulho.”, diga “Estás a incomodar-me com os teus gritos. Brinca sem fazeres tanto barulho.”

Em vez de dizer “Não deixes os teus brinquedos desarrumados.”, diga “ Gostava que arrumasses os teus brinquedos.”

– Não diga tantas vezes NÃO

O não talvez seja a palavra que mais usamos quando falamos com os nossos filhos. O não e o despacha-te.

Para dizermos mais vezes sim temos que ser mais flexíveis, estarmos abertos à negociação e, acima de tudo, sermos mais criativos para podermos dar alternativas ou escolhas aos nossos filhos. Como? Assim:

Em vez de dizer “Já te disse que hoje não há gelado para a sobremesa.”, diga “Hoje temos fruta para a sobremesa. Melancia ou pêssego. Tu escolhes.

Em vez de dizer “Agora não podes jogar no telemóvel.”, diga “Podemos fazer juntos um puzzle ou um desenho. O que preferes?”

– Reduza o número de ordens

Está provado que filhos de pais que recorrem excessivamente às ordens desenvolvem mais problemas de comportamento.

Para aumentar a colaboração e empatia dos nossos filhos para connosco é importante darmos alguma liberdade para que as crianças possam decidir certo tipo de coisas sozinhas, diminuído, ao mesmo tempo, o número de ordens que damos lá por casa.

Evite dar ordens relativamente a aspectos que considere que não são assim tão importantes, como por exemplo, qual a t-shirt que a criança deve vestir, com que jogo deve brincar, que desenho deve fazer, etc.

Não repita uma ordem quando o seu filho já a está a cumprir, como dizer “Veste-te.”, quando a criança já se está a vestir ou “Come.”, quando o seu filho já está a comer.

– Avise previamente que vai chegar o momento de cumprir uma acção

Porque a concepção temporal das crianças em muito difere da dos adultos, sendo muito fácil elas se perderem no tempo, sempre que possível prepare-as para a transição de uma acção, avisando-as previamente de que algo vai acontecer a seguir, principalmente se elas estiverem a fazer algo de que gostam.

Assim, alerte-as para que “Daqui a 5 minutos temos que ir tomar banho.” ou “Tens mais 10 minutos para brincar, porque depois temos que ir jantar.”, e não exija obediência imediata.

Quando o fizer, opte por estar junto da criança, evitando gritar a ordem numa outra divisão da casa, certificando-se assim de que a criança ouviu e entendeu o que lhe está a dizer.

– Dê ordens sem se zangar e sem ofender nem humilhar a criança

Mais vezes do que com certeza gostaríamos, porque estamos cansados, fartos ou irritados, acontece que ao chamarmos à atenção aos nossos filhos fazemos uso da crítica negativa, transformando um simples comentário num verdadeiro ataque à criança, resultando em frases do género “És mesmo irresponsável! Todos os dias tenho que te mandar fazer os TPCs” quando um simples “Não te vejo a fazer os TPCs.” bastaria.

Se desejamos comunicar positiva e eficazmente com os nossos filhos, é fundamental que estejamos muito atentos à forma como os chamamos à atenção para algo que está menos bem ou quando lhe damos uma ordem, sem ofender ou humilhar, expressando-nos de forma educada e respeitosa.

Boas Comunicações

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“Uma criança refugiada não se salva com comida, é preciso dar-lhe colo”

Julho 25, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Público a Lora Pappa de 30 de junho de 2016.

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Quando os políticos não fazem o seu trabalho e as regras não servem, há sempre alguém que não desiste. Lora Pappa não desistiu da Europa, mesmo quando a Europa desistiu dela. Aconselhou governos e foi consultora do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR). Depois de décadas a identificar as falhas no sistema de acolhimento de refugiados percebeu que só tinha uma opção. “Começámos do zero, decidimos fazer o que ninguém estava a fazer”, explica. Em 2010, fundou a ONG METAdrasi para ajudar as crianças que sobrevivem às guerras e se perderam dos pais a começar de novo. “O que eu mais queria era que o nosso trabalho deixasse de ser necessário”, diz a activista, em Lisboa para receber o Prémio Norte-sul do Conselho da Europa.

Como é que ninguém se tinha lembrado que as crianças têm necessidades especiais?

Em situações normais, o mandato do ACNUR é pressionar os governos a fazer o que é preciso. Nos anos todos que lá passei, fui percebendo quais eram as grandes falhas do sistema de acolhimento grego. A maior de todas era que muitos menores sem acompanhantes estavam em centros de detenção. E o mais extraordinário é que já havia centros só para menores em Atenas, mas não havia quem se responsabilizasse e os acompanhasse até lá.

O problema era a falta de guardiões legais?

Exacto. Foi um grande risco, porque há crianças que fogem e nós podemos ter problemas com a justiça. Mas decidimos que valia a pena. Dissemos, “alguém tem de o fazer”. Começámos devagar, formámos assistentes sociais e treinámos intérpretes. O objectivo era que as crianças não passassem mais de 24 horas no centro de detenção. No nosso primeiro ano de actividade, 2011, tivemos muitos problemas com traficantes e fomos obrigados a contratar seguranças. Estes miúdos estão perdidos, não confiam em ninguém. E se alguém que viram no barco as convence a fugir para seguir viagem… é muito difícil explicar-lhes que é mais seguro ficar.

Quantas crianças já acompanharam?

Mais de 3700. Há os números oficiais e há a realidade, que é muito diferente. Percebemos que muitos menores não acompanhados nem sequer são registados como crianças. Dizem à polícia que têm 18 ou 19 anos porque têm medo de ser presos. E os polícias não têm culpa, não estão treinados para saber como agir.

E em que estado é que estas crianças vos chegam às mãos?

Quando uma criança sobreviveu à guerra e depois sobreviveu a um naufrágio, quando se perdeu dos pais e nem sabe se ainda tem família, tem de aparecer um adulto que perceba que tem de começar por lhe lembrar que é uma criança. São casos muito especiais, é preciso criar uma rede para que os miúdos voltem a sentir-se seguros. Por isso é que criámos a figura do guardião. Em muitos casos, elas nem sabem o que querem, já só sabem o que lhes disseram para fazer. “Tens de chegar à Alemanha”, “Vens connosco, que vamos tratar de ti”. Às vezes, basta um dia connosco e para voltarem a lembrar-se que são crianças.

O Governo e as instituições europeias já perceberam a razão de ser do vosso trabalho?

Demorou, mas agora percebem. Aliás, as outras ONG e os serviços do Governo estão sempre a pedir-nos ajuda. Quando a crise começou nós já tínhamos os guardiões nas fronteiras, nas ilhas, e em Atenas. Era só uma gota do oceano, mas era uma gota fundamental. Mas há quem ainda não entenda o nosso trabalho, quem pense que basta pôr-lhe um prato de comida à frente. Mas não pode ser, as crianças são crianças. Uma criança refugiada não se salva com comida, é preciso dar-lhe colo. Devíamos conseguir que cada criança tivesse o seu guardião, mas nas alturas mais complicadas temos de fazer opções. A certa altura, tivemos de dar prioridade aos rapazes até aos 15 anos, mas conseguimos sempre guardiões para todas as raparigas com menos de 18. Ter um guardião aumenta em 40% as possibilidades de uma criança ficar na Grécia em vez de seguir caminho e cair nas redes de traficantes. Nós não as largamos, se os pais ficaram para trás não descansamos até os encontrar. E os pais nunca desistem, há famílias que passam quatro meses na Grécia à procura dos filhos…

E quando já não há pais nem outros familiares?

Explicamos-lhes que é melhor ficarem connosco. Muitas vezes eles não sabem que os pais morreram, só sabem que se perderam deles. É preciso dar-lhes tempo para até poderem decidir por si próprios. Outras vezes viram os pais morrer, sabem que se afogaram. Mas para podermos avançar e requerer o asilo exigem-nos corpos e certificados de óbito… Como é que explica aos burocratas em Bruxelas que os corpos foram comidos pelos peixes?

Com o acordo entre a União Europeia e os turcos, os refugiados que já estavam na Grécia foram todos encerrados em centros de detenção à espera de serem devolvidos à Turquia. Como é que isso dificultou o vosso trabalho?

O acordo é uma loucura. A luta já era constante, mas ficou tudo pior. Quando a fronteira foi encerrada, em Fevereiro, nós estimámos que havia 2000 crianças desacompanhadas a tentar passar para a Macedónia. Finalmente, há duas semanas, os serviços gregos de asilo começaram o pré-registo dos menores… Já encontraram 500 na Grécia continental e mais de 300 nas ilhas. Estavam detidas nos centros e ninguém sabia.

A União Europeia abandonou os gregos?

Quando a União assinou o acordo com a Turquia nem pensou no que estava a fazer à Grécia. Toda a gente sabia que os serviços de asilo gregos têm 250 funcionários. É preciso ser-se de outro planeta para não perceber que no dia seguinte à entrada em vigor do acordo toda aquela gente ia requerer asilo. E de um momento para outro temos 8000 pessoas a pedir asilo e… os mesmos 250 funcionários. Toda a ajuda que ia chegar nunca chegou.

E como é que os serviços gregos tentam fazer face a isto?

O que sei é que é os gregos fazem o que podem. Mas sem a solidariedade dos outros Estados membros é uma missão impossível. Em Agosto do ano passado, por exemplo, percebi que o número oficial de menores não acompanhados era igual ao do Verão de 2014… Com toda a gente que estava a chegar, claro que não podia ser! Apanhei um avião para [a ilha de] Lesbos e nem queria acreditar, havia crianças sozinhas por todo o lado. Mas os polícias não sabiam o que fazer. “Obrigo-as a irem para os centros de detenção? Já nem há áreas separadas”, diziam-me. Não podem ser os polícias a decidir o destino destas crianças. Foi aí que percebemos que tínhamos de criar centros de trânsito especiais. Batemos a todas as portas a pedir dinheiro e a União Europeia respondeu que não nos podia ajudar, estava a gastar tudo com as ONG estrangeiras. Finalmente, conseguimos o financiamento através de jovens gregos que vivem nos Estados Unidos. E a situação era dramática, tínhamos crianças a enforcarem-se, uma rapariga foi violada…

Como é que é possível que as regras estejam tão longe da realidade?

Não sei. O que sei é que a Comissão Europeia tem o seu ritmo. O “monstro” da burocracia não se compadece com a realidade. Talvez tudo mude agora com o “Brexit”. Não estou muito optimista, mas gostava que fosse uma chamada de atenção, que obrigasse quem decide a parar para pensar. Infelizmente, não acredito. Às vezes penso os líderes europeus só vão acordar no dia em que o continente estiver em guerra.

Se o acordo for levado à letra, a ideia é que a Grécia não respeite os direitos humanos e as Convenções de Genebra. O que eu sei é que os funcionários fazem o possível e o impossível para não tornar a vida destas pessoas ainda mais difícil.

A somar a tudo o que foi prometido à Grécia e nunca se fez, por causa do acordo houve ONG estrangeiras que decidiram sair do país.

Sim, é um luxo que nós não temos, por mais que discordemos do acordo. As pessoas continuam lá e precisam ainda mais de ajuda. As ONG que distribuíam comida, por exemplo, foram-se embora. E nós íamos deixar estas pessoas à fome? Não podíamos. Primeiro estão as pessoas, lutamos com elas, por elas, o que não podemos é abandoná-las. Decidimos que tínhamos de encontrar outras maneiras de protesto… E a verdade é que ainda nenhum sírio foi expulso para a Turquia, os que saírem decidiram fazê-lo. Vamos lutar por estas pessoas até ao fim, nos tribunais da Grécia ou nos tribunais internacionais, com todos os meios ao nosso dispor.

O vosso projecto mais recente passa por encontrar famílias de acolhimento para estas crianças. Como é que isso está a correr?

Nós já sabíamos que as melhores práticas implicavam criar essa estrutura. É o que se faz há muitos anos na Holanda ou na Bélgica. Mas o ideal é colocar as crianças em famílias com o mesmo contexto cultural e geográfico, que falem a língua… E quando avançámos, no fim de 2014, percebemos que na Grécia, com a crise económica, os imigrantes vivem todos em casas minúsculas e passam por muitas dificuldades. Acabámos por concluir que o único caminho era abrir esta possibilidade a famílias gregas, sem termos ideia de qual seria a reacção das pessoas. Começámos muito discretamente, fizemos um comunicado de imprensa e em dois dias tivemos 280 telefonemas… Gregos a dizer “já tenho um quarto, tragam-me a criança amanhã”. Claro que não é assim, é preciso saber se as famílias cumprem determinadas condições. Mas foi tão comovente.

E os resultados estão a ser os que esperavam?

Ainda melhores! Já colocámos 12 crianças com famílias. E bastam umas semanas para estes miúdos estarem a falar-nos dos seus “pais gregos”. É incrível o que eles crescem e se abrem quando se vêem de novo a viver com uma família. Tivemos o caso de uma miúda de 12 anos que estava a tomar conta do irmão, mais pequeno, desde a Síria. Claro que já não sabia o que era ser criança, já não se lembrava. É maravilhoso.

O principal obstáculo então não é a falta de dinheiro. É mesmo a burocracia?

Exactamente, é incrível, mas o custo de colocar uma criança refugiada numa família é três vezes menor do que o custo de a manter num abrigo. Claro que as famílias recebem um subsídio, mas é tão pequeno, ninguém faz isto pelo dinheiro. Quem decide receber uma criança só tem de ter empatia e paciência… Se os miúdos dão problemas é por lhes faltarem adultos que os mandem dormir, que os obriguem a fazer a cama. Estas crianças deixaram de saber o que é ter regras, disciplina. É tão simples quanto isso.

Outra área em que a METAdrasi foi absolutamente revolucionária é a formação dos intérpretes. O Governo, a ONU, toda a gente quer os vossos intérpretes e vos pedem para dar formação… O que é que não estava a ser feito?

Até nós aparecermos ninguém se preocupava com a qualidade dos intérpretes. Ninguém achava importante que se falasse a língua. Nós temos pessoas que falam 33 línguas. É uma irresponsabilidade enorme, achar que isso é secundário… Estes intérpretes não são simples tradutores, são a voz de pessoas que se encontram nas situações mais frágeis que se pode imaginar, podem fazer a diferença entre a vida e a morte. Se alguém se queixa de dores no “coração” e o intérprete traduz “rim”, o que é que vai acontecer àquela pessoa? A maioria dos nossos intérpretes são ex-refugiados ou imigrantes, passaram por muito, estiveram em situações limite. Mas nem eles estavam preparados para o horror de que a Grécia tem sido cenário. Quando os corpos dão à costa, são eles que agarram nos pais em pranto enquanto esperam para reconhecer os filhos… São coisas que eles nunca mais vão esquecer.

 

 


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