Mortalidade infantil até aos 5 anos diminuiu 94% desde 1970 em Portugal

Julho 6, 2016 às 8:21 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jornaldenegocios.pt/ de 28 de junho de 2016.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

The State of the World’s Children 2016: A fair chance for every child

Reuters

Portugal tem uma das mais baixas taxas de mortalidade infantil do mundo, com quatro mortes de crianças até aos cinco anos em cada mil nascimentos, em 2015, valor que representa uma diminuição de 94% em 45 anos.

Os dados constam do relatório anual da Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância, divulgado esta terça-feira, e que revela, no geral, que quase setenta milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos até 2030 se a comunidade internacional não investir já nas mais crianças pobres.

De acordo com a Unicef, e tendo por base dados do Eurostat para 2014, 19,5% da população portuguesa vivia em risco de pobreza. Entre os adultos o risco de pobreza era de 18,1%, enquanto entre as crianças o risco era bastante mais elevado e chegava aos 25,6%, enquanto a média europeia foi de 16,3% e 21,1%, respectivamente.

Numa lista de 197 países, Portugal aparece na 166.ª posição, ex-aequo com mais 15 países que partilham uma taxa de mortalidade infantil até aos cinco anos de quatro crianças em cada mil. O país mais mal classificado é Angola, em 1.º lugar, com a maior taxa de mortalidade infantil do mundo: 157 em cada mil crianças morrem antes dos cinco anos no país.

Especificamente em relação a Portugal, a Unicef revela que a taxa de mortalidade infantil até aos cinco anos de idade teve uma redução de 94% desde 1970, ano em que morriam 68 crianças em cada mil nascimentos.

Esse número cai para 15 mortes em 1990, para sete em 2000 e para quatro em 2015, o que significa, de acordo com os dados da Unicef, que houve uma redução de 76% desde 1990 e de 50% desde 2000.

Em 2015, a taxa de mortalidade até aos cinco anos de idade por sexo era de quatro mortes entre os rapazes e de três mortes entre as raparigas. Já a mortalidade infantil até um ano de idade era, no ano passado, de três mortes em cada mil nascimentos, contra 12 em 1990, o que representa um decréscimo de 75%.

No que diz respeito à mortalidade neonatal, ou seja, até aos 28 dias de idade, Portugal tinha uma taxa de duas mortes por cada mil nascimentos.

Segundo a Unicef, nasceram no ano passado 83 crianças e não se registou qualquer morte infantil até aos cinco anos de idade, sendo que a esperança de vida à nascença era de 81 anos. Por outro lado, uma em cada 8.200 mulheres corria o risco de morrer durante o trabalho de parto.

Os dados para Portugal revelam que, em matéria de educação, a taxa de alfabetização dos jovens com idade entre os 15 e os 24 anos foi de 99% entre 2009 e 2014.

Para o mesmo período, 92% de rapazes e 89% de raparigas frequentaram o pré-escolar, ao mesmo tempo que apenas 1% das crianças não frequentou a escola primária, o que representou sete alunos. Na escola secundária inscreveram-se 92% dos rapazes e 94% das raparigas.

Os indicadores demográficos revelam que, em 2015, Portugal tinha 10.350 mil habitantes, dos quais 1.782 mil com menos de 18 anos e 439 mil com menos de cinco anos. 1.072 mil pessoas tinham entre 10 e 19 anos, representando 10% da população.

A taxa de crescimento anual da população foi de 0,2% entre 1990 e 2015, prevendo-se um decréscimo de 0,3% entre 2015 e 2030.

Relativamente à saúde, a totalidade da população tem acesso a água potável, bem como a instalações sanitárias.

 

 

 

Cibercrime: pornografia infantil aumentou 82% em 2015

Julho 6, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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A pornografia infantil está a proliferar-se em Portugal através da internet a um ritmo muito elevado. No último ano, a Polícia Judiciária detectou um aumento de 82% nos crimes relativos a este tipo de prática, envolvendo menores. De 94 inquéritos abertos pela polícia de investigação em 2013, passou-se para 440 em 2015.

Ainda assim, é apenas um dos números preocupantes com que os investigadores se depararam em 2015. Dados da PJ relativos aos inquéritos abertos por crimes informáticos com início de investigação em 2014, a que a VISÃO teve acesso, revelam que a generalidade dos crimes praticados com recursos informáticos previstos na lei tiveram um aumento significativo, com grande destaque também para as burlas informáticas e nas comunicações (aumento de 67% de 2014 para 2015).

A prova de que o cibercrime ainda é uma área muito escorregadia para as autoridades e onde a velha máxima do “crime compensa” ainda se aplica bastante, é que apesar dos aumentos substanciais em todos os tipos de crime praticados informaticamente, apenas 29 pessoas foram efetivamente detidas em 2015. Isto, apesar de o número de arguidos constituídos ultrapassar os 500 e o número de inquéritos abertos estar perto dos nove mil.

O caso mais emblemático desta máxima são mesmo as burlas informáticas e nas comunicações. No ano de 2015, a PJ abriu 7800 inquéritos por este tipo de crime (contra 4674 em 2014). No total só constituiu 322 arguidos e apenas 18 ficaram efetivamente presos. Estamos a falar, nestes casos, de aquisição de bens (burla qualificada), obtenção de trabalho (burla relativa a trabalho ou emprego) ou burlas relativas aos cartões de crédito usados online.

O crime de falsidade informática é outro dos que cresceu bastante nos últimos anos. A PJ abriu o triplo dos inquéritos em 2015, relativamente a 2013 (154 contra 50), mas apenas conseguiu prender uma pessoa. O mesmo aconteceu com a sabotagem informática, que passou de 33 inquéritos abertos em 2013 para 104 e não levou a qualquer prisão.

Encontro “Os Desafios da Creche” 16 de julho no Porto

Julho 6, 2016 às 9:36 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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desa

mais informações:

https://desafiosdacreche.wordpress.com/

Mãe, ou melhor amiga?

Julho 6, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Mother with her preteen daughter at home

 

 

A cumplicidade entre mães e filhos é natural. Mas é importante que a mãe não se esqueça do seu papel: ela é a mãe e não a melhor amiga. Por mais tentador que seja, ter uma relação de melhor amiga com os filhos não é moderno ou “cool”, é tóxico.
Enquanto a filha Sara, de 17 anos, toma duche, a mãe Alexandra coloca a roupa dela em cima da cama para ela vestir. E às vezes, quando o filho mais novo tem torneios ao fim-de-semana, que o obrigam a acordar às sete num sábado, ela levanta-se um bocadinho mais cedo e faz-lhe panquecas com mel, o seu pequeno-almoço preferido, para amenizar um pouco o golpe. “Tenho amigas que dizem que eu sou maluca, mas são apenas miminhos, pequenos gestos de amor de mãe. Curiosamente, algumas dessas amigas que me chamam maluca por causa destes gestos, são aquelas que deixam a filha de 13 anos passar a noite numa festa – ‘porque os amigos vão todos, ela nunca me perdoaria se ficasse de fora’ – e o filho de 16 e os amigos fumarem ganzas no quintal lá de casa – ‘porque ele assim sabe que pode contar comigo, que não o vou julgar, e os amigos acham-me a mãe mais cool de sempre’. Enfim…”, desabafa.
No ano passado, um estudo realizado pela agência norte-americana The Family Room LLC revelou uma nova dinâmica presente nas famílias da geração Y: pais que desejam ser os melhores amigos dos seus filhos. De acordo com esta pesquisa, 54 por cento dos pais dessa geração, que hoje têm entre 25 e 35 anos, descrevem os seus filhos como os seus “melhores amigos”. Entre os pais da geração anterior, a chamada geração X, que estão hoje na faixa etária dos 36 aos 50 anos, esse número cai para 38 por cento. Sinais dos tempos? O psicólogo Rui Guedes acha que sim: “A forma dos pais se relacionarem com os filhos está a mudar há décadas. Porque, enquanto sociedade, ainda estamos à procura do modelo mais saudável para as famílias. Passámos por uma fase de autoritarismo exacerbado dos pais, depois veio uma fase de liberdade desmedida, e agora estamos à procura do meio-termo. Tudo isto é natural, desde que os papéis não se confundam, o que nem sempre acontece.”

 

Cada macaco no seu galho
A cumplicidade natural entre mães e filhos (“claro que também há pais que querem ser os melhores amigos dos filhos”, afirma o psicólogo, “mas, seja pela relação mais visceral com as mães, seja porque as mães deixam de trabalhar para estar com os filhos, centrando-se completamente neles, ou porque trabalham demasiado e sentem-se culpadas por isso, seja porque em caso de divórcio os filhos ficam, normalmente, com as mães, a verdade é que os casos que nos chegam ao consultório são sobretudo entre mães e filhos”) às vezes ganha contornos pouco saudáveis, com as mães a fazerem de tudo para se tornarem nas melhores amigas dos filhos. Alexandra reconhece algumas das suas amigas e conhecidas neste papel, mas não enfia a carapuça. “Tenho alguma dificuldade em perceber essas mães que dizem com vaidade ser as melhores amigas dos filhos”, diz. “E não é por eu ser antiquada ou não ter uma mente aberta. É porque os meus filhos têm imensos amigos, e não precisam de mim para engrossar essas fileiras. Eu sou amiga dos meus filhos, mas não sou ‘amiguinha’ dos meus filhos. Procuro estabelecer com eles uma relação de confiança, respeito, companheirismo, intimidade e muito amor, mas não quero ter com eles a mesma relação que têm com os amigos da idade deles. Eu ofereço-lhes algo inestimável, que nenhum amigo, por mais leal, lhes dá: uma clara definição de limites, um amor duro a que só uma mãe se atreve. E digo ‘atreve’ no verdadeiro sentido da palavra, porque dizer ao meu intrépido adolescente que não pode ir à festa de aniversário do Carlos, onde sei que vai haver bebida a rodos e zero supervisão, ou à minha Sara que não pode sair de casa com aquele top que não deixa nada à imaginação, é um desafio! Os meus filhos são as minhas crianças, não são os meus amiguinhos. Os amigos deles não lhes lavam a roupa suja, não vão a três supermercados diferentes só para encontrar o seu iogurte preferido e não se certificam que ainda têm cuecas que lhes sirvam. E sei, até pela experiência com a minha própria mãe, que esta minha determinação em ser, efetivamente, mãe, terá recompensas na idade adulta dos meus filhos, estabelecendo laços mais fortes entre nós.”

 

A importância dos limites
O que faz, então, com que tantas mães sofram desta síndrome da melhor amiga? A psicóloga Carolina Birr diz-nos que, normalmente, há sempre uma história para trás. “É uma relação simbiótica, em que há uma dissolução da hierarquia, e que, normalmente, é um padrão repetido. Ou seja, uma mãe que estabelece este tipo de relação com a filha teve uma mãe que fez isso com ela, ou então exatamente o oposto, e teve uma mãe demasiado rígida, que não deixava espaço para a intimidade.”
Rui Guedes aprofunda esta questão do oposto: “Muitas mães educam os filhos da forma que gostariam que os seus pais as tivessem educado. A ideia até parece interessante, mas não funciona, porque esta forma de educar fazendo o contrário do que nos fizeram a nós é reativa, e, como tudo o que é reativo, é pouco saudável e traz sempre consequências que não conseguimos prever.”

 

Amizade responsável
Nada disto significa que mães e filhos não possam – e não devam – ser amigos. Mas as mães têm de ser “amigas responsáveis” e não BFF (Best Friends Forever). “Mães e filhos estão preparados geneticamente para se amarem e confiarem uns nos outros. Mas o papel das mães não é apenas emocional, mas também funcional, e educar faz parte das suas funções”, alerta o psicólogo. “A questão é que educar passa, entre outras coisas, por definir limites, e esse papel torna-se mais importante à medida que a criança cresce, e não permite que as mães sejam as melhores amigas dos seus filhos. Quando dizemos que queremos ser os melhores amigos dos nossos filhos, estamos a dizer que queremos ser seus confidentes e que eles sejam os nossos, e isso é um risco muito grande, porque a criança não está preparada emocional, moral e intelectualmente para esse papel. Além disso, ser o melhor amigo significa participar nas tomadas de decisões, mas mãe e filho não podem ser codecisores. Os mais novos podem participar dando a sua opinião, mas as decisões têm de ser tomadas pelo adulto.”
Quando a mãe deixa de ser cuidadora e passa a ser a melhor amiga, impõe-se a pergunta: quem está a cumprir o seu papel de mãe? E esse é um grande perigo, pois a criança e o jovem precisam de orientação e de segurança, além de alguém que apenas os ouça e os aconselhe, como um amigo faria. As mães que querem ser as melhores amigas dos filhos fazem-no para não os desapontar nem terem de lidar com o conflito. Por isso têm sérias dificuldades em dizer não e em estabelecerem limites. O que raramente fazem é pensar nas consequências imprevisíveis deste tipo de atitudes: por exemplo, uma criança que nunca ouve um “não” vai ter sérias dificuldades no futuro, esperando que o mundo inteiro e a vida lhe digam sempre “sim”. Carolina Birr explica que “esta relação simbiótica entre mãe e filho faz com que não haja uma hierarquia, um limite, um respeito pelo outro, e no futuro este filho terá dificuldades em lidar com o espaço e com os sentimentos do outro, para além de não perceber a autoridade e a hierarquia”.
Esta educação “fofinha”, de “amiguinhos”, tem muitos perigos: não permite à criança nem ao adolescente desenvolverem a autoconfiança, a independência, e, sobretudo, a responsabilidade, para poderem tornar-se adultos completos. A questão é que, para os filhos se transformarem em adultos saudáveis, os pais não devem nunca hesitar na demarcação dos limites entre eles e os filhos. “Não existe nenhum estilo de educação saudável em que os pais se demitam da sua autoridade”, afirma, categórico, o psicólogo Rui Guedes.
Amigos são, por definição, pessoas que partilham as mesmas ideias e a mesma visão de vida. Mas as crianças – e mesmo os adolescentes – não partilham das mesmas ideias e da mesma visão que a mãe, simplesmente porque não têm a mesma maturidade. E, se mais razões fossem precisas, Rui Guedes deixa uma última: “A mãe não pode ser amiga porque ela não desempenha uma função que se possa escolher, tal como se escolhem os amigos”.
Portanto, aposte numa educação democrática, baseada na dignidade e no respeito mútuos, mas lembre-se que mesmo em democracia existe a necessidade de um líder. A criança precisa de autoridade, de ser confrontada, de lhe serem negadas coisas, para desenvolver autocontrolo. E precisa desse autocontrolo para se sentir segura, confortável, saudável e capaz de enfrentar e lidar com os desafios da sua vida atual e futura, gerindo lutas e desafios, frustrações e desapontamentos. Amar a criança incondicionalmente não é a mesma coisa que fazer tudo por ela. Por isso, seja muito mais que a melhor amiga. Seja mãe.

 

Escrito por Rosa Cordeiro, em 23 Junho de 2016, para a Pais & Filhos

 


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